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domingo, 1 de junho de 2014

Heliocentristas deste país, uni-vos

Uni-vos, que hoje e amanhã são dias de culto. A mítica Arkestra está por cá. Hoje, pelas 19h30, no Porto, como ponto alto da maratona Serralves em Festas. Amanhã, em Lisboa, no B.Leza, a partir das 22h. É a passagem pelo nosso país da Jubilee Tour, no ano em que Sun Ra faria 100 anos, no ano em que Marshall Allen chega aos 90. Um vai estar em espírito, o outro vai estar em pessoa a comandar as expedições aos recantos do cosmos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Já há programa para o Serralves em Festa

VAI TER GANG GANG DANCE! E também Chicks on Speed, Mountains, Infinito +3, Perico Sambeat Flamenco Big Band, Arborea, Victor Herrero (o guitarrista que por vezes acompanha a querida Josephine Foster), Black Bombaim e várias outras coisas. É no fim-de-semana de 28 e 29 de Maio, 40 horas sem parar, como manda a tradição. O Bodyspace explica tudo.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Kenneth Anger em Portugal

Por estes dias, a Fundação Serralves, a ZDB e a Cinemateca levam a cabo um conjunto de iniciativas dedicadas à divulgação da obra de Kenneth Anger, cineasta de culto, autor de "Scorpio Rising" (1963). No Porto e em Lisboa, o ponto alto da semana vai para a performance ao vivo do projecto "Technicolor Skull", conduzida pelo próprio Anger, no theremin, e pelo guitarrista Brian Butler, num programa que ainda inclui os franco-portugueses Mécanosphère acompanhados de... Mark Stewart! O ex-The Pop Group e ex-The Maffia está a trabalhar com os Mécanosphère no próximo álbum do grupo, depois da participação, a convite de David Tibet (Anger, Tibet... está tudo ligado), na colectânea de homenagem ao realizador, "Brother Focus: For the Inaugurator of the Pleasure Dome". Isto vai acontecer já amanhã, quarta-feira, na Fundação Serralves e, sábado, no Palácio Valadares, ao Largo do Carmo. Adolfo Luxúria Canibal participa no concerto do Porto, mas em Lisboa, porque há, no mesmo dia, Mão Morta no Barreiro, as tarefas vocais vão estar exclusivamente entregues a Mark Stewart.
Outras iniciativas da semana dedicada a Kenneth Anger:

PROGRAMA DE CINEMA
(As sessões contarão com a presença de Kenneth Anger)

5 de Maio
18h30 (Biblioteca de Serralves)
Conferência por Marco Pasi: "Angels without Tears: The occult films of Kenneth Anger"
21h30 (Auditório de Serralves)
"Fireworks" (1947)
"Inauguration Of The Pleasure Dome" (1954-66)
"Invocation Of My Demon Brother" (1966-69)
"Lucifer Rising" (1966-81)
"Ich Will!" (2008)

7 de Maio
21h30 (Cinemateca Portuguesa, Sala Dr. Félix Ribeiro)
Puce Moment (1949, 6 min, 35 mm, cor, som)
Rabbit’s Moon (1950, 16 min, 35 mm, p/b - colorido, som)
Eaux d’Artifice (1953, 12 min, 35 mm, p/b, cor)
Scorpio Rising (1964, 28 min, 35 mm, cor, som)
Kustom Kar Kommandos (1965, 3 min, 35 mm, cor, som)

(Ontem a Cinemateca exibiu já alguns outros filmes -- Fireworks, Inauguration of the Pleasure Dome, Invocation of My Demon Brother, Lucifer Rising, Ich Will! -- seguidos de uma conferência com Marco Pasi.)

EXPOSIÇÃO "Estrela Brilhante da Manhã - Bright Morning Star"
ZDB - Inauguração dia 8 de Maio, pelas 22h
Inaugura dia 8 de Maio pelas 22h na Galeria Zé dos Bois
Exposição colectiva internacional de artes visuais apresentada na Galeria Zé dos Bois, reúne, excepcionalmente, um conjunto de artistas que, numa abordagem alargada do espectro experimental, manifesta tangências interpretativas com o corpo de trabalho de Kenneth Anger:
John Bock, Manuel Ocampo, Jonathan Meese, Jannis Varelas, Joachim Koester, Alexandre Estrela, Markus Selg, António Poppe, Tamar Guimarães, Brian Butler e ainda o próprio Kenneth Anger.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Amanhã, na primeira parte dos No Age, na ZDB, e na sexta, em Serralves


Luke Fishbeck, dito Lucky Dragons, na redacção da Faded com uma demonstração do projecto "Make a Baby". Vamos todos dar as mãos e fazer filhos fazer música?

