Os pais de Andreia, raptada em 2005 do hospital de Penafiel, desempregados, vivendo com seis filhos numa casa sem espaço, nem água nem luz, constituindo família considerada de risco pela Segurança Social, exigem uma indemnização de 35 mil contos à desgraçada que fez o favor de lhes criar a criança durante um ano, melhor do que eles quereriam ou poderiam fazer.
A prova está em que Andreia, após ter sido entregue aos pais, este ano, foi-lhes posteriormente retirada, por falta de condições, e está aos cuidados de uma vizinha, tal como aconteceu, no passado, a outros dois filhos deste casal, devidamente colocados em famílias de acolhimento.
A gravidez não planeada da mãe de Andreia Elisabete acabou por ser a sorte grande. Imagino que à falta de numerário para recorrer à desmanchadeira da terra, tenha ingerido inomináveis beberagens abortivas, sem resultado, e a gravidez lá foi decorrendo, inevitável, entre pragas ao céu e à sorte, e constantes "ai a minha vida".
Não se pode dizer que Andreia fosse uma filha desejada. Era mais uma que vinha dar trabalho, gastos nem por isso, porque onde não há para gastar, não se gasta, e que haveria de se desenrascar sozinha, a seu tempo.
O instinto maternal, o amor de mãe, essas coisas que se dizem inatas nas mulheres, encontravam-se de tal forma desenvolvidas, na mãe de Andreia, que a Polícia Judiciária tomou-a de imediato como suspeita, ao saber que tinha ficado calmamente a acabar a refeição, quando lhe disseram que a bebé tinha sido roubada da enfermaria. Eu, no seu lugar, com a sua vida, teria feito o mesmo.
Deve ter pensado com os seus botões, "era sorte a mais", e continuou a encher a barriga, que a comidinha do hospital é limpinha, e traz sobremesa, como nos hotéis onde vão os ricos. Aliás, o hospital de Penafiel deve ser o hotel de cinco estrelas da família da Andreia. Devem estar desejosos de ficar doentes a ponto de merecer internamento, amesendados em camas lavadinhas, com criadagem vestida de branco imaculado a trazer-lhes tudo o que pedem, e a dar-lhes banhinho.
E, claro, agora, os 35 mil contos davam-lhes um jeitão para comprar uns plasmas, e umas mobílias cheias de torneados, em Paços de Ferreira, e mandarem pôr umas janelas e portas de alumínio, e construírem uma casa de banho com torneiras douradas, anexa ao espaço que serve de cozinha, e isso. Um carro como os dos emigrantes... Qualidade de vida...
Entretanto, a desgraçada que fez à família, e ao Estado, o favor de tomar conta da criança, de cuidar dela, de a manter saudável e bem alimentada, está em prisão preventiva há quatro meses.
Acho sempre muita graça à importância legal dos laços de sangue.
A prova está em que Andreia, após ter sido entregue aos pais, este ano, foi-lhes posteriormente retirada, por falta de condições, e está aos cuidados de uma vizinha, tal como aconteceu, no passado, a outros dois filhos deste casal, devidamente colocados em famílias de acolhimento.
A gravidez não planeada da mãe de Andreia Elisabete acabou por ser a sorte grande. Imagino que à falta de numerário para recorrer à desmanchadeira da terra, tenha ingerido inomináveis beberagens abortivas, sem resultado, e a gravidez lá foi decorrendo, inevitável, entre pragas ao céu e à sorte, e constantes "ai a minha vida".
Não se pode dizer que Andreia fosse uma filha desejada. Era mais uma que vinha dar trabalho, gastos nem por isso, porque onde não há para gastar, não se gasta, e que haveria de se desenrascar sozinha, a seu tempo.
O instinto maternal, o amor de mãe, essas coisas que se dizem inatas nas mulheres, encontravam-se de tal forma desenvolvidas, na mãe de Andreia, que a Polícia Judiciária tomou-a de imediato como suspeita, ao saber que tinha ficado calmamente a acabar a refeição, quando lhe disseram que a bebé tinha sido roubada da enfermaria. Eu, no seu lugar, com a sua vida, teria feito o mesmo.
Deve ter pensado com os seus botões, "era sorte a mais", e continuou a encher a barriga, que a comidinha do hospital é limpinha, e traz sobremesa, como nos hotéis onde vão os ricos. Aliás, o hospital de Penafiel deve ser o hotel de cinco estrelas da família da Andreia. Devem estar desejosos de ficar doentes a ponto de merecer internamento, amesendados em camas lavadinhas, com criadagem vestida de branco imaculado a trazer-lhes tudo o que pedem, e a dar-lhes banhinho.
E, claro, agora, os 35 mil contos davam-lhes um jeitão para comprar uns plasmas, e umas mobílias cheias de torneados, em Paços de Ferreira, e mandarem pôr umas janelas e portas de alumínio, e construírem uma casa de banho com torneiras douradas, anexa ao espaço que serve de cozinha, e isso. Um carro como os dos emigrantes... Qualidade de vida...
Entretanto, a desgraçada que fez à família, e ao Estado, o favor de tomar conta da criança, de cuidar dela, de a manter saudável e bem alimentada, está em prisão preventiva há quatro meses.
Acho sempre muita graça à importância legal dos laços de sangue.