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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

No mê tempo...

Rock Rendez Vous, 25 anos depois. É sob este título que o mui estimável Nuno Galopim recorda aquele mítico espaço lisboeta numa das mais recentes postagens publicadas no sound+vision (sound--vision.blogspot.com), o blogue que comanda a meias com o João Lopes. É sempre bom manter a memória acesa nas boas e nas más circunstâncias, e estas são, efectivamente, boas recordações para o rock português. Porém, essa "mirada al pasado" corre sempre o risco de ser injusta se, em seu nome, nos esquecemos daquilo que nos rodeia actualmente. Passamos a viver daquilo que já foi, sem notarmos que aqui mesmo ao nosso lado, há algo que está a ser. É isso que pode acontecer quando dizemos, como faz o Nuno, que "Lisboa não tem há 15 anos um clube de rock activo e interventivo como aquele foi" ou quando não faz nenhuma referência a um espaço dos que existem, mas somente, e sem tirar o olhar do passado, aos que eram para ser, como o rockodrómo (a propósito, esse acabou por ser o Atlântico -- não é um sonho por cumprir) ou o abortado clube de rock no cinema São Jorge. Não há sequer uma referência, por mais baixo que fosse o rodapé, à ZDB ou ao Santiago Alquimista, por exemplo (ainda que este último esteja longe de se enquadrar no meu espírito de clube de rock que tento expor um pouco mais à frente).

Eu nunca meti os pés no Rock Rendez Vous, admito. Até aos 16 anos, não cheguei a ter autorização dos pais para ir a concertos que acabavam quando o sol começava a nascer. Claro que, ao longo de todos estes anos, os meus ouvidos passaram a destilar inveja de tanto testemunho que ouvi, de tanto concerto gravado que escutei quase religiosamente: Mão Morta, Bourbounese Qualk, Crise Total, Emílio e a Tribo do Rum, João Peste & O Acidoxibordel, Ku de Judas, N.A.M., Ocaso Épico, Pop Dell'Arte, Xutos & Pontapés...

Com a experiência do Johnny Guitar, do qual me tornei um cliente assíduo, comecei a formar opinião em relação ao que devia ser um clube de rock. Não são regras, mas antes um conjunto de características que tornam estes espaços únicos e, ao mesmo tempo, tão importantes no universo cultural e social em que se inserem. Não tenho dúvida que o essencial dessas características terá ajudado a fazer nascer o mito do RRV e que, por outro lado, foi a ausência destas na segunda metade dos anos 90 que terá deixado perceber o quanto se fazia notar o encerramento do Johnny Guitar.

Primeiro, deve ter regularidade de programação, para que acabe por ser um poiso habitual para quem gosta de ver música ao vivo.

Segundo, convém que haja alguma personalidade na programação. Não quer isto dizer que não possa ser ecléctico. Tem de o ser. Mas não sem algum rigor, na tentativa de juntar todos os tipos de públicos possíveis. E, a bem da verdade, a avaliar pelos testemunhos de então, o RRV nem observava particularmente este ponto. Tudo o que havia, lá ia parar. Diz-se também que os públicos de então eram menos exigentes...

Terceiro, e talvez a mais importante das características, pelo menos no que diz respeito aos efeitos que produz, deve promover o convívio entre os amantes da música, os músicos, os jornalistas, os editores, os promotores, etc. Quantas bandas não terão nascido à volta de alguns copos de cerveja no RRV ou no Johnny? Ou, se não quisermos ir tão longe, quantas bandas não nasceram depois de fulano ter conhecido cicrano nos encontros regulares num daqueles espaços para verem esta ou aquela banda tocar? E publicações? E contactos para edição?

Quarto, e não menos importante, note-se, deve ter condições para sobreviver comercialmente.

