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domingo, agosto 31, 2008

Caixas de comentários outra vez


As questões sobre as desvantagens das caixas de comentários voltam periodicamente à blogosfera.

Dá-se-lhes excessiva importância. Os comentadores são apenas pessoas com opinões, como as que encontramos no nosso emprego, por exemplo, e com as quais temos de lidar. Ou não temos. O Blogger permite-nos eliminar ou não publicar comentários com toda a democracia. Quando apago um comentário muito estúpido presto um belo serviço à humanidade, e não me fica a pesar na consciência. Não tenho nada a ideia que qualquer maluco está no direito de me entrar estrebuchando pela casa dentro. No entanto, considero que existe um grau de loucura aceitável, que me diverte ou que pelo menos não me chateia especialmente. Se isto não é democracia...
Admito que a decisão de fechar os comentários durante cerca de mês e meio me concedeu umas férias santas. Agendei a maior parte dos postes e fui para onde tinha de ir, descansadinha, deixando o blogue a trabalhar sozinho. Mas não é o meu estilo. Gosto de comentar nos blogues alheios, gosto que comentem no meu. Poupar-me às más experiências poupa-me igualmente às boas, para além de que detestaria viver numa redoma. Por esse motivo, acabadas as férias, os comentários voltam a estar abertos.


domingo, junho 08, 2008

Vestido branco

Foto de William Eggleston, Southern Suite


Pedro Correia, do Corta-Fitas perguntou-me, há tempos, se não estaria interessada em pisar a passadeira vermelha do seu blogue. Respondi logo que sim, não só porque o Pedro é daqueles habituais d' O Mundo Perfeito que lê tudo o que eu escrevo, mesmo que seja uma receita sobre como raspar calos da planta do pé, e leitores destes têm de se estimar, mas sobretudo porque esta deve ser a única hipótese que a vida me concederá de pisar uma passadeira vermelha, e estas coisas, a gente muito desdenha, mas, enfim, lá aproveita.
Portanto, por estes dias, se quiserem ler uma dúzia de frases saídas do meu teclado* sobre um certo vestido branco mental, cliquem com o vosso ratinho sobre o línque, este aqui.

*Agora já não se diz "saídas da minha pena", para se evitar mentir.


sexta-feira, maio 30, 2008

Os blogues interactivos

Do que eu precisava mesmo era de uma tira com um padrão qualquer colorido e giro para entalar no layout, entre o título do blogue a caligrafia, e a descrição friendly. Uma tira comprida, com um centímetro e meio, ou dois. Uma coisa gira. E que ma mandassem para o email para eu escolher. E aproveito para lembrar que também está ali um cãozinho para adoptar
Quanto à limpeza da casa e outros assuntos chatos, deixem estar que trato disso.

domingo, março 09, 2008

Linguagens seculares e blogues

As linguagens seculares estão em declínio. Penso que o fenómeno reflecte, inapelavelmente, o tempo pouco rigoroso que atravessamos e atravessaremos. As linguagens seculares carregam o peso da erudição, de um discurso nem sempre fácil, reclamando concentração, e os tempos são outros: o leitor procura, na literatura, como no resto, o fácil e o rápido, conclusão a que chego sem censura: também estou cansada de certos discursos seculares, os quais, frequentemente, pouco me dizem. Os blogues têm sabido responder a esta procura, com texto curto, inteligente e satírico, cuja leitura não exige acurada atenção. Por outro lado, usando as linguagens não textuais, como a "caderneta de cromos", ou seja o fotoblogue, e a praga do You Tube. O You Tube fala pelo bloguista. Exige-lhe menos trabalho, e satisfaz por igual o leitor, confrontando-o com informação nova e inesperada. A questão da autoria é alheia ao leitor do blogue. Não lhe interessa quem produziu o que lê ou vê, mas a emoção produzida.

