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sexta-feira, junho 08, 2007

E depois arranquei as penas

Camille Claudel


As histórias de amor não podem ter finais felizes.
Na sua essência, digamos, helénica, as histórias de amor são de uma exacta rigidez trágica: arrancam-nos o coração pela costas. E não há outra forma. Se existe uma ordem do mundo, esta regra está nela contida.

As histórias de amor que terminam bem transformam-se em comédias do quotidiano, da vida privada: e depois viveram felizes para sempre; ela lavava a louça, e ele limpava os pratos com um pano de cozinha às flores amarelas. Um dia rompeu-se um cano, houve uma inundação em casa, e quase tiveram problemas com os vizinhos de baixo, um casal de swingers, felizmente muito compreensivo.
Gostamos de comédia de costumes, mas a comédia, que nos liberta à sua maneira, não nos arranca o coração pelas costas.
Queremos o amor intemporal, que rasga com faca larga, arranca as entranhas num golpe frio, nos aniquila, nos suicida, real ou simbolicamente. Queremos a garantia de que ultrapassámos as circunstâncias do corpo, sagrado e estúpido, e já não somos o nosso lugar. Nenhum lugar.

sábado, maio 05, 2007

A pedra filosofal dentro do meu corpo


O meu corpo droga-me, sozinho. Destila químicos que do interior me injecta nas veias. A maior parte dos dias luto contra drogas que usa para me derrubar, me fechar os olhos, me entorpecer as pernas. Noutros, faz-me voar rente ao chão que os pés mal tocam, e sei que se abrir as asas à boca da janela, voarei muito leve e grácil como os outros pássaros.
Nesses dias enlouqueço de gozo e ar dentro do meu cérebro. Os médicos dizem que são endorfinas. Eu penso que é a merda da vida a chicotear-me. É a merda da vida que me arranha as costas, me ata, desatando-me para me possuir só um bocadinho, finalmente, como eu sonho, eu quero, e me diz, grande parva, podias ter isto, podias ter tudo, podias ter mais.

domingo, setembro 10, 2006

Semente




Mas quem não desejaria ser fácil como água limpa ou terra por adubar?
Rasgar-se como se rasga uma folha larga à beira do caminho, quando passamos, e depois deixar murchar e secar esse trapo rasgado.
Uma velha oliveira encaracolada, uma escultura de anos de casca no tronco vergado. Sim, e uma mula, uma mula que carregasse, comesse e dormisse, ao sol, à sombra, ou no resguardo das mulas, deitada sobre o odor vegetal das fezes secas, mas dormisse.
Eu queria ser uma cadela vadia cheia de pulgas, com as pontas das orelhas necrosadas pelos cachos de caraças, e que as vizinhas piedosas me dessem uns restos, uns ossos velhos, umas latas de água, e, no cio, os cães, todos os cães da freguesia me cheirassem a quilómetros, e me disputassem o sangue, enquanto se montavam uns nos outros e se esfacelavam do desejo da fêmea.
Queria abrir os olhos e fechá-los, como um gato ao sol, e levantar-me do muro para cavar um buraquinho quando tivesse vontade de cagar.
Se fosse uma roseira, haveria de me sentir forte em Janeiro, quando me derrotassem, e em Junho haveria de me casar. Assim, oh, todos os anos, eternamente.
Queria ser um leira de trigo, um campo de centeio, e sentir-me apenas mais solta todas as vezes que as mãos das mulheres, as mãos da mulheres e dos homens, juntos, me segassem e me transformassem e comessem. E fornicassem escondidos no meu pasto, e me sagrassem de amor ou lúxuria.

