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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Hoje é dia de nos metermos nos assuntos dos blues
Já andam aí há alguns anos. Ensinaram-nos que os blues, nos tons mais fiéis ao género original, podem ser interpretados e ouvidos por malta nova. Agora convidam-nos a provar, a quem ainda disso precise, que um disco desta velha coisa do delta do Mississipi pode ocupar com a mesma galhardia o espaço da estante lá em casa.
Chamam-se Nobody's Bizness, contam com a voz de Petra e de Catman (que também pega na harmónica e se senta em frente ao piano, quando é caso disso), as guitarras, o banjo e dobro dos irmãos Luís e Pedro Ferreira, o baixo de Luís Oliveira e a bateria de Isaac Achega. Acabaram de lançar "It's Everybody's Bizness", álbum de estreia produzido a meias entre os próprios e Paulo Miranda, onde reúnem temas clássicos do género e ainda um punhado de originais.
Hoje dá-se o lançamento oficial do disco, com concerto no Maxime, a partir das 23h. Metamo-nos nesse tal assunto dos blues.
(Até lá, aproveitem para ler este belo press release escrito pelo António Pires.)
Alinhamento do disco:
1 - I want a little boy (Murray Mercher/Billy Moll)
2 - Don't go no further (Willie Dixon)
3 - Time waster (Nobody's Bizness)
4 - When monday comes (Nobody's Bizness) *
5 - Nobody (no guidance song) (Nobody's Bizness)
6 - This pain in my heart (Willie Dixon)
7 - When the lights go out (Willie Dixon)
8 - Roll mamma (Nobody's Bizness)
9 - Blues for the month of june (João MacDonald/Nobody's Bizness)
10 - The blues don't care (Gwill Owen/Charles Olney)
11 - Black, brown & white (William Broonzy)
12 - Show's up! (Nobody's Bizness)
* Com Francisco Silva (Old Jerusalem) e Ana Figueiras (Unplayable Sofa Guitar) nos coros.
Chamam-se Nobody's Bizness, contam com a voz de Petra e de Catman (que também pega na harmónica e se senta em frente ao piano, quando é caso disso), as guitarras, o banjo e dobro dos irmãos Luís e Pedro Ferreira, o baixo de Luís Oliveira e a bateria de Isaac Achega. Acabaram de lançar "It's Everybody's Bizness", álbum de estreia produzido a meias entre os próprios e Paulo Miranda, onde reúnem temas clássicos do género e ainda um punhado de originais.
Hoje dá-se o lançamento oficial do disco, com concerto no Maxime, a partir das 23h. Metamo-nos nesse tal assunto dos blues.
(Até lá, aproveitem para ler este belo press release escrito pelo António Pires.)
A História dos blues está feita de encruzilhadas. A lendária encruzilhada na quinta Dockery onde Robert Johnson terá vendido a alma ao diabo em troca de se tornar o melhor guitarrista de sempre. A escolha que foi apresentada pelo destino a T-Bone Walker, John Lee Hooker, B.B. King ou Muddy Waters: continuo a tocar guitarra acústica ou passo para a eléctrica e a minha música chega assim a mais pessoas (e, quem sabe, até mudo o futuro de toda a música popular)? A decisão de vida que Ali Farka Touré teve que tomar: serei para sempre taxista ou mecânico de automóveis ou tenho como missão vir a ser músico profissional e lançar as pontes definitivas entre os blues e a música da África Ocidental? Ou a encruzilhada que Eric Clapton encontrou quando percebeu que a sua vida não podia continuar dependente do álcool e das drogas duras: deixo esta merda ou serei para sempre conhecido como "o drogado que deixou o filho cair da janela e morrer"?