Este é o estado das linguagens seculares, e é assim porque o mundo mudou, nós mudámos, a cultura mudou. Deseja-se interacção, imediatismo e intensidade. A ficção tem dificuldade em superar a intensidade da vida real. O carácter excessivo da vida real colide com o pudor da ficção. Como ficcionar a realidade sem a tornar inverosímil, sem a transformar numa novela das 7? A ficção perdeu pathos. A grande literatura perdeu pathos. Os leitores emocionam-se com o big brother, por excelência a novela da vida real, e é nesse aspecto que o blogue de quotidiano, diarístico, confessional, entra, e funciona. O blogue torna-se uma espécie de big brother que o autor manipula a gosto, seleccionando as imagens do seu real que quer passar. E passando-as, escolhe a música de fundo com que pretende que sejam visionadas. A vantagem do blogue no qual se insere O Mundo Perfeito, e o seu sucesso, está neste equilíbrio inconfessado, nunca verdadeiramente declarado, entre o real e o ficcional. Por vezes não interessa nada ao leitor que aquele poste seja a realidade. Por vezes, só consegue lê-lo como autobiografia em estado puro. Para mim, enquanto bloguista, tanto faz. O texto postado é para o leitor aquilo que o leitor precisar de ler nele. Nisto, o blogue revela uma plasticidade insuperável, e é um meio de comunicação absolutamente surpreendente.

A actual tendência para a uma literatura rápida, curta, confessional, regista visível crescimento a nível editorial. Não me lembro de as livrarias exibirem tantas novidades editoriais na área do memorialismo, do texto biográfico e autobiográfico bem como irónico, auto-irónico. Os leitores procuram a confissão, o documento: mais uma vez, o pathos da vida real que tão bem serve o blogue-diário.
N' O Mundo Perfeito, por exemplo, os leitores preferem as aventuras pseudo-verídicas da Isabela, operária suburbana, solteirona, com excesso de peso, uma mãe, duas cadelas, que trabalha numa fábrica de parafusos, e evidencia uma certa má relação com os homens e o sexo. A Isabela tem um passado de vivências exóticas e intensas, sonha um futuro qualquer que há-de vir, e narra as aventuras da sua vida solitária e social, os amores e desamores, traumas, medos, caprichos, incoerências, revelando uma humanidade tão chã quanto nobre, com a qual o leitor vulgar se pode identificar. "A Isabela é perfeita, mas a Isabela não é perfeita. A Isabela é como eu ou a Isabela é tudo o que desprezo. Amo-a. Odeio-a." Escreva a Isabela bloguista o que escrever, o que até poderá ser a fórmula química da vacina contra a sida, e os leitores não recusarão ler e comentar, mas o que vende, o que aqui se procura, é a personalidade amorosa, mas brutal, contraditória, radical, teimosa, idealista, bastante romântica e vagamente fora de moda e contracultura da Isabela, que se pode amar e odiar livremente, a quem podemos deixar declarações de amor ou insultos, coisa que não podemos fazer relativamente à Clara Ferreira Alves ou outras "personagens" pelas quais sentimos igual paixão. As linguagens seculares pouco entram neste insuperável trânsito de pathos. Desprezam o confessionalismo, olham-no tão de lado quanto possível, mesmo que se declare contaminado.

Isto seria o que eventualmente teria dito sobre o tema "O modo como as linguagens seculares (que aprendemos sem ter em conta a rede) se moldam, hoje em dia, à rede e mais concretamente aos blogues", caso esta conversa tivesse ocorrido na Casa Fernando Pessoa, no passado dia 6. Como não aconteceu, deixo aqui a minha participação. Para a próxima, por favor, convidem-me a participar via net, e assim posso vir logo para casa vestir o pijama e meter-me debaixo do aquecedor enquanto vejo o telejornal.



Até tinha feito este esquema das ideias principais, à hora do almoço. Usei-o agora para escrever este texto.

segunda-feira, março 03, 2008

Não sei quê das linguagens seculares

Vou participar nesta conversa sobre blogues, na próxima quinta-feira, na Casa Fernando Pessoa, onde nunca entrei por medo de partir alguma coisa: os óculos do poeta, as teclas da máquina de escrever.
Agradeço as opiniões de leitoras e leitores que, na caixa de comentários, queiram ajudar-me a pensar sobre o tema em questão. Se só quiserem ouvir-me e conhecer-me, bem como aos restantes bloguistas, esses realmente famosos, não esqueçam que é na quinta, pelas 18h30, mais coisa menos coisa, altura em que Dadinho Pit, ai, caraças, que não posso, desculpem!, Eduardo Pitta, fará a apresentação do próximo livro de Luís Carmelo sobre a blogosfera. Se me estiver a enganar, alguém há-de vir corrigir-me.

terça-feira, outubro 30, 2007

Determinante demonstrativo

Ao ler, em caixas de comentários alheias, referências à Isabela de O Mundo Perfeito como "essa blogger com a qual normalmente não concordo", não consigo evitar um sorriso.
Compreendo: até para mim sou insuportável.

