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segunda-feira, novembro 26, 2007

A máquina do Natal



Estamos no final de Novembro, mas os centros comerciais estão enfeitados com gambiarras, trenós e renas, desde o início do mês. No dia de São Martinho vi crianças sentadas ao colinho do Pai Natal, no Almada Fórum. Promoções de brinquedos, no Jumbo, muitas. Créditos especiais "compre agora e pague depois", com ou sem juros, inumeráveis. Este fim-de-semana, o trânsito direccionado às grandes superfícies intensificou-se. Os centros comerciais abarrotavam.
Compre, adquira, ofereça, tenha, possua, exiba, use, satisfaça, seja como todos os outros que compram, adquirem, oferecem, têm, possuem, exibem, satisfazem. Gaste já o seu subsídio de Natal, caso o tenha recebido, porque foi para isso que o recebeu. Alimente o monstro com o seu crédito. É esta a letra oculta dos Jingle Bells que se vão ouvindo pelos altifalantes do centro comercial. Oh-oh-oh-oh-oh, compra-compra-compra...
Mas eu gosto do Natal. Antecipo a noite, os bolos-rei, os pudins, a mesa do jantar com o bacalhau, que é melhor ou pior, mas que sabe sempre bem, quentinho e regado a azeite. Gosto de me rir e conversar enquanto estamos todos juntos, recordando situações do passado, contando histórias.
Quando era pequena passava a tarde do dia 24 de roda das saias da minha mãe que fritava quilos de filhoses para distribuir pela vizinhança e pelos amigos. A D. Alice faz sempre filhoses de cenoura a mais para mim e para a minha mãe, e nós levamos-lhe um bolinho rei. Ou de chocolate. Ou um pão-de-ló. Que bom estarmos juntos, falarmos, bebermos licores e comermos docinhos. Que bela altura para estarmos juntos. O Natal devia ser só isto. Era o principal. Chegava.
Entretanto, não há ninguém na rua; estão todos nos centros comerciais a comprar prendas.
Não é verdade que os portugueses pensem gastar menos este Natal, ou seja, que a crise diminua o consumo associado à troca de prendas.
Estamos ainda a um mês da comemoração do nascimento do homem que se insurgia contra os vendilhões do templo... e toda esta movimentação se realiza em nome da dádiva e do amor, ou seja, em seu nome.
O consumo natalício já se percebeu, não vai diminuir. Que não chegue para o bacalhau e para as batatas, mas há-de chegar para a máquina de café Nespresso e para o camarão tigre, é certo.

domingo, dezembro 24, 2006

Onde é que vamos parar?!

A minha mãe encomendou-me uma prenda de última hora para uma vizinha que lhe faz uns favorzinhos, e eu lá fui para a rua, porque acho que os favores devem ser retribuídos, e qualquer altura serve, ou resta-nos a gratidão eterna, que sai sempre muito mais cara.
E para meu espanto, no meu bairro da lata, e num Domingo, apenas 95% das lojas se encontravam abertas.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...