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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #51-55

51. MY BLOODY VALENTINE @ PRIMAVERA SOUND
28 de Maio de 2009
Escrevi, na altura, a propósito do som ensurdecedor do espectáculo dos MBV: "À entrada, nos dois primeiros dias, respectivamente os dos concertos dos irlandeses no palco principal e no auditório, a organização distribuía aos participantes tampões para os ouvidos. É que -- e eu só vi o concerto do palco principal -- o volume e o ruído que ali se produziram desafiou tudo o que até hoje já se viu, perdão ouviu, à frente de um palco. Não espanta que haja quem fique com a audição reduzida depois destes concertos de regresso da banda de Kevin Shields (a começar pelo próprio). A demonstração de maior coragem, tanto por parte da banda como do público, veio com 'You Made Me Realise', com que os MBV têm encerrado estes concertos, onde no meio surgem quase vinte minutos de ruído intenso, só eventualmente comparável ao que se ouvirá no interior de um reactor de um avião ou pairando por entre nuvens em permanente colisão."

52. PAN SONIC @ LUX
5 de Novembro de 2004
Escrevi, na altura: "Devastador. Depois das armas não convencionais, depois das armas químicas, teremos, um dia destes, alguém do outro lado do Atlântico a exigir que a Finlândia (*) entregue o seu arsenal de armamento sonoro, onde a mais destruidora peça de artilharia são os Pan Sonic, que ontem fizeram parada militar no Lux, por ocasião do Número Festival 2005. (Continua...)"

53. THE YOUNG GODS @ AULA MAGNA
18 de Março de 2001
Por mais vezes que tivesse visto, até à altura (ou depois), o trio suíço, cada espectáculo, como foi o caso deste, continua a mexer não só nas memórias de adolescência, como a produzir emoções e frémitos bem presentes. E o estrondo na Aula Magna foi potente.

54. RADIOHEAD @ COLISEU DOS RECREIOS
22 de Julho de 2002
Esta era, arriscaria, a melhor fase dos Radiohead. Não estive no primeiro concerto deles por cá, porque nunca consegui perceber aqueles primeiros discos, mas pouco ou nada me faria perder a ocasião de os ver com esta nova atitude.

55. ESTILHAÇOS: ADOLFO LUXÚRIA CANIBAL + ANTÓNIO RAFAEL @ ZDB
21 de Janeiro de 2006
O line up é muito simples. O Rafael ocupa-se do piano e das programações enquanto o Adolfo lê excertos do seu livro "Estilhaços" (em apresentações posteriores, juntar-se-ia ao projecto o Henrique Fernandes no contrabaixo). Escrevi, então: "'Estilhaços', o espectáculo, é muito mais do que uma simples leitura de textos. O Adolfo, sentado, evita a declamação e entrega-se à performance dramática, a partir dos ambientes que já se liam nas entrelinhas dos seus textos. A escolha destes textos é variada, desde aqueles que foram escritos há quase trinta anos, como o frenético 'Braga, Meu Amor', durante a sua vida de estudante em Lisboa, como o diário de viagens entre o bairro dos Prazeres e a Graça patente em 'Orçamento Geral de Estado', ou outros, mais recentes, marcados por quotidianos parisienses, como no alegre 'O Tempo que Passa' ou no pungentemente triste 'A Filha Surda'. O Rafael, por sua vez, ajuda a sublinhar as dinâmicas do texto, com um piano que soa a neoclássico, como Wim Mertens a fazer música para Greenaway. Ficou muito acima de qualquer expectativa levada para esta minha primeira experiência com o 'Estilhaços' ao vivo."

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Bruce Springsteen, Liars e outros em tributo aos Suicide

Onde é que se consegue juntar um senhor respeitável como o Bruce Springsteen, a gente não menos respeitável como os Liars, os Spiritualized, os Grinderman, os Sunn O))) (com os Pan Sonic, imagine-se), os Primal Scream, a Lydia Lunch, o Julian Cope, entre outros? A resposta é: na colecção de EPs de tributo aos Suicide que a Blast First se prepara para lançar a partir do dia 28 de Julho, o 60º aniversário do Alan Vega, e não o 70º, como se afirma na notícia da pitchfork. Ver a notícia aqui.

quinta-feira, 29 de março de 2007

2007, ano de boa colheita?