domingo, outubro 21, 2007

Os blogues sem comentários

Foto: Zak Pawel


Ter um blogue sem comentários é como ficar fechado em casa e não abrir a porta a vivalma. A não ser que vivalma tenha classe, quero dizer, poder, ou, desculpem, influências, conhecimentos, possibilidade de tachos. Mas, nesse caso, entra pela porta de serviço. Entra à socapa. Fechar as caixas de comentários é uma intolerável recusa a chafurdar na vida, e eu detesto cobardes.
Viver é chato e dá trabalho, mas viver é exactamente isso: chafurdanço. Levar com os outros. Aturá-los. Irritarmo-nos, mandá-los a todas as partes que nos ocorram. Levar porrada. Dar porrada. Arrependermo-nos, ou não. Escolhermos dar confiança a esta e não aquele, ou vice-versa. Detestar os outros. Não conseguir viver sem os outros. Ter dúvidas. Errar com todos os sentidos e, muito de vez em quando, acertar com um ou outro.
O que pode distinguir um blogue de uma ordinária publicação on line é a caixa de comentários. As pessoas gostam de mandar bitaites, e toda a gente tem direito ao seu bitaitezinho diário, até os malucos; sobretudo esses. Contraria-me muito visitar um blogue com textos giros, querer deixar o meu lamiré e não poder. Fico sem vontade de voltar. Que interesse tem um blogue que não se pode comentar? Para isso compro um livro e leio-o, e faço anotações nas margens, ora essa.
Um blogue serve para levar na corneta, para desenvolver largura nas costas. Se os comentários nos chateiam, e chateiam, apagamo-los. Depois havemos de levar porrada porque os apagámos. A porrada está sempre certa.
É impossível não ter inimigos. Passando na rua, em silêncio, arranjamos inimigos: aqueles que não vão com a nossa cara, que nos acham idiotas ou ridículos.
Blogues sem comentários dizem-me "sou uma pessoa muito importante e não desço ao vosso nível". Mentira. Os bloggers sem caixa de comentários sabem lindamente descer a qualquer cave, bastando-lhes esquecerem-se das usuais três camadas de verniz.
Blogues sem comentários dizem-me, "tenho muitas ocupações e zero tempo para manter atenção à caixa de comentários". Mentira. A maior parte dos bloggers sem comentários trabalha em casa escutando música clássica, e não pega às nove na fábrica de parafusos, e não chega a casa incapaz de ouvir uma nota musical, de tímpanos cansados pelo barulho das máquinas na linha de montagem.
Blogues sem comentários dizem-me, "não quero ouvir o que tens para dizer". E isso irrita-me. Os blogues sem comentários irritam-me tanto que juro, juro mesmo não comentar em nenhum.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Ter classe

Quando era pequena queria ser crescida. Quando crescesse haveria de ser uma pessoa importante como as outras. Uma senhora como a minha madrinha. Reconheceriam a minha existência. Atribuir-me-iam valor. Teria uma voz.
Hoje acho que ser crescida é ter um blogue sem comentários. Isso é que é ter classe.

quinta-feira, junho 21, 2007

Os cornos do diabo

Por que é que o cidadão Sócrates processa o autor de Do Portugal Profundo e não o jornal Público?

1 - Porque o Do Portugal Profundo acertou com os dedos todos na ferida.
2 - Porque o
Público não é uma "fonte muito perto da fonte" que lhe interesse calar.
3 - Porque a comunicação social "organizada" é controlável.
4 - Porque a blogosfera ganhou mais poder como veículo de opinião.
5 - Porque a única oposição relevante se situa na blogosfera, não na comunicação social (a oposição eleita democraticamente, e com assento na Assembleia da República, limita-se a ver os bois passar - desculpem a informação redundante.)
6 - Porque o cidadão Sócrates tem mais medo à blogosfera que aos cornos do diabo, e nos quer avisarzinho, e amedrontarzinho, para a gente ter cuidadinho com o tecladozinho, z, z, z.

segunda-feira, março 19, 2007

Para que serve o Serviço Nacional de Saúde?


A minha mãe aguarda há sete meses por uma consulta urgentíssima, da especialidade de reumatologia, no Hospital Garcia da Horta. Hoje, a médica de família disse-lhe que, se calhar, talvez, seria bem possível ter-se perdido a credencial algures pelos meandros do processo - e não lhe passou outra! É que a médica de família sabe que já lhe arranjei um bom médico particular, a 80 euros por consulta, o qual, por acaso, só consegui, porque um melhor amigo da blogosfera me indicou um profissional seu conhecido.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...