Queria ser tal e qual aquela ceifeira que alguém observa da estrada.
Mas de todas as coisas perfeitas e simples que o universo criou, eu nasci humana, nasci mulher, ei-la, está aqui! - esta máquina neuronal de carne, cheia de botões invisíveis que não sei usar. Onde ligo, onde desligo? Como diminuo a intensidade? Como vou mais devagar? Como introduzo a password para ligar o som, o teclado? Para desligar.
Eu podia ser tão simples como uma semente. Sou, não sou?!

domingo, setembro 03, 2006

Carne, primeira

Exposta em silêncio e de olhos abertos fui a bombista-suicida de mim.

Carne, segunda

Uma substância viva que me ate à vida durante a eternidade humana de uma vida.

Lavada

Pintei as unhas de vermelho-escuro para que me deixem andar na rua cheia de sangue seco nas mãos.

quinta-feira, junho 22, 2006

Sinto o coração. Tenho calor. O sangue corre tão depressa.

Atiro. Fecho. Faço. Não faço. Caio. Não quero. Eu quero, eu quero. Agora vou. Não sei se. Tenho que. Recuso-me. Volto. Vou. Recomeço. Abro. Eu sorrio. Amanhã choro. Estou aqui. Tenho 5 minutos. Sempre 5 minutos para tudo.
A minha vida não é real. Mas vou fazer isto? Ninguém faz isto. A minha vida não é real. Sou uma personagem de ficção que fugiu para o lado de cá. Aquele filme do Woody Allen no qual a personagem salta para a sala e se apaixona por Mia Farrow, não a Mia, a personagem da Mia. Esse. Lembro-me de pormenores estúpidos. Nunca dos nomes. Tremo um bocado. Corro. Tenho de ir. Só 5 minutos e já passaram. Agora vou. É estúpido, mas vou. Como posso eu viver amanhã se não fizer hoje aquilo que não penso por que faço? Atiro-me. Agarro-me depois. Agora desligo o computador. Já me atirei. Já não posso voltar atrás.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

A boneca Cindy e a boneca Isabela


Cindy Sherman, Sem título#112, 1982, Guggenheim Museum


Acredito na Cindy Sherman e na arte como arquitecta do mundo.

Acredito no sexo e nas vaginas portáteis, em silicone, e nas vaginas de carne, santificadas de todos os dias, lavadas com água de rosas, desinfectadas e prontas a usar.
Acredito nos contentores do lixo a fermentar ao calor e ao frio. E nos aterros sanitários aos quais o Tiago vai respigar embalagens já fora do prazo de validade, mas ainda muito consumíveis
Acredito nos beijos das cadelas. Nas mordidas e ganidos felizes das cadelas.
Na celulite. Nos vestidos Fátima Lopes. Na durabilidade da parafernália HP e nas vantagens do Mozilla Firefox. Em tudo o que acaba, e, mesmo assim, existiu.
Acredito que a vida é a minha arte, como a de Cindy Sherman. E que a arte precisa de mim, da boneca Cindy-Isabela. Acredito na Arte. E em Deus, que são a realíssima mesma matéria.
O meu amigo pintor via Deus, e Deus soprava no seu nariz, e movimentava-se nos seus braços e o que saía era lixo, eram latas de sardinha coladas numa tela com grude feito de farinha. Mas se o pintor tinha acabado de comer sardinha de lata, frita com farinha e ovo... que a arte fosse a vida que se lhe digeria nas vísceras.
O meu amigo pintor era Deus. Acreditei nele. Agora já não, porque agora aplica com rigor geometrias, e eu não posso caber na espessura de uma linha; eventualmente, no comprimento, se fosse infinita.
Acredito que ninguém gosta. De ninguém. Que todos fogem. De todos. Têm medo. De tudo.
Acredito nisso.
Acredito que um dia, o meu mundo, pelo menos o meu, vai ser perfeito. Acredito nisso



Cindy Sherman, Sem título, 1992



Cindy Sherman, Sem título, 1990

terça-feira, setembro 27, 2005

Os animais selvagens


Foto de Denis Piel, 1985

- Tente nunca se apaixonar por um animal selvagem, Mr. Bell - aconselhou-o Holly. - foi aí que o Doc errou. Estava sempre a trazer animais selvagens lá para casa. Um falcão com uma asa partida. Uma vez apareceu com um lince adulto a coxear. Mas não podemos confiar o coração a um animal selvagem: quanto mais lhe damos, mais forte fica. Até ter força suficiente para largar a correr para a floresta. Ou voar para uma árvore. E depois para uma árvore mais alta. E depois para o céu. É o que lhe vai acontecer, Mr. Bell, se se apaixonar por um animal selvagem. Acaba a olhar para o céu.

