A professora não gostou da brincadeira. O filme mostra-a ameaçando o aluno com falta disciplinar. Contudo, a simulação de um disparo com a pistola de plástico, e de socos, acompanhados da pergunta-ameaça, "então, dá positiva ou não dá?!" continua à sua frente e, quando se senta, nas suas costas. Ultrapassa a mera brincadeira, embora a professora se sinta impotente relativamente à situação. Pode marcar falta disciplinar, de facto, mas aquela é a última aula do período, o objectivo é apenas falar sobre classificações, fazer a auto-avaliação, sair mais cedo. Deveriam estar todos sentados nos seus lugares? Deveriam! Deveriam estar calados, ouvindo, para depois se pronunciarem? Deveriam! O que andam aqueles miúdos a fazer em pé, de volta da professora, gozando, numa atitude nada própria de uma sala de aula? O que pode um professor fazer, nos dias de hoje, perante uma situação de desrespeito grave, sozinho numa sala cheia de jovens que não possuem consciência do que seja isso do respeito, e à mercê de prováveis violências físicas ou verbais? Os professores já não geram medo, nem respeito, e a questão não está no não se darem ao respeito, mas no não conseguirem ser respeitados, porque já não se respeita ninguém. Essa é a lei.
Para estes miúdos dos bairro do Cerco ou da Quinta da Princesa ou das melhores escolas de Almada, tudo e todos devem servi-los, garantir o seu conforto, a sua predominância social e poder, que não dependem da cultura que adquiriram, mas da aparência que projectam.
Estes monstros foram criados pela minha geração.
A educação está mal, porque está seriamente doente fora da escola.
Para estes miúdos dos bairro do Cerco ou da Quinta da Princesa ou das melhores escolas de Almada, tudo e todos devem servi-los, garantir o seu conforto, a sua predominância social e poder, que não dependem da cultura que adquiriram, mas da aparência que projectam.
Estes monstros foram criados pela minha geração.
A educação está mal, porque está seriamente doente fora da escola.