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domingo, 29 de junho de 2014

Coisas que se encontram quando se vai tirar o pó ao baú ou, antes, dar uma espreitadela aos backups

Dedicado aos velhos camaradas da Musicnet:


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Tal como prometido, aqui estão as listas dos melhores concertos de 2001 para alguns dos elementos que compõem a redacção da Musicnet. Como se pode verificar, as opiniões divergem de tal forma que dificilmente se chega a um consenso. Esse a existir, andará pelos concertos de Flaming Lips no Festival Sudoeste, Sigur Rós no CCB e Mercury Rev no Paradise Garage. Mas vejamos então aqueles que foram os nossos concertos preferidos em 2001:

ANA APOLINÁRIO

1. FLAMING LIPS - Festival Sudoeste
5 de Agosto [ver reportagem]
2. PLACEBO - Lisboa, Coliseu dos Recreios
25 de Março [ver reportagem]
3. DREADZONE - Festival Sudoeste
4 de Agosto [ver reportagem]
4. STEREO MC'S - Festival Sudoeste
3 de Agosto [ver reportagem]
5. BENJAMIN DIAMOND - Lisboa, Paradise Garage
23 de Março [ver reportagem]
6. CAETANO VELOSO - Lisboa, Coliseu dos Recreios
9 de Outubro [ver reportagem]
7. ASH - Festival Sudoeste
4 de Agosto [ver reportagem]
8. DEFTONES - Lisboa, Coliseu dos Recreios
26 de Fevereiro [ver reportagem]
9. AIR - Lisboa, Coliseu dos Recreios
14 de Novembro [ver reportagem]
10. COUSTEAU - Lisboa, Paradise Garage
14 de Novembro [ver reportagem]


EDUARDO SARDINHA

1. NEIL YOUNG - Vilar de Mouros
8 de Novembro [ver reportagem]
2. THE YOUNG GODS - Gaia, Hard Club
16 de Março [ver reportagem]
3. MACEO PARKER - Porto, Jardins do Palácio de Cristal
4 de Agosto [ver reportagem do Porto]
4. BRIAN ENO - Porto, Coliseu
16 de Junho [ver reportagem]
5. MUZSIKÁS C/ ALEXANDER BALANESCU - Porto, Coliseu (Noites Celtas)
6 de Abril [ver reportagem]
6. SOFA SURFERS - Porto, Sá da Bandeira
22 de Junho [ver reportagem]
7. LOS DE ABAJO - Porto, Jardins do Palácio de Cristal (Ritmos)
30 de Junho [ver reportagem]
8. ORBITAL - Porto, Pavilhão Rosa Mota
13 de Janeiro [ver reportagem]
9. MORCHEEBA - Paredes de Coura
17 de Agosto [ver reportagem]
10. GOLDFRAPP - Gaia, Hard Club
10 de Março [ver reportagem de Lisboa]

(Menções honrosas: David Sylvian e Wayne Shorter, ambos no Coliseu do Porto, e Da Weasel, em Paredes de Coura; e Wayne Shorter, no Coliseu do Porto.)


JOÃO GONÇALVES

1. SIGUR RÓS - Lisboa, CCB
9 de Abril [ver reportagem]
2. MERCURY REV - Lisboa, Paradise Garage
17 de Novembro [ver reportagem]
3. CALEXICO - Lisboa, Paradise Garage
4 de Março [ver reportagem]
4. RAMMSTEIN - Lisboa, Coliseu dos Recreios
5 de Junho [ver reportagem]
5. THE YOUNG GODS - Lisboa, Aula Magna
18 de Março [ver reportagem do Porto]
6. YO LA TENGO - Lisboa, Paradise Garage
6 de Abril [ver reportagem]
7. MANU CHAO - Lisboa, Belém
14 de Junho
8. MÃO MORTA - Lisboa, Aula Magna
8 de Maio [ver reportagem]
9. JAMES - Lisboa, Coliseu dos Recreios
23 de Novembro [ver reportagem]
10. ZERO7 - Lisboa, Aula Magna
2 de Dezembro [ver alinhamento]


