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terça-feira, fevereiro 03, 2009

O país onde se untam as mãos

Às oito da manhã já eu ouvia na Antena 1 os resultados da songadem da Católica relativos à possível contribuição do caso Freeport para a alteração da imagem do primeiro-ministro. Sorri. O que é que uma pessoa pode fazer senão esboçar um sorrisinho cínico?!
Tenho uma amiga sueca, mas por vergonha não lhe vou contar nada disto. Tem a mania de pôr muitas questões embaraçosas sobre determinados aspectos da nossa vida social e política, e pode ser que a notícia não chegue ao Báltico. Espero. No outro dia, perguntava-me ela porque é que o Fernando Mendes, do Preço Certo, tem uma menina em saltos altos e decotada para lhe tirar o casaco em pleno programa. Nunca tinha reparado. Ela repara em tudo. O que é que uma pessoa responde a isto?!
Conhecendo este povo como conheço, e conheço bem, um caso de corrupção não é coisa grave. Grave é ser-se doutor sem diploma, mas, por exemplo, aquilo que lhe dá origem, que é traficar influências para o obter, isso já é normal. Porque quem é que não paga umas luvazinhas? Quem é que não conhece um amigo de um tio?
Na minha família, que vem do cu da terra, sem apelidos com y ou consoante dobrada, poderia enumerar a quantidade de casos de corrupção que chegaram ao meu conhecimento. Uma cunha ali, dum padrinho que é doutor em leis, um favorzinho de um sobrinho, que é médico em Santarém... Sou do tempo em que se "untavam aos mãos" ao examinador para obter a carta de condução. Aliás, esta é uma expressão que toda a vida ouvi, "é preciso é untar-lhe as mãos", e faz parte indissolúvel da minha identidade cultural. Sou de um país onde se untam as mãos. Onde quer que vá é isso que lêem no meu passaporte, quando o apresento. Ainda no outro dia fui a Londres na Easy Jet para ver uma exposição na Tate, reparem como me cultivo, e assim que cheguei a Gatwick comecei logo a ouvir aos funcionários da alfândega, the flight coming from the paraise of bribery, sweet bribery, and so on. Ouvia-se distintamente. Todo o mundo sabe.
Depois, é preciso distinguir: a nossa corrupção não é uma organização em grande, uma máfia napolitana, embora configure uma teia que alastra por todo o tecido social, político e económico. Não se chama corrupção, mas favorzinho, jeitinho, um empurrão... e está embutido na casa de todos os que responderam à sondagem da Católica. É normal. Se calhar o primeiro-ministro deu um jeitinho no licenciamento de um projecto em Alcochete, e depois?!, aquilo não passava de um pântano de bicharada! E se ganhou alguma coisa com isso, melhor para ele, que só prova ser um homem desenrascado. Se eu tivesse uma filha haveria de a querer casar com um destes, dos que sabem fazer pela vida.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Tenho um pó aos Portugueses

