Quando nasci a minha mãe contou-me que o mundo ia acabar. Estaria para breve. Já a sua avó lhe tinha contado que do chão brotariam chamas altas como casas. Nasceriam monstros. Haviam de ser vistas coisas impossíveis e incríveis. A sua bisavó tinha contado à sua avó, pelo que a minha mãe cumpria a bem intencionada missão de me avisar. Que me portasse bem. Escarafunchando na memória dos inícios, acho que lhe terei perguntado para que fizera questão que eu nascesse, afinal, e não havendo resposta satisfatória, pus de lado a questão. Os pais nunca sabem explicar por que motivo desejaram que nascêssemos. Esforçam-se, mas não sabem. Nascemos porque nascemos, porque sim. Porque se nasce como nascem as ervas daninhas.
Nunca mais pensei nisso do fim dos tempos, até sexta-feira passada, data em que encontrei à minha frente, na fila do posto médico, uma negra com seis dedos em cada pé. Baixei-me para brincar com a filha de um ano de idade, perguntei-lhe o nome, Késsia, e confirmei, seis dedos, a mãe tinha mesmo seis dedos em cada pé. E uns chinelos de enfiar no dedo com a bandeira do Brasil. Se isto não é um sinal...
Nunca mais pensei nisso do fim dos tempos, até sexta-feira passada, data em que encontrei à minha frente, na fila do posto médico, uma negra com seis dedos em cada pé. Baixei-me para brincar com a filha de um ano de idade, perguntei-lhe o nome, Késsia, e confirmei, seis dedos, a mãe tinha mesmo seis dedos em cada pé. E uns chinelos de enfiar no dedo com a bandeira do Brasil. Se isto não é um sinal...