Truman Capote, Boneca de Luxo

Mr. Bell concentrou-se na bebida, chocalhando os cubos de gelo no copo, o que lhe levou dois, três minutos.
- Ouça, Holly, isto, raramente conseguimos ver: nós procuramos iguais! Doc não errou, mas, certo, ele não sabe que um animal selvagem, ferido, procura outro que lhe lamba as chagas com a língua benta: por exemplo, a vulva lacerada dum parto difícil, você saberá isso melhor que eu - o peito aberto pelo estilhaço de um projéctil...
Oh, Holly, os animais selvagens buscam os do seu clã, rondam-se, cheiram-se e enroscam-se, após o que, num irreprimível impulso heterofágico, se atacam e destroem e condenam, retirando-se à cata do próximo animal ferido, do próximo igual, disposto a lamber-lhe as últimas feridas.
Mas você já observou de perto um animal selvagem, em sofrimento? Veja-os no zoológico, todos eles feridos de morte. Fitou-os nos olhos? Diga-me, não a incomoda aquilo? Não lhe apetece libertá-los, levá-los para a quinta da sua tia Jamie, curá-los, e ficar a vê-los voar para a floresta, de onde regressarão feridos, ou de onde não regressarão?
Minha santa Holly, você deixou o liceu há quê, dois anos?! Ttrabalhando neste lugar, é provável que já tenha visto de tudo, mas escute: Doc não errou: apaixonou-se por um animal selvagem! Mas, oh Deus, como explicar-lhe isto: se você se apaixonar por um animal doméstico, pode acabar o resto dos seus dias a olhar para o lodo da terra!

quarta-feira, setembro 21, 2005

Eu é que sou a Madre Teresa de Calcutá!

E adormeci no sofá a ver as Housewives, e agora está a dar o Instinto Fatal e, aproveito, embora só queira é ir esticar-me, e digo já que sim, há fases e fases e depois fases atrás de fases, e que numas queremos fazer Interail e noutras queremos ter filhos e ir à aventura pelas pampas, mas que a Shirley Bassey e o Elvis Presley e a Marilyn e o Bambi e a História do Lobo Mau que afinal era bom, e a Amália, carago, a Amália, e essas coisas que nos transformaram em desprezíveis consumidoras massificadas, atravessaram as fases todas, em todos os anos e em todas as vidas com toda a gente que as cruzou. E que as fases são tempo, mas que a Shirley não é o tempo nem o My name is Bond, James Bond, shaken but not sturbed, porque isto tudo é a nossa cultura e não havia O Mundo Perfeito sem a nossa cultura (de massas), e que estou cheia de sono e perda, e tenho de dormir, mas que se me disseres a página, talvez eu amanhã vá lá ver isso, que o livro está em casa da minha mãe, e que se valer a pena o que está antes e depois, eu até posso reconsiderar, quanto mais não seja para altear o candeeiro da mesa-de-cabeceira, mas deixar de ser feminista, meu amigo, é que não, nunca, porque a gente agora só faz o que quer e estamo-nos lixando para o que a vossa cultura erudita de massas vos fez acreditar que era bom, mesmo que até seja, e o lipo-réduteur não é um creme, é o elixir da vida eterna ou o líquido do caldeirão onde caiu o Obélix quando era pequeno. E eu também sei escrever escrever sem vírgulas e agora a Sharon Stone está a dizer ao Michael Douglas, “Tens razão, foi a queca do século... atirador!”, e ele ficou especado sem resposta, e eu gostava era de ser a personagem que a Sharon Stone faz no filme, que ao menos era eu quem lhes espetava o picador. E mete uma coisa na cabeça, a gente agora só faz o que quer e se vocês nos vierem servir o sumozinho de maracujá à rede está tudo muito bem, se não, batam-nas sozinhos, e agora peço desculpa que tenho mesmo de me ir deitar, que a dona Ciclotímica, aqui de baixo pediu-me para ir com ela ao banco, logo às 8 da manhã, que parece que o marido lhe anda a tirar dinheiro da conta para dar à amante e ela quer que eu lhe dê uma ajuda com os impressos que é para mudar o dinheiro de banco ou de conta ou lá o que é, e eu até pago para lhe fazer o favor e até me rio só de pensar na cara que o gajo vai fazer quando descobrir que a sua dócil e apaixonada Ciclotímica o fodeu bem fodido!

