As histórias de amor não podem ter finais felizes.
Na sua essência, digamos, helénica, as histórias de amor são de uma exacta rigidez trágica: arrancam-nos o coração pela costas. E não há outra forma. Se existe uma ordem do mundo, esta regra está nela contida.
As histórias de amor que terminam bem transformam-se em comédias do quotidiano, da vida privada: e depois viveram felizes para sempre; ela lavava a louça, e ele limpava os pratos com um pano de cozinha às flores amarelas. Um dia rompeu-se um cano, houve uma inundação em casa, e quase tiveram problemas com os vizinhos de baixo, um casal de swingers, felizmente muito compreensivo.
Gostamos de comédia de costumes, mas a comédia, que nos liberta à sua maneira, não nos arranca o coração pelas costas.
Queremos o amor intemporal, que rasga com faca larga, arranca as entranhas num golpe frio, nos aniquila, nos suicida, real ou simbolicamente. Queremos a garantia de que ultrapassámos as circunstâncias do corpo, sagrado e estúpido, e já não somos o nosso lugar. Nenhum lugar.
Na sua essência, digamos, helénica, as histórias de amor são de uma exacta rigidez trágica: arrancam-nos o coração pela costas. E não há outra forma. Se existe uma ordem do mundo, esta regra está nela contida.
As histórias de amor que terminam bem transformam-se em comédias do quotidiano, da vida privada: e depois viveram felizes para sempre; ela lavava a louça, e ele limpava os pratos com um pano de cozinha às flores amarelas. Um dia rompeu-se um cano, houve uma inundação em casa, e quase tiveram problemas com os vizinhos de baixo, um casal de swingers, felizmente muito compreensivo.
Gostamos de comédia de costumes, mas a comédia, que nos liberta à sua maneira, não nos arranca o coração pelas costas.
Queremos o amor intemporal, que rasga com faca larga, arranca as entranhas num golpe frio, nos aniquila, nos suicida, real ou simbolicamente. Queremos a garantia de que ultrapassámos as circunstâncias do corpo, sagrado e estúpido, e já não somos o nosso lugar. Nenhum lugar.