Foto: Koudelka, 1976

Marcelo Rebelo de Sousa, opinou, a propósito do caso Sócrates/Freeport, que o Primeiro-Ministro saía chamuscado de todas estas suspeições.
Eu tenho muito mau feitio. Embora seja uma santa duma mulher, tenho um feitio que não desejo a ninguém, e o meu feitio está aqui a dizer-me que nesta altura do campeonato governativo, Sócrates não está chamuscado, porque o homem já se transformou numa pira funerária das que se ateiam para queimar corpos, na Índia. Nunca um Primeiro-Ministro tinha acumulado tanta acusação de corrupção, nas suas diversas vertentes, como este cidadão aparentemente exemplar, barbeado e lavadinho. E continua por aí em pé, auto-elogiando-se com veemência, algo que sabe fazer na perfeição. Noutro país da Europa...
Ocorre-me dizer que em Portugal não se chega a cargo nenhum sem cunha, sem amiguismo, sem uma palavrinha, sem um telefonema, e que Sócrates é apenas um entre muitos. A grande corrupção, no nosso país, e a pequena, são uma filosofia de vida como acreditar no Senhor e casar na Igreja, porque assim fizeram os nossos pais. Arranja-se sempre qualquer coisinha para alguém: uns cargos, uns terrenos em área protegida. Tudo é possível e a gente sabe que é assim. A voz do povo sabe-o.
Por exemplo, ocorre-me perguntar, para onde foram os boys e girls que trabalharam no anterior ministério de Maria de Belém, que se não me engano era para a igualdade? Estão no desemprego? Não?! Arranjaram cargos em empresas públicas e privadas?! Como?! Candidataram-se, entre outros?! Abriram concursos internos e externos e concorreram ao abrigo da Lei?! Foram publicitados os referidos concursos?! E caso estejam todos empregados, já agora gostaria de saber como são avaliados, que eu desde a polémica avaliação dos professores passei a ter muito interesse sobre a avaliação de todos os funcionários necessários ao Estado: como são avaliados os senhores deputados, funcionários de ministérios, funcionários judiciais, polícias, militares, médicos e enfermeiros, assistentes sociais, funcionários da segurança social, bombeiros assalariados e por aí adiante? Tenho aquilo a que se poderá chamar uma curiosidade mórbida.
Hoje, na Antena 1, num fórum que dá pela hora de almoço, meia dúzia de portugueses fiéis à cobardia, diziam ao repórter encarregado pela emissão, "deixem o senhor Sócrates governar; já é tão difícil governar uma casa quanto mais um país!" "O senhor Sócrates é que sabe, e o que ele está a fazer, mesmo que não concorde com algumas políticas, é para nosso bem! Porque se ele lá está é porque sabe o que está a fazer".
Santa ignorância provinciana, com todo o respeito pela província. Fiquei com a impressão que aos portugueses não interessa muito quem está no governo, o que interessa é que os faça sofrer, que lhes tire tudo, começando pela dignidade. E claro que compreendo, ao escutar a vox pop, como foi possível manter a ditadura, e como seria possível instaurar agora outra. Os portugueses querem-no. E eu, sinceramente, tenho pena que não se possa partir o país em dois e deixar com Sócrates os que são de Sócrates, de preferência todos concentradinhos na praça de touros do Campo Pequeno... para se resolver, finalmente, de uma vez por todas, o problema da robotização.
Não sei como é que fui nascer portuguesa. É karma pesado. Eu que tenho um pó à cobardia geral, à dos portugueses em particular, à sua pequenez, pequenininha, muito inha. Eu que lhes tenho um pó que nem sei como poderei enfrentá-los amanhã na rua. Os cabrõezinhos pequenininhos. Todos.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Detesto Polícia



Não suporto a PSP nem a GNR e o seu batalhão de trânsito. Uma boa parte destas forças de segurança é constituída por indivíduos prepotentes, arrogantes e ignorantes sem remissão. Frequentemente, tenho vontade de lhes devolver as guias de multa com os erros ortográficos corrigidos, acrescentando que apresentam caligrafia demasiado infantil e incipiente, própria de quem fez o 9º ano porque já tinha 17 anos e não valia a pena andar a empatar.
Quando me informam que infringi o artigo 43 do código da estrada, dava imenso jeito que pudessem iluminar-me, e de preferência em Português, sobre o conteúdo do referido legislativo. Multem-me, mas multem-me com dignidade.

Detesto polícias, contudo tenho consciência de que o espaço público, e frequentemente o privado, quando se cruza com o público, depende deles, pelo que a sua missão se torna crucial para a segurança de qualquer estado. Por tal motivo não posso compreender que o Poder invista tão fracamente nas Polícias. Em formação, sobretudo. É intolerável e perigoso que uma profissão sobre a qual recai tanta responsabilidade, e da qual é obrigatório exigir idoneidade e sentido de justiça irrepreensíveis, receba salários miseráveis, não usufruindo de vantagens oferecidas, por exemplo, ao poder judicial. Não devemos esperar discernimento, nobreza e boa reputação apenas dos juízes. Exigir dos agentes policiais habilitações tão reduzidas, bem como rasteira formação humana, cívica e deontológica é um preço que as sociedades pagam alto. Custa-me dizê-lo. Fere os ideais nos quais preciso de acreditar, mas a verdade é que a nobreza de carácter e o zelo profissional pagam-se, compram-se. Com euros. Quem exige tão pouco e paga tão mal, só poderá esperar fracos e negligentes serviços.
Surpreende-nos que os agentes de autoridade sejam alvos fáceis de todo o tipo de corrupção, tentando desenrascar a vida ao aceitar subornos, ou motivando-os? Agridem cidadãos nas esquadras, fecham os olhos aos negócios da noite, melhor, até colaboram, integram os esquadrões racistas da praça para andar a filmar negros algemados contra muros, em acções policiais nocturnas? Pode pedir-se mais? A culpa não é deles, mas de um Estado para o qual a segurança é coisa tão pouco importante.


sexta-feira, julho 20, 2007

Paulinho agradeceu submarinos a Nossa Senhora de Fátima

(Roubei-a num blogue muito giro, cheio de montagens deste género. Não me lembro do nome do blogue nem dos bloggers. Espero que estes não se chateiem comigo. Já tenho isto guardado há uns tempos, esperando uma oportunidadezinha.)



