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quarta-feira, 8 de junho de 2011

E hoje é dia de... PRINCE RAMA



As duas irmãs Larson, Taraka e Nimai, vivem hoje em Brooklyn, mas diz-se que cresceram numa comunidade hare krishna na Florida, ao que facilmente percebemos todas as referências exóticas presentes tanto na imagem como na música deste duo que já foi um trio, que já tem quatro álbuns, tendo o último, "Shadow Temple", sido gravado para a Paw Tracks dos Animal Collective, amigos que as convidaram para um dos melhores concertos do ATP inglês de há poucas semanas. Não foi surpresa: já no ano passado, quando passaram pela ZDB, ficámos a saber que o espetáculo das Prince Rama é um intenso ritual de experimentação, de psicadelismo e tribalismo. Às tantas, chegamos a pensar na Kate Bush metida com os experimentadores cósmicos alemães da viragem dos 60s para os 70s ou no Brian Eno a musicar mantras. Talvez não cheguemos a Krishna por esta via, mas ninguém foi tão original na tentativa.


No Lounge, a partir das 23h.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Não há nada como o ATP, a não ser outro ATP

Esqueçam tudo o que aqui já escrevi sobre festivais. O All Tomorrow's Parties de Inglaterra, curado pelos Animal Collective e realizado neste passado fim de semana no campo de férias Butlins, em Minehead, na sua edição de Primavera (a última, segundo a organização), ultrapassa não só tudo o que já experimentei no passado como toda a imaginação com que previamente viajei para o Somerset inglês.

Primeiro, como é óbvio, os concertos. Não só as melhores expetativas foram facilmente derrubadas, com uma ou outra exceção, como os pontos negros do cartaz, as zonas de ignorância em relação a algumas das escolhas dos AC acabaram por revelar-se belas surpresas.

Mas, depois, há tudo o resto que eleva este ATP a um evento fora do comum, em absoluto. O conforto de se ter morada naqueles pequenos apartamentos em chalets, próximos dos locais onde aconteciam os espetáculos. O convívio e a partilha do espaço entre público e artistas. A simpatia britânica dos empregados do Butlins, o campo de férias, ou dos elementos da organização. Até os seguranças musculados brincavam e deixavam que brincassem com eles. O público em número certo (poucos milhares), tornando possível percorrer todos os sítios do festival e assistir a todos os concertos com o máximo conforto possível. O próprio público em si, e tirando talvez a miudagem que foi para ver o Big Boi, é nitidamente constituído por pessoas que gostam abusivamente de música, como nós, que seguramente passam horas em lojas de discos e uma boa parte do seu tempo livre a assistir a concertos (e sem a proporção de hipsters e fashionistas que regularmente encontramos por cá!). E não batem palmas a acompanhar os concertos.

E há mais, ainda. Os curadores não programaram apenas o programa do festival. Nos chalets, as televisões tinham dois canais internos, um deles a cargo dos Animal Collective (muitos filmes de terror, muitos filmes de adolescentes dos anos 80, muitos filmes dos Sun City Girls) e outro gerido pela organização. O ciclo de cinema do fim de semana foi também escolhido pelos AC, com filmes de terror japoneses, documentários da Sublime Frequencies, etc.

É difícil, para os padrões habituais, imaginar como tal pode acontecer, mas não há qualquer publicidade oficial por terceiros patrocinadores no ATP. É qualidade de vida. Até nas bebidas havia mais de uma dezena de marcas de cerveja (e o mesmo para o whisky) para se escolher. Aqui o mais importante é a música, mesmo.

E na música, então, o que se passou? Logo na sexta-feira, ao segundo momento do cartaz, fomos brutalmente atropelados pela máquina de dança chamada Black Dice. Sim, máquina de dança. Não é que tenham mudado muito, mas o grupo está de regresso com uma postura mais "amigável". O noise continua, mas agora dançamos muito mais. E com o som cristalino e poderoso que o palco principal tinha para oferecer, os Dice transformam-se numa orquestra onde se percebe todas as fontes de som usadas em simultâneo, o noise é elevado ao estatuto de música erudita. Se o ATP fosse uma competição, tínhamos aqui os prováveis vencedores, logo ao segundo round. Demos mais um passo no avanço da surdez, mas saímos felizes desta experiência, tal como na performance a solo de um dos Dices, o Eric Copeland, no dia seguinte.