JORGE SILVA

1. SIGUR RÓS - Lisboa, CCB
9 de Abril [ver reportagem]
2. FRANCISCO LOPEZ - Porto, Serralves
3 de Março
3. ZION TRAIN - CBT Dance Festival
14 de Agosto [ver reportagem]
4. JON SPENCER BLUES EXPLOSION + YO LA TENGO, Festival Marés Vivas
7 de Julho [ver reportagem]
5. PLURAMON, Urban Lab (Maia)
1 de Junho [ver reportagem]
6. FRED FRITH + LOUIS SCLAVIS + J.P. DROUET - Porto, Serralves
2 de Junho [ver reportagem]
7. TRANS AM - Lisboa, Café Luso
8 de Abril [ver reportagem]
8. DIAMANDA GALÁS - Gaia, Hard Club
8 de Novembro [ver reportagem]
8. ZERO7 - Porto, Sá da Bandeira
3 de Dezembro
9. BERND FRIEDMANN + JAKI LIEBEZEIT - Urban Lab (Maia)
1 de Junho [ver reportagem]
10. AIR - Porto, Coliseu
15 de Novembro [ver reportagem de Lisboa]


MÁRIO VALENTE

1. MERCURY REV - Lisboa, Paradise Garage
17 de Novembro [ver reportagem]
2. FINGATHING - Lisboa, Lux
30 de Julho [ver reportagem]
3. FLAMING LIPS - Festival Sudoeste
5 de Agosto [ver reportagem]
4. DUB PISTOLS - Londres, Cargo
22 de Junho [ver reportagem]
5. STEREO MC'S - Festival Sudoeste
3 de Agosto [ver reportagem]
6. BENJAMIN DIAMOND - Lisboa, Paradise Garage
23 de Março [ver reportagem]
7. DREADZONE - Festival Sudoeste
4 de Agosto [ver reportagem]
8. DEFTONES - Lisboa, Coliseu dos Recreios
26 de Fevereiro [ver reportagem]
9. LE PEUPLE DE L'HERBE - Lisboa, Lux
27 de Junho [ver reportagem]
10. TRANS AM - Lisboa, Café Luso
8 de Abril [ver reportagem]


NUNO PROENÇA

1. MERCURY REV - Lisboa, Paradise Garage
17 de Novembro [ver reportagem]
2. CALEXICO - Lisboa, Paradise Garage
4 de Março [ver reportagem]
3. SIGUR RÓS - Lisboa, CCB
9 de Abril [ver reportagem]
4. FLAMING LIPS - Festival Sudoeste
5 de Agosto [ver reportagem]
5. PJ HARVEY - Sudoeste
3 de Agosto [ver reportagem]
6. SLIPKNOT - Lisboa, Pav. Atlântico
17 de Maio [ver reportagem]
7. DEFTONES - Lisboa, Coliseu dos Recreios
26 de Fevereiro [ver reportagem]
8. PATTI SMITH - Número Festival
1 de Dezembro
9. NICK CAVE - Lisboa, Coliseu dos Recreios
24 de Abril [ver reportagem]
10. MÃO MORTA - Lisboa, Aula Magna
8 de Maio [ver reportagem]


PEDRO TORRES

1. SIGUR RÓS - Lisboa, CCB
9 de Abril [ver reportagem]
2. JON SPENCER BLUES EXPLOSION + YO LA TENGO, Festival Marés Vivas
7 de Julho [ver reportagem]
3. AIR - Porto, Coliseu
15 de Novembro [ver reportagem de Lisboa]
4. POLE - Porto, Aniki Bóbó
3. RINÔÇÉRÔSE - Porto, Sá da Bandeira (Blue Spot)
28 de Novembro [ver reportagem de Lisboa]


