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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Faltava uma lista do FMM

10 concertos favoritos (obviamente, entre os 35 vistos, entre mais de 50 do programa):

1. BCUC (África do Sul) @ Castelo
2. Ifriqiyya Électrique (França / Itália / Tunísia) @ Praia
3. Richard Bona Mandekan Cubano (Camarões / Cuba) @ Castelo
4. Savina Yannatou & Primavera en Salonico (Grécia) @ Castelo
5. Basel Rajoub Trio (Síria / Itália / Áustria) @ Porto Covo
6. Metá Metá (Brasil) @ Praia
7. Saul Williams (EUA) @ Largo Bocage
8. Gaye Su Akyol (Turquia) @ Castelo
9. Sopa de Pedra (Portugal) @ Castelo
10. Oumou Sangaré (Mali) @ Castelo


Não foram maus, mas deixaram um certo amargo de boca face às grandes expectativas levadas:

Mário Lúcio - Depois do concerto de sala no Trindade, imaginei que o Mário Lúcio podia vir a ser uma das maiores bombas do castelo de Sines. Não foi mau, mas não teve a aula de funaná (compreende-se, não havia tanto tempo para paleio) e estragou quase metade de um espetáculo que estava a correr lindamente com o "funaná heavy metal" e, logo a seguir, o reggae brasileiro.

Mercedes Péon - Foi escusado trazer companhia. Mercedes consegue melhores dinâmicas a solo do que com um acompanhamento que apenas sublinha partes e torna tudo mais compacto e homogéneo.

Fatoumata Diawara & Hindi Zahra - Começou aborrecido demais, mas foi melhorando até ao final. A amiga marroquina foi um completo erro de casting.

Orlando Julius & Bixiga 70 - Os Bixiga foram demasiado monocromáticos em relação à palete de cores funk com que habitualmente se apresentam, talvez por respeito para com o convidado.


Não vistos, pelo menos na íntegra, e com pena:

Waldemar Bastos, Summrá, Aurelio, Tó Trips & João Doce.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), o primeiro: CONGOTRONICS VS. ROCKERS




CONGOTRONICS VS. ROCKERS
(RD Congo / EUA / Suécia / Argentina)
Castelo
23 de julho de 2011

"Se o 'vs.' que aparece tanto no título deste espetáculo como no do disco que lhe deu origem aponta para uma batalha entre forças aparentemente opostas, podemos começar por dizer que no disco, saíram vencedores os rockers ocidentais. Podem vir dizer que fizeram batota, porque pegaram no trabalho já feito pelos congoleses e adaptaram-no às suas intenções, aos seus pontos de vista. Mas é um grande disco. Continuando a olhar para o 'vs.', os vencedores no palco já são claramente os congoleses. Juana Molina e os Deerhoof, principalmente a sua vocalista Satomi Matsuzaki, não se dão mal, ainda que na maior parte das vezes tenham os seus instrumentos com o som enfiado para baixo do tapete sónico construído pelas likembes eletrificadas (aquela espécie de pianos de mão ligados à distorção) e pela percussão dos africanos.
Todos estes considerandos sobre os vencedores da batalha interessam apenas para explicar uma diferença grande que opõe disco a espetáculo. Há outra ainda: no disco, são muitos mais os artistas envolvidos, principalmente entre os ocidentais. No palco, ainda que ali estejam 19 músicos (o 20.º encontra-se hospitalizado), o som acaba por ser mais homogéneo, mais coerente, em duas horas de dança obrigatória. Fez recordar, em grande medida, o concerto dos Konono nº 1 no Jardim Botânico de Lisboa, mais até do que outro que há mais tempo deram junto à praia de Sines, também no FMM, ou, ainda no festival, aqueloutro dos seus atuais parceiros de estrada, os Kasaï All Stars. Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu."

quinta-feira, 9 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), 2: Tom Zé


TOM ZÉ
(Brasil)
Castelo
30 de julho de 2004

"No mundo da música, há as estrelas, que estão lá em cima, intocáveis, com a graça do brilho que dão a uma noite. Mas depois há os meteoros que conseguem, entre outras coisas, mudar o curso dos planetas ou provocar outras reacções com que os cosmógrafos se entretêm a debater. Tom Zé é um destes meteoros que, pelas mais diferentes razões, nunca conseguiu chegar a tanta gente quanto outras estrelas provenientes do Brasil. Foi muito bom na Culturgest, terá sido muito bom em Loulé e na Aula Magna, mas o melhor só pode ter sido mesmo o espectáculo no Castelo de Sines.
(...) As dezenas de pessoas que encheram a capela da Misericórdia para ouvir Tom Zé na sua 'conferência-de-não-conferencista' e os cinco ou seis milhares que assistiram ao seu concerto dificilmente terão abandonado Sines com opinião diferente. Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."

100 de Sines (até ver), 3: Black Uhuru feat. Sly & Robbie


BLACK UHURU FEAT. SLY & ROBBIE
(Jamaica)
Castelo
28 de julho de 2001

"Quem tenta reduzir a apreciação de um espectáculo somente à prestação dos artistas em palco pode estar a mirar a tromba do elefante à sombra da imensidão do bicho. Qualquer um sabe que para um bom espectáculo concorrem outros factores, inúmeros, uns mais frequentemente citados nas reportagens que outros, como o som, as características da sala, o público, etc. Para a posição cimeira que este espectáculo dos Black Uhuru com a secção rítmica mais importante da Jamaica, Sly & Robbie, ocupa nesta lista, toma peso um outro grande protagonista: o FMM. Foi o meu primeiro contacto com a magia de Sines e receio que isso só possa ser inteiramente compreendido por quem por lá passou ao longo destes anos, como os meus amigos que, a cada uma das vagas de estreia, irradiavam dos olhos um brilho verdadeiramente único (e não era da ganza). Foi neste espectáculo, no castelo de Sines, que assisti pela primeira vez ao famigerado fogo-de-artifício (mais uma daquelas coisas que soam mal, assim escritas, onde só quem já testemunhou um encerramento do FMM, como era o caso aqui, sabe verdadeiramente do que se está a falar). Cerca de dois anos depois, os artistas do palco voltaram ao nosso país, para um concerto na Voz do Operário (e talvez outros mais). Não foi mau, mas..."

quarta-feira, 8 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), 4: Trilok Gurtu and the Misra Brothers


TRILOK GURTU AND THE MISRA BROTHERS
(Índia)
Castelo
28 de julho de 2006



Foi a segunda de três vezes que já tive a sorte de ver Trilok Gurtu, indisputavelmente o homem que melhor consegue trabalhar o ritmo neste planeta. Para esta actuação no FMM, a minha preferida da edição desse ano, veio acompanhado pela sua Índia, com as vozes khylal dos Misra Brothers.

100 de Sines (até ver), 5: Cyro Baptista / Pau na Mula


CYRO BAPTISTA / PAU NA MULA
(Brasil)
Castelo
24 de julho de 2009



(...) eis outro titã da percussão, o brasileiro Cyro Baptista. Se se juntassem os dois [ele e Trilok Gurtu], abrir-se-ia uma fenda na Terra, a qual se desviaria da sua rota orbital, e... (...) No topo dos topos, o espectáculo 'Pau na Mula', de Cyro Baptista e da sua companhia de percussionistas, que conquistou facilmente o público com a irreverência, algures a meio caminho entre Tom Zé e Hermeto Pascoal (dois compatriotas igualmente chanfrados que pisaram aquele mesmo palco) e o virtuosismo dos músicos. As partes do sapateado, por Nicholas Young, por exemplo, devem ter sido a coisa mais fora de comum e mais eficiente que já se viu neste festival. (...)

terça-feira, 7 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 6 ao 10


6. ROKIA TRAORÉ (Mali)
Castelo, 26/jul/2008::vídeo::
"Na segunda vez que a bela Rokia Traoré veio a Sines, teve honras de encerramento de noite no castelo. Trazia na bagagem o magnífico Tchamanché e o espectáculo foi, ao contrário do que a actuação de quatro anos antes e o próprio disco novo deixava antever, muito movimentado, ora por culpa dos músicos (recordo o excelente baixista), ora por culpa da postura avassaladora de Traoré em palco."

7. STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Castelo, 31/jul/2010::vídeo::
"Uma máquina de dança e alegria chamada Bilili. E a última grande explosão (literalmente até, pois coube-lhes as honras de fogo de artifício com que o FMM todos os anos se despede do castelo) veio com os Staff Benda Bilili. O disco era estupendo, já se sabia. Mas que os Staff Benda Bilili conseguissem, mesmo que esquecidos ou ignorados todos os problemas físicos que os debilitam, multiplicar a um ponto impensável toda aquela energia para o palco com as suas rumbas diabólicas e fazer transpirar as gentes no castelo daquela forma insana, era algo que nem nas minhas perspectivas mais optimistas encontrava lugar. Mais uma deixa para outra das razões para elogiar o FMM: estar sempre na linha da frente no que há de mais quente a surgir no meio. Foi assim quando trouxe cá os Taraf de Haïdouks, o Tom Zé, a Rokia Traoré, o casal Amadou & Mariam, os Konono nº1, o KNaan, o Cordel do Fogo Encantado, entre tantos outros."