No segundo lugar da minha lista de preferências, ficaram os Gang Gang Dance. Entre temas antigos e novos, e mais uma vez beneficiando do som incrível do palco principal, os GGD fizeram a festa que se esperava. Tenho-o dito por brincadeira, mas com uma inescapável ponta de verdade: são uma das melhores bandas da atualidade. E ao vivo, superam os aparentemente insuperáveis discos. Ainda há dias saiu "Eye Contact" e já em palco se ouve uma versão completamente diferente (e excelente) do segundo single, "Mindkilla". Não foi possível estar parado ao som dos Gang Gang Dance. Que o diga a Kria Brekkan, ex-mulher de Avey Tare e também ela uma das convidadas para atuar neste ATP, que passou todo o concerto a dançar f-r-e-n-e-t-i-c-a-m-e-n-t-e em cima do palco. Há que rumar a Serralves para rever uma vez mais os Gang Gang Dance.

Para fechar este conjunto dos três concertos mais relevantes do fim de semana, para este vosso, temos os irmãos Bishop, no projeto The Brothers Unconnected, onde os dois prestam tributo a Charles Gocher, o terceiro membro dos Sun City Girls, falecido há cerca de quatro anos. O humor de Allan e Richard Bishop continua intocável, enquanto se referem às baladas irlandesas e mexicanas que transportam do catálogo dos SCG para o palco e se metem com o público. Foi pena ter sido tão curto. Na verdade, a ter que apontar um defeito ao ATP (e, na verdade, a todos os festivais), só talvez mesmo a curta duração (45 minutos a uma hora) de alguns dos concertos.



O que dizer, então, dos mestres de cerimónia, dos padrinhos, dos mordomos, dos curadores Animal Collective? Fizeram mais ou menos o mesmo concerto por duas vezes, sábado e domingo. A perspetiva de afluência de público em maior número terá condicionado esta opção. No primeiro, e porque em casa de ferreiro, espeto de pau, tiveram um som péssimo. No segundo, já tiveram direito ao tratamento de que os seus próprios convidados beneficiaram naquele mesmo palco, mas ainda assim, estiveram algo longe de oferecerem os melhores momentos do festival. Ao contrário dos Gang Gang Dance ou até dos Black Dice, onde a experimentação surge hoje de uma forma talvez menos expontânea, mas mais cuidada, sem deixar de ser arriscada, os AC contornaram essa mudança procurando voltar no tempo, regressar ao formato de banda rock, com o Noah Lennox desterrado para a bateria, numa altura em que se calhar já não são propriamente uma banda. Foram inúmeros os temas novos a serem apresentados, algo que não é tão incomum assim (afinal, quanto tempo antes da saída do álbum começámos a ouvir youtubes dos temas do Merriweather Post Pavillion?), mas ainda há muito a fazer até que os temas cheguem a bom porto. A história da música popular dá-nos inúmeros exemplos de super-bandas que, com o avançar dos anos, viram os seus elementos mudar de quotidianos, viverem até em continentes diferentes (como é o caso aqui). Algumas dessas bandas souberam adaptar-se e continuar em grande, outras desapareceram em álbuns e carreiras de sucesso monetário mas de qualidade duvidosa. Os Animal Collective deste fim de semana mostraram que ainda têm que fazer para voltarem a ser um grupo. Esperemos que a digressão europeia venha a ajudar e que em Julho já cá os tenhamos na forma que nos habituaram em todas as vezes que por cá passaram (bom, excetuando a do Número festival).

Ao longo do fim de semana, houve muitos outros bons motivos para se andar nas nuvens. Os Beach House, por exemplo, foram mágicos. E tiveram também direito ao magnífico som... já vos falei do som do palco principal, não? Mágicas também, absolutamente mágicas, foram as irmãs Larson, as Prince Rama, aqui acompanhadas pela dançarina brasileira Melissa Huser. Como diz Taraka Larson na visão religiosa no seu facebook, "fall in love everyday"... Não há como perdê-las no Lounge, no mês que vem. Peter Kember, o Spectrum, trouxe um espetáculo não muito diferente daquele que deu no Primavera, há dois anos (excelente, portanto). A maliana Khaira Arby, prima do falecido Ali Farka Touré, começou muito bem (e assim deve ter continuado, mas os Gang Gang Dance tocavam à mesma hora, pelo que a partir de certo momento, houve que escolher). Também do deserto do Saara, estiveram por lá os Group Doueh, com um espetáculo semelhante ao que trouxeram à Gulbenkian, há dois anos. Os ingleses ficaram loucos. No campo dos compositores e artistas mais avançados na idade, importa ainda referir os concertos de Terry Riley e de Tony Conrad. O primeiro veio acompanhado do seu filho Gyan. Pai no piano e filho na guitarra clássica: uma união perfeita, mas a horas que o cansaço começava a levar a melhor. Conrad não veio com Genesis P-Orridge mas esteve acompanhado de uma performer vocal fora de série, para uma hora de improvisação notável.

