Cindy Sherman, Sem título#112, 1982, Guggenheim Museum
Acredito na Cindy Sherman e na arte como arquitecta do mundo.
Acredito no sexo e nas vaginas portáteis, em silicone, e nas vaginas de carne, santificadas de todos os dias, lavadas com água de rosas, desinfectadas e prontas a usar.
Acredito nos contentores do lixo a fermentar ao calor e ao frio. E nos aterros sanitários aos quais o Tiago vai respigar embalagens já fora do prazo de validade, mas ainda muito consumíveis
Acredito nos beijos das cadelas. Nas mordidas e ganidos felizes das cadelas.
Na celulite. Nos vestidos Fátima Lopes. Na durabilidade da parafernália HP e nas vantagens do Mozilla Firefox. Em tudo o que acaba, e, mesmo assim, existiu.
Acredito que a vida é a minha arte, como a de Cindy Sherman. E que a arte precisa de mim, da boneca Cindy-Isabela. Acredito na Arte. E em Deus, que são a realíssima mesma matéria.
O meu amigo pintor via Deus, e Deus soprava no seu nariz, e movimentava-se nos seus braços e o que saía era lixo, eram latas de sardinha coladas numa tela com grude feito de farinha. Mas se o pintor tinha acabado de comer sardinha de lata, frita com farinha e ovo... que a arte fosse a vida que se lhe digeria nas vísceras.
O meu amigo pintor era Deus. Acreditei nele. Agora já não, porque agora aplica com rigor geometrias, e eu não posso caber na espessura de uma linha; eventualmente, no comprimento, se fosse infinita.
Acredito que ninguém gosta. De ninguém. Que todos fogem. De todos. Têm medo. De tudo.
Acredito nisso.
Acredito que um dia, o meu mundo, pelo menos o meu, vai ser perfeito. Acredito nisso
Acredito na Cindy Sherman e na arte como arquitecta do mundo.
Acredito no sexo e nas vaginas portáteis, em silicone, e nas vaginas de carne, santificadas de todos os dias, lavadas com água de rosas, desinfectadas e prontas a usar.
Acredito nos contentores do lixo a fermentar ao calor e ao frio. E nos aterros sanitários aos quais o Tiago vai respigar embalagens já fora do prazo de validade, mas ainda muito consumíveis
Acredito nos beijos das cadelas. Nas mordidas e ganidos felizes das cadelas.
Na celulite. Nos vestidos Fátima Lopes. Na durabilidade da parafernália HP e nas vantagens do Mozilla Firefox. Em tudo o que acaba, e, mesmo assim, existiu.
Acredito que a vida é a minha arte, como a de Cindy Sherman. E que a arte precisa de mim, da boneca Cindy-Isabela. Acredito na Arte. E em Deus, que são a realíssima mesma matéria.
O meu amigo pintor via Deus, e Deus soprava no seu nariz, e movimentava-se nos seus braços e o que saía era lixo, eram latas de sardinha coladas numa tela com grude feito de farinha. Mas se o pintor tinha acabado de comer sardinha de lata, frita com farinha e ovo... que a arte fosse a vida que se lhe digeria nas vísceras.
O meu amigo pintor era Deus. Acreditei nele. Agora já não, porque agora aplica com rigor geometrias, e eu não posso caber na espessura de uma linha; eventualmente, no comprimento, se fosse infinita.
Acredito que ninguém gosta. De ninguém. Que todos fogem. De todos. Têm medo. De tudo.
Acredito nisso.
Acredito que um dia, o meu mundo, pelo menos o meu, vai ser perfeito. Acredito nisso
Cindy Sherman, Sem título, 1992
Cindy Sherman, Sem título, 1990