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quinta-feira, junho 07, 2007
terça-feira, fevereiro 07, 2006
O primeiro rosto
Isabelle Dinoire, uma francesa de 38 anos, perdeu nariz, lábios, queixo e parte do rosto, há cerca de dois anos. O seu cachorro, um Labrador, arrancou-lhos enquanto dormia. Isabelle tomava sedativos, pelo que não acordou, não sentiu qualquer dor. Estranho comportamento, o do cão, mais tarde abatido: atacar alguém que dorme. Muito estranho mesmo: um Labrador? Um cachorro Labrador? Teria fome e queria acordá-la? Julgou-a um boneco de borracha? Um acesso de loucura, problema que o cruzamento entre algumas raças e consaguinidades gerou? Não saberemos nunca, porque aos animais não foi dado o poder do verbo, sendo acrescidamente abatidos sem julgamento.
Sabemos isto, apenas: Isabelle acordou sem rosto, e, querendo fumar, não percebeu por que motivo não conseguia segurar o cigarro na boca; vendo-se ao espelho, descobriu, em terror, que a sua cara se transformara numa cratera ensanguentada.
Isabelle foi operada o mês passado: uma operação arriscada, polémica e muito mediatizada. Era ético? O seu rosto aceitaria ou rejeitaria os novos tecidos? Podemos, a partir de agora, realizar transplantes de rosto, comprando o de uma Catherine Zeta-Jones muito probrezinha, e deixando-lhe, em troca, o nosso, que nunca nos agradou - porque a verdade é que o que é nosso, por muito lindo que seja, nunca nos agrada?!
Ultrapassemos a questão ética. O rosto de Isabelle não rejeitou, até agora, os novos tecidos, e esta pode sair à rua, olhar-se, ser olhada. Viver de novo. Considerando que tomava sedativos de tal ordem, que a colocavam num estado de morte em vida, situação que permitiu ser comida, sem sentir, é possível que se trate, agora, de viver pela primeira vez. Há males que vêm por bem!
Agrada-me este final feliz; que positivo tudo isto se revelou para Isabelle, para a equipa médica que a operou e acompanhou, para a ciência, para todos nós.
Isabelle Dinoire possui, de novo, um rosto. Provavelmente, o seu primeiro, o mais verdadeiro, o único, o que reconhecerá o resto da vida. Não é apenas seu, o dos genes herdados, mas uma espécie de "miscigenação" genética induzida. Em última análise, body art! Melhor, body science-art! Nunca, como hoje, a transdisciplinaridade foi tão palpável. Ciências-Artes Plásticas-Filosofias-Poesias-Religião...
Eis a construção de um rosto. De um corpo, afinal. Ser o que é, mas ser, também, ao olhar-se, agora, a outra. Ninguém sabe o que é perder um rosto e poder recuperá-lo, sendo outro. Que identidade tão especial!
Ninguém sabe, ainda, para que serve um corpo. Nunca soubemos. No novo mundo, aprendê-lo-emos. Este é já o novo mundo!
Sabemos isto, apenas: Isabelle acordou sem rosto, e, querendo fumar, não percebeu por que motivo não conseguia segurar o cigarro na boca; vendo-se ao espelho, descobriu, em terror, que a sua cara se transformara numa cratera ensanguentada.
Isabelle foi operada o mês passado: uma operação arriscada, polémica e muito mediatizada. Era ético? O seu rosto aceitaria ou rejeitaria os novos tecidos? Podemos, a partir de agora, realizar transplantes de rosto, comprando o de uma Catherine Zeta-Jones muito probrezinha, e deixando-lhe, em troca, o nosso, que nunca nos agradou - porque a verdade é que o que é nosso, por muito lindo que seja, nunca nos agrada?!
Ultrapassemos a questão ética. O rosto de Isabelle não rejeitou, até agora, os novos tecidos, e esta pode sair à rua, olhar-se, ser olhada. Viver de novo. Considerando que tomava sedativos de tal ordem, que a colocavam num estado de morte em vida, situação que permitiu ser comida, sem sentir, é possível que se trate, agora, de viver pela primeira vez. Há males que vêm por bem!
Agrada-me este final feliz; que positivo tudo isto se revelou para Isabelle, para a equipa médica que a operou e acompanhou, para a ciência, para todos nós.
Isabelle Dinoire possui, de novo, um rosto. Provavelmente, o seu primeiro, o mais verdadeiro, o único, o que reconhecerá o resto da vida. Não é apenas seu, o dos genes herdados, mas uma espécie de "miscigenação" genética induzida. Em última análise, body art! Melhor, body science-art! Nunca, como hoje, a transdisciplinaridade foi tão palpável. Ciências-Artes Plásticas-Filosofias-Poesias-Religião...
Eis a construção de um rosto. De um corpo, afinal. Ser o que é, mas ser, também, ao olhar-se, agora, a outra. Ninguém sabe o que é perder um rosto e poder recuperá-lo, sendo outro. Que identidade tão especial!
Ninguém sabe, ainda, para que serve um corpo. Nunca soubemos. No novo mundo, aprendê-lo-emos. Este é já o novo mundo!
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...