Dizia-me ontem o Jorge da Carbono que esta estava a ser altura de grandes discos e que até nem se compreendia como se fazia sair tudo agora, de uma vez só, de como o público não terá capacidade para absorver tudo. Falávamos do disco de estreia dos Grinderman, do novo de LCD Soundsystem e do novo de Trans Am (e eu aproveito para acrescentar o novo de !!!). Qualquer um destes álbuns é um disco imenso, sem maus momentos. Trata-se de, enfim, discos à antiga, que são escutados com deleite do princípio ao fim.
Mas este ano tem mais discos assim, contrariando talvez a secura que se abateu sobre 2006. Ora veja-se o magnífico "Person Pitch" de Panda Bear, editado há semanas, por exemplo. Ou o novo e estrondoso álbum dos Young Gods, que se prepara para rebentar por aí dentro de pouco tempo. E ainda nem ouvi, por exemplo, os novos das Electrelane ou, num campo distinto, de Pan Sonic...
Haja carteira! (Ou largura de banda...)

domingo, 4 de março de 2007

E o que é que há de pior numa gripe?

Nem sequer ter vontade de ouvir música. Ainda por cima, a virose que por aí anda neste Inverno traz consigo umas dores de ouvidos quase permanentes e um tinittus pela manhã que faz lembrar as ressacas de concertos de Pan Sonic...
Hora de reabrir o tasco.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Pan Sonic na Zê!

É desta que o edifício da Segurança Social sito à Rua da Barroca vem abaixo. Os finlandeses Pan Sonic têm, pelo menos, uma data agendada para o regresso a Portugal. Vai ser no próximo dia 27 de Maio, na ZDB.
O cartaz de Maio da galeria tem mais aliciantes. Há, por exemplo, mais uma edição do festival Where's the Love, com destaque para a presença dos norte-americanos Chris Corsano, Axolotl, Skaters e Espers, entre outros nomes. O Where's the Love realiza-se entre os dias 18 e 20.
Já nesta próxima sexta-feira, vão lá novamente os Vicious Five, agora para apresentar o videoclip de "Bad Mirror". Diz o press da Loop que as paredes vão estar forradas com os frames do vídeo, pintados à mão, que os presentes poderão depois levar para casa como recordação. No dia seguinte, quem sobe ao palco é Baby Dee, figura excêntrica e transgénica -- ei, you Antony fans! -- que já por cá passou numa primeira parte dos Current 93 no teatro Ibérico. Depois de várias outras coisas (o melhor sempre é consultar a programação mensal da zdb), o mês encerra com mais um regresso: No-Neck Blues Band, a 29 de Maio.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2005

O balanço do Juramento #10

(DE VOLTA ÀS ESCOLHAS PESSOAIS)



ÁLBUNS DO ANO:

1. animal collective - sung tongs
2. clouddead - ten
3. pan sonic - kesto
4. tuxedomoon - cabin in the sky
5. liars - they were so wrong so we drowned
6. sonic youth - nurse
7. tortoise - it's all around you
8. marianne faithfull - before the poison
9. mão morta - nus
10. patti smith - trampin'
11. electrelane - power out
12. panda bear - young prayer
13. papa m - hole of burning alms
14. p.g. six - the well of memory
15. dat politics - go pets go
16. arcade fire - funeral
17. franz ferdinand - s/t
18. vibracathedral orchestra - double lp
19. mécanosphère - bailarina
20. iron & wine - our endlesse numbered days
21. david thomas & two pale boys - 18 monkeys on a dead man's chest
22. blockhead - music by cavelight
23. fennesz - venice
24. devendra banhart - rejoicing in the hands
25. ghost - hypnotic underworld