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Konono no.1 e Kasaï All Stars com vistos

O promotor do MED de Loulé já aqui tinha dado conta que os Konono no.1, que não puderam vir ao fim-de-semana de festa em Serralves por recusa de visto de entrada na Europa, já ultrapassaram o problema, podendo respeitar a data anunciada para o festival algarvio. Igualmente sob risco encontrava-se a passagem de visto aos também congoleses Kasaï All Stars, que actuam no FMM Sines, no final de Julho. Fica aqui a notícia de que, tal como nos Konono no.1, os Kasaï All Stars têm já visto de entrada na Europa.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Magnífico



No prado de Serralves, 3500 vêem a selecção jogar, uma orquestra de jazz a improvisar (Space Ensemble) e o mítico Gabriel Alves a comentar.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

E a ansiedade cresce...



(Dirty Projectors, na segunda parte do filme gravado pela boa gente da blogothèque, testemunha de um registo que será certamente diferente daquele com que se apresentarão amanhã na ZDB e domingo em Serralves. "Rise Above" seria um dos discos do ano... se não tivesse sido editado em 2007. E ao vivo, como será?)

As 40 horas de Serralves

Por falar nos Konono no.1 e em Serralves, aqui fica o destaque a mais um belo fim-de-semana de festa. A festa começa logo na sexta, com animação na baixa portuense, mas as 40h nas instalações da Fundação Serralves têm início marcado para as 8h de sábado, terminando, contas feitas, às 24h de domingo. O programa das festas engloba mais de 80 actividades, nas áreas da música, ópera, dança, performance, teatro, novo circo, leitura, cinema, vídeo, fotografia, oficinas, visitas orientadas e exposições.
No que diz respeito à música, o grande destaque vai para o concerto dos Wire, que acontecerá a partir das 00:15 de sábado (ou já de domingo, se quisermos ser mais rigorosos). Há também Dirty Projectors (18h de domingo) e muitos outros projectos (consultem a secção da música no site da festa de Serralves). Os Konono no.1 foram cancelados (ver postagem abaixo), tendo sido substituídos pelos norte-americanos Neung Phak (23h de sábado). Quem cancelou também a sua actuação foi Dan Deacon, mas por motivos diferentes dos dos congoleses.

Konono no.1 sem vistos para entrarem na Europa

Foram cancelados os concertos que os congoleses Konono no.1 tinham programados para Portugal (este fim-de-semana em Serralves, no MED Loulé no final do mês e no CCB no início de Agosto), em virtude de não terem obtido visto para entrarem em alguns países onde decorreria a maior parte da digressão europeia (ver notícia nas Crónicas da Terra).
Pelo mesmo problema passaram no ano passado os conterrâneos Kasaï All Stars. O colectivo composto por 25 músicos viu-se impedido de participar no FMM Sines 2007, estando prevista a actuação na edição deste ano, que se realiza no final de Julho, embora exista o risco de tal voltar a não acontecer, principalmente depois desta notícia dos Konono no.1.
Relativamente a Serralves, a organização das magníficas 40 horas non-stop que se iniciam no sábado, já substituiu os Konono no.1 pelos norte-americanos Neung Phak.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Momentos na história dos Negativland #2



Negativland "I Still Haven't Found What I'm Looking For (Special Edit Radio Mix)" (de "U2", Seeland) [só música; sem vídeo]