8. BARBEZ (EUA)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::
"A gaja do theremin e os judeus nova-iorquinos. Os Barbez, grupo de Nova Iorque com ligações à Tzadik de John Zorn, apareceram no FMM com toda a pinta de outsiders. O grupo de Dan Kaufman já por cá tinha passado para um concerto na ZDB, para um concerto mediano, mas agora, com formação alargada e com um som perfeito que permitiu a percepção ao detalhe das texturas e frases criadas em palco, misturando klezmer com rock de câmara ou jazz marginal, a lembrar bandas da editora Constellation, tudo foi diferente, para melhor. Muito melhor. Houve algo que se manteve, contudo: o papel central de Pamelia Kurstin na música do grupo. Nunca se viu em Sines alguém a tocar theremin, o estranho instrumento literalmente intocável que os russos desenvolveram nos anos 20 do século passado (e para o qual Lenine chegou a receber aulas), e a estreia coube, felizmente, a uma das suas mais incríveis intérpretes (vejam o vídeo para apanharem breves imagens que testemunham esta afirmação). E os Barbez ofereceram ainda a deixa ideal para apresentar outra das razões pelas quais o FMM é tão particular: a abertura (e o bom gosto) da programação. Por esse país fora, por essa Europa fora, é muito frequente encontrar programadores de festivais de world music de olhos e ouvidos fechados para o que se passa fora daquela gaveta. Antes eram as músicas de tradição europeia, depois, com a globalização das tournées, vieram os africanos extra-PALOPs. E pouco mais do que isso. Festivais como o FMM e o MED Loulé vieram provar que se pode ir muito mais longe. (Já agora, e que tal alguma formação de Masada ou o próprio John Zorn numa próxima edição, hum?)"

9. MÁRIO LÚCIO (Cabo Verde)
Castelo, 30/jul/2011::vídeo::
"É engraçado saber -- foi o próprio que o disse -- que Mário Lúcio, na véspera do concerto, vestiu a pele de ministro da cultura de Cabo Verde, para discutir o Estado da Nação no parlamento do seu país. Um dia, o estado da sua nação. No outro, o mundo todo (mais palavras saídas da sua boca) que se aglomerava em Sines a dançar à sua música. Tivemos em palco alguém que sabe muito bem o que faz. São muitos anos de estrada, de como saber encher um palco, de como saber pôr um público em delírio. E o que temos ali não é apenas o que se pode ouvir nos discos. Há um artista e um grupo que o acompanha que se transformam, que vão além de Cabo Verde, que celebram a África sub-sariana em todo o seu esplendor. A ele ficam-lhe bem estas palavras, ditas perto do final: Sines devia mudar de nome, para... Sinergia. Devia ter sido o Mário Lúcio a festejar o fim dos concertos no castelo com o tradicional fogo-de-artifício."

10. DHAFER YOUSSEF (Tunísia)
Castelo, 27/jul/2012::vídeo::
"Dhafer Youssef e o quarteto do mundo. Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM."



segunda-feira, 6 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 11 ao 20


11. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Castelo, 18/jul/2013::vídeo::

12. GISELA JOÃO (Portugal)
Castelo, 25/jul/2014::vídeo::
"(...) A Gisela é dona de uma voz incrível, uma das melhores desta nova geração, talvez mesmo a mais apaixonante. Mas há muito mais. O que a Gisela está a fazer pelo fado merece o agradecimento de todos nós que gostamos de música, de todos nós que temos esta relação tímida com a canção portuguesa. As biografias que o futuro lhe escreverá debruçar-se-ão, espero, sobre o meio em que cresceu – Barcelos, uma das três capitais nacionais do rock – enquanto mola determinante para a sua atitude em palco e fora dele. Talvez daí venha a Gisela iconoclasta, que entrou em cena de pernas ao léu, com um vestido branco, uma cor proibida por cartilha, para depois o trocar por um conjunto blusa-calção num chocante colorido de verão (estava demasiado vento para o vestido). Talvez daí venha a Gisela festiva e extrovertida, que contagiou toda a plateia do castelo na dança dos fados corridos e dos malhões. Talvez daí venha a Gisela com tudo de miúda e nada de diva, que improvisa momentos em palco, que não se deixa abalar e até disso tira partido quando um dos músicos se vê obrigado a abandonar por instantes o seu posto de trabalho. Artigo completo: A Gisela (ou barulho, que se vai cantar o fado)"

13. THE SKATALITES (Jamaica)
Castelo, 26/jul/2003
"(…) eis um dos melhores momentos de encerramento do historial do FMM."

14. AMADOU & MARIAM (Mali)
Castelo, 28/jul/2005

15. TRILOK GURTU BAND (Índia)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

16. CORDEL DO FOGO ENCANTADO (Brasil)
Castelo, 29/jul/2006::vídeo::
"Em Sines, no ano passado, as opiniões sobre o espectáculo do Cordel do Fogo Encantado extremaram-se. Houve quem adorasse os brasileiros (eu! eu! eu!), houve quem os odiasse (cambada de autistas!). Opiniões medianas parece ser coisa que não houve."

17. MERCEDES PEÓN (Galiza)
Castelo, 27/jul/2011::vídeo::

18. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (Mali / EUA)
Castelo, 21/jul/2012::vídeo::
"A Oumou e o Béla. Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour."

19. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Espanha)
Centro de Artes, 23/jul/2013::vídeo::
"A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume."

20. DAKHABRAKHA (Ucrânia)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival."

domingo, 5 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 21 ao 30


21. WARSAW VILLAGE BAND (Polónia)
Castelo, 29/jul/2004
"Esta foi a primeira vez que os polacos da Warsaw Village Band foram a Sines. Centrados na tradição folk do Norte da Europa, evocativos em parte dos Hedningarna e de outros projectos nórdicos, o grupo teve nesta edição uma actuação explosiva que não encontraria tanto eco assim no regresso ao local do crime, [em 2009]."

22. MOR KARBASI (Israel)
Centro de Artes, 20/jul/2009::vídeo::
"Ao meu lado, uma mulher batia com a mão no peito. Eu sentia os olhos a lacrimejarem. No palco, a israelita Mor Karbasi começava a cantar os primeiros versos de 'Rua do Capelão', de Amália Rodrigues, num português magnífico, com um arrojo vocal de fazer cair os queixos. Foi o momento da noite, será certamente um dos episódios mais notáveis desta edição do FMM, mas o espectáculo da israelita, acompanhada por piano, guitarra eléctrica, baixo e percussão, não se resumiu apenas a tal. Se há noites para a qual a palavra beleza existe é para descrever tanto Mor Karbasi como o seu espectáculo."

23. BARBEZ (EUA)
Castelo, 19/jul/2013::vídeo::
"É, pessoalmente, uma sensação forte esta de ter um coletivo como os Barbez, da vanguarda nova-iorquina, num festival como este. Diz muito sobre o que é esta festa. Os Barbez, esses, dão-se também lindamente com esse espírito. Uma vez mais, trouxeram ao palco um arranjo caleidoscópico de frases médio-orientais, de folclore do leste da Europa, de drones (os musicais, não os dos EUA) e outros arrepiamentos rock, de canções de revolta como a magnífica versão de "Bella Ciao". Fizeram ainda encore com uma versão dos Residents (e parecia que não podia ser mais natural a invocação). "

24. TOUMANI DIABATÉ (Mali)
Castelo, 27/jul/2006::vídeo::

25. KTU (Finlândia / EUA)
Castelo, 30/jul/2005::vídeo::

26. MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS (EUA)
Castelo, 29/jul/2005
"(…) nómada da música (das músicas), doutor da guitarra (das guitarras). Neste FMM, só os KTU de Kimmo Pohjonen [e Amadou & Mariam] o ultrapassaram na lista de preferências."

27. SEPTETO ROBERTO JUAN RODRIGUEZ (Cuba)
Castelo, 31/jul/2004
"A maior surpresa do festival, aqui para o tasco, foi Roberto Juan Rodriguez. Klezmer, muito klezmer, irrepreensivelmente tocado, com os timbalões de Rodriguez a evocar os ritmos da sua terra natal, Cuba. E Rodriguez é mesmo um colosso na bateria, algo que ficou por demais evidente no encore final. As muralhas do castelo de Sines não ruiram por pouco."