Não sei quê da negociata de uns submarinos, por valores altíssimos, serve para beneficiar um partido ao qual pertence o ex-ministro da Defesa... Milhão e não sei quanto de euros numa agência do BES, gota-a-gota, periodicamente... pagamentos chorudos, coincidentes com a entrada de fundos... o homem está a reflectir... os outros estavam agarrados ao poder... ele é um mãos largas... Quer dizer, os meus impostos serviram para financiar o CDS-PP. Como é que um de país de corruptos mafiosos, todos em fila, entretidos num comboizinho que chega ali abaixo a Corroios, pode medrar? Isto não se arranja; isto não se arranja.

quarta-feira, junho 06, 2007

Truques velhos da nova mulher [com cérebro de homem]

Foto de Paulo Pimenta, no Público de ontem (com manipulação da focagem da minha responsabilidade).


Quanto mais pensará Fátima Felgueiras ter de baixar e alargar os decotes para conseguir a entretida e consolada complacência (indizível, impensável!) de tribunal, governo, causídicos, comunicação social e opinião pública, no que respeita ao seu pouco provável envolvimento no caso "saco azul-corrupção larga"?
Porque, bem vistos os decotes, como é que uma senhora tão linda, tão simpática, e com mamas tão jeitosas, haveria de ser meter em assuntos tão pouco elegantes?
Quem olhe bem para Fátima Felgueiras, e a veja toda, toda e muito bem, e de perto, percebe que a senhora está a léguas de culpada.


sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Os meninos que matam

Os meninos nascem puros.
Alguns crescem muito depressa, e são já mais velhos do que o mundo, no momento em que matam. Mesmo esses meninos nascem puros.
Os meninos que nasceram puros, os de ontem, aprenderam o culto ao mal, e à morte; é a ideologia que conhecem, livremente difundida pela música, pelos jogos, pelos cinema que consomem, os livros que lêem, enfim, pela cultura que lhes chega: querem matar velhinhas, em vez de as ajudar a atravessar a rua. Querem matar e violar todos os que não forem como eles. E todos os que eles deveriam ser. Os meninos que nasceram puros e matam, querem matar-se, mas ainda não sabem.




Houve um tempo em que foi possível chegar aos meninos e ser deles, e eles nossos. Éramos puros. Todos.
Hoje, os meninos puros sujaram-se. Sujaram-se pelo desamor, que nasceu do desamor, que nasceu do desamor. E o que é isso, o amor? Serve para quê, isso, esse empecilho, o amor! Os meninos que nasceram puros deixaram de acreditar. Nunca viram o amor. Esse empecilho. Os meninos que nasceram puros sujaram-se ao ficar cegos para os outros.





"O que fazes se encontrares uma carteira na rua com dinheiro?" "Tiro o dinheiro e deixo-a lá ficar." "E não entregas à polícia?" "Até posso entregar, mas sem o dinheiro." "Mas não achas que devias entregar a carteira com o dinheiro?" "Não, se não tirar eu o dinheiro, tiram os polícias."

Os meninos que nasceram puros atiram pedras aos negros, aos ciganos. Os meninos que nasceram puros vão ao cu às colegas adolescentes, porque no cu é que é cool. É que é. Os meninos que nasceram puros esmagam a cara do colega bichona, porque é bichona, e formam gangs para roubar tudo o que possa ser vendido no mercado paralelo.

Em Madrid, há um mês atrás, adolescentes imolaram pelo fogo uma sem-abrigo que se protegia do frio na entrada de um banco, onde se encontravam as caixas atm. Esses meninos também nasceram puros.





São puros estes meninos, no fundo, e talvez ainda pudessem recuperar-se, na escola, as carências profundas de uma inexistente educação familiar; mas, paradoxalmente, não nas escolas como elas estão, não em turmas de 30 alunos, com aulas de 90 minutos, não nos moldes em que a escola hoje existe. Porque estes meninos, que normalmente se encontram sinalizados, deviam poder ter professores em regime individual. Professores tutores responsáveis por aulas em formato diferente, grupos de 2 ou 3 e não mais. Uma atenção constante agindo sobre as alterações dos comportamentos. Mas o mesmo Estado que custeia a prisão e as casas de correcção onde vão parar, não custeia vagas para professores-tutores. Não são necessários. Estão melhor no desemprego.





Por isso é que os meninos, que nascem puros, podem tão livre, tão fácil e impunemente criar, com as suas mãos, o horror, a vileza, a degradação máxima. A mesma a que estão condenados enquanto o sistema educativo se fundar numa politica economicista.
A escola de hoje chama-se demagogia. Hiipocrisia.

Os meninos puros que se envileceram, são produto da hipocrisia política que os envileceu, criando assim os seus legítimos cancros, os seus clientes para castigo exemplar.

Fotos de Anne Geddes

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...