Uma fase crucial da carreira dos Negativland, talvez a mais lembrada até aos dias de hoje, iniciou-se em 1991, quando o grupo lançou o EP "U2". Nele podia ouvir-se, além da melodia de "I Still Haven't Found What I'm Looking For", dos U2, diversos samples do grupo irlandês e da voz de Casey Kasem, o apresentador do "American Top 40", a partir de uma gravação deste em microfone fechado (ou não tão fechado assim), que circulava pelos estúdios de toda a América, onde se podia ouvir coisas como: "These guys are from England and who gives a shit?" (para os mais curiosos, aqui há uma transcrição completa da gravação de Kasem.)
A Island -- e não os U2, como habitualmente se vê por aí escrito -- reagiu e levantou um processo contra os Negativland. Não só a gravação violava a lei dos direitos de autor, no entendimento da editora, como a capa trazia estampado a toda a altura e largura da capa a expressão "U2" com o lettering que o grupo usava na altura e sobre o avião com o mesmo nome. O disco saiu de circulação, para aparecer mais tarde, em 2001, na bootleg semi-oficial "These Guys Are from England and Who Gives a Shit", que terá tido a aprovação dos próprios U2. Num episódio curioso decorrido em 1992, The Edge, o guitarrista dos U2 participou numa entrevista para apresentar a digressão Zoo TV (que passou por Portugal), e onde curiosamente se investia intensivamente nas técnicas de corte e colagem, muitas delas sem autorizações prévias, o que, por ironia, constituía precisamente o ofício dos Negativland. A meio da entrevista, The Edge soube que quem lhe estava a fazer as perguntas eram Mark Hosler e Don Joyce, o núcleo principal dos Negativland. Embaraçado, acabou por admitir que a queixa da Island tinha sido levantada sem o conhecimento dos U2 e que já era tarde demais para evitar fosse o que fosse nessa altura.

Tal como lembrou o leitor que ontem comentou esta rubrica, o concerto dos Negativland no próximo domingo, em Serralves, vai também ser transmitido pela rádio. "It's All In Your Head FM" vai poder ser ouvido através das emissões da Rádio Universitária do Minho (RUM), Rádio Zero e Rádio Universidade de Coimbra (RUC). Começa às 22h.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Momentos na história dos Negativland #1



Negativland "Christianity is Stupid" (de "Escape from Noise", 1987)

Retirado de "Escape from Noise", o primeiro álbum gravado pelos Negativland para a SST Records, a editora originalmente associada ao movimento hardcore californiano (Black Flag, Minutemen, Meat Puppets, etc.), "Christianity is Stupid" explorava o tema do corte e colagem pelo efeito oposto que é possível obter quando se retira frases e palavras do contexto original. A voz que se ouve é do reverendo Estus Pirkle, no filme cristão baptista "If Footmen Tire You, What Will Horses Do?", onde, com a intenção contrária ao que soa o tema dos Negativland, aquele se referia à ameaça da invasão do comunismo na América com o exemplo de um regime totalitarista onde as colunas debitavam mensagens como esta para os cidadãos.
Para a digressão que se seguiu à edição de "Escape from Noise", os Negativland foram ainda mais longe e emitiram um press release inventado onde se afirmava que o tema tinha incitado um jovem a matar os seus pais à machadada, um caso real que abalou os EUA em 1988. A história correu rapidamente pelos meios de comunicação, que não se preocuparam em verificar outras fontes. De repente, os Negativland estavam no centro de uma polémica enorme, o que acabou por servir de conceito para o álbum seguinte, "Helter Stupid".

Entretanto, fica a notícia de que os Negativland vão também tocar em Serralves, no Porto, com o espectáculo "It's All In Your Head FM", a 18 de Maio. Dois dias antes, ou seja, na véspera do concerto em Lisboa, Mark Hosler, um dos elementos principais dos Negativland, vai estar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, para uma conferência que abordará certamente a posição crítica do colectivo no seio da indústria cultural ao longo de quase trinta anos, designadamente nas questões relativas a direitos de autores, sobre as quais se fala sempre que se pensa nos Negativland. Começa às 14h30.

MED de Loulé com... Zita Swoon?

Já era muito interessante o anúncio da participação do mítico Solomon Burke no cartaz do próximo festival MED, que se realiza entre 25 e 29 de Junho em Loulé (ver notícia mais abaixo), mas ainda mais surpreendente, como diz o Luís Rei nas Crónicas da Terra, que dão a novidade, é a inclusão dos belgas Zita Swoon. Será para o dia 27 de Junho, o mesmo dia em que tocarão também os Deolinda.
Continuando com as novidades divulgadas pelas CdT, há ainda a esperar em Loulé, no último dia, os congoleses Konono no.1 (já não vão ao Mestiço, na Casa da Música, mas participam ainda na festa de Serralves, a 8 de Junho, e tocam no CCB, a 2 de Agosto).

