Toni Morrison nasceu nos Estados Unidos em 1931, e começou a escrever aos 40, para produzir a literatura que gostaria de ter lido.
Ganhou o prémio americano da Crítica, nos anos 70, o Pulitzer, em 1988, e o Nobel da Literatura em 1993, uns anos antes de Saramago.
Os Estados Unidos produzem, anualmente, hordas de excelentes escritores; aquilo não é propriamente pequeno; não é, de certeza, a escola do elogio mútuo que cá temos; se são bons, as editoras querem-nos e publicam-nos; se não respiram, ou são palavrosos, desvitalizados, o sonho não chega, trabalhem numa livraria, que é a relação mais íntima que conseguirão manter com uma obra. O mercado editorial americano é exuberante e impiedoso.
Escolher Toni Morrison para o Pulitzer, nos anos 80, e para o Nobel, cinco anos depois, deveria torná-la uma referência literária maior. Não tornou.
É mulher. É negra. É gorda. Não dá boas fotografias. Que fosse mulher, pronto, mas, ao menos, branca e magra, de preferência uma louraça, porque a imagenzinha... Abreviando, em Portugal parece que não vende. Não sei se por ser mulher, negra ou gorda, ou pelo conjunto. Ou não se divulga, porque não se traduz. Há um único livro traduzido, desta autora. Há dois, mas a edição de Amada, pela Difusão Cultural, encontra-se, há muito, fora de mercado.
A semana passada perdi uma tarde pelas livrarias do Chiado em busca de livros de Toni Morrison. Já tinha tentado em Almada, e nada. No Chiado, fui à Bertrand, nada; à FNAC, havia uma edição em inglês de Jazz, adquiri; àquelas duas a descer para o Rossio, nada, nada; voltando para cima, já mesmo a chegar à estátua de Camões, a Sá da Costa, perto dos cafés históricos, sumamente localizada.
O diálogo que se segue foi travado com a empregada da referida livraria.
Havia um exemplar de Paraíso na FNAC do Colombo. Mandei vir. Estou à espera. Deve chegar amanhã.
Se alguém me puder emprestar a edição esgotada de Amada, da Difusão Cultural, agradeço.
Ganhou o prémio americano da Crítica, nos anos 70, o Pulitzer, em 1988, e o Nobel da Literatura em 1993, uns anos antes de Saramago.
Os Estados Unidos produzem, anualmente, hordas de excelentes escritores; aquilo não é propriamente pequeno; não é, de certeza, a escola do elogio mútuo que cá temos; se são bons, as editoras querem-nos e publicam-nos; se não respiram, ou são palavrosos, desvitalizados, o sonho não chega, trabalhem numa livraria, que é a relação mais íntima que conseguirão manter com uma obra. O mercado editorial americano é exuberante e impiedoso.
Escolher Toni Morrison para o Pulitzer, nos anos 80, e para o Nobel, cinco anos depois, deveria torná-la uma referência literária maior. Não tornou.
É mulher. É negra. É gorda. Não dá boas fotografias. Que fosse mulher, pronto, mas, ao menos, branca e magra, de preferência uma louraça, porque a imagenzinha... Abreviando, em Portugal parece que não vende. Não sei se por ser mulher, negra ou gorda, ou pelo conjunto. Ou não se divulga, porque não se traduz. Há um único livro traduzido, desta autora. Há dois, mas a edição de Amada, pela Difusão Cultural, encontra-se, há muito, fora de mercado.
A semana passada perdi uma tarde pelas livrarias do Chiado em busca de livros de Toni Morrison. Já tinha tentado em Almada, e nada. No Chiado, fui à Bertrand, nada; à FNAC, havia uma edição em inglês de Jazz, adquiri; àquelas duas a descer para o Rossio, nada, nada; voltando para cima, já mesmo a chegar à estátua de Camões, a Sá da Costa, perto dos cafés históricos, sumamente localizada.
O diálogo que se segue foi travado com a empregada da referida livraria.
- Boa tarde, ando à procura de obras da escritora americana Toni Morrison.
- É portuguesa ou em estrangeiro?
- É uma autora estrangeira, mas quero livros em português..
Pega num calhamaço todo desconjuntado, uma espécie de lista telefónica, mas maior, com páginas igualmente finas, abre no M, e começa, Mo, Mo, Mo, Morri, Morris, Morrisson... está aqui um Morrisson... mas é um Jim... Morrison, só cá está este Jim!
- Não, não é Jim, é Toni, veja lá bem, Toni Morrison.
- L,M,N,...R,S,T... Tem razão, pois, aqui está um Tóni, realmente. Aqui está, Tóni Morrison... Mas não temos, nem há, que isto já é edição antiga.
- Sim, eu sei desse, mas há uma edição recente de um livro intitulado Paraíso.
- Não, não, do Tóni só há este que aqui vê, está a ver o meu dedo, este aqui, Morrison, Tóni, Amada...
- Pois... pronto, muito obrigada.
- Nada... e sempre à sua disposição.
- É portuguesa ou em estrangeiro?
- É uma autora estrangeira, mas quero livros em português..
Pega num calhamaço todo desconjuntado, uma espécie de lista telefónica, mas maior, com páginas igualmente finas, abre no M, e começa, Mo, Mo, Mo, Morri, Morris, Morrisson... está aqui um Morrisson... mas é um Jim... Morrison, só cá está este Jim!
- Não, não é Jim, é Toni, veja lá bem, Toni Morrison.
- L,M,N,...R,S,T... Tem razão, pois, aqui está um Tóni, realmente. Aqui está, Tóni Morrison... Mas não temos, nem há, que isto já é edição antiga.
- Sim, eu sei desse, mas há uma edição recente de um livro intitulado Paraíso.
- Não, não, do Tóni só há este que aqui vê, está a ver o meu dedo, este aqui, Morrison, Tóni, Amada...
- Pois... pronto, muito obrigada.
- Nada... e sempre à sua disposição.
Havia um exemplar de Paraíso na FNAC do Colombo. Mandei vir. Estou à espera. Deve chegar amanhã.
Se alguém me puder emprestar a edição esgotada de Amada, da Difusão Cultural, agradeço.