E o que houve de principais surpresas? Para já, o contrário, uma desilusão daquilo que antes tinha sido uma surpresa: Thinking Fellers Union Local 282. A sério, se não conhecem nada destes norte-americanos, como eu não conhecia até há poucas semanas, vão já ouvir os discos deles. São obrigatórios e é um caso estranho serem tão pouco conhecidos deste lado do Atlântico. O concerto, todavia, foi estranhamente banal. Já os Meat Puppets não desiludiram nesse aspeto. Mas no que ao rock diz respeito, houve neste fim de semana duas boas surpresas: os Soldiers of Fortune e os The Entrance Band. Os primeiros vieram de Nova Iorque com um autocarro desgovernado de guitarras armadas para batalhas épicas. Os segundos, de Chicago, vieram piscarem o olho às bandas inglesas que nos anos 80 construíam templos de adoração ao reverb, dos Killing Joje aos Bunnymen.

Houve mais, claro. E houve coisas que não foi posível ver. Mais tempo houvesse, mais os pés ajudassem e, por uma vez ou outra, com a ajuda do poder da ubiquidade, teria sido possível ir a tudo. Porque iria valer a pena, quase de certeza. Assim como vai valer a pena voltar um dia ao ATP, não ao de Maio, porque não este foi o último, mas ao de Dezembro. Na edição deste ano, o curador vai ser Jeff Mangum (Neutral Milk Hotel).

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Olhem quem vem cá novamente

PRINCE RAMA! Dia 8 de Junho, os Prince Rama vão regressar a Lisboa, alguns meses depois da bela noite que proporcionaram na ZDB - no final do ano disse aqui que "O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)". Desta vez, o palco é o do Lounge e a entrada é, portanto, gratuita.

Mas há mais no Lounge para o mês de Junho:

Logo ao início, dia 2, há Marzipan Man, pop espanhola cantada numa língua habitualmente estranhíssima para os nossos vizinhos:



Dia 21, dos Países Baixos, shoegaze dos The Black Atlantic. E no final do mês, a 30, as argentinas Kellies.

Já agora, convém lembrar ainda a programação de Maio:

Dia 13, Basketball, do Canadá. Dia 18, o português André Gonçalves. Dia 26, Bernays Propaganda, da... -- atenção -- República da Macedónia. Nas festas, parece que a desta sexta-feira, com os ingleses Beauty and the Beat é para rebentar, e, claro, sejamos parciais e ligeiramente comprometidos, há também Bailarico Sofisticado a 27.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os melhores concertos de 2010 (11 a 20)

11. Prince Rama @ ZDB (1/12)
O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)

12. Tinariwen @ FMM (30/7)
De tantas vezes que cá vieram, já não constituem propriamente uma surpresa. Mas também não estamos exactamente fartos. Bem pelo contrário. O que interessa é que conseguiram hipnotizar aqueles que os viam no castelo de Sines com o ritmo e as malhas de guitarra que trouxeram do deserto. VÍDEO

13. Shellac @ Primavera (28/5)
Tinha-os visto dias antes, na ZDB. Tinha-os visto há exactamente um ano, neste mesmo palco ATP, no Primavera. Tinha contra mim um horário pouco contornável do festival. Mas mesmo assim, não era possível deixar escapar mais esta oportunidade de os ver ao vivo. Mais houvesse, mais seriam. VÍDEO

14. Michael Rother & Friends Present Neu! Music @ Primavera (29/5)
O revivalismo do kraut tem destas coisas boas: o lendário Michael Rother junta mais dois músicos, um dos quais o atarefadíssimo Steve Shelley, para reproduzirem ao vivo reportório dos Neu!... As gerações mais novas só podem agradecer. VÍDEO

15. Times New Viking @ ZDB (21/4)
É uma daquelas coisas cheias de frenesi, de ruído, de gritaria e de rebuçados sónicos, em que não se consegue ficar quieto. Times New Viking de volta, já!

16. Tortoise @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: "[Por comparação com os Ui] Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock." VÍDEO

17. Vashti Bunyan @ Lux (13/5)
Um dos acontecimentos do ano. Termos tido, em 2010, a possibilidade de ver esta lenda (quase) esquecida da folk britânica, é um privilégio intemporal. VÍDEO

18. Johan Karlberg (Radioclit) @ Lx Factory (13/2)
Mais um que desafiaria o conceito de concerto, se ainda vivessemos no século passado.
Festarola até às tantas em mais um magnífico "Baile" da Madame. O que eu lamento não ter visto os Very Best no Sudoeste.

19. Wimme @ FMM (29/7)
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio." VÍDEO

20. Paus com Dj Riot & Dj Ride @ Lux (16/12)
Eu disse que ia haver mais Paus nesta lista. E a mais concertos tivesse assistido, mais Paus aqui haveria. Mas desta vez, só desta vez, Paus e agulhas tanto bateram que até fizeram faúlhas. Tenho pena de ter perdido o primeiro "Só desta vez", mas a segunda oportunidade deu para perceber o quanto esta boa gente se esforça para criar estas apresentações únicas. VÍDEO