28. GAITEIROS DE LISBOA (Portugal)
Castelo, 27/jul/2006
"Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem."

29. SHIBUSA SHIRAZU ORCHESTRA (Japão)
Castelo, 26/jul/2013::vídeo::
"Mais de 30 japoneses em palco, uma orquestra psicadélica, um maestro que bebe cerveja e fuma, uma personagem na frente que parece o Kratos do God of War e outros mimos que lhe sucedem, duas bailarinas que passam o espetáculo inteiro a fazer coreografias com bananas de plástico, um tipo a pintar um dragão-largarto-golfinho numa tela branca que vai subindo com o andar da noite, uma medusa gigantesca que aparece mais para o fim e flutua sobre o castelo. É isto um teatro japonês, um noh, um kabuki? Se ignorarmos algumas pequenas incursões fáceis pelas ondas balcãs-ska, serão os Pink Floyd e os Gong de olhos rasgados a triparem numa comuna teatral? Incrível."

30. GOGOL BORDELLO (EUA / Ucrânia)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"Sábado à noite, a gogolândia instalou-se no Castelo. Não foi preciso muito para que aqueles milhares de pessoas começassem a suar abundamente aos pulos com que acompanhavam a música. Continuo a achar os Gogol Bordello demasiado azeiteiros, da voz a alguns padrões rítmicos muito semelhantes ao nosso 'pimba', continuo a achar que estão muito longe de serem uma versão balcânica dos Pogues ou dos Ukrainians (porque estes sabiam tocar a sério e sem puxar alarvemente pelo lado "cheesy" da coisa), mas, porra, incendiaram o castelo (calhou-lhes bem o tradicional fogo de artifício do FMM). Fizeram aquilo que era pedido para terminar os concertos no castelo: uma enorme festarola."

sábado, 4 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 31 ao 40


31. ORCHESTRA BAOBAB (Senegal)
Castelo, 24/jul/2008::vídeo::
"Antecipei muito, mas mesmo muito este espectáculo, ao ponto de recear que o excesso de expectativa contra-atacasse na altura. Mas acabei por não conseguir parar de dançar do início ao fim, de sorriso idiota estampado na cara."

32. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (Mali)
Centro de Artes, 17/jul/2008::vídeo::
"Não foi preciso muito para que toda a gente presente no pequeno auditório de Sines ficasse rendida ao blues dançante proporcionado pelas ngoni (guitarra maliana) do grupo de Bassekou Kouyaté, que já tinha dado um excelente concerto no África Festival, em Belém, no ano anterior."

33. CARLOS BICA TRIO AZUL C/DJ ILL VIBE (Portugal / Alemanha / EUA)
Castelo, 26/jul/2007::vídeo::
"Chamei na altura à actuação do trio Azul com o convidado Ill Vibe "festival de fronteiras abertas". O conservadorismo é palavra que nunca fez parte do dicionário de Carlos Bica, Frank Möbus e Jim Black, músicos de outro mundo que se encaixaram de forma perfeita com um DJ para fazer coisas bonitas, como diria o Artur Jorge, em palco."

34. N'DIALE - JACKY MOLARD QUARTET & FOUNÉ DIARRA TRIO (Bretanha / Mali)
Castelo, 29/jul/2010::vídeo::
"Quem imaginaria que a música de tradição europeia a que o bretão Jacky Molard se tem dedicado ao longo da carreira, e que já apresentou por duas outras ocasiões em Sines, casaria tão bem com a música do trio maliano de Founé Diarra? Quem é que é capaz de dizer, sem mais nem menos, que um prato de peixe e de carne, em simultâneo, se pode tornar uma maravilha da gastronomia? A este respeito, aliás, o António Pires dizia que 'o gajo que inventou a carne de porco à alentejana deve ter tido uma experiência semelhante'. E como é que dançamos isto? Com as pernas para a frente ou com o rabo espetado para trás? Estas eram as interrogações iniciais de muitos, certamente, mas não foram mesmo mais do que isso mesmo: iniciais. Rapidamente, todos atirámos os axiomas etnomusicológicos para trás das costas e abraçámos calorosamente aquela que foi uma das experiências mais incríveis de sempre no palco do castelo."

35. GAITEIROS DE LISBOA (Portugal)
Castelo, 26/jul/2013::vídeo::

36. RACHID TAHA (Argélia)
Castelo, 27/jul/2007::vídeo::
"Receava-se que, à semelhança do que se viu há pouco tempo no youtube, a propósito de um concerto realizado algures na Europa, Rachid Taha se entornasse mais do que devia e ainda viesse a cair rotundo no palco. No backstage, na primeira vez que o vi, eu quase receei que ele caísse para cima das saladas do buffet. Ai, ai. Mais tarde, encontrei o tour manager que me deu um abraço forte como se dele fosse um amigo de há longuíssima data. Ai, ai. Mas a grande verdade é que, depois, o concerto acabou por ser realmente aquilo por que se ansiava. Hora e meia de material ao qual o corpo não consegue resistir, com incursões por "Barra Barra", "Ecoute-Moi Camarade", "Rock El Casbah" e outros temas obrigatórios. No final, na parte dos agradecimentos, percebeu-se ainda que toda a banda estava quase tão entornada como Rachid Taha."

37. FAIZ ALI FAIZ (Paquistão)
Castelo, 25/jul/2008::vídeo::
"No qawwali, música religiosa dos sufistas paquistaneses trazida ao resto do mundo pela voz de Nusrat Fateh Ali Khan, não é de todo necessário entender-se as palavras com que aqueles homens sentados no chão pretendem levar a comunidade de ouvintes ao wajd, ao estado de êxtase, ao contacto com Alá. Verborreia religiosa à parte, se Alá é aquilo a que a cerimónia de Faiz Ali Faiz desencantou, eu quero ser islamista (e, não vale a pena irem por esse caminho que estão a pensar: ao contrário de outras, aquela noite até foi serena nisso)."

38. YASMIN LEVY (Israel)
Castelo, 29/jul/2010::vídeo::
"Em 2009, o FMM ofereceu-nos Mor Karbasi. Em 2010, tivemos direito a Yasmin Levy, uma voz para a qual faltam adjectivos na língua portuguesa, uma actuação de fazer mexer com todos os sentidos."

39. VISHWA MOHAN BHATT & THE DIVANA ENSEMBLE (Índia)
Castelo, 28/jul/2011::vídeo (CONCERTO COMPLETO!)::
"Qualquer que seja a origem, qualquer que seja o credo, qualquer que seja a raça, há todo um mundo unido pela música das sete notas... Disse-o, mais ou menos assim, o mestre Vishwa Mohan Bhatt algures a meio da interpretação irrepreensível da sua slide guitar modificada com cordas simpáticas, ao jeito de instrumentos indianos como a sitar. Como se não bastasse o virtuosismo do mestre, o grupo de músicos ciganos do Rajastão que o acompanhava deu mais uma lição sobre a diáspora da música, de como o canto do flamenco não é assim tão diferente destes antigos músicos dos rajás. Até uma espécie de prima das castanholas mediterrânicas estava lá para ajudar à festa. Fica para a memória de momentos singulares deste festival -- eu estou quase a chamar-lhe-ia epifanias -- aquele em que o mestre fazia ditados rítmicos cada vez mais rápidos para os seus companheiros de palco..."

40. JACKY MOLLARD ACOUSTIC QUARTET (Bretanha)
Castelo, 24/jul/2007::vídeo::
"Foi, para mim, o primeiro grande estrondo do FMM deste ano. É certo que, em Porto Covo, os Etran Finatawa e o Darko Rundek já tinham rendido bastante, mas na segunda-feira, no Centro de Artes de Sines, o Acoustic Quartet do bretão Jacky Mollard produziu a primeira das grandes maravilhas ao vivo do festival. A canção irlandesa tem andado um pouco arredada dos festivais de música do mundo, se exceptuarmos naturalmente os intercélticos que se vão realizando pelo Norte do país. Quando se encontra um "fiddler" como o Jacky Mollard (parecido com o Fausto como qualquer outro bretão) é motivo de grande regozijo. Já para não falar do encontro de novo com ele na companhia do seu acordeonista na esplanada do bar do Salão Musical, para uma jam até às tantas da manhã..."

sexta-feira, 3 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 41 ao 50


41. HARRY MANX (Ilha de Man)
Praia, 26/jul/2007::vídeo::
"À medida que o sol ia ameaçando desaparecer até ao dia seguinte, o manês (espécie de gentílico inventado à pressa para quem provém da Ilha de Man) Harry Manx cativou o público junto à praia, com o seu blues impregnado de raga, com uma mohan veena (uma guitarra adaptada à música clássica indiana. Aprendi a cortar na palavra sublime como quem corta no açúcar para o café, mas aqui vou ter que dar uma facadinha e usar o termo. Sublime."

42. IVA BITTOVÁ (República Checa)
Centro de Artes, 22/jul/2008
"Grandes vozes. Iva Bittová, com grande empenho dramático e solta de compromissos líricos, num registo que vai do demoníaco ao pueril, do soturno ao cómico. (…) Uns assustavam-se com esta mulher checa nas suas explorações de carácter mais dramático. Outros arrepiavam-se com as suas capacidades vocais. Ou no violino. Mais um postal de Sines bem guardado na memória."

