As minhas amigas andam preocupadas com o celibato a que me votei, sobretudo desde que leram na Imprensa que o mulherio, quando chega o Verão, anda a ferver. Se a Imprensa diz, a Imprensa manda, e a gente passa a andar a ferver mesmo que ainda durma com botas de lã.
Segundo a Joana Rita, e tendo-lhe contado uma outra Cátia Vanessa, parece que bom, bom para uma solteirona arranjar marido é fazer o sagrado caminho de Santiago.
O caminho de Santiago?!
Até lhe perguntei, “então mas isso não é uma coisa espiritual que as pessoas fazem para se encontrar com o seu eu interior?”
Que sim, mas que há por lá muito divorciado em busca do eu interior perdido, e que depois há as estalagens, a camarata, o cansaço, a reflexão solitária partilhada, a quebra do eu, as afinidades profissionais, espirituais, electivas, e, conversa puxa conversa, entre um pai-nosso e um mantra, já se anda no restolho, e assim se restabelece a ordem do mundo - mal se podendo esperar para chegar a Santiago e procurar uma cama de jeito, e uma casa-de-banho privada.
O santo parece que fica feliz com a alegria alheia, o que se compreende, porque também eu. Já se sabe que a carne tem o seu quê espiritual e vice-versa, mas isso é informação só para iniciados - não nos aventuremos.
Não sabendo eu onde ir passar férias, e estando aqui dividida entre uma aventura barata sem destino e sem mapa, ou uma cara estadia num spa, onde basicamente esperaria que me massajassem dos pés à cabeça, diariamente, mais a exfoliação, o peeling e a drenagem linfática, parece-me bem esta ideia do caminho de Santiago.
O problema é o verão, os calores das caminhadas, os pés a arder... mas, por outro lado, a médica de família mandou-me andar uma hora por dia, só por questões salutares, entenda-se.
Vendo bem as coisas, peregrina já eu sou por vocação. E, quanto a graças, tenho sempre tantas a pedir, tantas a agradecer! Falta-me o bordão e a concha. Mas os acessórios arranjam-se.
Vejamos, consta-me que há diversas vias para Santiago, ou seja, que é possível começar por diferentes lugares, e fazer apenas um parte final do percurso - e é aqui que preciso da vossa ajuda: e se fosse um caminho mais pela sombra? E se houvesse uns lagos, uns chafarizes românticos, uns pinhais balsâmicos, ervinhas olorosas, sítios propícios à contemplação, ao maravilhamento, algo pastoris? E se fosse um percurso cheio de divorciados solitários, entre - pronto, e agora vou ser uma mãos largas e alargar a faixa etária – os 33 e os 49 (mas, atenção, a partir dos 40 só bem conservados, bem vividos e com bom humor!), hein?
Podia ser que eu me entusiasmasse. Colaborem com esta causa!