Jane Goodall, ontem, em Lisboa (DN de hoje):
Da espécie humana diz que o cérebro é capaz de coisas maravilhosas, mas também de outras terríveis. Qual será o balanço final, na sua opinião?
Depende de nós e da próxima geração. Mas penso que houve um corte entre o nosso cérebro extremamente inteligente e o coração, ou seja, a compaixão e o amor. Essa rotura faz do ser humano uma criatura perigosa.
Mas o ser humano não terá sido sempre assim?
Não. Se olhar para as comunidades indígenas, verifica que todas as decisões importantes requerem a opinião de um conselho de ancião, que toma em consideração a forma como as decisões afectarão as gerações futuras. Hoje, no nosso mundo, as decisões são tomadas em função da forma como os accionistas vão ser afectados nos próximos três meses. É em função da ganância que se tomam as decisões. Vivemos num mundo absolutamente materialista. Um exemplo: sabemos o que o consumo de combustíveis fósseis está a fazer ao clima do nosso planeta, sabemos da poluição e da chuva ácida e dos seus efeitos na saúde. Os donos das companhias de petróleo amam os netos, como toda gente, então o que se passa? Porque não pensam no seu futuro? É desse corte que falo.
Devemos culpar o capitalismo?
Sim. Isto está acontecer desde a II Guerra Mundial, porque nos tornámos escravos da cultura materialista. O capitalismo até talvez pudesse funcionar bem, não estará nele necessariamente o problema. A questão é que o enfoque é exclusivamente materialista e individualista. Não há dimensão espiritual. Não faz sentido.
Como se pode contrariar isso?
Através do Roots and Shoots [projecto para a juventude iniciado em 1991 por Jane Goodall]. Acreditamos na mudança de atitudes. Temos que mudar a filosofia segundo a qual, para mudar o rumo num país é preciso bombardeá-lo. Temos que mudar a atitude com os animais, que são criados em espaços diminutos para se tornarem comida barata. (...)
Da espécie humana diz que o cérebro é capaz de coisas maravilhosas, mas também de outras terríveis. Qual será o balanço final, na sua opinião?
Depende de nós e da próxima geração. Mas penso que houve um corte entre o nosso cérebro extremamente inteligente e o coração, ou seja, a compaixão e o amor. Essa rotura faz do ser humano uma criatura perigosa.
Mas o ser humano não terá sido sempre assim?
Não. Se olhar para as comunidades indígenas, verifica que todas as decisões importantes requerem a opinião de um conselho de ancião, que toma em consideração a forma como as decisões afectarão as gerações futuras. Hoje, no nosso mundo, as decisões são tomadas em função da forma como os accionistas vão ser afectados nos próximos três meses. É em função da ganância que se tomam as decisões. Vivemos num mundo absolutamente materialista. Um exemplo: sabemos o que o consumo de combustíveis fósseis está a fazer ao clima do nosso planeta, sabemos da poluição e da chuva ácida e dos seus efeitos na saúde. Os donos das companhias de petróleo amam os netos, como toda gente, então o que se passa? Porque não pensam no seu futuro? É desse corte que falo.
Devemos culpar o capitalismo?
Sim. Isto está acontecer desde a II Guerra Mundial, porque nos tornámos escravos da cultura materialista. O capitalismo até talvez pudesse funcionar bem, não estará nele necessariamente o problema. A questão é que o enfoque é exclusivamente materialista e individualista. Não há dimensão espiritual. Não faz sentido.
Como se pode contrariar isso?
Através do Roots and Shoots [projecto para a juventude iniciado em 1991 por Jane Goodall]. Acreditamos na mudança de atitudes. Temos que mudar a filosofia segundo a qual, para mudar o rumo num país é preciso bombardeá-lo. Temos que mudar a atitude com os animais, que são criados em espaços diminutos para se tornarem comida barata. (...)