domingo, maio 15, 2005

Espírito

Às vezes, um ninho de paz na voragem da tempestade.
Quase sempre, uma voragem de tempestade na concha aberta da paz.

Tudo


Foto de Michelle Gigure, em Xupacabras
(em que outro lugar poderia eu encontrar corpos tão intensamente amados/ amáveis?!).

Não sabias resistir ao odor intenso, morno, doce e salgado que se soltava do interior das minhas coxas, ao sumo maduro que vinha do meu sexo fêmeo e se espalhava pela sala, pairando húmido sobre todas as coisas, como se o lugar onde nos mantínhamos completamente fechados, com o desejo desaçaimado, estivesse repleto de rosas e cravos colhidos na nossa véspera.

quinta-feira, maio 12, 2005

"Porque tu vais de mão dada com os perigos"

dois segundos sou tomada atravessa-me esse relâmpago de lucidez leva-me
esse abismo que se retém esse lume lento bravo essa coisa tão voluntária de carne e água
deambulando como se até estivesse perdida como se até
retornando por vício por destino inaprendido a um mesmo ponto de luz fixa alta imutável um cabo um farol algures abaixo dos meus pés
mil quilómetros a sul do meu corpo
onde sou o mundo perfeito onde sei que sou que serei sem tempo
o mundo perfeito

