No piso 0 do Centro Cultural de Belém encontra-se uma interessante exposição temporária de Alexandre Perigot, para quem aprecie arte moderna.
Integra esta exposição um video intitulado Kill Kill, com cerca de cinco minutos, projectado numa enorme parede, no qual uma série de pessoas de ambos os sexos, todas as idades, raças e estilos, sem qualquer banda sonora, apenas a imagem, coreografam a morte de alguém atingido por uma bala. Há muito tempo que não me ria com tanto gosto. Contudo, senti-me estranha ao não controlar o riso perante uma coisa tão séria como a morte, mesmo que apenas representada. Por que motivo são aquelas encenações tão reais e tão risíveis?
Obriguei-me a pensar sobre isto, e cheguei à conclusão que o meu riso incontrolável perante as imagens de Kill Kill não era completamente descontextualizado. Os actores, atingidos pela bala imaginária, mimavam imagens vistas no cinema, agarrando-se ao peito, olhando de seguida as mãos manchadas de sangue e caindo sem apelo, ou atiravam-se espectacularmente para trás, para o lado, para a frente, atingidos pelo impacto do projéctil brutal. Em qualquer das hipóteses, as cenas eram de extrema comicidade. Uma palhaçada.
Passa-se que os gestos de morte, sem morte, são ridículos. E é fácil de prová-lo. Tiremos o som a um filme de cowboys com muitos tiros ou a qualquer uma das xaropadas do Quentin Tarantino vendidas como filme de qualidade. A queda dos corpos é ridícula, porque se torna apenas uma queda. E nós rimo-nos da queda. É primário, não tem sentido algum, mas é assim.
Integra esta exposição um video intitulado Kill Kill, com cerca de cinco minutos, projectado numa enorme parede, no qual uma série de pessoas de ambos os sexos, todas as idades, raças e estilos, sem qualquer banda sonora, apenas a imagem, coreografam a morte de alguém atingido por uma bala. Há muito tempo que não me ria com tanto gosto. Contudo, senti-me estranha ao não controlar o riso perante uma coisa tão séria como a morte, mesmo que apenas representada. Por que motivo são aquelas encenações tão reais e tão risíveis?
Obriguei-me a pensar sobre isto, e cheguei à conclusão que o meu riso incontrolável perante as imagens de Kill Kill não era completamente descontextualizado. Os actores, atingidos pela bala imaginária, mimavam imagens vistas no cinema, agarrando-se ao peito, olhando de seguida as mãos manchadas de sangue e caindo sem apelo, ou atiravam-se espectacularmente para trás, para o lado, para a frente, atingidos pelo impacto do projéctil brutal. Em qualquer das hipóteses, as cenas eram de extrema comicidade. Uma palhaçada.
Passa-se que os gestos de morte, sem morte, são ridículos. E é fácil de prová-lo. Tiremos o som a um filme de cowboys com muitos tiros ou a qualquer uma das xaropadas do Quentin Tarantino vendidas como filme de qualidade. A queda dos corpos é ridícula, porque se torna apenas uma queda. E nós rimo-nos da queda. É primário, não tem sentido algum, mas é assim.