Quando estava a varrer a cozinha, apareceu-me, dançando com os cabelos da vassoura, uma semente de dente-de-leão. Apanhei-a sem a magoar, e soprei-a. Que lindo! Tinha mil patas de aranha branca e um coração de palha. Larguei a vassoura junto ao lava-louça, e estivemos a brincar. Caía tão lentamente, com tanta suavidade. Como um floco de neve elegante. Se movimentava o meu braço para a direita, ela elevava-se ou virava à esquerda, inesperada. Impedi-a de pairar sobre o frigorífico, porque não queria perdê-la da vista, nem suportaria que ficasse a morrer entalada num sítio onde não pudesse aceder-lhe.
Bailámos muito tempo, até que reparei na vassoura caída no chão; tinha ainda muito que fazer, e quis guardar a semente de dente-de-leão para brincarmos mais tarde. Como tinha medo que fugisse com a deslocação do ar, ou que acabasse nas patas das cadelas, procurei uma caixa onde pudesse conservá-la certa. Acabei por metê-la numa embalagem quase vazia de chá preto da Zambézia. Continuei a trabalhar, mas quando passava o chão a esfregona, lembrei-me que o chá é muito odorífero, se calhar a semente podia sentir-se mal, ou ter falta de ar assim fechada; eu também não gostava que me fechassem, e, portanto, tinha a certeza que ela seria muito mais feliz se pudesse voar, ser livre para sempre, noutras mãos, ou não. Mas livre para voar com o vento. Abri a caixa do chá, levei-a na mão até à janela, como se fosse um passarinho muito frágil e pequeno, e soprei-a para o infinito.
Bailámos muito tempo, até que reparei na vassoura caída no chão; tinha ainda muito que fazer, e quis guardar a semente de dente-de-leão para brincarmos mais tarde. Como tinha medo que fugisse com a deslocação do ar, ou que acabasse nas patas das cadelas, procurei uma caixa onde pudesse conservá-la certa. Acabei por metê-la numa embalagem quase vazia de chá preto da Zambézia. Continuei a trabalhar, mas quando passava o chão a esfregona, lembrei-me que o chá é muito odorífero, se calhar a semente podia sentir-se mal, ou ter falta de ar assim fechada; eu também não gostava que me fechassem, e, portanto, tinha a certeza que ela seria muito mais feliz se pudesse voar, ser livre para sempre, noutras mãos, ou não. Mas livre para voar com o vento. Abri a caixa do chá, levei-a na mão até à janela, como se fosse um passarinho muito frágil e pequeno, e soprei-a para o infinito.