Ao fim de alguns anos a cantar e a tocar as canções dos bluesmen que mais amam e admiram, as questões que os Nobody's Bizness encontraram na sua encruzilhada pessoal não foram tão dramáticas nem tão românticas ou bizarras quanto estas, mas foram, mesmo assim, difíceis de resolver: continuaremos para sempre a fazer versões ou vamos em frente, pomos a cabeça no cepo e mostramos o que valemos também enquanto autores? E foi isso mesmo que fizeram. Ou, pelo menos, a cinquenta por cento. Depois de, em 2005, terem editado um álbum ao vivo gravado na Capela da Misericórdia, em Sines, onde interpretavam temas de Robert Johnson, Willie Dixon ou Lonnie Chatmon, os Nobody's Bizness têm agora um álbum em que seis das doze canções têm assinatura do grupo (com a preciosa ajuda de João MacDonald nas letras de uma delas). E saíram-se brilhantemente da tarefa! Nos seus originais estão toda a paixão e ensinamentos que sempre retiraram dos blues, mas também o amor que têm pela country, pelo bluegrass, pela folk norte-americana (ou por um eventual eixo canadiano que une Leonard Cohen, Neil Young e Joni Mitchell), pelo jazz e por uma visão aberta das músicas do mundo. E, ao lado de várias versões de Willie Dixon (ainda e sempre) ou William Broonzy, aqui estão meia dúzia de originais que põem desde já os Nobody's Bizness num elevadíssimo patamar criativo.
Uma outra encruzilhada, digamos paralela (se é que se pode falar de paralelas quando também se fala de encruzilhadas - mas essa é uma boa questão para os geómetros resolverem), que os Nobody's Bizness encontraram foi a opção de gravar, ou não, em estúdio. Tendo o palco como território natural para a sua música, como é que o brilho da voz de Petra, a magia da harmónica e a profundidade de voz de Catman, as finíssimas filigranas das guitarras e banjos dos irmãos Ferreira e os tapetes voadores de Luís Oliveira e Isaac Achega poderiam ser recriados - porque é de recriar que aqui se trata - em estúdio? A questão era complicada mas resolveu-se de forma fácil: tendo como aliado Paulo Miranda, que com os Nobody's Bizness co-produziu o disco no seu AMP Studio, em Viana do Castelo, o grupo lisboeta rapidamente descobriu no estúdio minhoto uma extensão da sua sala de ensaios onde todos se sentiram confortáveis e a sua música pôde fluir livremente. E, se o primeiro álbum circulou por um grupo restrito de fãs fiéis e habituais, os Nobody's Bizness são agora everybody's bizness, para ouvir de ouvidos limpos e alma aberta.
António Pires
Outubro de 2010
Alinhamento do disco:
1 - I want a little boy (Murray Mercher/Billy Moll)
2 - Don't go no further (Willie Dixon)
3 - Time waster (Nobody's Bizness)
4 - When monday comes (Nobody's Bizness) *
5 - Nobody (no guidance song) (Nobody's Bizness)
6 - This pain in my heart (Willie Dixon)
7 - When the lights go out (Willie Dixon)
8 - Roll mamma (Nobody's Bizness)
9 - Blues for the month of june (João MacDonald/Nobody's Bizness)
10 - The blues don't care (Gwill Owen/Charles Olney)
11 - Black, brown & white (William Broonzy)
12 - Show's up! (Nobody's Bizness)
* Com Francisco Silva (Old Jerusalem) e Ana Figueiras (Unplayable Sofa Guitar) nos coros.
terça-feira, 23 de março de 2010
Música para o povo
Hoje há OqueStrada no Incrível Club, em Almada, a partir das 22h (entrada por reserva através do Facebook). Depois há cheirinho de Bailarico Sofisticado em modo "sala d'Star".
Amanhã há Nobody's Bizness no MusicBox, a partir das 23h (entrada a seis euros, com direito a consumo no valor de dois euros).Antes e depois, o tipo que escreve isto vai estar a passar alguns discos para abanarem esses rabos ou timidamente baterem o pé. (Actualização: por motivos profissionais supervenientes, o tipo que escreve isto vai estar a milhares de quilómetros daqui e vai ter que falhar vergonhosamente o compromisso assumido com a boa gente dos Nobody's Bizness.)