Continuar com o mesmo discurso saudosista que tínhamos na segunda metade dos anos 90 (e ainda por alguns anos deste novo século), com alguma razão de ser -- não havia nada! -- é como que passar ao lado da vitrina da ZDB, na rua da Atalaia, e preferir ignorar o que ali se passa. Tal como diz o Nuno em relação aos outros tempos, ali também há "entusiasmo". Ali também há uma "programação regular". Ali também há um "público fiel". Ali também se está a assistir ao nascimento de muitas e diversas cenas, começando pelas bandas e projectos que a partir dali se formam, porque as pessoas interessadas se cruzam naquele espaço com regularidade, naquela imagem de ponto de encontro do rock que tantas vezes é referido para lembrar o RRV. O serviço que aquele espaço presta, enquanto anfitrião de todas estas vontades e de todos estes entusiasmos, é também igualmente determinante para o Portugal musical, para usar a expressão exagerada do Nuno, dos tempos que correm.

Diz o Nuno que em 10 anos de RRV houve 1500 concertos. Em dois anos e pouco mais de "zdbmüsique" já quase mil bandas ou artistas a solo passaram pela ZDB. Ignorar isto é como ficar a olhar para o autocarro que passou, quando acaba justamente de chegar outro já com as portas escancaradas.

Projectos como os Dead Combo, os Loosers, os CAVEIRA, os Vicious Five, os Bypass ou o Legendary Tigerman, entre muitos outros, são tão relevantes (ou deviam ser) para os tempos actuais como os Mão Morta ou os Pop Dell'Arte foram para os anos 80. Olhe-se também para o número, impensável até há uns anos atrás, de projectos internacionais, oriundos das cenas alternativas mais alternativamente mediáticas do momento, se assim se pode dizer, que tem aparecido por lá. E sem ser uma programação elitista, no pior sentido da palavra, como o preconceito que começa a surgir por aí parece indicar: de cantautores a autênticos destruidores de palco, da electrónica fria ao calor da música africana, entre muitas outras alternativas, respira-se um grande ecletismo por ali, sem se cair em demasia na facilidade.

Será que é pela diferença na dimensão física dos espaços? O RRV estava quase sempre vazio, dizem uma vez mais os testemunhos, principalmente se se tratava de bandas portuguesas, como acontecia nos concursos. Se se trata de uma questão de tamanho, tenho conhecimento de pelo menos três projectos mais ou menos encaminhados, na Grande Lisboa, por mão de três entidades diferentes. Vamos a ver se têm "público fiel" para os manter...

Não leves a mal, Nuno, mas esses exercícios de nostalgia podem ter contra-indicações... (e vê se colocas comentários no blogue)

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Mais bandas portuguesas de outros tempos que podiam ser (re)editadas

Sendo a próxima edição das canções perdidas dos Émasfoi-se um momento importante do rock português, como se falava ontem, a ocasião faz também lembrar que há mais património perdido nos tempos, à espera de ser recuperado. Assim sendo, aqui vai uma escolha breve:

1. OCASO ÉPICO
Origem: Lisboa; Época: anos 80.

"Muito Obrigado", o único álbum dos Ocaso Épico, não reflectia de uma forma inteiramente fiel o reportório avant-pop que o grupo do falecido Farinha apresentava nos concertos, mas é, ainda assim, um objecto incontornável da chamada música moderna portuguesa.

2. CORPO DIPLOMÁTICO
Origem: Lisboa; Época: 1979-80.

Talvez a versão que os Mão Morta fizeram recentemente de "Kayatronic" recupere o interesse das pessoas num dos mais importantes projectos pós-punk cá da terra. Na transição entre os Faíscas e os Heróis do Mar, os Corpo Diplomático sobreviveram pouco tempo, mas deixaram um documento, o álbum "Música Moderna", que merece ser reeditado um dia destes.