43. FLAT EARTH SOCIETY MEETS JIMI TENOR (Bélgica / Finlândia)
Porto Covo, 19/jul/2008::vídeo::
"Virtuosos de outro planeta. A Flat Earth Society, enquanto colectivo. (…) Será porventura exagero, mas talvez houvesse mais músicos em palco do que pessoas no público a conhecerem a obra de Jimi Tenor. Mas isso, aqui, neste festival, não só não é novidade, como até potencia a criação de momentos de descoberta que são de aplaudir. Mas nem tão pouco parece que este interessante encontro da big band com o génio excêntrico do finlandês, outrora do mundo das electrónicas e afins, tenha aguçado por aí além a curiosidade do povo. Mas, para quem prestou atenção, todo o espectáculo foi percorrido por grandes ideias."

44. ERIKA STUCKY (Suíça)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"A suíça Erika Stucky foi uma das maiores surpresas deste festival. O uso que faz da voz, seja no formato spoken word (magnífica a versão para 'These Boots Are Made for Walking'), seja na canção, seja nos yodelays, aliado à boa disposição que atravessou toda a actuação, ajudou a que este espectáculo possa ficar retido na memória por bastante tempo."

45. L'ENFANCE ROUGE (França / Itália / Tunísia)
Praia, 22/jul/2009::vídeo::
"Na praia, houve também alguns concertos verdadeiramente explosivos, a começar pelo dos franco-magrebinos L'Enfance Rouge, numa reencarnação de uns Sonic Youth do tempo do EP de estreia ou de "Confusion is Sex" (já para não falar das semelhanças gritantes entre as baixistas de ambos os projectos), de uns Swans ou de uns Shellac mais roufenhos ainda, mas com uma integração magnífica com instrumentos árabes que estiveram nesta formação e que, aliás, contribuíram para o excelente "Trapani ~ halq al waady", álbum de há dois anos. "

46. MOSCOW ART TRIO (Rússia)
Centro de Artes, 21/jul/2008
"Virtuosos de outro planeta. (…) Qualquer um dos músicos do Moskow Art Trio. (…) Grandes vozes. (…) Sergey Starostin, dos Moskow Art Trio."

47. RACHEL UNTHANK & THE WINTERSET (Inglaterra)
Praia, 25/jul/2008::vídeo::
"Grandes vozes. (…) As irmãs Unthank."

48. ASIF ALI KHAN & PARTY (Paquistão)
Castelo, 25/jul/2013::vídeo::

49. ETRAN FINATAWA (Níger)
Praia, 20/jul/2007::vídeo::

50. TINARIWEN (Mali)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::

quarta-feira, 1 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 61 ao 70


61. VITORINO E JANITA SALOMÉ COM GRUPO DE CANTADORES DE REDONDO (Portugal)
Castelo, 28/jul/2010::vídeo::
"O Alentejo não seria o mesmo se não tivessemos os irmãos Salomé. E este foi um dos momentos mais bonitos, arrepiantes até, do FMM, que este ano inaugurou o slot no horário para o final de tarde no castelo"

62. LE TRIO JOUBRAN (Palestina)
Castelo, 22/jul/2011::vídeo::
"Como dizia antes do festival, ouvir um alaúde bem tocado já é inebriante. Ora, torna-se difícil dizer o que é ouvir três tipos a fazerem-no ao mesmo tempo e, ainda por cima, a manterem diálogos vertiginosos e frequentemente improvisados, talvez possíveis apenas a quem cresceu junto, como estes irmãos Joubran."

63. FATOUMATA DIAWARA (Costa do Marfim / Mali / França)
Castelo, 26/jul/2012::vídeo::
"Fatoumata Diawara, a linda. Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano."

64. SECRET CHIEFS 3 (EUA)
Castelo, 22/jul/2011::vídeo::
"Quem pensar que Trey Spruance é um monstro intratável, bem pode tirar daí a ideia. Nos bastidores, abundava não só em simpatia e humildade, como em curiosidade pelo que havia sido estas 13 edições de festival. Sentiu-se até "estúpido" por tocar a seguir ao Trio Joubran, como se pode ouvir no vídeo, na "flash interview" dada ao Mário Dias. Em formato de quinteto, surpreendeu muita gente que não esperava a música pesada dos SC3 no festival. E poderia ter sido um espetáculo ainda melhor, não fosse o longo tempo que perdia entre cada tema, a afinar a guitarra, por exemplo, e que fazia arrefecer o público, já por si apanhado nas noites frias do primeiro fim de semana do FMM."

65. HUGH MASEKELA (África do Sul)
Castelo, 28/jul/2012::vídeo::
"Masekela, o génio de palco. Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a "picar". "

66. REIJSEGER FRAANJE SYLLA (Países Baixos / Senegal)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"(…) o Sylla é dono de uma voz incrível, que nem precisa de amplificação, como no começo do concerto, quando vagueou pela multidão, de garganta escancarada"

67. STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Castelo, 26/jul/2012::vídeo::
"(…) Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses."

68. BASSAM SABA AL-MADAR (Líbano / EUA)
Castelo, 20/jul/2012::vídeo::

69. BOMBINO (Níger)
Castelo, 19/jul/2012::vídeo::
"Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger."

70. BOOM PAM (Israel)
praia, 26/jul/2008::vídeo::


terça-feira, 30 de junho de 2015

100 do FMM (até ver), do 71 ao 80


71. KONONO NO.1 (RD Congo)
praia, 30/jul/2005

72. KIMI DJABATÉ (Guiné-Bissau)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::
"Já sabemos, mas ainda não somos muitos, que o Kimi Djabaté é um dos músicos maiores que connosco convivem. É grande nos discos, é grande nas actuações a solo, mas experimentem deixá-lo aparecer com a banda completa, incluindo o genial Galissá na kora."

73. MORIARTY (EUA)
Centro de Artes, 22/jul/2008::vídeo::

74. WALDEMAR BASTOS (Angola)
Castelo, 23/jul/2008::vídeo::

75. SILVÉRIO PESSOA (Brasil)
praia, 24/jul/2008::vídeo::

76. TARAF DE HAÏDOUKS (Roma / Roménia)
Castelo, 0/jul/2001

77. KTU (Finlândia / EUA)
Castelo, 25/jul/2008::vídeo::
"Virtuosos de outro planeta. (…) Qualquer um dos KTU."

78. WIMME (Lapónia)
praia, 29/jul/2010::vídeo::
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio."

79. HANGGAI (China)
Castelo, 23/jul/2009
"Calhou termos assistido ao concerto dos chineses Hanggai ao lado um do outro e o Manuel foi aproveitando os intervalos para discutir algumas ideias interessantes. A que mais guardei prendia-se com a curiosidade de o canto gutural (ou próximo de gutural), algo que os Hanggai transportam para o seu universo rock, se ter desenvolvido em pontos diversos do mundo com uma característica comum: áreas pouco densamente povoadas. (texto completo, "Músicas Universais e Paralelas", aqui.)"

80. UXÍA (Galiza / Portugal / Guiné-Bissau)
Castelo, 22/jul/2009::vídeo::

segunda-feira, 29 de junho de 2015

100 do FMM (até ver), 81 ao 100

Vem aí julho, vem aí FMM. A 17.ª edição do Festival de Músicas do Mundo de Sines acontece de 17 a 25 de julho e tem como enormíssimo cabeça de cartaz o maliano Salif Keita (última noite). Mas antes de mais, retrospetivemos um pouco, alimentemos essa nostalgia danada. Começo aqui a minha lista de concertos diletos do FMM ao longo destes anos, entre mais de três centenas de coisas boas (e umas ou outras não tão boas assim) que vi e das quais tirei notas. Aproveito também para recordar algumas das palavras escritas no passado a respeito de alguns destes momentos inesquecíveis.


81. CHUCHO VALDÉS BIG BAND (Cuba)
Castelo, 23/jul/2009::vídeo::

82. HERMETO PASCOAL (Brasil)
Castelo, 29/jul/2005

83. ALINE FRAZÃO (Angola)
Centro de Artes, 23/jul/2013::vídeo::

84. SIBA E A FULORESTA (Brasil)
Centro de Artes, 17/jul/2008::vídeo::
"(…) Festa popular. Siba e a Fuloresta no exterior do Centro de Artes, com o Siba a improvisar versos dedicados a Sines, às pessoas e ao festival. (…)"

85. MARIEM HASSAN (Saara)
Castelo, 29/jul/2006
"Grandes surpresas [do FMM 2006]: K'Naan e Mariem Hassan."

86. L’ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK (França / Itália / Tunísia)
Castelo, 20/jul/2012::vídeo::

87. CHICHA LIBRE (EUA)
praia, 24/jul/2009::vídeo::
"Na praia, ainda, destaque também para os Chicha Libre, que, apesar do mau som com que começaram o espectáculo, foram melhorando cada vez mais, até terminarem com uma estrondosa versão de "Guns of Brixton", dos Clash."

