Encontra-se em exibição, com assinalável sucesso, o filme A Turma, de Laurent Cantet, versando os temas quentes da escola dos nossos dias: uma insolência que consiste em considerar a ignorância legítima, sem argumentos, apenas porque é chato estudar, desafiando de forma desconcertante a utilidade do saber. Uma insolência confundida com diálogo, onde não existe sequer capacidade para o diálogo, apenas um desrespeito soez.
O filme é fraquinho, com personagens estereotipadas, como o professor bonzinho e sensível, o professor inflexível e racional, o director carrancudo e formal, as professoras preocupadas com os problemas docentes dos colegas, por quem podem ter um eventual fraquinho, e os alunos problemáticos, todos imigrantes.
Contudo, como disse, o filme vende. Tenho uma teoria: todas as pessoas sentem uma certa nostalgia da escola, de onde saíram e onde não regressaram. Sentir saudades da escola é uma forma de nos mantermos ligados à nossa juventude e a esse tempo bom em que éramos apenas limitadamente responsáveis. Ainda não tínhamos de ser adultos nem de levar com todo este lixo social e profissional que aguentamos todos os dias. Há uma certa aura de inocência e de liberdade ligada a esses tempos. Por isso, todos têm opiniões sobre a escola, como pais ou como observadores. Todos lá queriam estar para mudar, para fazer melhor, para transformar todos aqueles rapazes e raparigas perdidos para o ensino em Clubes de Poetas Vivos.
Mas a escola real tornou-se um lugar deprimente onde ninguém é livre. Já não há lugar para os bons professores, aqueles que entusiasmavam uma turma sem quadros interactivos, apenas com a voz, um texto, o quadro negro, um pau de giz. Estamos na era da aula em power point, com uniformização dos procedimentos. O bom professor é o que aguenta 12 horas de trabalho, que os power points dão trabalho, não mija fora do buraco, aguenta as bocas dos alunos que consideram a matéria uma merda, e até lhes perguntam, então e por que acham V. Exas. que é uma merda? Vamos dialogar. Os senhores não pensam, recusam pensar, não reconhecem o valor do pensamento, mas estou disposto a ouvi-los, façam favor de me sujar com a vossa opinião de rebeldes sem causa. Façam o favor de me insultar mais um bocadinho, porque é para isso que aqui estou.
A escola tornou-se um lugar em que ensinar se transformou no que há de mais secundário. Importante é preencher papéis com planificações e objectivos que visam cumprir formalidades, e realizar reuniões para aferir critérios e competências e objectivos irrealistas, eduquês, eduquês para arquivo, porque no fundo, no fundo, no fundo, toda a gente na escola sabe que quer os alunos aprendam, quer não aprendam, são para passar. Todos os crimes são sem castigo.
Os nostálgicos da escola não haveriam de querer saber o Inferno em que esta se tornou.
O filme é fraquinho, com personagens estereotipadas, como o professor bonzinho e sensível, o professor inflexível e racional, o director carrancudo e formal, as professoras preocupadas com os problemas docentes dos colegas, por quem podem ter um eventual fraquinho, e os alunos problemáticos, todos imigrantes.
Contudo, como disse, o filme vende. Tenho uma teoria: todas as pessoas sentem uma certa nostalgia da escola, de onde saíram e onde não regressaram. Sentir saudades da escola é uma forma de nos mantermos ligados à nossa juventude e a esse tempo bom em que éramos apenas limitadamente responsáveis. Ainda não tínhamos de ser adultos nem de levar com todo este lixo social e profissional que aguentamos todos os dias. Há uma certa aura de inocência e de liberdade ligada a esses tempos. Por isso, todos têm opiniões sobre a escola, como pais ou como observadores. Todos lá queriam estar para mudar, para fazer melhor, para transformar todos aqueles rapazes e raparigas perdidos para o ensino em Clubes de Poetas Vivos.
Mas a escola real tornou-se um lugar deprimente onde ninguém é livre. Já não há lugar para os bons professores, aqueles que entusiasmavam uma turma sem quadros interactivos, apenas com a voz, um texto, o quadro negro, um pau de giz. Estamos na era da aula em power point, com uniformização dos procedimentos. O bom professor é o que aguenta 12 horas de trabalho, que os power points dão trabalho, não mija fora do buraco, aguenta as bocas dos alunos que consideram a matéria uma merda, e até lhes perguntam, então e por que acham V. Exas. que é uma merda? Vamos dialogar. Os senhores não pensam, recusam pensar, não reconhecem o valor do pensamento, mas estou disposto a ouvi-los, façam favor de me sujar com a vossa opinião de rebeldes sem causa. Façam o favor de me insultar mais um bocadinho, porque é para isso que aqui estou.
A escola tornou-se um lugar em que ensinar se transformou no que há de mais secundário. Importante é preencher papéis com planificações e objectivos que visam cumprir formalidades, e realizar reuniões para aferir critérios e competências e objectivos irrealistas, eduquês, eduquês para arquivo, porque no fundo, no fundo, no fundo, toda a gente na escola sabe que quer os alunos aprendam, quer não aprendam, são para passar. Todos os crimes são sem castigo.
Os nostálgicos da escola não haveriam de querer saber o Inferno em que esta se tornou.