sábado, 6 de novembro de 2004

A dança das entranhas

Devastador. Depois das armas não convencionais, depois das armas químicas, teremos, um dia destes, alguém do outro lado do Atlântico a exigir que a Finlândia (*) entregue o seu arsenal de armamento sonoro, onde a mais destruidora peça de artilharia são os Pan Sonic, que ontem fizeram parada militar no Lux, por ocasião do Número Festival 2005. A sala começou por se ir esvaziando progressivamente até cerca de um terço da sua lotação, processo que coincidiu mais ou menos com os momentos em que os Pan Sonic estavam, se o adjectivo é permitido neste contexto, mais calmos, ou então, se quisermos, mais ambientais e menos rítmicos. Mas, depois, à medida que a música vinda da cabine onde habitualmente os DJs trabalham (foi a sorte dos Pan Sonic... terem tocado com o débil PA do palco, como estava previsto, seria inglório) começou a ganhar contornos mais violentos, mais opressores, mais pá-tenho-o-corpo-todo-a-tremer, o espaço foi enchendo.
A música do duo finlandês é uma viagem. Não daquelas viagens que um jornalista, quando não tem nada de mais interessante para dizer, gosta de colocar nas suas reportagens. Acha que fica poético, que evoca Corto Maltese ou Sinbad, o Marinheiro, mas não é de todo esse o caso dos Pan Sonic. A viagem a que me refiro é feita com os braços e pernas presos à parte de baixo de um comboio, e os dormentes de madeira passam muito mais rapidamente que as do genérico do "Europa", do Lars von Trier, mas não deixam por isso de ser igualmente hipnotizantes. E se há música para o espírito e outra para bater o pé, a dos Pan Sonic só pode ser para a dança das entranhas. De cada vez que Ilpo Väisänen rodava um potenciómetro de ruído, o pâncreas deslocava-se um centímetro e meio para o lado. Quando Mika Vainio puxava um ritmo grave, daqueles próximos do limite inferior das frequências escutáveis pelo ouvido humano, o estômago palpitava com mais paixão que o coração...
Foi, provavelmente, a melhor das três prestações que os Pan Sonic já fizeram no nosso país. Só assim, se pôde sair ontem da atribulada noite do Número (os atrasos do costume, os problemas técnicos do costume) com um largo sorriso na cara. É que as propostas anteriores (à excepção dos Bulllet, que não tive oportunidade de ver), foram todas elas demasiado fraquinhas.
Pan Sonic (9/10)
Mira Calix (como dj) (7/10)
Dani Sicilianno (5/10)
Juana Molina (5,5/10)

(*) Não vale a pena invadir a Finlândia, no entanto, caros senhores da guerra. Há anos que estes dois suspeitos não habitam aquela região.

sexta-feira, 22 de outubro de 2004

Os concertos do Número vão ser no Lux

Dia 5
JUANA MOLINA
BULLLET
MIRA CALIX
PAN SONIC
DANI SICILIANO
Dia 6
NICORETTE
ANN SHENTON
ULTIMATE ARCHITECTS
MICRO AUDIO WAVES
FUNKSTÖRUNG
SST
TREVOR JACKSON

Para consultar a programação alargada do Número, que decorre entre os dias 3 e 13 de Novembro, é favor consultar o site oficial. Isto é, se já foi actualizado.

quinta-feira, 14 de outubro de 2004

O Número 2004

Pan Sonic (que já não irão a Coimbra), Juana Molina, Mira Calix, Dani Siciliano, Trevor Jackson, Ann Shenton, Submarine, Factor Activo, 1-Uik Project, Nicorette, Bulllet, Ultimate Architects, etc.
De 3 a 13 de Novembro no CCB e no Forum Lisboa. A programação de concertos, acima avançada, decorrerá numa tenda montada no CCB, nos dias 5 e 6 de Novembro.

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Atmosferas

A Sic Notícias tem um novo programa dedicado à música electrónica, o Atmosferas. A certa altura do programa emitido neste último fim-de-semana, quando Natxo Checa, da ZDB, era entrevistado, foram passadas imagens de dois eventos integrados no Festival Atlântico que se realizou em... 1999 (?). Mas pior do que estar a mostrar imagens com cinco anos (outras houve, bem mais recentes, apesar de tudo), foi legendá-las como se tivessem acontecido na ZDB. O primeiro passava-se num cacilheiro, naquele mítico concerto de Felix Kubin -- o primeiro dele em Portugal -- durante a travessia do rio prévia ao espectáculo dos Pan Sonic em Cacilhas. O segundo dizia respeito à orquestra das Dot Matrix Printers que ocorreu no Espaço A Capital, no Bairro Alto... Esperemos que sejam meros pormenores com direito a atenção redobrada no futuro, até porque pelo que foi dado a ver, esquecendo estes atropelos ao rigor, o programa rege-se por padrões de exigência não muito comuns na televisão portuguesa. Quem mais se deslocaria à Guarda para obter de Victor Afonso (aliás Kubik) uma tão interessante entrevista como aquela que foi transmitida?