88. LEE 'SCRATCH' PERRY (Jamaica)
Castelo, 25/jul/2009::vídeo::
"No último dia do FMM, as atenções, claro, estiveram voltadas para Lee 'Scratch' Perry. No backstage, o clima era de um alvoroço nunca visto, com toda a gente à espera da chegada da lenda do dub, que aconteceu minutos antes do concerto. Do lado da plateia, uma imensa multidão esperava também ansiosamente que este senhor de 73 anos de idade subisse ao palco, o que faria depois da habitual introdução da banda de suporte, enfeitado da cabeça aos pés, multi-colorido, ainda que o dourado assumisse domínio, "trashy" como diria a miudagem fashionistas de hoje, e transportando uma mala de viagem que não serviu para nada a não ser ajudar a compor a imagem. Instantes depois, veio um dos momentos com que o FMM marca a última actuação do castelo desde a sua primeira edição, o fogo-de-artifício. Ainda que menos espampanante que em outros anos, colou muito bem a "Fire", um dos temas de "Repetance", o álbum que Andrew W.K. (!) produziu para Perry no ano passado. O resto da noite prosseguiu com o dancehall entaramelado de Perry, típico dos anos recentes da carreira do jamaicano, que fez toda a gente dançar e suar até ao fim."

89. SEUN KUTI & EGYPT 80 (Nigéria)
Castelo, 29/jul/2006::vídeo::

90. DEBASHISH BHATTACHARYA (Índia)
Castelo, 24/jul/2009::vídeo::

91. JANITA SALOMÉ (Portugal)
Castelo, 22/jul/2009::vídeo::

92. RABIH ABOUH-KHALIL & JOACHIM KÜHN & JARROD CAGWIN (Líbano / Alemanha / EUA)
Castelo, 27/jul/2006

93. JP SIMÕES (Portugal)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"(…) a música é ótima, os interlúdios nunca falham (…)"

94. KASAÏ ALLSTARS (RD Congo)
Castelo, 23/jul/2009

95. HAZMAT MODINE (EUA)
Porto Covo, 18/jul/2008
"Virtuosos de outro planeta. (…) Wade Schuman, dos Hazmat Modine, na harmónica. "

96. GALANDUM GALUNDAINA (Portugal)
Porto Covo, 20/jul/2007::vídeo::

97. OUMOU SANGARÉ (Mali)
Castelo, 25/jul/2007::vídeo::

98. WORLD SAXOPHONE QUARTET (EUA)
Castelo, 27/jul/2007::vídeo::

99. NURU KANE (Senegal)
Castelo, 28/jul/2006

100. 34 PUÑALADAS (Argentina)
Castelo, 29/jul/2010::vídeo::
"Quem os viu e quem os vê. Cinco anos depois, os 34 Puñaladas voltaram a Sines, voltaram a dar um espectáculo ao fim de tarde, mas agora, numa formação mais reduzida, e com as guitarras e o tremendo calor da voz do Alejandro Guyot a darem ao tango a dignidade e a ousadia que realmente merece."

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A Gisela (ou barulho, que se vai cantar o fado)

Circunstâncias pessoais pelas quais ninguém deseja passar impediram-me de desfrutar por inteiro de mais uma edição do FMM Sines. Tive, contudo, eu e mais alguns milhares de pessoas, o privilégio de assistir ao concerto da Gisela João. E não é todos os dias que vamos a um concerto de fado.

Não há quem duvide que o fado voltou à ribalta grande, aqui e lá fora. Por cá, deixou de ser apenas o pequeno orgulho sociocultural do betinho do CDS ou do marialva do Ribatejo para explodir em novas vozes, em novas casas e novos antros de fado vadio ou erudito para locais e turistas, em salas de espetáculo esgotadas, em espaço de fartura nos canais mediáticos para novos e velhos, pobres e ricos. Mas coloquemos um travão neste entusiasmo, porque a canção continua essencialmente a viver num museu, tanto mais depois de atingir o estatuto UNESCO de Património Imaterial da Humanidade. É um museu reconstruído, é certo, agora com janelas abertas para a rua, mas continua a ser museu.

Não tem faltado quem tente tirar o fado da redoma conservadora que o encerra em memórias, tempos e contextos sociais que a maioria dos portugueses deseja ver pelas costas, mas com que métodos e resultados? Confesso que, ainda que gostando, nunca me entusiasmei desmesuradamente com a Mísia; cheguei a insultar o Paulo Bragança num concerto em que os Calexico o convidaram ao palco; tenho pouco ou nada a dizer sobre quem maltrata a guitarra portuguesa, tratando-a como um adorno na música ligeira; quase vomito com algumas das experimentações eletrónicas no fado; gosto de Zambujo, mas já foge mais para a bossa nova do que para o fado. E, claro, tenho a maior das admirações por gente como o Carlos do Carmo, o Camané e seus irmãos, a Cristina Branco, a Ana Moura, etc., mas esses trabalham em maior ou menor medida, e muito bem, no fado do museu, e são outra cantiga.

É neste contexto que surge a Gisela João. O camarada António Pires andou durante tempos a chamar a malta para a ouvirmos cantar na Bela de Alfama. Não fui e arrependo-me de só agora a conhecer ao vivo, numa altura em que já conheço o seu álbum de estreia de trás para a frente. A Gisela é dona de uma voz incrível, uma das melhores desta nova geração, talvez mesmo a mais apaixonante. Mas há muito mais. O que a Gisela está a fazer pelo fado merece o agradecimento de todos nós que gostamos de música, de todos nós que temos esta relação tímida com a canção portuguesa. As biografias que o futuro lhe escreverá debruçar-se-ão, espero, sobre o meio em que cresceu – Barcelos, uma das três capitais nacionais do rock – enquanto mola determinante para a sua atitude em palco e fora dele. Talvez daí venha a Gisela iconoclasta, que entrou em cena de pernas ao léu, com um vestido branco, uma cor proibida por cartilha, para depois o trocar por um conjunto blusa-calção num chocante colorido de verão (estava demasiado vento para o vestido). Talvez daí venha a Gisela festiva e extrovertida, que contagiou toda a plateia do castelo na dança dos fados corridos e dos malhões. Talvez daí venha a Gisela com tudo de miúda e nada de diva, que improvisa momentos em palco, que não se deixa abalar e até disso tira partido quando um dos músicos se vê obrigado a abandonar por instantes o seu posto de trabalho.

Se quisermos, e ainda que através de métodos muito diferentes, a forma como a Gisela trabalha o fado é análoga à irreverência crítica e cheia de vida e de graça com que os Gaiteiros de Lisboa tratam as tradições rurais e o cante de trabalho, por exemplo. É dar vida à música no momento atual, não é ficar apenas a recriar o passado. É tratar a música por tu com o mesmo respeito que as gerações mais jovens tratam por tu os pais. Isto multiplica o entusiasmo gerado na relação entre músicos e público. Na passada sexta-feira, no Castelo de Sines, ouviu-se, dançou-se, cantou-se o fado, com toda a naturalidade, um fado que já não é apenas aquele que cabe ao museu, mas um que esteve bem vivo entre os que tiveram a sorte de partilhar este momento.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ai e tal e se te dissessem que só podes ver 10 dos não-sei-quantos concertos do FMM

Eu escolhia estes que se seguem, mas sabendo de antemão que, como sempre, as inúmeras surpresas (e uma ou outra desilusão) vão alterar quaisquer expectativas de partida:

Quem: SELMA UAMUSSE (Moçambique)
Quando: 20 (domingo), 21h30
Onde: Largo Marquês de Pombal (Porto Covo)
Quê: Já toda a gente conhece a Selma, quanto mais não seja das backing (ou até lead) vocals dos Wraygunn ou dos tributos a Nina Simone. Mas são poucos os que conhecem a Selma que está para vir, com um novo espetáculo em que abraça ainda mais África, que coloca ainda em maior evidência a sua grande referência vocal, Miriam Makeba (é favor não fazer confusão com o vídeo abaixo, de outro espetáculo diferente).




Quem: COLIN STETSON (EUA/Canadá)
Quando: 21 (segunda-feira), 22h00
Onde: Auditório do Centro de Artes de Sines
Quê: É o saxofonista que acompanha os Arcade Fire e o Bon Iver nas digressões. É um artista regular da Constellation (sim, a Constellation dos godspeed). Rabo na poltrona do auditório e mente a divagar pelas estrelas desenhadas por Stetson.