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Deve o Estado apoiar a cultura?, um recorte para guardar

Fica aqui uma espécie de tributo, através da abordagem deste tema recorrente, a Eduardo Prado Coelho, com uma crónica sua publicada no jornal Público, a 17 de Fevereiro de 2001. Como era habitual, especialmente neste tipo de crónica, o professor conseguia sistematizar em poucas linhas aquilo que mais importava reter de avanços no debate das ideias trazidos por outros intelectuais, ao mesmo tempo que os confrontava com realidades específicas como a nossa.


Deve o Estado apoiar a cultura?


A questão ganhou particular actualidade com episódios recentes, e felizmente encerrados, mas suscitou sobretudo opiniões desencontradas onde talvez fosse melhor haver mais estudo. Daí que faça sentido ir buscar um livro já antigo, "A Matter of Principle", de Ronald Dworkin, publicado em 1985 pela Harvard University Press. Um texto nele incluído denomina-se precisamente "Deve um Estado liberal subvencionar a cultura?", e teve origem numa comunicação a um colóquio no Metropolitan Museum de Nova Iorque, em Abril de 1984.Anote-se que Ronald Dworkin é um dos maiores pensadores políticos do nosso tempo, autor famoso de "Taking the Rights Seriously". Tem neste caso a imensa vantagem de ser americano, com a vantagem suplementar para alguns de não ser francês. Ele começa por distinguir entre duas estratégias argumentativas: a estratégia economicista e a estratégia elitista. A primeira diz que as pessoas devem ter a cultura que estiverem dispostas a pagar. A segunda diz que as pessoas devem ter a cultura que a humanidade merece e tem valor tudo o que contribui para o progresso e desenvolvimento da humanidade.Para a estratégia economicista, a solução é simples: o mercado é que diz o que as pessoas querem. Por esta lógica, um museu deveria fazer pagar a entrada a um preço que correspondesse à totalidade dos seus custos.Ronald Dworkin começa no entanto por fazer uma análise pormenorizada da posição economicista, sugerindo mesmo que ela poderia aceitar em certa medida alguma forma de subsídios. Primeiro argumento: a relação entre os preços do mercado e os desejos das pessoas está longe de ser sempre directa e simples. Porque os preços nem sempre dão a medida exacta do que pretende a população no seu conjunto: "Se as riquezas estão muito desigualmente distribuídas, o facto de um rico comer caviar, quando o pobre gostaria de ter possibilidade de comprar pão, não significa que o conjunto da sociedade dê mais valor ao caviar do que ao pão."O segundo tipo de argumento defende a noção de "bens colectivos". Na definição que dá, "bens colectivos são os bens cuja produção não pode ser deixada inteiramente nas mãos do mercado porque é impossível impedir que aqueles que não pagaram não acabem por retirar deles qualquer benefício". Uma pessoa não vai pagar aquilo que sabe que outros estarão dispostos a pagar. Mas se todos seguirem o mesmo raciocínio, "somos capazes de não gastar individualmente o que desejaríamos gastar colectivamente".Neste caso, a solução consiste em o Estado calcular as despesas a fazer e em fazê-las ele próprio a partir do dinheiro dos contribuintes. O apoio do Estado à cultura não seria senão uma solução pragmática para um problema técnico. Coloca-se aqui o problema da "entrada gratuita". Imaginemos um processo de vacinação contra uma dada epidemia. Em princípio, só deve pagar quem é vacinado. Mas aqueles que não quiserem pagar beneficiam do processo de vacinação porque quanto mais forem as pessoas vacinadas menos eles correm o risco de serem contaminados. Donde, eles beneficiam do que não pagaram - a isto se chama "a entrada gratuita".Um exemplo cultural: as pessoas podem não querer pagar para os museus porque não lhes interessa o que lá está dentro, ou não querem subvencionar teatro, porque não lhes interessa o que lá se passa. Mas beneficiam do afluxo de turistas que pode resultar de bons museus e de bons teatros. São atingidos por esta "externalidade".Contudo, como nota Dworkin, este argumento é um pau de dois bicos. Porque justificar os apoios à cultura pelos seus benefícios indirectos é retirar qualquer possibilidade de