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quinta-feira, maio 22, 2008

Sofrimento

Havia a Matrix, um programa que alguém tinha inventado. Dentro da Matrix todos pensavam o que a Matrix queria. Uns eram felizes, outros infelizes para que os felizes se sentissem felizes. Dentro da Matrix, havia os trabalhadores e os preguiçosos, e as associações que apoiavam os preguiçosos e tentavam adaptá-los, reinseri-los a bem na Matriz, para que os felizes se sentissem felizes.
A Matrix tinha um erro, um sequência de zeros e de uns que ninguém conseguia resolver: era o raio da alma. Parecia resolvido, mas a alma era de uma fragilidade tão sentida, tão indiscutível, que rebentava as sequências de algarismos, como uma carga de peixe vivo e prateado enrolada numa rede de algodão fino, e de imediato procurava o espírito, sua casa, de onde era difícil fazê-la sair. Assim, alguns indivíduos escapavam temporariamente ao extraordinário poder do programa, e a Matrix podia contemplar as suas falhas, embora estivesse programada para as ver como falhas alheias. A Matrix era a ordem. A certeza.
Aos que não conseguiam levantar-se cedo da cama, chamavam preguiçosos que recusavam trabalhar para explorar o esforço alheio.
Do homem que atravessou nu a maior artéria da cidade, segurando um gatinho, à procura do rio, disseram que se ia matar, e impediram-no. Fora da Matrix, era nítido que o homem corria para se salvar.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...