Quem: ÁFRICA NEGRA (São Tomé e Príncipe)
Quando: 23 (quarta-feira), 19h00
Onde: Castelo
Quê: Banda mítica de São Tomé, desde os anos 70. Estiveram parados ou intermitentes durante cerca de duas décadas e voltam agora com a sua rumba de influência congolesa, com jeitos de soukous que vai de certeza pôr toda a malta a levantar os pés do chão desde cedo.




Quem: IBRAHIM MAALOUF "ILLUSIONS" (Líbano/França)
Quando: 23 (quarta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Jazz das arábias, por um dos jovens trompetistas mais reconhecidos no meio. Funciona sempre bem no castelo.




Quem: MULATU ASTATKE (Etiópia)
Quando: 24 (quinta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Está dispensado de grandes apresentações, sendo talvez o nome mais sonante do FMM 2014, a par de Angélique Kidjo.




Quem: GISELA JOÃO (Portugal)
Quando: 25 (sexta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Teremos fado no castelo, coisa quase rara. Mas é a Gisela João, a princesa da nossa música.




Quem: TIGRAN (Arménia/EUA)
Quando: 25 (sexta-feira), 23h15
Onde: Castelo
Quê: O pianista arménio Tigran Hamasyan foi uma das grandes revelações da edição do ano passado, quando se viu obrigado, em cima do momento, a apresentar-se a solo, depois de se saber que o seu parceiro de palco para aquela noite, o gigantesco Trilok Gurtu, tinha perdido a viagem para Portugal.




Quem: FATOUMATA DIAWARA & ROBERTO FONSECA (Mali/Cuba)
Quando: 26 (sábado), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Há dois anos, em frente àquele mesmo palco, deixámos que os nossos corações, que já eram preenchidos por Rokia Traoré, tivessem também lugar para outra nova voz do Mali. Foi um dos melhores momentos daquela edição e pode bem voltar a ser, agora que traz consigo o pianista cubano Roberto Fonseca.




Quem: ANGÉLIQUE KIDJO (Benim)
Quando: 26 (sábado), 23h15
Onde: Castelo
Quê: Das maiores divas de África, fazia falta há algum tempo na galeria de visitantes do FMM. Vasco da Gama, trata-me desse charme de anfitrião, que vem aí uma senhora de respeito.




Quem: BALKAN BEAT BOX (Israel/EUA)
Quando: 26 (sábado), 00h45
Onde: Castelo
Quê: Talvez já não seja o momento ideal no tempo para vermos os Balkan Beat Box. Mas a festa é certa. Para mais, vão ter direito a uma das maiores instituições do FMM, o fogo de artifício.




A não perder ainda:

O pós-rock chinês dos JAMBINAI.
As cumbias, salsas e chichas retrabalhadas na mesa da eletrónica lúdica pelos MERIDIAN BROTHERS.
As percussões do iraniano MOHAMMAD REZA MORTAZAVI.
O rock mexicano dos ARREOLA+CARBALLO.
A esplendorosa Istambul dos ISTIKLAL TRIO.
E tanto mais...

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Tudo a postos para Sines: programa completo




------ ESPETÁCULOS ------

PORTO COVO

18 DE JULHO (SEXTA)
17h30: JAIPUR MAHARAJA BRASS BAND (Rajastão – Índia) @ Ruas de Porto Covo
19h00: CUSTÓDIO CASTELO & SHINA (Portugal / França) @ Largo Mq. de Pombal
21h45: KRISMENN / ALEM (Bretanha – França) @ Largo Mq. de Pombal
23h15: BACHU KHAN (Rajastão – Índia) @ Largo Mq. de Pombal

19 DE JULHO (SÁBADO)
18h00: JAIPUR MAHARAJA BRASS BAND (Rajastão – Índia) @ Ruas de Porto Covo
19h00: ISTIKLAL TRIO (Israel) @ Largo Mq. de Pombal
21h45: KAYHAN KALHOR & ERDAL ERZINCAN (Irão / Turquia) @ Largo Mq. de Pombal
23h15: TETA (Madagáscar) @ Largo Mq. de Pombal

20 DE JULHO (DOMINGO)
20h00: KAROLINA CICHA & BART PALYGA (Polónia – Podláquia) @ Largo Mq. de Pombal
21h30: SELMA UAMUSSE (Moçambique) @ Largo Mq. de Pombal
23h00: CIMARRÓN (Colômbia) @ Largo Mq. de Pombal

SINES

21 DE JULHO (SEGUNDA)
19h00: AI! (Portugal) @ Pátio das Artes
20h00: ASTRAKAN PROJECT (Bretanha – França) @ Pátio das Artes
22h00: COLIN STETSON (EUA / Canadá) @ Centro de Artes – Auditório *
23h30: MUDIYETT (Índia) @ Av. Praia

22 DE JULHO (TERÇA)
19h00: ZÉ PERDIGÃO "SONS IBÉRICOS" (Portugal) @ Castelo
22h00: OLIVER MTUKUDZI & THE BLACK SPIRITS (Zimbabué) @ Castelo *
23h30: LA YEGROS (Argentina) @ Castelo *
01h00: DEBADEMBA (Burkina Faso / Mali) @ Castelo *

23 DE JULHO (QUARTA)
19h00: ÁFRICA NEGRA (S. Tomé e Príncipe) @ Castelo
20h15: AJINAI (China) @ Av. Praia
21h45: IBRAHIM MAALOUF "ILLUSIONS" (Líbano / França) @ Castelo *
23h15: JAMBINAI (Coreia do Sul) @ Castelo *
00h45: MÉLISSA LAVEAUX (Canadá / Haiti) @ Castelo *
02h30: JUNGLE BY NIGHT (Holanda) @ Av. Praia

24 DE JULHO (QUINTA)
19h00: GALANDUM GALUNDAINA (Portugal) @ Castelo
20h15: ARREOLA+CARBALLO (México) @ Av. Praia
21h45: MULATU ASTATKE (Etiópia) @ Castelo *
23h15: NÁSTIO MOSQUITO (Angola) @ Castelo *
00h45: MAMAR KASSEY (Níger) @ Castelo *
02h30: MERIDIAN BROTHERS (Colômbia) @ Av. Praia
04h00: NILADRI KUMAR (Índia) @ Av. Praia

25 DE JULHO (SEXTA)
19h00: JÚLIO PEREIRA (Portugal) @ Castelo
20h15: MOHAMMAD REZA MORTAZAVI (Irão) @ Av. Praia
21h45: GISELA JOÃO (Portugal) @ Castelo *
23h15: TIGRAN (Arménia / EUA) @ Castelo *
00h45: ANTHONY JOSEPH (Trinidad) @ Castelo *
02h30: MÓ KALAMITY & THE WIZARDS (Cabo Verde / França) @ Av. Praia
04h15: SHAZALAKAZOO (Sérvia) @ Av. Praia

26 DE JULHO (SÁBADO)
19h00: THE SOAKED LAMB (Portugal) @ Castelo
20h15: SMADJ "FUCK THE DJ" (Tunísia / França / Marrocos / África do Sul) @ Av. Praia
21h45: FATOUMATA DIAWARA & ROBERTO FONSECA (Mali / Cuba) @ Castelo *
23h15: ANGÉLIQUE KIDJO (Benim) @ Castelo *
00h45: BALKAN BEAT BOX (Israel / EUA) @ Castelo *
02h45: JAGWA MUSIC (Tanzânia) @ Av. Praia
04h15: ACID ARAB (França / Mundo Árabe) @ Av. Praia

(*) Concertos com bilhete


------ ANIMAÇÃO DE RUA ------

CORO DA ACHADA - 19 de julho, 17h00 @ Largo do Marquês de Pombal (Porto Covo)
YEMADAS - 24 e 25 de julho, 18h00 @ Av. Praia


------ ESCOLA DAS ARTES DO ALENTEJO LITORAL @ FMM SINES ------

ORQUESTRA LOCOMOTIVA - 18 de julho, 20h15 @ Largo do Marquês de Pombal (Porto Covo)
PREC e THE NEXT UNEMPLOYED GENERATION - 18 de julho, 1h30 @ Bar Alma Luza (Sines)
ORQUESTRA DE CORDAS e MARIMBUS - 19 de julho, 20h15 @ Largo do Marquês de Pombal (Porto Covo)
ENSEMBLE ALLJAZZ - 19 de julho, 1h30 @ Bar Alma Luza (Sines)
TRIBUTO A PINK FLOYD - 19 de julho, 1h30 @ Bar Alma Luza (Sines)
ENSEMBLE DAS DESCOBERTAS e ENSEMBLE DAMIÃO DE ODEMIRA - 22 de julho, 17h00 @ Pátio das Artes
ORQUESTRA DE GUITARRAS (COMBOIO ASCENDENTE) e ORQUESTRA DE VIOLONCELOS - 23 de julho, 17h00 @ Pátio das Artes
ORQUESTRA DE SOPROS & SKALABÁ TUKA - 24 de julho @ Av. Praia