Amanhã há Nobody's Bizness no MusicBox, a partir das 23h (entrada a seis euros, com direito a consumo no valor de dois euros).
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
O arranque do ano ao vivo
Para aquecer o corpo e a alma nestes dias de frio polar, nada melhor que... concertos. Entre os décibeis (ou não), a agitação física (ou não) ou o prazer de uma companhia (ou não), algo haverá para nos salvar de morrermos congelados (ou não). Já hoje, vindos directamente do Mississipi que lhes corre nas veias, a Nobody's Bizness regressa às Catacumbas, no Bairro Alto. Entrada livre, claro, e concerto a começar às 23h. Amanhã, directamente do Iucatão que lhes pesa no fígado, os Los Santeros comemoram dez anos desde que vieram desaguar na costa barreirense, quando pensavam que estavam a ver Miami. É no Alburrica Bar, no Barreiro, a partir das 23h. Por Lisboa, atenção na ZDB para b fachada, curioso projecto acústico (provavelmente o único realmente importante proveniente da cena baptista), entretanto documentado pelo realizador Tiago Pereira em "b fachada - Tradição Oral Contemporânea", filme que irá ser estreado amanhã, antes do concerto. É uma sexta-feira com Lisboa a acolher bastantes nomes portugueses: JP Simões com Sérgio Costa no MusicBox, Carlos Barretto no Hot Club, Rocky Marsiano no Lounge (toca no dia seguinte no MusicBox), Feromona no Maxime... Pelo Porto, o grande destaque, grande mesmo, vai para o espectáculo de Jandek, no sábado, na Fundação de Serralves. Depois do concerto de Glasgow, em 2004, tem vindo a participar em mais espectáculos ao vivo, ainda que de forma muito esparsa e tímida, pelo que esta oportunidade oferecida pela Fundação de Serralves e pela Filho Único se reveste de toda a importância. É o primeiro grande destaque deste 09.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Recordações da Póvoa
A segunda edição do Músicas do Mar, que este fim-de-semana aconteceu na Póvoa de Varzim, apresentou espectáculos óptimos, como os de Dengue Fever ou do colectivo de afrobeat liderado por Dele Sosimi. Foi melhor que no ano passado, seguramente. Para isso também ajudou que o público acorresse em maior número -- a Póvoa estava, desta vez, com bastante mais veraneantes que em altura semelhante do ano passado. Ainda assim, como lembrava a peça de ontem do Público, o Músicas do Mar ainda não consegue captar o seu público, o que constitui um factor crítico para a continuação do projecto. Não foi à segunda edição que o Músicas do Mar deixou de ser um evento para o público ocasional, o que não sendo grave -- é sempre agradável ver o interesse e até a alegria com que as pessoas que aparecem por acaso seguem espectáculos que lhes soam tão diferentes --, demonstra que ainda não constitui um pólo de atracção e de divulgação do próprio nome da cidade no país, como desejará a autarquia poveira, organizadora do evento. Ainda assim, e pelo que se ia ouvindo, a edição de 2009 parece estar assegurada.
Alguns destaques:
O rock'n'roll exótico dos Dengue Fever. Não tendo o primor técnico e a concentração dos restantes camaradas de cartaz, os músicos californianos que acompanham a vocalista Chhom Nimol, que é natural do Cambodja e canta em khmer, foram a proposta mais interessante e mais curiosa do festival. O encontro entre o rock de garagem psicadélico dos anos 60 e a pop cambodjana da mesma época remeteram o espectáculo para a categoria das bandas sonoras exóticas de filmes de acção de série B e só por distracção é que Quentin Tarantino ainda não os usou numa banda sonora, certamente.
