(Para o meu anjo.)
Tolero quase tudo aos que amo. Lá me custa, lá remoo, mas engulo. O álcool como vício, não. Não falo de um copo aqui, uma cerveja acolá; quero dizer, tremer de vício, cheirar a ele. O álcool degrada, corrompe, marca, destrói velozmente; faz das pessoas aquilo que nunca foram. Cria monstros que se apaziguam com veneno.
Nada posso fazer por um alcoólico, porque ele está todo dentro da garrafa, só e imundo na sua garrafa, que é todo o seu mundo, tudo o que vê, e não consegue escutar-me, nem sentir comigo. Nem quer.
Isto ocorreu-me agora, enquanto assistia ao excelente documentário sobre o Luíz Pacheco que passou na RTP2: o filho mais novo, o que viveu com ele, revelava ser o alcoolismo o único hábito do pai que o incomodou, e que nunca tolerou. Compreendi muito bem. Também eu tenho os meus alcoólicos, em relação aos quais me sinto impotente como um muro de cimento.
Nada posso fazer por um alcoólico, porque ele está todo dentro da garrafa, só e imundo na sua garrafa, que é todo o seu mundo, tudo o que vê, e não consegue escutar-me, nem sentir comigo. Nem quer.
Isto ocorreu-me agora, enquanto assistia ao excelente documentário sobre o Luíz Pacheco que passou na RTP2: o filho mais novo, o que viveu com ele, revelava ser o alcoolismo o único hábito do pai que o incomodou, e que nunca tolerou. Compreendi muito bem. Também eu tenho os meus alcoólicos, em relação aos quais me sinto impotente como um muro de cimento.