Beijo-o sempre antes de adormecer. Fico calma. Posso descansar.
Beijo-o devarinho, puxando-lhe os lábios com os meus, entremeando-os, amolgando-os de leve, lambendo pontinhas. Já está tão no átrio do sono: posso fazer-lhe tudo, geme só um pouco.
Não vou magoá-lo; quero que durma. Mas para que eu durma, e o nosso sono seja complementar, preciso do cheiro doce da sua boca, da língua de veludo, da textura macia que trinco e puxo e afago; e os dentes, que percorro com a minha língua, agora a minha, pequeninos, certos, branquinhos como os de um bebé. E babo-o de mim, beijando-lhe a boca toda, a boca toda, sincopadamente, enquanto geme e não sei o que geme.
Depois apago a luz e digo-lhe, "querido, até amanhã", e digo querido, sabedora que ele é alguém que eu quero muito, muito, e viro-me, encaixando-me nas suas costas, sentando-o em mim. Ajeita-se. Abraço-o. Sou eu que o abraço. Geme um pouco o meu querido. Não sei o que geme. Abraço-o e adormeço com o seu beijo meu na minha boca. E dormimos toda a noite. E é só quando acordo que sinto, de repente, que o gosto daquele beijo é o da minha própria boca, a textura da minha língua, dos meus lábios e dentes. E que estou sozinha.
Beijo-o devarinho, puxando-lhe os lábios com os meus, entremeando-os, amolgando-os de leve, lambendo pontinhas. Já está tão no átrio do sono: posso fazer-lhe tudo, geme só um pouco.
Não vou magoá-lo; quero que durma. Mas para que eu durma, e o nosso sono seja complementar, preciso do cheiro doce da sua boca, da língua de veludo, da textura macia que trinco e puxo e afago; e os dentes, que percorro com a minha língua, agora a minha, pequeninos, certos, branquinhos como os de um bebé. E babo-o de mim, beijando-lhe a boca toda, a boca toda, sincopadamente, enquanto geme e não sei o que geme.
Depois apago a luz e digo-lhe, "querido, até amanhã", e digo querido, sabedora que ele é alguém que eu quero muito, muito, e viro-me, encaixando-me nas suas costas, sentando-o em mim. Ajeita-se. Abraço-o. Sou eu que o abraço. Geme um pouco o meu querido. Não sei o que geme. Abraço-o e adormeço com o seu beijo meu na minha boca. E dormimos toda a noite. E é só quando acordo que sinto, de repente, que o gosto daquele beijo é o da minha própria boca, a textura da minha língua, dos meus lábios e dentes. E que estou sozinha.