------ EXPOSIÇÃO ------

"DE PROPÓSITO - MARIA KEIL, OBRA ARTÍSTICA" - 11 de julho a 26 de outubro, 14h00 às 20h00 @ Centro de Artes & CCEN


------ CONVERSA UNIPOP ------

ROMA FORESTIERA / ALESSANDRO PORTELLI - 18 de julho, 15h00 @ Junta de Freguesia de Porto Covo


------ CRIANÇAS ------

ATELIÊS INFANTIS COM MÚSICOS DO FMM - 21 a 26 de julho, 11h00 @ Centro de Artes de Sines
21: CIMARRÓN
22: ASTRAKAN PROJECT
23: AJINAI
24: ARREOLA+CARBALLO
25: GALANDUM GALUNDAINA
26: SMADJ

CANTO DE COLO - 21 de julho, 10h00 @ Centro de Artes - Auditório

ESPETÁCULO "HISTÓRIAS MAGNÉTICAS" - 21 de julho, 15h40 @ Centro de Artes - Auditório


------ CONVERSAS COM OS MÚSICOS ------

23, 25 e 26 de julho @ Escola das Artes
23: MULATU ASTATKE (17h30)
25: TIGRAN (16h30)
26: MOHAMMAD REZA MORTAZAVI (16h30)


------ CINEMA DOC ------

23 a 26 de julho, 15h30 @ Centro de Artes - Auditório
23: TIMNADINE SONGS (Caitlin M. Roger) + KORA (José Correia Carvalho)
24: HEREROS ANGOLA (Sérgio Guerra)
25: DONA TUTUTA (João Alves da Veiga)
26: SOUNDBREAKER (Kimmo Koskela)


------ CONVERSAS COM ESCRITORES ------

AFONSO CRUZ - 24 de julho, 17h00 @ Centro de Artes - Foyer
ALEXANDRA LUCAS COELHO - 26 de julho, 17h00 @ Centro de Artes - Foyer


------ CONTOS DE TANTOS MUNDOS ------

ANA SOFIA PAIVA - 20 de julho, 17h30 @ Largo do Marquês de Pombal - Porto Covo
ANTONELLA GILARDI - 22 de julho, 18h00 @ Centro de Artes
BRU JUNÇA - 23 de julho, 18h00 @ Centro de Artes
ANTÓNIO FONTINHA - 24 de julho, 18h00 @ Capela da Misericórdia
PATRÍCIA AMARAL (TIXA) - 25 de julho, 18h00 @ Capela da Misericórdia


------ OUTRAS ATIVIDADES ------

FEIRA DO LIVRO E DO DISCO - 21 a 26 de julho, 17h00-02h00 @ Capela da Misericórdia
HOMEM DO SACO (ATELIÊ DE IMPRESSÃO) - 23 a 26 de julho, 16h00-20h00 @ Centro de Artes - Casa Preta
AULA DE BIODANZA - 26 de julho, 17h00 @ Praia Vasco da Gama



Preços dos bilhetes:
Castelo/noite (bilhete diário) - 10 euros
Castelo/noite (passe 5 dias) - 40 euros
Centro de Artes - 5 euros

Mais informações: fmm.com.pt

terça-feira, 29 de abril de 2014

Mulatu, Kidjo e muitos outros em Sines

O anúncio publicado na revista Songlines ajuda a perceber mais do que vai ser o cartaz da próxima edição do FMM Sines, que decorre entre 18 e 26 de julho. É uma lista de nomes (ver abaixo) que vão aos quatro cantos do mundo, trazendo música de paragens inéditas no próprio historial do festival.

Comecemos por África. É de lá que vem dois dos maiores nomes anunciados, o veterano Mulatu Astatke, o fundador do jazz etíope, e, com origem no Benin, Angélique Kidjo, uma das maiores divas de África que, salvo erro, nunca terá pisado um palco português (algumas semanas antes do FMM, Kidjo vai estar no Rock in Rio, para um espetáculo conjunto com Rui Veloso e o brasileiro Lenine) [ATUALIZAÇÃO: Sim, já pisou um palco português e para concerto em nome próprio, precisamente no RiR 2004 - obrigado, Vasco]. Do grande continente há ainda a registar com agrado o regresso da maliana Fatoumata Diawara, que tão boas impressões deixou em 2012, e que agora irá aparecer ao lado do pianista cubano Roberto Fonseca. Do Zimbabué, vem Oliver “Tuku” Mtukudzi, um antigo companheiro de Thomas Mapfumo. Há também, vindo da Tanzânia, o coletivo Jagwa Music (pode vir a ser explosivo – ver vídeo abaixo). Do Burkina Faso, vem o guitarrista Abdoulaye Traoré, que se junta ao cantor griot maliano Mohamed Diaby no grupo Debademba. De muito perto, do Níger, vem Mamar Kassey. Do outro lado, da ilha de Madagáscar, teremos Teta, o “guitarrista dos dedos de fogo”. No que à expressão portuguesa diz respeito, iremos ter a franco-cabo-verdiana Mó Kalamity e o angolano Nástio Mosquito.



A edição deste ano contará com o contigente asiático mais numeroso da história do festival. Só do Irão, país que surge pela primeira vez num cartaz do FMM, vêm Mohammad Reza Mortazavi e, para outro espetáculo, Kayah Kalhor, que se junta ao turco Erdal Erzincan. De Israel, vem a festa dos Balkan Beat Box, que há anos andam a escapar do cartaz de Sines, e o Istikal Trio. Dali de perto, da Arménia, vem o pianista Tigran Hamasyan, que regressa a Sines depois de no ano passado ter sido surpreendido pela ausência forçada de Trilok Gurtu, com quem ia tocar, e de ter surpreendido todos o que o viram e ouviram pela entrega que deu em palco, sozinho. De França, mas com origem libanesa, teremos ainda o trompetista Ibrahim Maalouf. Além do Médio Oriente, também a Península Índica contará com uma boa representação: Mudiyett e Niladri Kumar, ambos da Índia, Bachu Khan, também da Índia, mas da zona do Rajastão, e um coletivo de música qawall, algo que é sempre bem recebido para os lados de Sines, o Fareed Ayaz & Abu Muhammad Qawwal, vindos do Paquistão. Saltando para o Extremo Oriente, temos mais um país a estrear-se, a Coreia do Sul, de onde virão os Jambinai, que colocam os instrumentos locais no mapa do pós-rock (ver vídeo abaixo). Da China, virão os Ajinai.



Das Américas, teremos os colombianos Meridian Brothers, aposta da Soundway, e Orange Hill, grupo de música calipso e soca. Da Argentina, há La Yegros e Soema Montenegro. Do Canadá, vem Melissa Laveaux, de origem haitiana. Do México, teremos Arreola+Carballo, um power trio composto Alonso Arreola, um virtuoso do baixo, pelo seu irmão Chema Arreola, baterista, e pelo ator-escritor-e-vocalista Mardonio Carballo (ver vídeo abaixo).



De latitudes mais próximas, teremos Acid Arab (França), Jungle By Night (Países Baixos), Shazalakazoo (Sérvia), Krismenn (Bretanha), Karolina Chicha (Polónia) e, claro, os portugueses Júlio Pereira, Gisela João e Soaked Lamb.



Importa dizer que este é apenas um apanhado do cartaz final. Nas próximas semanas, deverão vir a ser revelados mais nomes. Este é o ano em que o FMM volta a Porto Covo, que vai receber concertos no primeiro fim-de-semana. Pela primeira vez, o cartaz dos DJs (e live acts) que encerrarão as últimas noites do festival será composto exclusivamente por nomes internacionais.

