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domingo, novembro 27, 2005

Os dias seguintes

Uma estranha leveza. Toma-nos uma estranha leveza. Parece mentira, mas os melhores dias são os que se seguem à catástrofe.
Algo nos roubou a vida inteira, tudo; e despojados, resta-nos, então, parar com as mãos totalmente abertas e vazias, aceitando o que vem, o que se dá.
Compreendemos que, não sendo perfeito, o fraco, frágil mundo é tudo o que resta. E que tudo o que resta é recomeçar, retornar à estrada e percorrê-la, sorrindo, nos dias em que não choramos. Todos os dias havemos de rolar a enorme pedra um metros pela encosta acima, com os olhos fixos no cume que não sabemos se alcançaremos. E saber que isso não é a condenação, a prisão perpétua, mas apenas a estrada que calcorreamos antes que que nos cresçam asas.
Voltamos a olhar de frente os que nos rodeiam. Reencontramos objectos perdidos há muito tempo. Tudo é estranho. Tudo é novo. Colocaram-nos novos olhos nas órbitas, enquanto dormíamos escassas horas.
E nesses nomentos parece-nos, sem percebermos, que o fim, se calhar, é um início.


Foto de Henk Braam

terça-feira, setembro 13, 2005

Mensagem numa garrafa, 2

Sonhei que eras a chama de uma vela, e que te apagaste antes do fim, sem qualquer explicação.

sábado, agosto 20, 2005

A ilusão oferecida

Fecho-me na escuridão do compartimento de arrumos e abraço-me, de olhos fechados, às palavras que me mentiste.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...