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terça-feira, junho 24, 2008

Euforia


Conheço gente que para se sentir eufórica toma estimulantes proibidos pela Lei, ou faz 20 piscinas de uma só vez, e sorri, ou corre a meia-maratona de Lisboa, e outras, ou se expõe a aventuras e perigos altamente... perigosos, como escalar as paredes rochosas de um abismo ou, pior, engatar um desconhecido no acesso a uma estação de metro à uma da manhã ou no Jardim do Princípe Real a qualquer hora do dia.
A mim, basta-me que a roupa que a secar no arame esteja toda direitinha de manhã, quando a recolho, e não precise do ferro de engomar.

segunda-feira, março 24, 2008

Tudo é relativo

A verdade é que a semana me correu mal. Chateei-me na fábrica com uma colega que tem a mania que é dona da linha de montagem, e que sabe mais de parafusos do que eu, e com que modos, a malcriada!; zanguei-me com a minha mãe por causa das compras do Jumbo, a mal agradecida - estive dois dias sem lhe falar; avariou-se-me a torneira do lava-louça, mas, bem, essa parte resolveu-se com ajuda da minha mãe; fiquei empanada na auto-estrada com o Opel a deitar fumo pelo capot, e o mecânico até me telefonou agora, que é a junta da cabeça - 600 e tal euros, e se não houver mais nada!, eu nem pio; mas o que me tirou do sério, o que me lixou o sistema todo foi, ao pequeno-almoço, o leite ter fervido, e deixar-se entornar, para mais de 1/4 de litro, por cima do fogãozinho lavado de fresco com tira-gorduras.

sábado, março 22, 2008

Abençoados homens


Abençoados homens de 61 anos, carecas, reformados e com caixa de ferramentas.
Avariou-se-me ontem a torneira do lava-louça e não conseguia parar o fluxo de água, mesmo fechando a válvula de segurança, no exterior. Uma avaria estranha!
Telefonei à minha mãe, para me valer, como de costume, que telefonou à Dona Francisquinha, a vizinha dos cães, cujo filho trabalha na construção, mas não podia; veio cá o marido logo de manhã, de mangas arregaçadas, desenrascar a dona Isabelinha, que a sua mãe disse-me que está aqui com um problema, isto em casa há sempre pequenas coisas que ninguém quer fazer.
Abençoados homens. Deus lhes dê saúde, longa vida e braços que possam carregar caixas de ferramentas para atarraxar o que precisa de atarraxamento.
O marido da Dona Francisquinha tocou-me à campainha como um anjinho da Páscoa, pousou a caixa no chão, abriu-a, e nela foi desencantando anilhas de borracha, bocados de arame, parafusos, porcas, sisal, isto para além das ferramentas, enquanto me pedia lubrificante, que até podia ser óleo de fritar; parecia o MacGyver.
- O senhor parece o MacGyver.
- Ah, pois, eu não perdia um episódio.
- Eu também não. Até me regalava de os ver com o meu pai; o senhor lembra-se do meu pai?
- Então não lembro, Dona Isabelinha, então não lembro? Era um homem muito bem disposto. Mas, isto, nós não somos nada, é o que lhe digo... a minha mãe também já lá está, com a mesma doença do seu pai... há dois meses... mas a propósito do MacGyver, arranje-me aí um fósforo, que estou a precisar de qualquer coisa para fazer aqui enchimento.
- Um fósforo serve-lhe?
Riu-se.
- Dona Isabelinha, eu estive no Luxemburgo. Sabe por que gostam de nós lá no estrangeiro? Por causa disto. Os portugueses são capazes de arranjar tudo com poucos meios. Adaptam-se ao material. Dão-lhe o que ele quer. E resolvemos os problemas. Não há nada que um português não resolva.
E foi verdade; com óleo Fula, um fósforo e um bocado de papel de um folheto do Jumbo arranjou-me a torneira, depois o estore da sala, e a porta, que fechava mal, e pôs-me a luz da despensa a acender, e não me levou dinheiro nenhum, e eu sei, tenho a certeza absoluta, que este homem, para cúmulo da perfeição, ainda deve ter meias solas em condições para bater na cama.
Nunca imaginei que haveria de querer casar-me com o abençoado marido da Dona Francisquinha.

segunda-feira, abril 17, 2006

Primavera II

Comprei três raminhos de cana de bambu decorativo para colocar num vaso de vidro transparente. Há muito que queria fazê-lo.