O groove branco da Dele Sosimi Afrobeat Orchestra. Na quinta-feira, o espectáculo do nigeriano Dele Sosimi, antigo músico de Fela Kuti -- a sua carreira começou precisamente nos Egypt 80 -- serviu como uma bela resposta para aqueles que, ainda hoje, insistem em racializar a música, dando-lhe cores. Numa banda constituída quase em exclusivo por brancos europeus -- é o próprio Sosimi que diz que pretende mostrar a todos que o afrobeat pode ser tocado por uma orquestra composta por gente proveniente das mais diversas etnias espalhadas pelo mundo -- o funk de Lagos teve todo o groove que se exige. Fez dançar, fez entrar em transe, evocou de forma sublime o ícone Fela Kuti com o tema "Zombie"... Foi perfeito.
A folia dos Farra Fanfarra. No sábado à tarde, o largo que encabeça a rua da Junqueira encheu de público para assistirem à animação de rua dos Farra Fanfarra. E que animação. Entre portugueses, italianos e músicos de outras nacionalidades, a trupe dos Farra Fanfarra, cerca de duas dezenas de músicos, essencialmente metais, animou os locais com clássicos do ska, da música balcânica, da música ligeira dos anos 50, da música de intervenção italiana, etc. As atenções recaem principalmente sobre o mestre de cerimónias da fanfarra, o italiano Stefano, que salta e rebola, cospe e engole fogo, atira-se para cima de vidros, mete-se com o público... Uma farra permanente. O grupo, ou parte dele, foi ainda protagonista de um episódio que não resisto a relatar. Alguns minutos depois da actuação, já à entrada do hotel, permaneciam cinco ou seis músicos a trocarem impressões. Surge então um avô volumoso, com o seu neto de três ou quatro anos, que trazia um tambor a tiracolo. "Já acabou?", pergunta o avô, na mais cerrada das pronúncias nortenhas. "Então isto é que são horas de aparecer?", respondem-lhe os músicos. "Adormeci, caralho!", lamenta-se, fazendo depois uma pausa para rematar com um... "Toca aí qualquer coisa para o miúdo, caralho!" (assim lido soa agressivo, mas isto foi dito na maior naturalidade e simpatia de um homem do Norte, o que torna este episódio paradigmático na ilustração de um festival na Póvoa). E um dos trompetistas toca o "Atirei o Pau ao Gato", acompanhado pelo miúdo ao tambor.
(Foram muito bons os Farra Fanfarra, mas não perdoo o facto de terem roubado o público ao Bailarico Sofisticado na última noite, quando se puseram a tocar na rua e... a pedir dinheiro ao público que saía dos Hoba Hoba Spirit. Para a próxima, sou eu que saboto uma animação de rua da Farra... :>)
E mais? O auditório do Diana Bar sobrelotou de gente de todas as idades e de muito entusiasmo para o blues dos Nobody's Bizness, na quinta-feira, e do novo fado gingão dos Deolinda, no dia seguinte. A vez do pianista neo-zelandês Aron Ottignon já não terá corrido tão bem assim, já que à mesma hora havia futebol e as ruas da cidade eram a completa antítese das restantes noites. Os marroquinos Hoba Hoba Spirit, com um rock muito próximo dos Mano Negra e talvez ainda mais do próprio Manu Chao, mostraram que o seu país já é muito diferente do que ainda somos levados a crer por vezes. Antes, a italiana Rosapaeda trouxe as suas tradições locais revestidas pelo jazz e pelo rock de carácter mainstream, à semelhança de inúmeros outros projectos provenientes do mesmo país. Em relação ao Bailarico Sofisticado, houve uma primeira noite com público, mas também com demasiados problemas técnicos, muitos pregos e, pela primeira e única vez no festival, a chuva. Na segunda noite, não houve nada disto, só faltou o público.
Alguns destaques:
O rock'n'roll exótico dos Dengue Fever. Não tendo o primor técnico e a concentração dos restantes camaradas de cartaz, os músicos californianos que acompanham a vocalista Chhom Nimol, que é natural do Cambodja e canta em khmer, foram a proposta mais interessante e mais curiosa do festival. O encontro entre o rock de garagem psicadélico dos anos 60 e a pop cambodjana da mesma época remeteram o espectáculo para a categoria das bandas sonoras exóticas de filmes de acção de série B e só por distracção é que Quentin Tarantino ainda não os usou numa banda sonora, certamente.
