Maria Lamas (1893-1983) foto de San Payo, 1930.
(capa do nº3 da revista Faces de Eva, UNL-FCSH)
Carta de Maria Lamas a Eugénio Ferreira *
"Paris, 29 de Março de 1968
Muito Querido e sempre lembrado Amigo:
(...)
Sim, vale a pena lutar para que os nossos sonhos de vida melhor e de paz entre todos os homens se concretizem numa realidade clara e justa, que torne possível a realidade tormentosa e desumana que estamos vivendo. Vale a pena acreditar, viver a amizade a solidariedade, em cada instante da existência, dar e receber afecto e confiança, que é a maneira de ir construindo em nós mesmos o mundo novo a que aspiramos, e de ajudar os outros a construí-lo também em si próprios, quando têm o mesmo ideal. E os laços criados por esta solidariedade e afecto resistem ao tempo, às vicissitudes dos destinos inquietos e atormentados, transformando-se numa força protectora, mesmo quando deixa de haver contactos e notícias directas. Basta que o encontro se tenha dado entre pessoas de boa vontade, com idêntica sensibilidade e sincero anseio de servir a dignidade humana.
Este encontro deu-se connosco, querido Amigo. Sempre o senti. E a sua amizade passou a ter logo um lugar insubstituível no mundo fraterno onde vivo, interiormente, e fora do qual me sinto exilada - muito mais do que vivendo num País estrangeiro. (...)"
(...)
Sim, vale a pena lutar para que os nossos sonhos de vida melhor e de paz entre todos os homens se concretizem numa realidade clara e justa, que torne possível a realidade tormentosa e desumana que estamos vivendo. Vale a pena acreditar, viver a amizade a solidariedade, em cada instante da existência, dar e receber afecto e confiança, que é a maneira de ir construindo em nós mesmos o mundo novo a que aspiramos, e de ajudar os outros a construí-lo também em si próprios, quando têm o mesmo ideal. E os laços criados por esta solidariedade e afecto resistem ao tempo, às vicissitudes dos destinos inquietos e atormentados, transformando-se numa força protectora, mesmo quando deixa de haver contactos e notícias directas. Basta que o encontro se tenha dado entre pessoas de boa vontade, com idêntica sensibilidade e sincero anseio de servir a dignidade humana.
Este encontro deu-se connosco, querido Amigo. Sempre o senti. E a sua amizade passou a ter logo um lugar insubstituível no mundo fraterno onde vivo, interiormente, e fora do qual me sinto exilada - muito mais do que vivendo num País estrangeiro. (...)"