O meu termómetro marca 10º graus lá fora. Ontem, por esta hora estavam 9º; mais tarde, apenas 7º.
Ora bem, não estamos no Verão e o frio dói. Portanto, coloco uma dúvida que me assalta há uns bons 20 anos: o que fazem as pessoas à noite, na rua, em pé, ao frio, com um copo de cerveja gelada na mão?! No Bairro Alto, por exemplo.
Antigamente, era o fenómeno Frágil. Agora, é o fenómeno Portas Largas. Ontem, foi Sábado, e já se sabe! Custa-me ver as pessoas sofrer gratuita e voluntariamente.
Ainda posso compreender, enfim, estou por tudo!, que um gay destroçado, em final de carreira, tenha de passar as "passas do Algarve" com o fim de conseguir o lazarento naco de carne para o orgasmo da madrugada... mas meninos e meninas, que podiam conviver serenamente, ou não, sentadinhos e quentinhos num barzinho...
Está bem, sei que é um ponto de encontro a partir do qual se passa a outra capelinha... Mas que é um ponto de encontro muito longo, que dura horas de convívio com quem passa, que se fica na conversa... é! E eu já nem falo da conversa de treta, própria do engate. Porque é conversa de treta. Perde-se tempo!
Na rua do Portas Largas olha-se muito. As pessoas estão ali para olhar e serem olhadas. Os homens, uns aos outros.
O Portas Largas, que, na verdade, pouco espaço disponibiliza no interior, e ocupa, penso que à borla, a rua em frente, aparece em qualquer roteiro gay internacional.
Eu não tenho nada contra os gays, mas por que não engatam sentados?! por que não engatam dentro de portas?! É que está um frio que não lembra, depois constipam-se, depois é meter baixa médica, depois o serviço público ressente-se, e a produtividade nacional é o que se vê. Não é comigo, também sei, mas não resisto ao conselhozinho. Ultimamente sinto-me a discursar como os velhos!
Eu sei que não