Fico a olhar, fascinada, as pessoas na televisão. Os portugueses. Políticos. Intelectuais. Ou não. Os convidados das notícias. Que bem parecem. A forma gentil como movimentam as mãos. São pessoas sérias. Todas humildes e modestas. Higiénicas. Ninguém mija fora do écran, quanto mais dentro. O meio sorriso, nem muito aberto nem muito fechado. A cabecinha de lado, o sorriso retórico, politicamente correcto, socialmente correcto, culturalmente correcto. Os trejeitos com a boca, exclamativos, semânticos; a preocupação em dizer as coisas certas, com as palavras que se esperam. Os tiques que procuram aceitação, o abanar de cabeça, o baixar de cabeça, as palavras que rabiscam numa folha, e que infelizmente não vemos. Que repetitivos, que vazios, que chatos. Dêem-me a rua, por favor: as pessoas que passam, as mulheres que vendem no passeio, o homem que diz, "haviam de pagar mais de um milhão por cada divórcio", e a senhora que está convencida que "agora facilitam tudo, depois é esta falta de respeito, então uma pessoa quando se casa não é para sempre?" Gosto mais destes; as massas que não fazem jeitinhos, que não prestam vassalagens aos que prontamente pagam as vassalagens.
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quinta-feira, março 27, 2008
terça-feira, maio 15, 2007
Os actos comunicativos das pessoas finas
Na sua coluna de opinião, no Público de sábado passado, Pedro Mexia manifesta-se contra a exclamação. O correspondente sinal gráfico, escreve o cronista, é espalhafatoso, imita o desabafo juvenil, tem falta de subtileza, de ambiguidade, de criatividade, é inestético e serve só inábeis e pobres de espírito. Enfim, não passa de "foguetório carnavalesco".
Finalmente, no panorama das grandes letras, surge alguém com coragem - eu até ia a dizer com tomates! - para arrumar o ponto de exclamação no seu devido lugar.
É verdade, sim senhor: uma pessoa fina não exclama nem faz espalhafato: exprime-se monocordica e letalmente até ao juízo final do acto comunicativo. Uma pessoa fina não entoa, não grita. No máximo, esboça um disfarçado trejeito facial de prazer ou dor, ou melhor, de satisfação ou insatisfação.
Conheci muita gente fina que sempre me censurou, e com veemência, o ponto de exclamação, e também a falta de criadagem que me levasse os canídeos à rua, e lhes apanhasse as poias quentes com os sacos de plástico do Sanecan.
É incomodativo. O ponto de exclamação.
O raio do sinal não tem controlo algum: emociona-se e cresce sozinho. O raio do sinal mantém-se direito e não verga. O raio do sinal termina com firmeza os actos expressivos que inicia. Isto é muito mais do que a auto-estima das pessoas finas - eu até ia a dizer do Pedro Mexia! - pode suportar.
Série Venenos Letais
Finalmente, no panorama das grandes letras, surge alguém com coragem - eu até ia a dizer com tomates! - para arrumar o ponto de exclamação no seu devido lugar.
É verdade, sim senhor: uma pessoa fina não exclama nem faz espalhafato: exprime-se monocordica e letalmente até ao juízo final do acto comunicativo. Uma pessoa fina não entoa, não grita. No máximo, esboça um disfarçado trejeito facial de prazer ou dor, ou melhor, de satisfação ou insatisfação.
Conheci muita gente fina que sempre me censurou, e com veemência, o ponto de exclamação, e também a falta de criadagem que me levasse os canídeos à rua, e lhes apanhasse as poias quentes com os sacos de plástico do Sanecan.
É incomodativo. O ponto de exclamação.
O raio do sinal não tem controlo algum: emociona-se e cresce sozinho. O raio do sinal mantém-se direito e não verga. O raio do sinal termina com firmeza os actos expressivos que inicia. Isto é muito mais do que a auto-estima das pessoas finas - eu até ia a dizer do Pedro Mexia! - pode suportar.
Série Venenos Letais
O tempo de um gelado no McDonalds
Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...