segunda-feira, maio 02, 2005

Túnel de luz e silêncio


Foto em http://www.fleshandcolor.com


A acção decorre neste momento.
Não a conheço. É uma mulher morena, bronzeada, alta, imponente. Veste um fato de saia e casaco de sarja branca, justo. Traz uns enormes óculos escuros de armação branca.
Recostada num sofá individual branco, descai o busto negligentemente, entreabrindo as pernas de frente para as enormes janelas franqueadas à brisa feliz da Primavera; as cortinas de fino algodão branco, translúcidas, esvoaçam como as de uma casa de praia à beira-mar.
As mãos morenas, com irrepreensíveis unhas brancas, abandonadas abertas para o lado de fora; os cotovelos apenas pousados nos braços do sofá. Como alguém que se oferece para receber uma dádiva invisível.
Acabo de chegar de fora, de longe, onde sempre estive. Entro na imensa sala branca de paredes indefinidas e contemplo-a de perfil. Crianças correm de um lado para o outro, à sua volta, ruidosas, em desassossego. Não são nossas. A mulher, como um robot desligado, não se incomoda, não se sobressalta.
A voz de uma outra mulher, que atravessa a sala, apressada, carregando à cintura uma trouxa de roupa para lavar, informa-me, indiferente, "esta é a filha do teu pai". Ouço e corrijo de imediato, mentalmente, "esta é a outra filha do meu pai". Olho-a. Recordo as múltiplas, nunca assumidas infidelidades do meu pai. Acrescento para mim, "pode ser!"
Activada pela voz que passou, a mulher majestosa levanta-se imediatamente, alisa a saia antes de se endireitar, volta-se de frente para mim e estende-me o braço, sorrindo, olhando-me por cima dos óculos. É bonita, caramba.
É uma mulher enorme, inteira, com um longo e farto cabelo escuro, umas longas pernas bem torneadas, como uma miss das ex-colónias, como a Ana Paula Almeida, como a Riquita... Sinto-me insignificante perante o esplendor sensual daquela filha do meu pai. Que mulher fabulosa!
Assim que me estende o braço, as frentes do casaco, desabotoado, mas encostado ainda ao peito, abrem-se completamente, e expõem todo o seu tronco: e vejo-a nua da cintura para cima. Entende-me o braço, mas eu não posso responder com o meu, porque agora olho apenas aquele espaço nu até ao recorte púbico que a saia descaída permite. Um nu escultórico, de mármore: as mamas crescidas e cheias, espetadas na minha direcção como setas, os pequenos mamilos tesos, de um castanho quase rosa, o abdómen musculado, esticado, o ventre liso, a perfeita curva da anca.
E como se, consciente de tanta majestade, tivesse desejado tornar-se irreal, toda a sua pele brilha sobre o bronzeado, acrescentada de luz. Uma finíssima película de pó prateado cobre-lhe o pescoço, as mamas, o abdómen, o ventre, as ancas, cada milímetro da generosa pele. Pinta-a. Veste-a de nudez. E tal nudez é o tesouro.
Mantém o braço estendido na minha direcção. Continua a sorrir, a olhar-me por cima dos óculos, que ainda não tirou. Quer ser minha amiga, embora não mo tenha dito. Vai dizer-mo agora. Não trocámos uma palavra. Mas vai falar agora.
Sinto medo. Sinto muito medo da filha do meu pai.

quarta-feira, abril 27, 2005

Viagem


Foto: Tyla
http://galerias.escritacomluz.com

Não sou verdadeiramente fiel a nenhuma causa: periodicamente mudo, vou mudando; depois, as causas já não se ajustam.
Não consigo ser católica, nem evangelista, nem nada: penso que talvez seja cristã - que talvez pertença a uma crença informal, sem pompa, sem artifício; uma que se chama "verdade"; que se chama "não faças ao outro o que não queres que te façam a ti".
Não me passa pela cabeça manter opiniões conservadoras, embora, muito de vez em quando, uma ou outra conservadorice me pareça ter sentido. Com conta, peso, medida. Mas isto, admite-se muito baixinho.
Não voto no mesmo partido... Todos os anos mudo de emprego e de colegas.
Não gosto de frequentar sempre os mesmos sítios. De fazer sempre as mesmas coisas. Gosto de pessoas; não me importava de transportar, na minha viagem, pessoas.
Habituei-me a saltar de um lado para o outro, a ter sempre uma mala pronta debaixo da cama e uma faca debaixo da almofada; habituei-me a não ser só uma, ser muitas, adaptar-me ao que era necessário, quantas vezes fossem necessárias.
Mudar de pais. De país. De mão. De chão. De casa. De amigos. De escolas. De estradas. De rios. De céus. Tantas, tantas vezes. Como é que é não mudar? Estar sempre no mesmo lugar?
Tenho tão pouca tralha, mudo-me tão facilmente. Estou sempre pronta.
Estou sempre pronta para Sul, onde se pode ser uma coisa e o seu contrário, onde o homem que de dia esquarteja, a frio, o corpo de irmãos, à noite fode as mulheres com avidez, desejo e amor e fogo, todos misturados, e já não é o mesmo homem que matou.
Para o sul, onde, de manhã, nunca sabemos se ao fim do dia continuaremos vivos. Mas, até lá...
Sempre para o sul: uma língua de sangue, de terra, de odor quente.
Para sul, onde eu pudesse ser também o meu contrário. O prolongamento mais doce do meu corpo. Um corpo. Carne. Tetas. Nenhuma hesitação. Nenhum medo.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...