VÍTOR JUNQUEIRA

1. EELS - Lisboa, Paradise Garage
24 de Novembro [ver reportagem]
2. CALEXICO - Lisboa, Paradise Garage
4 de Março [ver reportagem]
3. BLACK UHURU + SLY & ROBBIE - Sines
28 de Julho
4. PATTI SMITH - Número Festival
1 de Dezembro
5. MADRUGADA - Lisboa, Aula Magna
8 de Maio [ver reportagem]
6. IRMIN SCHMIDT + KUMO - Barcelona, Sonar
15 de Junho [ver reportagem]
7. TORTOISE - Lisboa, Paradise Garage
31 de Março [ver reportagem]
8. SIGUR RÓS - Lisboa, CCB
9 de Abril [ver reportagem]
9. MACEO PARKER - Lisboa, Paradise Garage
14 de Dezembro [ver reportagem do Porto, Agosto]
10. DIAMANDA GALÁS - Lisboa, Aula Magna
8 de Novembro [ver reportagem]

(Outros grandes concertos deste ano, nos quais este ano foi bastante pródigo, aliás: Young Gods na Aula Magna, Mão Morta e o primeiro de Nitin Sawhney, todos na Aula Magna; Pole, em Torres Vedras; e ainda Yo La Tengo, no Paradise Garage. Faltou ver muitos, nomeadamente os de Neil Young -- a maior lacuna, porventura --, Jon Spencer, PJ Harvey, Stereo MC's, entre muitos outros.)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Festival Musicnet: oito anos

Passam hoje oito anos do Festival Musicnet. Entre 10 e 14 de Dezembro do ano 2000, nas instalações da FIL, por ocasião de uma feira em que o grupo Terravista participou, a Musicnet contou com um pequeno palco ao qual levou alguns projectos portugueses que se encontravam a dar os primeiros passos. Recordo a ocasião como uma das mais embaraçosas pelas quais passei na vida profissional. Na minha incipiente experiência de produção, tinha conseguido, quase sozinho, providenciar tudo a tempo e horas. Havia material de som, havia o backline mínimo, havia horários de load-in, de soundcheck, etc., tudo definido ao pormenor. Mas esta cabeça de amendoim não se lembrou, nem qualquer outro gestor do grupo o previu, que estávamos numa feira e que, encontrando-se o imenso stand do Terravista montado no meio de outros stands comuns, fazer barulho ia ser uma tarefa complicada. A tarola e os timbalões da bateria estavam cobertos de pensos higiénicos. Os guitarristas tinham ordens expressas, embora nem todos as respeitassem, como é natural, para não puxar pelo volume dos amplificadores. Os grupos com sonoridades dentro do metal preferiram, claro, não participar. Num dos dias, a visita do secretário de estado da Educação (ou o seria ministro) obrigou à interrupção da actuação de uma das bandas, tornando ainda mais feio o pesadelo... Mas nem tudo foi mau. Entre as bandas participantes houve um clima de cumplicidade notável e foi pelo interesse delas em participar que o festival não foi, afinal, cancelado.

Passados que estão estes anos, fiquei com curiosidade para saber o que aconteceu a estas bandas. Os Fusion Lab foram um dos primeiros (senão o primeiro) projectos do João Barbosa e do Rui Pité, hoje mais conhecidos por Lil'John e DJ Riot, os Buraka Som Sistema (acho que ainda vos vou chantagear para não divulgar a maqueta :>). Os Fat Freddy perderam o contrabaixista doido, mas continuam por aí a rockar. Os Bypass continuam também em actividade, o mesmo acontecendo com os Funkoffandfly, os sUBMARINe ou os The Temple (estes não tocaram, creio). Os Abstract Circle tiveram uma mudança na formação e no nome, sendo hoje conhecidos por Abstract Sir Q. Os Polaroid, que não chegaram a tocar, acabaram e julgo que os músicos não continuaram as suas carreiras. Falta saber -- é apenas uma manifestação de curiosidade pessoal -- o que aconteceu a grupos como Hamble Glue, Clark, Colourblind, Brigada, Doomed, The Atoms, Candy Forest, Kaleidoscope, Plobe, Mother Tongue, Many More, Fluid, Fade Out, A Forest, Spam, Nua e Temple of Noise.

