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domingo, janeiro 21, 2007

É que os portugueses adoram o chicote!


Não me surpreende nada que Salazar esteja entre as dez figuras nacionais que os portugueses mais amam! Não têm conto as vezes que ouço, pelo País fora, nas mais diversas classes sociais e culturais - não é um discurso exclusivo de motorista de táxi -, que "isto precisava era de um Salazar", que "Salazar até dava voltas no túmulo se soubesse o ponto a que chegámos".
É natural que o portuguesinho, que gosta de ser ordenado, de ter medo, de falar mesquinhamente nas costas, de se sentir desgraçadinho, nada fazendo para mudar o fatum, porque foi educado na tal Grande Ordem em que um Grande Pai se responsabilizava por todas as decisões, tomando as rédeas da Grande Casa, gerindo-a de acordo com os seus desígnios, que, mesmo se não se compreendessem, haviam de ser os melhores, porque os pais querem sempre o nosso bem, não conheça outra forma de ver, pensar e respirar.
Os portugueses estão chateados com a Democracia, e é natural! A Democracia dá trabalho. Exige participação. Uma pessoa tem de lavar-se, vestir-se, sair de casa e pronunciar-se, e o portuguesinho quer o trabalho feito, mesmo que não seja à sua vontade, porque pode sempre entreter-se com lamentações, cortando na casaca do Grande Pai às escondidas. De maneira que não se saiba que ele discorda. Para não vir a ser prejudicado se as coisas mudarem... diga-se baixinho!
Se Salazar estivesse vivo, e no exílio, alguém o faria regressar, e haviam de votar nele nas próximas eleições legislativas. Melhor, já lá estava. Mesmo morto, os Portugueses continuam à sua procura noutras figuras paternais de cara fechada, sérias, teimosas como Ferreira Leite, Maria de Lurdes, Portas.
Os portugueses carecem desse Pai inflexível com o cavalo-marinho pendurado atrás da porta, omnipresente. Sentem-lhe a falta. O orgulho com que narram as cargas de pancada que apanhavam em pequenos, com o cinto, ou à chicotada! Até se regalam de contar tais histórias. Riem-se à boca larga. Grandes tempos! E quando andavam cheios de fome a roubar fruta nos pomares dos vizinhos, e eram corridos a tiro de caçadeira?! Ah, que saudades! Esses tempos maravilhosos em que aos sete eram postos a aprender um ofício, e entregavam o mísero ganho em casa! Ah, e quando se dividia uma sardinha por três! Isso sim! Outra época!

Porque "Salazar não deixava que houvesse miséria". Porque "Salazar recolhia as raparigas pobres e dava-lhes educação, e não era esta pouca vergonha". Porque "Salazar não queria ninguém descalço!" Porque "Salazar era um homem sábio, casto, poupado e dedicado ao seu labor, que nunca roubou um tostão um povo".
Se eu tivesse nascido há uns dez, vinte anos, ainda corria o risco de pensar que Salazar tinha sido um doutor santo, como o doutor Sousa Martins, que eu nem sei se está na lista dos portugueses mais importantes.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...