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quarta-feira, novembro 05, 2008

Apontamentos sobre a vitória de Obama


No café, um homem bastante jovem dizia, o Barraca Abana ganhou, não te dizia?!, agora é ver os pretos entrarem todos pela Europa acima. O companheiro de cerveja respondeu-lhe, não, estás parvo, querias que o outro ganhasse?! Nem pó!
E se o primeiro tem razão e os pretos entram mesmo pela Europa acima, e nós podemos descer livremente África abaixo, não seria tão bom?! Não seria tão bom sermos livres sem fronteiras, sem raças, com acesso a todas as oportunidades?! Com Obama, não tenho apenas muitas esperanças para a América, mas para o mundo. É preciso dotar os EUA de um serviço de saúde publico e decente. É necessário garantir o acesso à educação para todos. É sobretudo necessário diminuir a riqueza dos muito ricos e redistribui-la. A riqueza excessiva e os consumos associados são um insulto para a humanidade em geral. Corrompem. Criam cancros. A excessiva riqueza de uns implica a excessiva pobreza de outros, e é absolutamente necessário equilibrar esta balança. Isto implicará uma grande mudança, portanto um grande sofrimento. É preciso ter esta ideia presente: não há mudança sem um grande sofrimento.
Acredito que Obama poderá tornar-se uma tendência, como os ténis de marca, mas o seu oposto. Talvez o mundo inteiro se torne um pouco mais humano. Não escutam o sofrimento do mundo?! Eu escuto-o todos os dias. Aflige-me. Não me deixa adormecer. Nenhuma beleza, e o mundo é belo, pode eliminar o som de fundo, constante, do sofrimento que o atinge.
Alimento muita esperança de que os EUA, e a sua enorme influência ao nível dos comportamentos, olhem verdadeiramente para a geografia humana africana e não, como até agora, para os interesses económicos que advêm da enorme riqueza deste continente. Angola não é importante porque tem diamantes e petróleo, mas porque tem angolanos. Um melhor nível de vida em África trará a diminuição de conflitos armados, tornará a escravidão obsoleta. Tudo o que for possível fazer em África se fará pelo mundo.
Obama tem a enorme vantagem de ter tido contrariedades. Identifico-me muito com este homem que não veio de uma família burguesa bem colocada, que não tem nome de família: um pai precocemente falecido, uma mãe ausente; foi criado pela avó; trabalhou na área dos direitos humanos e do apoio às comunidades desfavorecidas. Meu Deus, é lá possível não apostar tudo nas ideias deste homem?! Na influência que poderá ter no mundo inteiro?! Acredito que ele ouve o sofrimento do mundo. Acredito nisto, tal como acreditei há nove meses atrás que ele seria o próximo presidente dos EUA.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Utopia em progresso

Barak Obama e mulher em campanha

Com um bocado de sorte, e cansaço, e raiva dos americanos, é provável que dentro de nove meses Barak Obama seja eleito presidente dos Estados Unidos da América.
Até há pouco tempo não acreditaríamos que um homem negro tivesse hipótese de chegar à presidência dos EUA. Seria necessário esperarmos 50 anos. Talvez 80. Dizíamos. Parecia-nos muito mais provável que os americanos, influenciados pela Europa, escolhessem eleger, primeiro, uma presidenta. Hillary Clinton, naturalmente. Mas Hillary não parece prometer mudança com a autenticidade de Obama nem com a mesma voz, as mesmas mãos. Hillary esteve no sistema. Está. Não há grande garantia de que não seja mais do mesmo. Não convence. Ou melhor, não suplanta Obama, que discursa como um pregador, como um Luther King, um negro. Escutei o seu recente discurso da vitória, na Carolina do Sul, e apanhei-lhe a prosódia sincopada, arrastada nas palavras-chave, de quem ouviu com muito atenção o registo de I have a dream. Ele evoca de novo, aos americanos, esse sonho amputado de justiça para todos.
Mas Obama é, acima de tudo, uma ideia tornada possível por um produto televisivo. Quando, a 4 de Novembro, próximo futuro, tiver vencido as eleições, e eu espero que sim, agradecerá primeiro à mulher e às filhas, que pouco o viram no último ano, dirá assim, e, em segundo, aos guionistas, realizadores, produtores e actores envolvidos na série 24; só depois aos cérebros da sua campanha. Seria justo. Antes da série 24 nos ter posto perante a figura de um digno presidente americano, negro, nunca tal nos teria parecido possível. Era ficção. Real apenas enquanto ficção. Eis como um produto de televisão é responsável pela rápida materialização de uma utopia.


David e Sherry Palmer, personagens da série televisiva 24

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...