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quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Só Kahlo, não Ferida

Estou a ficar cansada de Frida Kahlo. Mas isto sou eu, porque consumi demasiado. De resto, aconselho vivamente a exposição que saltou de Santiago de Compostela para o Centro Cultural de Belém.
Frida nasceu ferida. A arte de Frida é aquilo que a autora foi no momento em que nasceu: herida. A sua arte existiu antes dela. Quero afirmá-lo porque já não suporto que se escreva que o que criou deriva directa, exclusivamente da sua experiência de vida. Claro que não estamos cá para ver passar carroças, e mesmo essas deixam rasto, mas arte é arte. É indissociável da vida, mas vive ao seu lado, não obrigatoriamente dentro. O pior que podem fazer a um autor é confundir-lhe obra e biografia. Fernando Pessoa padece disso. Florbela Espanca, muito pior. Frida, o mesmo. Porque, quando o autor é uma mulher, diz-se, "ela fez aquilo porque sofria muito", e não "ela fez aquilo porque era muito talentosa". Frida não foi a melhor pintora do mundo, mas criou uma estética da dor verdadeiramente original; um novo cristo colorido, uma mulher florida e partida; podia ser um homem florido e partido - por acaso foi uma mulher.
O que mais detesto, sobre Frida, ou outra autora qualquer, é essa confusão entre biografia e vida: casou não sei quantas vezes, mas o marido era infiel; foi lésbica ou bissexual, porque mulheres que se destacam têm de apresentar um problema qualquer associado à máquineta da feminilidade, e o lesbianismo ainda serve (feminilidade e autoria continuam assunto razoavelmente incompatível); e queria ter filhos, mas abortava. Este padrão é igual para todas. Com Florbela, com Frida. Com Claudel. Venham elas, que a gente devassa-lhes já a vida privada e rotula-as num instante: malucas, desajustadas. Não é arte, é desajuste. É só loucura. Uma mulher torna-se artista na medida em que a sua vida foi/ficou destruída.
Os homens são génios; as mulheres, lésbicas ou loucas.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...