defendermos a cultura enquanto bem colectivo que beneficia a sociedade no seu conjunto. Esta última ideia poderá ser acompanhada por outra: a de que a cultura popular e a alta cultura são uma só forma de cultura em permanente interacção; as obras cultas passam lentamente para o plano popular e a cultura de elite recicla inúmeros contributos da cultura de massas. Mas aqui surge um problema central nestas coisas (e que Dworkin só aborda obliquamente): o tempo. Porque certas obras que começaram por ser de cultura sofisticada (mesmo quando eram deliberadamente contra ela: temos o exemplo de Andy Warhol) só lentamente passam para o plano popular (mas passam: vejam o êxito da exposição de Warhol em Serralves). Agora há aqui um outro problema: mas como se pode ter a certeza que passam? Não pode. Por isso costumo repetir que a investigação estética é análoga à científica: é preciso correr muitos riscos para acertar. Mas correr riscos custa dinheiro (e o sentimento de que por vezes esse dinheiro é perdido). No entanto, a análise de Dworkin vai mais longe, e considera ainda outro problema. Quando o Estado luta contra a poluição, parte do princípio de que sabe que o conjunto da população quer um ar respirável a um certo preço. Mas como saber se o conjunto da população quer ópera? Provavelmente muitos, se a ópera não existisse, nem davam por isso. Donde, dizer que a ópera é útil para eles, não é pressupor um juízo que eles fariam sobre as suas próprias vidas, mas partir de um juízo que nós fazemos sobre as vidas deles. É claro que podemos dizer que eles não sabem que a ópera lhes falta porque precisamente a ópera lhes falta. Mas será que este raciocínio circular convence os nossos economistas? Neste ponto, a conclusão de Dworkin é simples: não convence porque a abordagem económica não permite determinar se a cultura deve ser subvencionada e até que ponto.Passemos então para a abordagem elitista. Mas Dworkin - é essa a sua originalidade - pretende chegar às teses da abordagem elitista usando uma argumentação diferente da habitual. Para ele, a tese é: "A cultura desempenha dois papeis diferentes. Produz pinturas, espectáculos, romances, interiores de uma casa, desportos, folhetins policiais, que nós apreciamos e que nos dão prazer. E produz o quadro que torna possível a avaliação estética destes objectos."É este segundo ponto que é importante. Trata-se de colocar no centro das estruturas culturais "uma linguagem comum", que não é tecnicamente nem um bem público nem um bem privado, mas que "é uma fonte de avaliação mais do que uma avaliação em si mesma". O que faz que esta linguagem comum seja um bem colectivo muito especial é que "do ponto de vista daqueles que utilizam esta linguagem as 'entradas gratuitas' valem mais do que nenhuma entrada de todo".Porquê? Porque "somos todos beneficiários ou vítimas das modificações que se imprimem na nossa linguagem comum". Donde, ler e escrever sobre um livro, ver um filme, falar sobre um concerto, ouvir um disco, visitar um museu, são tudo transacções que contribuem para alterar a nossa linguagem comum, e nós podemos pressupor que as gerações futuras irão beneficiar de uma linguagem comum mais rica. Mas não será isto paternalismo? Não, porque, se o princípio liberal é permitir uma maior diversidade de escolhas, aumentando a densidade da nossa linguagem "estamos a aumentar mais do que a restringir a liberdade das nossas escolhas, porque é isto precisamente o que está em jogo no enriquecimento ou empobrecimento da linguagem". A acusação de elitismo desaparece, porque "estas estruturas afectam a vida de quase toda a gente; fazem-no de uma maneira tão fundamental e tão imprevisível que não temos nenhum dispositivo conceptual que nos permita saber quem irá beneficiar das diversas ideias e possibilidades que estas estruturas permitem produzir".Daí a conclusão: "Se é verdade que é a sociedade no seu conjunto, e não apenas as pessoas que frequentam directamente as instituições culturais, que goza do fundo comum das possibilidades estruturalmente abertas pela continuidade de linguagem, e pela conservação enciclopédica dos dados culturais, então temos boas razões para subvencionar a cultura como bem colectivo."