O groove branco da Dele Sosimi Afrobeat Orchestra. Na quinta-feira, o espectáculo do nigeriano Dele Sosimi, antigo músico de Fela Kuti -- a sua carreira começou precisamente nos Egypt 80 -- serviu como uma bela resposta para aqueles que, ainda hoje, insistem em racializar a música, dando-lhe cores. Numa banda constituída quase em exclusivo por brancos europeus -- é o próprio Sosimi que diz que pretende mostrar a todos que o afrobeat pode ser tocado por uma orquestra composta por gente proveniente das mais diversas etnias espalhadas pelo mundo -- o funk de Lagos teve todo o groove que se exige. Fez dançar, fez entrar em transe, evocou de forma sublime o ícone Fela Kuti com o tema "Zombie"... Foi perfeito.
A folia dos Farra Fanfarra. No sábado à tarde, o largo que encabeça a rua da Junqueira encheu de público para assistirem à animação de rua dos Farra Fanfarra. E que animação. Entre portugueses, italianos e músicos de outras nacionalidades, a trupe dos Farra Fanfarra, cerca de duas dezenas de músicos, essencialmente metais, animou os locais com clássicos do ska, da música balcânica, da música ligeira dos anos 50, da música de intervenção italiana, etc. As atenções recaem principalmente sobre o mestre de cerimónias da fanfarra, o italiano Stefano, que salta e rebola, cospe e engole fogo, atira-se para cima de vidros, mete-se com o público... Uma farra permanente. O grupo, ou parte dele, foi ainda protagonista de um episódio que não resisto a relatar. Alguns minutos depois da actuação, já à entrada do hotel, permaneciam cinco ou seis músicos a trocarem impressões. Surge então um avô volumoso, com o seu neto de três ou quatro anos, que trazia um tambor a tiracolo. "Já acabou?", pergunta o avô, na mais cerrada das pronúncias nortenhas. "Então isto é que são horas de aparecer?", respondem-lhe os músicos. "Adormeci, caralho!", lamenta-se, fazendo depois uma pausa para rematar com um... "Toca aí qualquer coisa para o miúdo, caralho!" (assim lido soa agressivo, mas isto foi dito na maior naturalidade e simpatia de um homem do Norte, o que torna este episódio paradigmático na ilustração de um festival na Póvoa). E um dos trompetistas toca o "Atirei o Pau ao Gato", acompanhado pelo miúdo ao tambor.
(Foram muito bons os Farra Fanfarra, mas não perdoo o facto de terem roubado o público ao Bailarico Sofisticado na última noite, quando se puseram a tocar na rua e... a pedir dinheiro ao público que saía dos Hoba Hoba Spirit. Para a próxima, sou eu que saboto uma animação de rua da Farra... :>)
E mais? O auditório do Diana Bar sobrelotou de gente de todas as idades e de muito entusiasmo para o blues dos Nobody's Bizness, na quinta-feira, e do novo fado gingão dos Deolinda, no dia seguinte. A vez do pianista neo-zelandês Aron Ottignon já não terá corrido tão bem assim, já que à mesma hora havia futebol e as ruas da cidade eram a completa antítese das restantes noites. Os marroquinos Hoba Hoba Spirit, com um rock muito próximo dos Mano Negra e talvez ainda mais do próprio Manu Chao, mostraram que o seu país já é muito diferente do que ainda somos levados a crer por vezes. Antes, a italiana Rosapaeda trouxe as suas tradições locais revestidas pelo jazz e pelo rock de carácter mainstream, à semelhança de inúmeros outros projectos provenientes do mesmo país. Em relação ao Bailarico Sofisticado, houve uma primeira noite com público, mas também com demasiados problemas técnicos, muitos pregos e, pela primeira e única vez no festival, a chuva. Na segunda noite, não houve nada disto, só faltou o público.