quarta-feira, 6 de outubro de 2004

Coimbra com Ellas

Ellas são Raquel Ralha (Belle Chase Hotel e Wray Gunn) e Sofia Lisboa (Silence 4) e interpretam versões de Peggy Lee, Eartha Kitt, Brigitte Bardot, Nancy Sinatra, Edith Piaf, Jane Birkin ou Rita Lee. As duas vocalistas vão ser as madrinhas, hoje, no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, da nova grelha da RUC e do novo formato do jornal académico A Cabra.

Ainda a respeito de Coimbra, fica aqui a nota de um espectáculo seguramente imperdível, daqui a um mês: Pan Sonic, dia 6 de Novembro, também no TAGV. (A data leva a especular que os lisboetas -- e não só -- poderão rever o duo num eventual regresso ao Número Festival.)

sexta-feira, 9 de julho de 2004

Pan Sonic, Kesto



Duzentos e trinta e quatro minutos, quarenta e oito segundos e quatro décimos de deleite em composição pura. Sujeito a uso de superlativos em abundância.

sábado, 17 de janeiro de 2004

Assim todos os dias e éramos mais felizes

Há quem esteja sempre a dizer que nunca acontece nada nesta cidade de Lisboa. Que vivemos numa pasmaceira, e o fado, e antigamente é que era, e o fado, e o rio, e o mar, e as obras, e o rio, e mais isto e mais aquilo e, ora bolas, nada acontece. É verdade. Mas nem sempre.
A cidade precisa de de ser usada. A cidade não pode ser apenas local para trabalhar e para dormir (ou apenas tão somente para trabalhar, no caso dos que vivem nos subúrbios). São por isso precisos sinais claros na implementação de novos usos da mesma. A música tem apresentado pretextos suficientes para ser um dos agentes da revolução. Destaque-se, por exemplo, três happenings -- e, acreditem, a palavra faz aqui todo o sentido -- que em menos de um ano introduziram novas pistas, novas ideias para a utilização de diferentes tipos de espaços urbanos. Primeiro, a festa da Experimenta Design no Restaurante Panorâmico em Monsanto. Segundo, ainda integrado na Experimenta, o ciclo de sessões de deejaying e concertos que aconteceram no Cinema S. Jorge. Terceiro, o concerto dos To Rococo Rot, esta noite, na estação Baixa-Chiado. Três exemplos de exploração de novos espaços, de invenção de novos usos, diferentes -- mas não incompatíveis -- dos tradicionais.
Uma escada rolante percorrida ao longo do concerto por centenas de pessoas que nada tinham a ver com aquele acontecimento e que provavelmente estariam a cumprir a sua rotina diária, neste caso de regresso a casa, é, convenhamos, uma experiência estranha. E certamente que mais estranho terá sido para estes espectadores fortuitos depararem-se com o som alto dos To Rococo Rot e a agitação da multidão que ali estava a ver e ouvi-los.
Convém também, já agora, falar dos -- ainda assim -- maiores protagonistas da noite. Durante quase duas horas, os To Rococo Rot mostraram à multidão, que enchia os lanços de escadas que se seguiam ao primeiro patamar da saída para o cimo da rua Garrett, o quão enganadoras tinham sido as palavras de Robert Lippok ao Fernando Magalhães, no Y desta sexta-feira. Quem esperou assistir a uma sessão de electrónica ambiental, rapidamente percebeu que não era exactamente isso que ali se estava a passar. Menos pós-rock e mais techno, até porque faltavam os instrumentos analógicos para reproduzir o mesmo tipo de envolvência com que nos brindaram há quatro anos, os To Rococo Rot cedo abandonaram as paisagens sonoras mais abstractas para se entregarem a compulsivas combinações rítmicas e harmónicas (e não só), construídas camada a camada (o grande ponto comum entre o techno e a maior parte do pós-rock). Podiam ficar ali até ao fecho da estação, que o público agradecia.
E eu agradeço, já agora, que coisas destas possam continuar a acontecer, para que a experiência produza resultados e a cidade continue a ser usada nas mais diferentes maneiras. Pan Sonic na Gare do Oriente, faz favor!