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Serralves em festa

40 horas sem parar, 70 eventos. É mais uma edição do "Serralves em Festa", que a partir das 8h de amanhã decorre no espaço da fundação sediada no Porto. O programa é extenso e o melhor mesmo é consultar o PDF onde vem tudo explicadinho.

sexta-feira, 2 de junho de 2006

As 40 horas non stop de Serralves

Vai ser um fim-de-semana em grande lá para os lados da Fundação de Serralves, mais uma vez. Ao todo, serão 40 horas ininterruptas e mais de 70 actividades, entre música, exposições, teatro, performance, cinema, circo, oficinas nos mais diversos temas, etc.
A odisseia começa às 8h da manhã de sábado e dura até às 24h de Domingo. O PDF com o programa está disponível aqui.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

ENTREVISTA: Badawi aka Raz Mesinai, o nómada

Raz Mesinai nasceu em 1973 em Jerusalém, mas desde muito novo que Nova Iorque é a sua cidade. E se ele sabe dizer onde fica a sua casa, mais difícil é tentar encontrar-lhe residência fixa na música. À parte das tradições médio-orientais que lhe correm no sangue, Mesinai tem vindo a absorver e a unir diversas outras formas de entender e trabalhar a música, da electrónica pura à electro-acústica, das técnicas do dub aos esoterismos do jazz moderno, do gira-discos de uma festa ao piano de cauda de um concerto. O seu currículo é igualmente diversificado, destacando-se as experiências na cena "illbient", com DJ Spooky e DJ Olive, as ligações à cena nova-iorquina que circula em torno de John Zorn, a sonorização de filmes e uma extensa e variada discografia repartida por várias editoras, como a Asphodelic, a ROIR ou a Tzadik.
"Safe" é o título do novo álbum editado sob o nome Badawi (provavelmente, o último). Desde logo, ajuda a perceber, para quem não conhecia nada até agora, que a biografia não era enganadora. Por ali passa mesmo um pouco disto e daquilo, num trabalho de fusão que é mais do que um simples trabalho de fusão e que só está ao alcance de verdadeiros músicos nómadas como Raz Mesinai (Bill Laswell, Jah Wobble e Marc Ribot seriam outros exemplos).
Raz Mesinai vai estar em Portugal, ao vivo, já neste próximo fim-de-semana. Na sexta-feira, dia 2, toca em Lisboa, na ZDB, num cartaz que inclui ainda Bryan Eubanks e Natasha Anderson (o 1º concerto começa às 23h). No dia seguinte, toca no Porto, inserido no programa das 40 horas non-stop da Fundação Serralves (o concerto de Mesinai está marcado para as 20h30).
E, agora, a entrevista, realizada recentemente por email:

Eyvind Kang na viola d?arco, Mark Feldman no violino, Marc Ribot na guitarra e toda a outra gente. Mais uma vez, reuniu um ensemble notável. Como conheceu e como veio a trabalhar no seio da cena downtown nova-iorquina?
O Elliot Sharp convidou-me para tocar numa das suas performances no The Cooler quando eu tinha cerca de 20 anos. Isso fez-me pensar muito em improvisação e eu acabei por me tornar frequentador habitual da cena, conhecendo mais tarde o John Zorn assim como muitos outros. Sempre fui um nómada que vaguei por várias cenas.
Como é que se processa, isto é, funciona como um grupo em tempo real, eventualmente respondendo a si como director, ou grava-os separadamente?
É uma coisa que varia de disco para disco. Tenho que chegar à melhor forma de obter um determinado efeito a partir dos músicos. Passa-se algo parecido com um director musical, mas eu também tenho composto muita música em papel primeiro.
Poder-se-á dizer que prossegue com o seu passado enquanto giradisquista, ao lado de DJ Olive e DJ Spooky? Isto é, colecciona e transforma as peças dos outros no seu trabalho próprio e único?
Na verdade, não. O giradisquismo é uma forma de xamanismo e também uma boa maneira de apreender o ritmo universal de que ando à procura.
Educado nas tradições médio-orientais, contaminado pela cena electro de NY e por tudo o resto como o hip hop, o dub, as novas formas do jazz, a composição clássica, as músicas do mundo, etc., acabou por dominar diferentes noções de música: os propósitos, as técnicas, os instrumentos, etc. Verdade ou não, os franceses dizem que ?Qui a deux femmes perd son ame, qui a deux maisons perd sa raison?. Como lida com isso?
Antes de mais, apenas tenho uma casa, que é Nova Iorque. E a minha música não é DO Médio Oriente. Apenas PASSA por lá. Para mim, é apenas som. Não penso em géneros, mas apenas no som.
Vê a percussão e o dub como possíveis pontes entre as diferentes culturas musicais? Que outras formas ou aspectos da música poderiam ter esta qualidade?
Não sei. Não tento salvar o mundo. Sou um anarquista e se não o posso ter no meu país, então insisto em fazê-lo na minha música.
Que Raz Mesinai estará presente nos concertos em Portugal? O pianista e percussionista? O programador? O director de ensembles? O giradisquista? Ou uma mistura de tudo isto?
Eu estou a atingir uma nova fase no meu trabalho. Não tenciono fazer mais discos sob o nome de Badawi. Sinto que só agora estou a sentir que a minha música está a chegar onde eu quero que chegue. Este disco, ?Safe?, já tem, na verdade, quatro anos. Daí que não mostre onde é que eu estou agora. O concerto vai dar às pessoas o sabor de um "trance" futurista livre de religião.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Vício do momento

