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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Lançar a rede

(Toque de telemóvel.)

Isabela - Estou.
Alguém do outro lado - ...
Isabela - Sim...
Candidato casado, de certeza - ...olá. Estás boa?
I. - Sim... mas quem fala?
C.C.D.C. - É o Vítor Hugo.
I. - Ah, Vítor Hugo, olá. Mas como tens o meu número de telemóvel? (nunca lho dei, juro.)
C.C.D.C. - Quando queremos muito uma coisa, conseguimo-la...
I. - (risinho amarelo) Pois... (A aliança é o único sinal de casado que este candidato não traz.)
C.C.D.C. - Queridinha, hoje andei à tua procura e nada... esperei até há uma e meia, mas não te vi.
I.- Estou doente. Não fui.
C.C.D.C. - Então, amorzinho?
I. - Gripe. Cheia de febre. Afónica.
C.C.D.C.- Fazes bem. Olha, linda, como já deves ter reparado a minha vida não é aquilo. Tenho uma fábrica de parafusos só minha, e agora estamos a pensar fabricar peças de tamanho grande, pelo que pensei em ti. De todas as pessoas lá da fábrica, és a que me parece ter o perfil mais adequado. (Sou a única cujos olhos ele atravessa com os seus, deve ser isso.) Estás interessada?
I. - Ah, Vítor Hugo, falamos melhor sobre isso amanhã. Pode ser?
C.C.D.C.- Pode, queridinha, pode. Trata de ti, minha linda. Amanhã almoças comigo e quero-te fina.
I. - Sim. Tchau. Até amanhã.

(A minha fábrica emprega quase 200 operários, e eu sou a escolhida para os biscates. Que sorte!
Claro que enquanto escrevo este poste ele esfrega as mãos, antecipando o pitéu reboludo, carente, e frágil que fará o especial favor de consolar às meias-horas, no sossego da fábrica particular.
Mas o pitéu é velho e, infelizmente, sabido!)

domingo, outubro 07, 2007

Ao menos usem aliança para a gente perceber logo


Entrou um colega novo lá para a empresa. Desde que chegou, tem-se chegado muito a mim.
"Olá, colega, então que fazes por aqui hoje?", pergunta-me, penetrando-me o olhar com uma espécie de visão raio X que me atravessa de um lado ao outro da testa. O raio do homem ainda me arranja algum descolamento na retina.
Considerando que trabalhamos ambos na mesma fábrica de parafusos, e que ambos produzimos artigos de tamanho médio, e exactamente na mesma secção, gostaria de saber que raio de pergunta é aquela? A resposta correcta seria "faço exactamente o mesmo que tu, ora essa!" Mas não, não posso retorquir de tal forma e tornar-me indelicada. É preciso ver que enquanto me penetra o olhar, o colega sorri com a boca toda, pelo que lhe respondo, sorrindo também, de fugida, meia de lado, "Adianto uns trabalhos. Tem de ser. Compreendes..."

Os homens muito gulosos embaraçam-me. Quando se torna muito óbvio que me estão a fazer a corte, e olhinhos ternos, e sorrisinhos, e me querem tocar na mãozinha, e fazer conversa sem terem nada para dizer, seguros do implícito "eu sei que tu estás a perceber que estou interessado", sinceramente, envergonham-me. Torna-se contraproducente, porque só penso em fugir. Assim não dá, não consigo.
Gostava tanto que estudassem uma conversa qualquer, de forma a que eu não percebesse tratar-se de medíocre engate, e deixassem correr. Liam-me uns poemas. Levavam-me a umas livrarias com café. Ao cinema. A passear não sei onde. Explicavam-me a teoria do big bang pela trigésima-quinta vez, ou como se faz uma ponte suspensa, ou lembravam-me os princípios da trigonometria. Depois logo se via o que é que dava. É que não vou a lado nenhum com conversa de engate. É oca; é óbvia. Com uma mulher do meu género não dá.
Em alternativa, parecer-me-ia bem que o meu colega arranjasse coragem para dizer, "Ó Isabela, sais às quê? Anda ali à Cruz de Pau tomar um café!" Eu diria que sim, já a perceber tudo, pois, mas ia, e o homem explicava-se, desengasgava, e eu faria um esforço enorme para não me rir, mas ele não daria por nada, e pelo menos tinha do seu lado a prova maior que para mim constitui a coragem. Coisa mais linda, e rara, a coragem! Se calhar até tinha sorte. Se calhar até o deixava ver-me os olhos ao fim-de-semana, e quatro ou cinco anos depois quem sabe se não estaria quase a deslizar-me a alça do soutien.
Quando gosto de um homem, tenho uma técnica: digo-lhe. Não ando a empatar com linguagem corporal que só embaraça, e verbal, "não sei quê, o que é que andas aqui a fazer". Conclusão, ou o colega novo é cobardolas, e não serve, ou é dos casados, e sem aliança, e, logo, também não serve.



domingo, dezembro 18, 2005

O fenómeno «Portas Largas»



O meu termómetro marca 10º graus lá fora. Ontem, por esta hora estavam 9º; mais tarde, apenas 7º.
Ora bem, não estamos no Verão e o frio dói. Portanto, coloco uma dúvida que me assalta há uns bons 20 anos: o que fazem as pessoas à noite, na rua, em pé, ao frio, com um copo de cerveja gelada na mão?! No Bairro Alto, por exemplo.
Antigamente, era o fenómeno Frágil. Agora, é o fenómeno Portas Largas. Ontem, foi Sábado, e já se sabe! Custa-me ver as pessoas sofrer gratuita e voluntariamente.
Ainda posso compreender, enfim, estou por tudo!, que um gay destroçado, em final de carreira, tenha de passar as "passas do Algarve" com o fim de conseguir o lazarento naco de carne para o orgasmo da madrugada... mas meninos e meninas, que podiam conviver serenamente, ou não, sentadinhos e quentinhos num barzinho...

Está bem, sei que é um ponto de encontro a partir do qual se passa a outra capelinha... Mas que é um ponto de encontro muito longo, que dura horas de convívio com quem passa, que se fica na conversa... é! E eu já nem falo da conversa de treta, própria do engate. Porque é conversa de treta. Perde-se tempo!
Na rua do Portas Largas olha-se muito. As pessoas estão ali para olhar e serem olhadas. Os homens, uns aos outros.
O
Portas Largas, que, na verdade, pouco espaço disponibiliza no interior, e ocupa, penso que à borla, a rua em frente, aparece em qualquer roteiro gay internacional.
Eu não tenho nada contra os gays, mas por que não engatam sentados?! por que não engatam dentro de portas?! É que está um frio que não lembra, depois constipam-se, depois é meter baixa médica, depois o serviço público ressente-se, e a produtividade nacional é o que se vê. Não é comigo, também sei, mas não resisto ao conselhozinho. Ultimamente sinto-me a discursar como os velhos!
Eu sei que não

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...