Line-up revelado até agora:

Angélique Kidjo (Benin/EUA)
Balkan Beat Box (Israel/EUA)
Mulatu Astatke (Etiópia)
Ibrahim Maalouf (Líbano/França)
Fatoumata Diawara & Roberto Fonseca (Mali/Cuba)
Oliver Mtukudzi & The Black Spirits (Zimbabué)
Kayhan Kalhor & Erdal Erzincan (Irão/Anatólia-Turquia)
Meridian Brothers (Colômbia)
Jagwa Music (Tanzânia)
Tigran (Arménia)
La Yegros (Argentina)
Mó Kalamity & The Wizards (Cabo Verde/França)
Fareed Ayaz & Abu Muhammad Qawwal (Paquistão)
Acid Arab (França/Mundo Árabe)
Orange Hill (Colômbia)
Ajinai (China)
Debademba (Burkina Faso/Mali)
Melissa Laveaux (Haiti/Canadá)
Jungle By Night (Países Baixos)
Jambinai (Coreia do Sul)
Mamar Kassey (Níger)
Niladri Kumar (Índia)
Mohammad Reza Mortazavi (Irão)
Soema Montenegro (Argentina)
Teta (Madagáscar)
Bachu Khan (Rajastão – Índia)
Smadj “Fuck The DJ” (França/Tunísia/Marrocos/África do Sul)
Istikal Trio (Israel)
Mudiyett (Índia)
Nástio Mosquito (Angola)
Shazalakazoo (Sérvia)
Júlio Pereira (Portugal)
Arreola+Carballo (México)
The Soaked Lamb (Portugal)
Krismenn (Bretanha-França)
Karolina Chicha (Polónia)
Gisela João (Portugal)

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A primeira boa notícia de 2014, ainda em 2013

Já se começava a saber que ia haver FMM Sines em 2014, o que é sempre uma notícia excelente no contexto difícil que ultrapassamos, tanto mais que por aqueles lados se deu este ano uma mudança política na liderança da autarquia que desde 1999 organiza o festival. Mais do que isso, agora sabem-se datas (e ainda há regresso a Porto Covo!):

18 a 26 de julho.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Rescaldo mais ou menos nostálgico, rápido e pouco abrangente da edição n.º 15 do FMM

E lá chegou ao fim mais uma edição do Festival de Músicas do Mundo. Ao longo de semana e meia, houve mais de quarenta concertos no programa principal, dezenas de atividades paralelas (DJs, ateliês para crianças, dezenas de atuações de grupos da escola de música local, peças de teatro, conversas com escritores, etc.) e um aparentemente infindável número de acontecimentos ad hoc levados a cabo por gente que se deslocou a Sines para ver, ouvir e participar neste festival singular. Deixo aqui um pequeno rescaldo do que vi e ouvi, ciente de que muito ficará para dizer além destas linhas e de que outros terão muitas mais histórias para contar.


OS MELHORES ESPETÁCULOS

1. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA (castelo)
A forma como Bassekou Kouyaté toca o ngoni, a guitarra tradicional do Oeste africano, quase que dá para desconfiar. Ninguém pode tocar um instrumento assim, aparentemente limitado, aparentemente frágil, daquela maneira. Mas ele toca. Andaram o Georges Beauchamp e o Les Paul a criar as guitarras elétricas tal como as conhecemos para agora aparecer um tipo no palco do castelo (e, anos antes, no Centro de Artes) a tirar partido de um instrumento com quase sete séculos de idade e a fazer o mesmo que os maiores guitarristas da história do rock. Com uma banda feita a partir da família -- mulher, filhos e irmão, pelo menos -- põe rapidamente o público a dançar e a chegar àquele ponto de ebulição que poucos conseguem. E logo ao segundo concerto do festival.

2. SÍLVIA PÉREZ CRUZ (Centro de Artes)
A maior revelação do cartaz para quem escreve estas linhas, um tipo que agora se sente idiota e ignorante o suficiente por não a ter conhecido mais cedo. Sílvia Pérez Cruz é dona de uma voz ao mesmo tempo doce, ternurenta, mas também forte, interventiva e absolutamente segura, que usa o castelhano, o galego, o catalão e o português para arrebatar os corações do público. Esteve acompanhada por um guitarrista de trejeitos vanguardistas, indie para os dias que correm, adepto do ruído e dos pequenos pormenores, de vistas abertas e capacidades abrangentes (não estou a descrever o Marc Ribot, mas podia). Perto do fim, houve uma versão arrepiante de "Os Gallos", também conhecida por "Gallo Rojo, Gallo Negro", uma fábula anti-franquista. Alguém que disponibilize a gravação nos sítios do costume.

3. DAKHABRAKHA (castelo)
Se calhar, já podemos esquecer os Hedningarna ou as Värttinä ou outros grupos do Norte e Leste da Europa que nos anos 80 e 90 se destacavam no circuito de então, mais estreito e talvez menos global, da chamada world music. Os ucranianos DakhaBrakha, um homem e quatro mulheres, trouxeram a Sines a riqueza das harmonias vocais femininas, ora gentis, ora estridentes, amiúde contaminadas pela energia da dança dirigida tanto ao corpo como ao cérebro, sem nunca deixarem cair uma pinga do azeite aparente nesta fusão. Para muitos dos que me rodearam ao longo destes dias, terão sido mesmo a grande bomba do festival.

4. BARBEZ (castelo)
É, pessoalmente, uma sensação forte esta de ter um coletivo como os Barbez, da vanguarda nova-iorquina, num festival como este. Diz muito sobre o que é esta festa. Os Barbez, esses, dão-se também lindamente com esse espírito. Uma vez mais, trouxeram ao palco um arranjo caleidoscópico de frases médio-orientais, de folclore do leste da Europa, de drones (os musicais, não os dos EUA) e outros arrepiamentos rock, de canções de revolta como a magnífica versão de "Bella Ciao". Fizeram ainda encore com uma versão dos Residents (e parecia que não podia ser mais natural a invocação).



5. SHIBUSA SHIRAZU ORCHESTRA (castelo)
Mais de 30 japoneses em palco, uma orquestra psicadélica, um maestro que bebe cerveja e fuma, uma personagem na frente que parece o Kratos do God of War e outros mimos que lhe sucedem, duas bailarinas que passam o espetáculo inteiro a fazer coreografias com bananas de plástico, um tipo a pintar um dragão-largarto-golfinho numa tela branca que vai subindo com o andar da noite, uma medusa gigantesca que aparece mais para o fim e flutua sobre o castelo. É isto um teatro japonês, um noh, um kabuki? Se ignorarmos algumas pequenas incursões fáceis pelas ondas balcãs-ska, serão os Pink Floyd e os Gong de olhos rasgados a triparem numa comuna teatral? Incrível.



Outros espetáculos digníssimos de destaque: Hazmat Modine (dois Tom Waits em palco, um masculino e o outro feminino, é forte), Baloji (que animal de palco), Reijseger Fraanje Sylla (o Sylla é dono de uma voz incrível, que nem precisa de amplificação, como no começo do concerto, quando vagueou pela multidão, de garganta escancarada), JP Simões (a música é ótima, os interlúdios nunca falham), Jon Luz, Aline Frazão, Tcheka (quando é que explodes para o mundo?), Nathalie Natiembé, Carlos Bica trio "Azul" com Jim Black e Frank Möbus, Rokia Traoré, Asif Ali Khan & Party, Gaiteiros de Lisboa, Rachid Taha.

Ficaram por ver, por razões diferentes: O Carro de Fogo de Sei Miguel e Extremadura Territorio Flamenco (y que pena me da).


AS DESILUSÕES, COISAS MENOS BOAS OU ATÉ MISERÁVEIS (SEM QUALQUER ORDEM ESPECIAL)

Hassan el Gadiri & Trance Mission
Foram dois projetos completamente diferentes a tocar em simultâneo no mesmo palco, sem qualquer comunicação entre si, a não ser por intermédio de caras feias. Nos únicos momentos em que a coisa funcionava, os belgas reforçavam apenas o som dos marroquinos. Isso não é fusão.

Hermeto Pascoal
Estava a ser um planeta de outro sistema solar, mas, já mesmo perto do fim, Hermeto Pascoal deixou-se aproximar demasiado de um buraco negro. O percussionista Fábio Pascoal terá avisado o seu pai que não podiam tocar mais tempo, num ato que o próprio terá admitido depois ter sido resultante de uma falha de comunicação. Seja como for, em resposta à indicação, Hermeto pegou no microfone para deixar a plateia dividida com: "este festival é uma merda!" Banda saiu, banda voltou, Fábio pediu desculpa, Hermeto não, tocaram mais um tema e foram-se embora. Já poucos os aplaudiram. E já ninguém se deve lembrar da "Rua do Capelão" que ali foi tocada.

A autoridade
Nas minhas primeiras incursões ao FMM, trazia para contar aos amigos que ainda não haviam sido contaminados por este vírus de Sines, que uma das diferenças agradáveis do festival era não se ver ou, pelo menos, não se sentir a presença opressora de forças de autoridade ou de gorilas mal encarados e perigosos de empresas privadas de segurança. Muito mudou, contudo, nos últimos anos. Como em 2012, os espetadores com bilhete pago eram sempre vasculhados à entrada do castelo, o que também ajudava a criar filas maiores. Constou, porém, que a revista deixava de ser feita por altura das aberturas de portas ao público sem bilhete, por alturas da última banda do castelo. Claro, alguém chegou ao comentário "mas revistam os que pagam bilhete e que lá estão para ver o concerto, mas já não revistam quem poderá entrar depois só para armar confusão?"
Mais contundente foi o Carlos Guerreiro, dos Gaiteiros de Lisboa, que em palco, a propósito da canção "Avis Rara", usou do microfone para dizer algo que cito de memória, com naturais desvios de vocabulário, mas certeza na ideia: "Tinha 19 anos no 25 de abril. Não me lembro de, antes, ver forças policiais a revistarem a privacidade de quem se preparava para entrar em espetáculos."



Por este ano, acabou. Para o ano... tem que haver mais.