Encontrei uma bonsai muito bonita em promoção no Jumbo. Gostei do redondo desalinhado da árvore, e da cor das folhas. Comprei. Estive uma hora na net procurando informação sobre a espécie, a rega e exposição solar. Já sei tudo. É uma zelkova serrata e vai viver comigo para toda a vida.



Ao final do dia ofereceram-me um pé de orquídea rosa e cor-de-chá, com 10 flores abertas. Que beleza! Não tinha nenhuma jarra disponível, pelo que tive de improvisar um frasco de Mokambo daqueles que vou guardando por baixo do lava-louças: tenho verdadeiro horror a deitar fora coisas que podem vir a ser úteis. A orquídea é uma flor sofisticada e cai bem num frasco vazio de café. Tira-lhe as manias. É como se tirasse o colar de pérolas e vestisse as calças de ganga.




Não aspirei o chão. Não passei a ferro. Não preparei o material para amanhã.
Foi um dia feliz

sexta-feira, março 03, 2006

Solteironas alegres

Bem, vou passar a ferro a minha roupinha para amanhã!
Só a minha, só a minha, só a minha! Que comprei com o ordenadinho que os homens me autorizam a ganhar, graças à "a sua normal solidariedade humana e o carinho imenso"...




terça-feira, janeiro 24, 2006

Receita para limpeza de uma sala, para o concurso "A Fada do Lar"

Abre-se a porta da sala.
Atira-se, para cima dos móveis, tudo o que está no chão: cestos de jornais, bancos, cadeiras, tapetes, bibelots, o diabo a sete.
Sacodem-se os tapetes pequenos, à janela, tudo para cima do estendal de roupa do vizinho. Escova-se o pó dos sofás e sacodem-se as almofadas e mantas de protecção dos ditos, por causa das cadelas.
Pega-se no pano do pó e vai-se limpar a camada de três centímetros de pó que se foi depositando pelos cantos mais inusitados da mobilia, flores secas, aparelhagens, tv e quejandos, candeeiros, plafonds e molduras.
Devidamente limpa toda essa tonelada de terra, de onde viemos e que nos há-de comer, sacudir os panos de limpeza para cima do estendal de roupa dos vizinhos.
Depois, aspirar o chão de uma ponta a outra, arredando os móveis de lugar, por causa do cotão que se forma em baixo.
Feito isto, empunhar o balde e a esfregona e lavar o chão com produto adequado.
Quando seco, começar a repor, no chão, aquilo que é do chão; no sofá e nos móveis, aquilo que a eles pertence, respeitando a ordem já existente.

Fechar as janelas. Queimar uma vela aromática ou um pau de incenso. Sair

sábado, janeiro 21, 2006

Constipada II (opção poupança)

Passar a ferro substitui lindamente o aquecimento de uma assoalhada: poupa-se em mulher-a-dias, inalam-se vapores que permitem descongestão nasal e, amanhã, tenho lençóis fresquinhos para conseguir dormir após conhecimento dos resultados eleitorais.

terça-feira, novembro 29, 2005

Filosofia pura I

Sentada no banco da cozinha, e olhando para o tambor da máquina de lavar roupa, enquanto lava, assisto a melhores programas, mais supreendentes, agitados, profundos e cromáticos do que em qualquer um dos quatro canais da minha televisão.

sexta-feira, agosto 19, 2005

O quê? Hannnn?

Informação gratuita às lojas de utilidades domésticas, nas quais estilosos empregados(as), de diversos escalões etários, exercem funções de passagem, enquanto não são actores do Manuel de Oliveira ou intérpretes de sucesso no panorama musical, depois de vencerem concursos de descoberta de talentos, numa televisão tão perto de nós:
um açafate não é um acessório electrónico nem um tipo de alicate, e embora até possa vender-se numa loja de ferragens, não é uma ferragem - um açafate consiste numa cesta baixa, que pode ser de vime, palha, plástico, estanho... e que serve, entre centenas de outros usos, para colocar roupa retirada do arame, antes e depois de passar a ferro.
Faça-se constar.
Entrada especial para buscas no Google: o que é um açafate?

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...