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Músicas do Mar - a segunda edição
Dia 28 (quinta-feira)
Serra-lhe Aí!!! & Ivan Costa (Rias Baixas - Galiza) - ruas da cidade, 18h
Nobody's Bizness (Lisboa - Portugal) - Diana Bar, 21h
Dele Sosimi Afrobeat Orchestra (Lagos - Nigéria; Reino Unido), Passeio Alegre, 22h
Dia 29 (sexta-feira)
Serra-lhe Aí!!! & Ivan Costa (Rias Baixas - Galiza) - ruas da cidade, 18h
Deolinda (Lisboa - Portugal) - Diana Bar, 21h
Dengue Fever (Los Angeles - EUA; Cambodja) - Passeio Alegre, 22h
Alamaailman Vasarat (Helsínquia - Finlândia) - Passeio Alegre, 23h15
Bailarico Sofisticado (Lisboa - Portugal) - Auditório ao ar livre do Passeio Alegre, 00h30
Dia 30 (sábado)
Farra Fanfarra (Lisboa - Portugal; Itália, França) - ruas da cidade, 18h
Aron Ottignon (Wellington – Nova Zelândia) - Diana Bar, 21h
Rosapaeda (Bari - Itália) - Passeio Alegre, 22h
Hoba Hoba Spirit (Casablanca - Marrocos) - Passeio Alegre, 23h15
Bailarico Sofisticado (Lisboa - Portugal) - Auditório ao ar livre do Passeio Alegre, 00h30
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Seu boiadeiro, por ali choveu
Foram dois dias de arromba os que se viveram por Viseu neste último fim-de-semana. As condições metereológicas adversas, ainda que não tenha chovido na sexta-feira, obrigaram a que os espectáculos se centrassem quase todos no pequeno teatro Viriato, impedindo que a festa chegasse a um número mais alargado de pessoas e em espaços mais dignos para o que ali se pôde ouvir. Tirando algumas falhas da organização, tirando o excesso de rigor (para não dizer palermice) de um ou dois funcionários dos corredores do teatro, este fim-de-semana de arromba serviu de óptimo augúrio para futuras edições deste festival.
Podia não haver muitos nomes em cartaz -- afinal de contas, este foi o número zero, como dizia a organização -- mas houve seguramente um alto concentrado de qualidade. A começar logo pelo concerto de sexta-feira do Cordel do Fogo Encantado. Depois da apresentação no castelo de Sines, no ano passado, o Cordel mostrava-se agora com novo álbum perante uma plateia de umas poucas centenas de pessoas (não dava para mais). Espectáculo íntimo, portanto. E avassalador. Durante pouco mais de hora e meia as (muitas) percussões do grupo estiveram em constante diálogo com a estrutura do renovado Teatro Viriato. E o público sentado ali, no meio, a assistir aos argumentos. Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível. Para o resto da noite ainda houve a sessão Mais Valor, com a velha guarda de Viseu a homenagear o falecido José Valor (Bastardos do Cardeal, Lucretia Divina, Centro de Pesquisas Ruído Branco, Major Alvega, etc.) no foyer do teatro, e a dupla lisboeta Dezperados, pela noite fora na discoteca NB.
