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quinta-feira, julho 17, 2008

Desobrigada


Foto de Joel D. Levinson


A escrita entra em ritmo de férias a partir de hoje e até final de Agosto. Hei-de cá vir quando puder, quando uma leitura ou uma observação me motivarem um texto, e se a internet estiver perto, mas sem a obrigação que normalmente sinto de actualizar o blogue porque os leitores "já devem estar fartos daquele texto". Virei menos, mas hei-de vir.
Boas férias.

sexta-feira, março 30, 2007

A droga tem menos efeitos secundários

Tenho um vizinho jovem, muito jovem, e, como sabem, estamos nas férias da Páscoa. As férias são temíveis para vizinhos com vizinhos jovens. Nas férias, os hominídeos ficam sozinhos em casa, sintonizando as aparelhagens ao máximo, ouvindo, ao que parece, afirmam eles!, música.
Recentemente, tive obras no apartamento ao lado. Nunca pensei dizer uma coisa destas, mas o barulho da remodelação: a marreta, o martelo, o berbequim demolidor de paredes produziam uma harmonia de notas e ritmos muito mais interessante que toda a música que sai de casa do meu jovem vizinho. A música do monstro atinge todo o prédio como se uma retroescavadora tivesse decidido autoflagelar-se, atirando-se repetidamente contra a viga-mestra.
A meu ver, as sonoridades electrónicas que o jovem ogre consome, poderiam ser produzidas por dois simples instrumentos de percussão: um martelo pneumático usado ao retardador, e uma vara de madeira batendo no interior de um bidão vazio. Eu, que não aprendi música, e não sei localizar um ré num teclado de piano, afirmo-me habilitada a criar obras-primas para o primata lá de baixo. Não deve ser difícil produzir uma sonoridade de fundo martelada, ligeiramente abafada, mas vibratória, sempre a mesma nota, tum-tum-tum-tum-tum, durante 10, 20, 30, minutos; periodicamente, quebraria a sequência, introduzindo uma frequência mais aguda, estridente, eu diria mais rachada - o tal apontamento da vara batendo dentro do bidão: trec-trec; trec-trec; trec-trec.
O clímax musical, lá em baixo, dá-se quando o martelar electrónico é alterado por uma súbita combinação de sete coloridas notas, tum-tum/tum-tum-tum/tum-tum, acompanhadas da batida na lata, como se se tratasse do momento final dum espectáculo de fogo de artifício. Um acorde melódico genial: tum-tum/trec-trec/tum-tum-tum/trec-trec/tum-tum/trec-trec. Delírio. Tanto, que este poste teve de ser escrito, ontem à tarde, no café.
Tenho muita pena dos professores, e dos pais, porque algo me diz que as consequências do martelo impiedoso devem chegar-lhes às salas, e à mesa da refeição, assumindo formas que a nossa mente nem alcança.

domingo, julho 30, 2006

O meu plano de férias

As minhas amigas andam preocupadas com o celibato a que me votei, sobretudo desde que leram na Imprensa que o mulherio, quando chega o Verão, anda a ferver. Se a Imprensa diz, a Imprensa manda, e a gente passa a andar a ferver mesmo que ainda durma com botas de lã.

Segundo a Joana Rita, e tendo-lhe contado uma outra Cátia Vanessa, parece que bom, bom para uma solteirona arranjar marido é fazer o sagrado caminho de Santiago.

O caminho de Santiago?!

Até lhe perguntei, “então mas isso não é uma coisa espiritual que as pessoas fazem para se encontrar com o seu eu interior?”
Que sim, mas que há por lá muito divorciado em busca do eu interior perdido, e que depois há as estalagens, a camarata, o cansaço, a reflexão solitária partilhada, a quebra do eu, as afinidades profissionais, espirituais, electivas, e, conversa puxa conversa, entre um pai-nosso e um mantra, já se anda no restolho, e assim se restabelece a ordem do mundo - mal se podendo esperar para chegar a Santiago e procurar uma cama de jeito, e uma casa-de-banho privada.
O santo parece que fica feliz com a alegria alheia, o que se compreende, porque também eu. Já se sabe que a carne tem o seu quê espiritual e vice-versa, mas isso é informação só para iniciados - não nos aventuremos.

Não sabendo eu onde ir passar férias, e estando aqui dividida entre uma aventura barata sem destino e sem mapa, ou uma cara estadia num spa, onde basicamente esperaria que me massajassem dos pés à cabeça, diariamente, mais a exfoliação, o peeling e a drenagem linfática, parece-me bem esta ideia do caminho de Santiago.

O problema é o verão, os calores das caminhadas, os pés a arder... mas, por outro lado, a médica de família mandou-me andar uma hora por dia, só por questões salutares, entenda-se.

Vendo bem as coisas, peregrina já eu sou por vocação. E, quanto a graças, tenho sempre tantas a pedir, tantas a agradecer! Falta-me o bordão e a concha. Mas os acessórios arranjam-se.

Vejamos, consta-me que há diversas vias para Santiago, ou seja, que é possível começar por diferentes lugares, e fazer apenas um parte final do percurso - e é aqui que preciso da vossa ajuda: e se fosse um caminho mais pela sombra? E se houvesse uns lagos, uns chafarizes românticos, uns pinhais balsâmicos, ervinhas olorosas, sítios propícios à contemplação, ao maravilhamento, algo pastoris? E se fosse um percurso cheio de divorciados solitários, entre - pronto, e agora vou ser uma mãos largas e alargar a faixa etária – os 33 e os 49 (mas, atenção, a partir dos 40 só bem conservados, bem vividos e com bom humor!), hein?
Podia ser que eu me entusiasmasse. Colaborem com esta causa!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...