E este não sai desde há dois ou três dias do leitor de CDs. Intitula-se "Safe" e é o novo álbum de Badawi, alter ego para Raz Mesinai, um nova-iorquino nascido em Jerusalém que tem vindo a editar pela ROIR, Tzadik e Asphodelic (caso deste), entre outras. Colabora frequentemente com a nata da cena downtown nova-iorquina e este disco é, uma vez mais, prova disso, com as participações de, entre outros, Eyvind Kang, Marc Ribot e Marc Feldman. Ele vai estar ao vivo na ZDB e na Fundação Serralves, já na sexta-feira e no sábado próximos, respectivamente. Amanhã (ou talvez depois) sai aqui entrevista com ele.

sexta-feira, 3 de junho de 2005

Breves desta semana, antes de mais umas férias

1. É favor não esquecer o concerto de amanhã dos Giant Sand, no Santiago Alquimista. Pessoalmente, vai ser um grande prazer rever o Howe Gelb, quase três anos depois d'A Mula o ter trazido pela primeira vez a Lisboa. Ele então prometeu que voltaria e aqui está a promessa a ser cumprida. Será também a oportunidade de assistir ao concerto que há cerca de quatro ou cinco anos foi cancelado, devido a problemas de saúde de PJ Harvey, para a qual os Giant Sand fariam então a primeira parte.

2. Hoje há improvisação a rodos na ZDB. Matt Valentine e Erika Elder encabeçam um cartaz que terá ainda a presença do duo Manuel Mota e Margarida Garcia.

3. Serralves está em festa neste fim-de-semana. Entre sábado e domingo vão por ali acontecer dezenas de eventos, no teatro, na música, na dança, etc. E na próxima terça-feira, já fora da festa, mas também a não perder, os Black Dice vão passar por lá.

4. O destaque da Wire deste mês é o humor na música. O artigo está interessante, mas entre os críticos que participam deverá haver alguns com um sentido de humor muito, muito estranho...

5. Oeiras tem reggae de novo. Ou melhor, desta vez é sobre o ska que se debruça o mini-festival que no dia 11 de Junho decorre no Jardim de Oeiras, com bandas portuguesas: Contratempos, Skazz e Skareta. A entrada é livre e a skantoria começa às 20h.

6. Já o deixei claro e aproveito agora para reafirmar: o novo álbum das Electrelane, "Axes", é viciante...

7. Vêm aí os Vibracathedral Orchestra...

8. Já começou mais uma edição da FIMFA LX, Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas de Lisboa.

9. Segue-se mais uma semana de férias. Se não for mais cedo, o Juramento regressa depois dos "Santos" de Lisboa.

terça-feira, 31 de maio de 2005

Black Dice e Animal Collective

Se a malta do Porto tem a sorte de poder já ver os Black Dice para a próxima semana (dia 7, na Fundação Serralves), a de Lisboa terá esse privilégio depois do Verão, lá para o mês de Outubro, na ZDB (a não ser que se faça à estrada ou aos carris do comboio e resolva já isso). Também por essas alturas a ZDB receberá os Animal Collective para duas noites de concertos, sendo provável que outras salas do país venham também a contar com a presença do projecto de Avey Tare e Panda Bear.

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Eu quero ir viver para o Porto

A juntar à já extensa lista de concertos imperdíveis:

Black Dice ao vivo e Negativland em formato conferência vão a Serralves este ano, entre muitos outros eventos interessantes que por ali vão acontecer (ver notícia da edição de hoje do Público).