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domingo, abril 13, 2008

A obra poética de Dick Hard I

WARNING

Tu, que te abandonaste ao gozo
sentindo a roçar no sexo

o húmido duma língua desejada


Tu, que fechaste os olhos em delírio
e afagaste os cabelos sedosos
dum ser que te deu prazer

Tu, que gemeste como louca
em noite de trovoada

com travo orgiástico

Tu, que sentiste na goela
o frio da lâmina

a cortar-te as veias

Tu, sim, tu

devias ter-te lembrado

antes de morrer

Os serial killers
também fazem
minete

Dick Hard (2004), De Boas Erecções está o Inferno Cheio, Lisboa, Edições Polvo

Diverte-me o pastiche: a sátira à poesia neo-romântica de quinta categoria, presente no título, em presunçoso inglês; os vulgaríssimos paralelismos anafóricos, em início de estrofe, "tu", "tu"; o vocabulário barato, em "gozo", "orgiástico", semeado ao longo dum discurso pejado de lugares-comuns, como "cabelos sedosos", "gemeste como louca" e "ser que te deu prazer".
Agrada-me o humor negro, a sátira ao acto sexual fortuito e perigoso, e o ligeiro non sense relativo ao objecto poético, que devia ter-se lembrado de qualquer coisa "antes de morrer", enquanto se abandonava ao gozo e fechava os olhos em delírio.
Um poema destes é trabalho difícil, porque é difícil conseguir escrever mal, copiando todos os estereótipos duma pseudopoética risível, e fazê-lo bem, escrevendo bem. Este é um anti-poema feito no fio da navalha.
Dick Hard está eleito poeta-culto, poeta oficial deste blogue. A partir de agora, no more ai lave ius.


A obra poética de Dick Hard II

UM BOCADO CÃO

Sei que sou

um bocado cão

de manhãzinha

Quando vou
atesoado

à casa da vizinha

Eu deito-a na mesa
com o cu de fora

o rabo bem espetado

A minha ponta acesa
ora vamos lá embora
p'ra ficar aviado

E numa luta insana
ora a viver lá dentro
ora a murchar cá fora


Eu dou-lhe uma canzana
penetro pelo centro

ao romper d'aurora

Dick Hard (2004), De Boas Erecções está o Inferno Cheio, Lisboa, Edições Polvo

segunda-feira, abril 07, 2008

A boa velha sátira pós-moderna



Denuncio um caso flagrante de discriminação masculina. Bem sei que é a primeira vez.
Temos aqui uma Adília Lopes muito legível e desenjoativa, mas como é homem chamam-lhe ordinário, devasso, esse grande taradão. Se calhar é capaz de ser, mas tarados, tarados, obra à parte.
Ultimamente, ando viciada na poesia de Dick Hard, aliás Luís Graça, meu conhecido dos tempos do DN Jovem. Encontrei, na FNAC, um livro seu de que me haviam falado nos seguintes termos: "o gajo publicou uma merda qualquer com erecções no título, umas bacoradas, o gajo está passado de todo".
O livro chama-se De Boas Erecções Está o Inferno Cheio, não é nenhuma "merda", e se o "gajo" está passado, resta-me dar graças a Deus. Deixo-vos com algumas pérolas. Não me coibirei de vos ir oferendo outras, nos próximos dias:



Pony Express
Se as paixões
não são correspondidas
a culpa pode muito bem
ser dos correios


Oh! As Mulheres Bilingues
As mulheres bilingues duplicam o prazer
da felação
as poliglotas
provocam-nos múltiplos orgasmos.


Poema Canino
Ontem vesti um par de boxers
cada um deles me comeu
um tomate
Eram vegetarianos.


Raiva
Ele saiu de casa
violou criancinhas
sodomizou velhinhas
e roubou cassetes à bófia

Partiu montras
fez cunilingus a um pinguim com frio
deu estaladas em cangurus
e saiu do zoo

Calmamente
entrou no metro sem passe
saiu no Marquês de Pombal
e foi a pé para casa

Chegou ao lar
tomou um duche
leu uma revista porno, rezou as suas orações
deitou-se e adormeceu.


Dick Hard (2004), De Boas Erecções está o Inferno Cheio, Lisboa, Edições Polvo

(O livro é baratíssimo, meia dúzia de tostões, seis euros se não me engano.Vale cada cêntimo. Um grande saravá para ti, Dick, e mantém-te Hard!)



O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...