3. LUCRETIA DIVINA
Origem: Viseu; Época: transição 80s/90s.

José Valor faleceu há alguns meses, Rini Luyks é visto habitualmente pelas ruas da baixa de Lisboa já sem o seu acordeão às costas e Alagoa desapareceu sem deixar rasto. Os três formaram um dos mais divertidos e empolgantes projectos que a MMP conheceu. As danças de tradição europeia com um cheirinho de folclore francês dado pelo acordeão de Luyks, ao que se juntava as programações minimais e tuxedomoonianas de Valor mais a postura dramatico-provocatória de Alagoa, ficaram retratadas num único CD, editado sob condições mais ou menos obscuras, por volta de 1993.

4. OS PUNKS
Origem: essencialmente Lisboa e arredores; Época: essencialmente finais dos anos 70.

Não será um facto conhecido e até pode surpreender muito boa gente, mas a verdade é que os estilhaços do punk demoraram muito pouco tempo a fazerem sentir-se em Portugal, ou melhor, pela zona de Lisboa. Em 1978, os Aqui d'El Rock davam o seu primeiro concerto. Mais ou menos pela mesma altura, outros projectos declaradamente punk surgiriam, como os Faíscas, os Minas & Armadilhas ou os UHF. Tocavam mal que doía e tinham letras de fugir, mas existiram e alguns deles continuaram ou deram origem a outros grupos com peso mediático nos dias de hoje. Não eram muitos, mas tinham uma legião de punks fiéis que passava os concertos a fazer pogo e a cuspir para o ar. Poucos anos depois, viria ainda a vaga do hardcore, com os Ku de Judas, N.A.M. ou Crise Total, entre outros. Poucos registos sonoros terão sobrado e fala-se destes grupos quase como um biólogo fala de expécies extintas há milhões de anos. Pode ser um trabalho difícil, mas justificava-se uma compilação que recuperasse o punk português.

Certamente que muitos outros projectos ficaram esquecidos no tempo. Este é apenas um esforço de memória superficial, porventura demasiado centralizado na cena lisboeta, como espero que se entenda. Se tiverem outras ideias, deixem-nas em comentário. Não deixarmos de falar das coisas já é darmos um passo valente no sentido de não nos esquecermos delas.

segunda-feira, 12 de abril de 2004

Compra do dia

"Muito Obrigado", dos Ocaso Épico.
Após algumas feiras de discos onde nas quais já se tornou hábito encontrar um raro exemplar em bom estado do "Muito Obrigado" ao preço de 50 euros (!), eis que dou hoje de caras, na Neon Records (aka A Loja do Chico) com outro exemplar, igualmente em bom estado, por apenas 15 euros... Já ganhei o dia.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2004

Como colar os seus rótulos

- Usar cola bâton, de preferência.
- Não deixar escorrer cola para o vinil porque danifica o disco.
- Deixar secar durante cinco minutos.
- Não lavar a mais de 60º.
(Não aceitamos reclamações)


Peguei há pouco no "Insurrectos", colectânea que em 1990 reuniu alguns dos grupos portugueses emergentes com mais potencial de então (Requiem pelos Vivos, Ocaso Épico, Nihil Aut Mors, Mão Morta, M'as Foice, More República Masónica, etc.) e veio parar-me às mãos uma pequena folha de papel onde estão dactilografadas estas advertências. Um autêntico mimo. Para quem não sabe ou não se lembra, a Área Total (editora da Guarda que editou este disco, bem como o "O.D., Rainha do Rock & Crawl", dos Mão Morta, que não guardam aliás boas recordações desta edição, tantos foram os problemas) não tinha grande capacidade financeira e logística, de maneira que fazia as coisas na base do mais puro amadorismo. O "Insurrectos", por exemplo, não traz os rótulos colados no centro do disco, como costuma acontecer sempre. Tinha que ser o comprador a fazê-lo. Mas havia necessidade de chamar esse mesmo comprador de estúpido ao avisá-lo para não deixar cair cola em cima do vinil? E quem é que lava discos em água a mais de 60º??