No sábado, veio a chuva, mas a festa continuou. Logo com os impagáveis Anonomina Nuvolari, que, sem qualquer amplificação, semearam a boa disposição no teatrinho do Clube de Viseu, um antigo (e belíssimo) salão aristocrático daquela cidade, com o seu reportório de música italiana ligeira em formato festarola. Irrequietos como sempre, e em total contraste com a plateia de todas as idades que se sentava nas cadeiras de madeira do salão, os italianos tocaram em cima do palco, à frente do mesmo, atrás das cadeiras, à volta do público, por entre o público, pelas outras salas, enfim. E tão bom que foi ouvir o "Bella Ciao" na capital do Cavaquistão... Mais perto da hora de jantar, os lisboetas Nobody's Bizness apresentaram no palco do teatro a sua versão dos blues acústicos norte-americanos. A voz da Petra e a guitarra do Luís estão cada vez melhores (e juro que não me pagam para dizer isto, embora não tenha nenhum problema se o quiserem passar a fazer, ok?). Para a noite, mais de duas dezenas de pessoas em palco, com o colectivo Mountain Tale, que agrupava as vozes penetrantes das mulheres búlgaras do grupo Angelité, os sempre surpreendentes cantos guturais e instrumentos rudimentares dos Huun-Huur-Tur, da república de Tuva, e os maestros de toda esta gente, o grupo de jazz experimental Moscow Art Trio. Se alguém tem dúvidas de que isto se possa combinar de forma eficiente, é porque não esteve no Teatro Viriato. É de se sair com o coração nas mãos. A noite continuou depois com os badamecos do Bailarico Sofisticado até às quatro e tal da manhã, no foyer do teatro, sem baixas, sem mortes, a não ser a do sistema de som que saiu dali bastante maltratado (caso para fazer uma piadola apropriada: deu "barraca o som sistema"). Um dia destes, deixo aqui fotografias deste fim-de-semana.
Podia não haver muitos nomes em cartaz -- afinal de contas, este foi o número zero, como dizia a organização -- mas houve seguramente um alto concentrado de qualidade. A começar logo pelo concerto de sexta-feira do Cordel do Fogo Encantado. Depois da apresentação no castelo de Sines, no ano passado, o Cordel mostrava-se agora com novo álbum perante uma plateia de umas poucas centenas de pessoas (não dava para mais). Espectáculo íntimo, portanto. E avassalador. Durante pouco mais de hora e meia as (muitas) percussões do grupo estiveram em constante diálogo com a estrutura do renovado Teatro Viriato. E o público sentado ali, no meio, a assistir aos argumentos. Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível. Para o resto da noite ainda houve a sessão Mais Valor, com a velha guarda de Viseu a homenagear o falecido José Valor (Bastardos do Cardeal, Lucretia Divina, Centro de Pesquisas Ruído Branco, Major Alvega, etc.) no foyer do teatro, e a dupla lisboeta Dezperados, pela noite fora na discoteca NB.
No sábado, veio a chuva, mas a festa continuou. Logo com os impagáveis Anonomina Nuvolari, que, sem qualquer amplificação, semearam a boa disposição no teatrinho do Clube de Viseu, um antigo (e belíssimo) salão aristocrático daquela cidade, com o seu reportório de música italiana ligeira em formato festarola. Irrequietos como sempre, e em total contraste com a plateia de todas as idades que se sentava nas cadeiras de madeira do salão, os italianos tocaram em cima do palco, à frente do mesmo, atrás das cadeiras, à volta do público, por entre o público, pelas outras salas, enfim. E tão bom que foi ouvir o "Bella Ciao" na capital do Cavaquistão... Mais perto da hora de jantar, os lisboetas Nobody's Bizness apresentaram no palco do teatro a sua versão dos blues acústicos norte-americanos. A voz da Petra e a guitarra do Luís estão cada vez melhores (e juro que não me pagam para dizer isto, embora não tenha nenhum problema se o quiserem passar a fazer, ok?). Para a noite, mais de duas dezenas de pessoas em palco, com o colectivo Mountain Tale, que agrupava as vozes penetrantes das mulheres búlgaras do grupo Angelité, os sempre surpreendentes cantos guturais e instrumentos rudimentares dos Huun-Huur-Tur, da república de Tuva, e os maestros de toda esta gente, o grupo de jazz experimental Moscow Art Trio. Se alguém tem dúvidas de que isto se possa combinar de forma eficiente, é porque não esteve no Teatro Viriato. É de se sair com o coração nas mãos. A noite continuou depois com os badamecos do Bailarico Sofisticado até às quatro e tal da manhã, no foyer do teatro, sem baixas, sem mortes, a não ser a do sistema de som que saiu dali bastante maltratado (caso para fazer uma piadola apropriada: deu "barraca o som sistema"). Um dia destes, deixo aqui fotografias deste fim-de-semana.
