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quinta-feira, junho 14, 2007

Revisitar o caso Joana

Joana Cipriano

Uma menina desapareceu, em Portimão, em Setembro de 2004.
Aparentemente, os pais não lhe dedicavam grande carinho ou atenção. Crescia ao Deus-dará.
Desempregados; pobres, mal formados, e quase lumpens. Os culpados ideais, sem dinheiro para grandes defesas, ignorantes dos processos legais. E melhor, com cara de culpados.

A mãe aparentava calma. Não se lhe vislumbrava tristeza nem pena. Não parecia sofrer. Isso, bem como a falta de credibilidade de uma história mal contada, alertou as autoridades.
No princípio, os vizinhos ainda referiram uma eventual venda da criança, pelos pais. Falou-se nisso, mas a tese morreu. Oh, aquilo era gente má. Bichos que moravam na última casa da rua. Ainda me lembro do argumento imbatível de uma vizinha: deixavam a roupa a secar no arame, se preciso fosse, a semana inteira. Assassinos!

A mãe da menina, irmão e companheiro foram interrogados, os dois primeiros considerados suspeitos, e sujeitos a prisão preventiva. Confessaram homicídio. O corpo da criança passou a ser procurado por todos os lugares. Organizaram-se "batidas" ao cadáver. O tio ia dizendo à polícia que o tinha depositado por ali, achava, mas não se lembrava exactamente: tinha sido de noite - em nenhum desses lugares apareceu o corpo de Joana.
Parecia querer ganhar tempo, o raio homem, não reconhecer os sítios, não saber o que fazia e dizia.

Seguiram-se rumores de que a criança havia surpreendido mãe e tio em pleno acto sexual, e que esse teria sido o móbil do crime. A meu ver, só se justificaria a morte de uma criança, por tal motivo, em caso de acidente: ter-lhe-iam dado um encontrão, um bofetão, a miúda caíra e batera com a cabeça de forma fatal. Caso contrário, qualquer mãe negligente saberia subornar uma criança, iludi-la bem iludida, provar-lhe que não vira o que pensava ter visto.

Umas semanas depois da prisão, soube-se que os já culpados tinham confessado: tinham-na cortado às postas e congelado na arca frigorífica; mas depois já era num congelador vulgar. Tinham atirado os restos aos porcos. O povo deixou cair as queixadas. Era tudo o que se queria ouvir. Parecia um filme americano dos que passam no Lusomundo do Fórum Almada, admito.

Entretanto, as provas apresentadas a tribunal não foram conclusivas. O sangue nas arcas não pertencia à menina assassinada. Havia vestígios de sangue na parede, e no chão, mas quando a polícia chegou, estava tudo lavado com lixívia. Eis aqui a explicação para a roupa no arame a semana inteira: preocupavam-se mais com a higiene dos interiores.
O sangue poderia vir de um dedo cortado ao descascar batatas, de caça trazida para dentro. Não havia provas. Apenas as confissões fáceis ou difíceis dos suspeitos - difíceis, no caso de Leonor Cipriano, pelo estado que documentam as fotos de que se serviu para apresentar queixa por sevícias, durante um interrogatório levado a cabo por agentes que se julgariam personagens da série 24.

O tribunal condenou cada irmão a década e meia de prisão, sem que tenha sido encontrado o corpo da criança. Foram, portanto, condenados por um presumível homicídio. E, voltemos à questão mal sarada: ocorreu, de facto? Joana poderá estar morta. Mas tê-la-ão matado a mãe e o tio?

Uma coisa é certa, os suspeitos não foram defendidos por João Nabais, Serra Lopes ou Ricardo Sá Fernandes, ou teriam entrado no processo uns tickets da Brisa, ou similares, e muita água correria ainda por debaixo de todas as pontes.
Outra coisa é certa: aquela gente de Portimão tem uma pele muito escura, e falta de dentes, e andam tão mal vestidos! Parecem tão reles, tão baixos! Trazem a sentença escrita na testa.

João Grade, advogado da mãe, afirma, agora, estar convencido que Joana não foi assassinada, mas vendida a alguém por 50 mil euros. Nesse caso, mãe e tio estarão inocentes do crime de que os acusam, para serem, eventualmente, culpados de outro.
Se assim for, o que os terá levado a esconder tal negócio, trocando-o pela grave condenação de homícídio voluntário? A necessidade de que a criança não fosse procurada pela via do desaparecimento/rapto, nem encontrada, porque 50 mil euros é dinheiro, e a render em Espanha, durante década e meia, deve dar para casa com piscina, e minis para toda a vida?
Parece-vos impossível?
A mim, não. O caso, visto a esta segunda luz, torna-se tão palpável, tão mais familiar.
E se Joana e Maddie seguiram ambas o mesmo destino, por portas que se abriam com chaves diferentes?
Especular, etimologicamente, usar o speculum (espelho), permite olhar uma imagem, vê-la de fora para dentro. O real não tem uma única direcção. O espelho mostra essa inversão de sentido de um mesmo caminho. Pode ser um trabalho útil. Não é um fim, mas um meio, e aí se confina.
E Joana, estará viva?

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...