Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Mexia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pedro Mexia. Mostrar todas as mensagens

sábado, maio 19, 2007

O amor é cego



Fico sempre toda babada quando descubro que pessoas importantes, com nome de família, seis ou sete apelidos à vez, se pelam por ler, às escondidas, o blogue da filha do electricista, o tal que reparava os curtos circuitos nas aparelhagens das respectivas mamãs, enquanto os papás laboravam na repartição.
Claro que, no caso do Mexia, a gente aqui já não quer saber nada. E sempre que quisermos, inventamos - única forma de lhe tornar a vida pessoal realmente interessante!
No mínimo, caía bem um obrigadinho, doutor Mexia!

terça-feira, maio 15, 2007

Os actos comunicativos das pessoas finas


Na sua coluna de opinião, no Público de sábado passado, Pedro Mexia manifesta-se contra a exclamação. O correspondente sinal gráfico, escreve o cronista, é espalhafatoso, imita o desabafo juvenil, tem falta de subtileza, de ambiguidade, de criatividade, é inestético e serve só inábeis e pobres de espírito. Enfim, não passa de "foguetório carnavalesco".
Finalmente, no panorama das grandes letras, surge alguém com coragem - eu até ia a dizer com tomates! - para arrumar o ponto de exclamação no seu devido lugar.
É verdade, sim senhor: uma pessoa fina não exclama nem faz espalhafato: exprime-se monocordica e letalmente até ao juízo final do acto comunicativo. Uma pessoa fina não entoa, não grita. No máximo, esboça um disfarçado trejeito facial de prazer ou dor, ou melhor, de satisfação ou insatisfação.
Conheci muita gente fina que sempre me censurou, e com veemência, o ponto de exclamação, e também a falta de criadagem que me levasse os canídeos à rua, e lhes apanhasse as poias quentes com os sacos de plástico do Sanecan.
É incomodativo. O ponto de exclamação.
O raio do sinal não tem controlo algum: emociona-se e cresce sozinho. O raio do sinal mantém-se direito e não verga. O raio do sinal termina com firmeza os actos expressivos que inicia. Isto é muito mais do que a auto-estima das pessoas finas - eu até ia a dizer do Pedro Mexia! - pode suportar.

Série Venenos Letais


quarta-feira, maio 02, 2007

Da verdade e da verosimilhança

Foto: Monika Wiechowska, Resting to the sun


Há uns tempos, poucos, li uma daquelas entrevistas do Mexia, nas quais costuma dizer que não sabe escrever, não vá alguém lembrar-se de lhe avançar a crítica. Enquanto defesa é boa técnica. Podemos sempre retorquir, em tom blasé, à primeira contrariedade, "nada que eu próprio não tivesse já dito". No caso de Mexia, considero despropositado: que o rapaz escreve graciosa e claramente, e nos entretém, não me parece haver dúvida.
Na mesma entrevista, Mexia expunha a sua teoria sobre intimidade e privacidade. No seu particular caso literário, Mexia procura criar intimidade, mas recusa a exposição da privacidade, a qual ocorre quando um autor apresenta referências precisas: nomes, datas e locais - e isso ele não faz.
No entanto, com ou sem referências precisas, com ou sem escancaramento da privacidade, quem lê Mexia e, nomeadamente, o seu Estado Civil, julga tudo saber sobre vida íntima do escritor: e, claro, vai espalhando que o rapaz é o que escreve, ou seja, que não fode nem sai de cima, o que, se calhar, é capaz de ser injusto!
Para o leitor, que diferença é essa, afinal, entre íntimo e privado, vocábulos sinónimos para designar realidades só nossas, pouco mais ou menos secretas, que não desejamos ver conhecidas? Não é tudo a mesma coisa? Talvez não, de facto. Talvez Mexia tenha razão, mas é uma tarefa inglória. Para o leitor, se Mexia diz que não fode, se, portanto, há ali alguém que não fode, só pode ser o Mexia. Se está na 1ª do singular, é exposição da experiência íntima, privada. Se está na 3ª, é um disfarce de vivências privadas que não nos atrevemos a contar, mas que o leitor capta a léguas, que ele não é parvo! Portanto, quer Mexia escreva sobre um raio dum fungo no pé, que não desaparece após quilos de Canesten aplicado duas vezes ao dia, ou sobre o tesouro escondido do rei da Prússia, estará, em última análise, sempre, a descrever-se intimamente. Portanto, nada de justificações. Para quê explicações? Não vale a pena. O que as pessoas querem, muito naturalmente, e isso é inevitável, é identificar-se com as experiências alheias. "Ah, que bom, eu não sou o único!" "Ah, olha, tal e qual como eu!"
É por isso que me estou nas tintas para as subtis diferenças entre íntimo e privado. O que é verdade e o que é mentira?! Cá no meu blogue é tudo verdade! É tudo íntimo, é tudo privado, é tudo secreto, as referências são todas verdadeiras! Cá no meu blogue, até me regalo de começar um texto revelando intimidades inauditamente privadas, e comprovadamente verídicas, como, por exemplo, "Nessa tarde, a minha mãe chegou mais cedo e apanhou o primo Jorge a sodomizar-me no sofá azul da sala, de frente para a janela da rua. Foi na antiga casa da Barrocas, uma semanas depois de ter morrido o filho da D. Maria, em Paris, carregadinho de Sida. Quão distantes vão esses dias de 1989!"
E é assim, meus amigos. Agora desculpem-me, que tenho de ir lavar a passarinha, porque me estão a dar umas comichões bárbaras; é que andei hoje muito a pé, e como tenho a perna gorda, e as coxas roçam uma na outra, e transpira-se... é chato; e a ver se ainda faço uma sopa de espinafres para jantar, depois de lavar as mãozinhas, claro.

