Mostrar mensagens com a etiqueta Elvis Presley. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Elvis Presley. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, agosto 16, 2005

Doll, é provável que não te tenha amado como devia!



Faz hoje exactamente 28 anos, eu era adolescente e passava férias em S. Martinho do Porto. Nesse dia regressei da praia antes dos outros, para assistir, na tv, aos Morangos com Açúcar da época: uma série francesa sobre um grupo de adolescentes envolvidos em aventuras pouco próprias para a idade, e uns com os outros. Comportavam-se como se fossem adultos e não devessem explicações a ninguém, e isso fascinava-me. Não guardei o nome do programa, mas quem, como eu, ainda se lembre dos sensuais dentinhos separados do Art Sullivan há-de recordar-se disto; na minha memória paira a encantadora visão, muito desfocada, é certo, de certas personagens masculinas de cabelos compridos, bué de cool, sensíveis, inteligentes e lindos de morrer! E homens, inclusive amostras dos mesmos, cool, sensíveis, inteligentes e lindos de morrer, uma mulher jamais esquece, por muitos anos que viva; por mais tenra que tenha sido a idade da experiência: grava-se-nos na moleirinha para sempre.
Não houve série, nesse dia. Liguei o aparelho e a notícia de última hora anunciava a morte súbita de Elvis Presley.
O homem ainda era importante nos setenta. Estava envelhecido, gasto de sedativos e anfetaminas, de álcool e drogas, mas continuava a cantar com sentimento, quase tanto como o Marco Paulo.
Gosto do Elvis, confesso. Ao último acorde do Always on my mind exclamo sempre, "Ah, fadista!" Leva-me às lágrimas.
Estou a vê-lo no palco, todo de branco, calças à boca de sino, a gola levantada e tesa de brilhantes, ligeiramente dobrado, em carantonhas sofridas, escorrendo suor, espremendo o microfone, gemendo qualquer coisa que, independentemente do que ouçamos, pode ser traduzida como, "Priscila, por que me deixaste? Não percebes que a culpa desta miséria é exclusivamente tua? Por que não aceitaste, de bom grado, que te pusesse os cornos várias vezes ao dia, e te oferecesse violentas cenas de ciúmes por causa do leiteiro? Para mais, não toleraste que passasse anos drogado e bêbado, e te ignorasse totalmente, e que, para além do ressonar, nada de notável fizesse na cama. Priscila, se morrer, e tenho-me esforçado tanto para isso, a culpa é toda tua, e a América em peso vai responsabilizar-te por não teres voltado para mim, para que, em nome do amor, faça de ti capacho, a todas as horas. "
O Elvis gostava da Priscila? Vejamos: comprou-a, aos pais, quando exercia o seu servicinho militar, na Alemanha. A miúda tinha 15 anos, viu-a num café em Berlim, achou-a a coisinha mais fofa do mundo (não usei "coisa" por que me faltasse vocabulário, sublinhe-se!), convidou-a para um copo, e, dois meses depois, estava a negociar com os progenitores os termos de uma coabitação, nos States, cuja aparência de virgindade para a menina e de celibato para o mariola - que por motivos profissionais e de fornicação gratuita, adiou o casamento por mais de uma década - obrigava a cláusulas rígidas.
Elvis adorava Priscila, todos sabemos: tanto que lhe tramou a vida, mas isso era normal nos 50 e 60, e nos 70, e em 2005, se calhar. Elvis era um esforçado filho-da-puta, herdeiro dos piores vícios de toda uma linha, não extinta, de cego, egoísta poder patriarcal. Um cobarde disfarçado. Nada a que não estejamos habituados. Cruzo-me com eles todos os dias. Não teve a culpa, era o pensamento do tempo, não é assim que justificamos hoje as atrocidades do passado?
Apesar de tudo, escuto Always on my mind e suspendo actividades; quero lá saber se é pura lamechice, se é mentira, se é chantagem emocional de macho justamente largado. Claro que é tudo isso e mais que isso! O homem chagou o juízo à rapariga, que não precisava dele para se fazer à vida, como finalmente fez, com sucesso.
Elvis era insuportável. Mas cantava Always on my mind e, nós, felizmente, não sabíamos inglês ou, se sabíamos, ignorávamos a letra, e ouvíamos apenas a voz cheia, a que chamávamos, quente, pegajosa, enquanto dançávamos slows apertados. E as vozes quentes, pegajosas, são promessas de sexo, por isso paramos a escutá-las. Repetimo-las, queremos dançar, apertadas, as músicas que verbalizam.
Por algum motivo guardei na memória os gestos que realizei no dia de hoje, há 28 anos.
E, afinal, no peito dos filhos-da-puta também bate um coração!
Não é o meu arranjo preferido nem a sua melhor interpretação do tema, mas é a voz do Elvis, e o que se conseguiu arranjar. Gosto sobretudo de uma outra versão, em voz já pastosa.

Always on my mind (Elvis Presley)

Maybe I didn't treat you quite as good as I should,
Maybe I didn't love you quite as often as I could,
Little things I should have said and done,
I just never took the time.


(É provável que não te tenha tratado tão bem como devia
Provável que não te tenha amado tanto quanto podia
Pequenas coisas que deveria ter dito e feito
mas, simplesmente, nunca arranjei tempo.)

You were always on my mind,
You were always on my mind.


(Pensei sempre em ti
Pensei sempre em ti.)

Maybe I didn't hold you all those lonely, lonely times,
And I guess I never told you, I'm so happy that you're mine,
If I made you feel second best,
girl, I'm sorry, I was blind.


(É provável que não te tenha apoiado -abraçado?- em momentos de grande solidão
E penso nunca ter-te dito "sinto-me tão feliz por seres minha"
Se te fiz sentir uma segunda escolha
Desculpa, miúda, estava cego.)


You were always on my mind,
You were always on my mind,

Tell me, tell me that your sweet love hasn't died,
Give me, give me one more chance to keep you satisfied,
If I made you feel second best
,
I'm sorry, I was blind.

(Diz-me que o teu doce amor não morreu
Concede-me mais uma oportunidade para te fazer feliz,
Se te fiz sentir uma segunda escolha
desculpa, estava cego.)

You were always on my mind,
You were always on my mind.



O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...