sexta-feira, 30 de junho de 2006
Novas formas de classificação
Há que acabar com o sistema dos números (5/10, 7/10, por ex.). Está visto demais. Ontem, a minha camarada SA falava da Petra dos Nobody's Bizness, durante mais um concerto nas catacumbas, como tendo uma "voz mete-nojo". Percebe-se, evidentemente, que a SA também canta, mas não é de todo descabido que qualquer um possa adoptar um sistema a partir desta dica genial. Dir-se-ia, por exemplo, que o disco X é mete-nojo. Já o disco Y, que é melhor que o disco X, seria o mete-muito-nojo. A trampa do ano, o disco Z, seria simplesmente nojo. Com duas ou três palavras constrói-se um sistema ideofónico perfeito.
Já no Incógnito, tive oportunidade de ensaiar outro sistema de classificação que vou passar a adoptar daqui para diante em relação aos giradisquistas. O Hugo Moutinho aka Mr. Mitsuhirato, que ontem estava a passar discos, é "um giradisquista que passa o Sex Beat dos Gun Club" (tradução: é um bom giradisquista, um 8/10, por ex.). Mas tenho a certeza de que se ficasse até ao fim da noite, ainda teria oportunidade de o classificar como "giradisquista que passa o Sex Beat dos Gun Club e o Teenage Kicks dos Undertones" (o que é um patamar ainda superior)...
Já no Incógnito, tive oportunidade de ensaiar outro sistema de classificação que vou passar a adoptar daqui para diante em relação aos giradisquistas. O Hugo Moutinho aka Mr. Mitsuhirato, que ontem estava a passar discos, é "um giradisquista que passa o Sex Beat dos Gun Club" (tradução: é um bom giradisquista, um 8/10, por ex.). Mas tenho a certeza de que se ficasse até ao fim da noite, ainda teria oportunidade de o classificar como "giradisquista que passa o Sex Beat dos Gun Club e o Teenage Kicks dos Undertones" (o que é um patamar ainda superior)...
segunda-feira, 15 de maio de 2006
Por falar no blues da Petra e do Manel...
Para ouvir enquanto não chega o álbum, especialmente por quem não conhece as noites das catacumbas:
Nobody's Bizness ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines, em 2005
(edição you are not stealing records, 2006 - yansr #16)
Nobody's Bizness ao vivo na Capela da Misericórdia de Sines, em 2005
(edição you are not stealing records, 2006 - yansr #16)
sexta-feira, 9 de janeiro de 2004
Catacumbas: que diabo de festa!
De uma só vez dois aniversários. Há quarenta e dois anos, salvo erro, nascia no Bairro Alto o Café Malita (espero não me enganar no nome, pois este era-me desconhecido até ontem), hoje mais conhecido por Catacumbas. Há quarenta anos, nascia também o Manuel Pais, o carismático empregado de mesa, animador musical e filho do dono do espaço. A festa, por isso, prometia. O Manel tem, como os habituais frequentadores das Catacumbas sabem, duas bandas, os Mojo Hand e os Nobody's Bizness, com que desde há alguns anos tem vindo a animar as noites, principalmente as de quinta-feira, as quais figuram já no calendário do Bairro como noites sagradas para se sentir do melhor jazz e do melhor blues ao vivo. Se já estas ocasiões regulares são por si só garantia de noites bem passadas, a noite de ontem superou tudo o que se possa pensar acerca do que é efectivamente considerado "uma noite bem passada". Catacumbas a abarrotar como nunca se viu, cerveja a rodos a encher as mesas e, principalmente, a música ao vivo, que foi muito além das duas bandas, com os músicos habituais da casa a aparecerem para jam sessions de encher o ouvido. Até o pianista grego desaparecido marcou presença para emocionar a alma de todos com as suas prodigiosas mãos. Até freestylin' hip hop houve!
Obrigado Catacumbas, obrigado Manel, obrigado Petra, obrigado a todos por esta incrível noite.
Obrigado Catacumbas, obrigado Manel, obrigado Petra, obrigado a todos por esta incrível noite.
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