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Pedro e o amor

Deus me ilumine: como é possível um homem inteligente para além do razoável, com sentido de humor, delicado, educadíssimo, culto, de boas famílias, com as melhores relações sociais, pretendido por todos, solteiro, responsável, louro e de olhos azuis, vivendo no centro de Lisboa em casa própria, não arranjar uma namorada linda, inteligente, educada, culta, sensível, solteira, etc. etc?



Eu podia começar este post por escrever que não conheço o Pedro Mexia.
Seria mentira, mas podia escrevê-lo. Conheci o Pedro quando era bom rapaz. Um bocado convencido, um bocado de direita, um bocado conservador, mas tinha os seus 20 anos, e o que não se perdoa a quem anda nos 20 e tem tudo na vida?! Tudo excepto o essencial!
Nessa altura também eu era demasiado intolerante. Portanto, estávamos um para o outro.
Pedro sente-se vazio e eu compreendo-o. Para que serve a vida sem o essencial?
O Pedro pode ter tido a melhor educação, a melhor família, mas não se sente amado. Talvez seja amado, mas não sente. Pedro fez 33 anos, a idade de Cristo, como escrevia esta semana na Grande Reportagem, e tem tudo, mas não o essencial.
Eu nunca gostei do Pedro. “Esse convencido de merda!” “Não tem que se esforçar para comer, pode dedicar-se a escrever críticas!” Se isto é verdade, se ele foi um convencido de merda apoiado por todos os lados da vida, e foi!, não é menos verdade que escreve melhor que ninguém, que demonstra uma sensibilidade extraordinária, capaz de fazer de si um dos melhores comentaristas da actualidade, um prosador fluente, expressivo, inteligente, notável – mas um poeta razoável!
O Pedro é bom! E quando a Isabela diz, fulano é bom, tenho muita pena, queridos, mas isto são milénios de experiência, fulano é bom!

Portanto Pedro, vamos estudar o teu problema. O que acontece entre ti e as meninas que te rodeiam, que vão contigo às matinés de sábado e domingo, e com quem discutes o argumento no final?
Vamos ver: o grau de excelência humana que procuras, não o encontras, salvo raras excepções (a minha prima afastada, por exemplo), em meninas de primeira escolha, como as mais gradas maçãs? Queres o brilho ou o sumo? O teu problema é quereres tudo, seres demasiado... exigente.
E esse caminho pode transformar-te num(a)... Isabela. Já vi pior, mas, sou sincera, também já vi melhor!
Portanto, lourinho, começa a aventurar-te por terrenos mais batidos, contudo excelentemente transitáveis. Já reparaste nas senhoras das bilheteiras? Nas que olham para ti com cara de "conheço este murcon da televisão, ou será do Minipreço?!"

Isabelas não há muitas, e as que existem estão todas acima dos 35, com filhos de 10 anos. Portanto, vamos lá ver... Não podes almejar uma menina em primeira-mão, linda e tudo... Podes conseguir linda e tudo, mas em primeira-mão é difícil. Enfim, Pedro, podes almejar o que quiseres, tudo depende do que estás disposto a pagar, e tu não estás!
Queres o Amor. Repara que usei a maiúscula! Queres tudo do Amor. Queres de graça. Não te censuro, rapaz. Eu também nunca o fiz por menos!
Se é para viver a sério, vamos rebentar esta merda toda, a gente quer o amor por inteiro, intacto, puro ainda como no dia da primeira cacimba, a gente quer o que nos devem desde que abrimos a porra das goelas, e dos olhos e das mãozinhas e sorvemos a primeira pitada de ar. Amor ou nada. Queremos o Amor, porra!
Foda-se, a gente quer mesmo a porra do Amor!

Não é o mundo que está errado: tu é que tens errado na forma como recebes o mundo. Espera-lo à tua imagem. O mundo não é à nossa imagem, homem! Trabalhemo-lo!
Afinal, Pedro, continuas bom rapaz, tens só 33 anos,
carago!, e és muito mais bonito que o Fernando Pinto do Amaral; não há-de haver por aí uma Inês Pedrosa que te sirva como tampa para o tacho?
Eu também não sei como foi possível ficar solteira! Um docinho de damascos com nata, como eu?! Mas, Pedro, repara no meu exemplo: aqui no blog há comentários abertos e, léria para cá, léria para lá!, fechando o C.B., e a Alma, os olhos ao processo, arranjam-se namorados à duzia!
Eu estava a pensar: e se abrisses as caixas de comentários?

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...