domingo, 24 de agosto de 2008

O Kubik está de volta

Há nove anos, mais coisa, menos coisa, subi ao palco do cinema Trindade para entregar ao Victor Afonso, dito Kubik, o prémio que cabia à Musicnet atribuir no âmbito dos saudosos Prémios Maqueta. Naquela primeira maqueta, ainda gravada em cassette (que aqui guardo religiosamente), achei que o Victor, cujo traço biográfico que lhe conhecia na altura era o de ter sido baixista dos bizarros Nihil Aut Mors, já demonstrava uma competência técnica apurada na arte do corte e costura de sons provenientes de diferentes fontes e um sentido de humor sofisticado (e literalmente hitchcockiano) de tal forma que obrigava a ouvir os temas vezes sem conta, ora por puro prazer, ora por curiosidade em descobrir pedaços de sons e de ambientes que só ressaltavam depois de várias audições. Depois dessa altura, o Victor veio a evoluir nos discos que lançou e nos sucessivos trabalhos no cinema (na execução de bandas sonoras ao vivo para filmes de culto), nunca saindo muito do seu quartel-general na Guarda. Várias vezes o tentei trazer a Lisboa, mas quem acabou por ter essa sorte foi Mike Patton, que o convidou para a primeira parte dos Fantômas na Aula Magna. Falta agora o próximo passo, a edição de Kubik pela Ipecac, algo que já chegou a ser uma hipótese séria. Talvez este novo EP de Kubik ajude. Chama-se "How Blue Was My Sky", foi editado pela netlabel portuguesa MiMi e confirma aquilo que sempre vi no trabalho do Victor. Para o descarregar é ir por aqui.
(Já agora, o blogue do Victor: ohomemquesabiademasiado.blogspot.com)

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Mais um amigo que se muda para a blogo-vizinhança

grandesons.blogspot.com
É o blogue do grande João Gonçalves, velho camarada desde os tempos da musicnet, parceiro no gosto pela música, pela rambóia, pelo futebol (só aqui a porca torce o rabo, pois o JG é lampião, infelizmente) e por um sem número de coisas que nos fazem sermos amigos.
(Hoje, especialmente no dia de hoje, é dia para a lamechice, confesso.)

quarta-feira, 12 de outubro de 2005

A vizinhança faz rádio

É com grande alegria que este tasco recebe a notícia de que o vizinho Luís Rei (cronicasdaterra.weblog.com.pt) vai ressuscitar o seu mítico programa de rádio, o "Terra Pura" (quem se lembra de acordar cedo aos domingos para ligar a Xfm?), na emissora online do Instituto Superior Técnico, RIIST -- parece que temos o espírito da RUT a regressar de uma vez por todas -- e na Rádio Clube de Alcoutim (Algarve). O programa vai para o ar às sextas-feiras, entre as 21h e as 23h, na RIIST, e no Domingo, a partir das 22h, no caso da RCA. Mais informações nas Crónicas.
Ainda na RIIST, outro vizinho, o Nuno Proença, que, tal como o Luís Rei, fez parte da equipa Musicnet, leva o seu blogue (a ampola faz pop - ampola.blogspot.com) à rádio, com um programa semanal, às segundas-feiras, a partir das 17h.

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Na sex shop com...

(Aproveito o dia de hoje para recuperar uma entrevista que fiz a Ann Shenton há cinco anos atrás, para a Musicnet. Ann Shenton militava então nos add n to (x), dando hoje cara pelo projecto Large Numbers, que sobe ao palco da ZDB esta noite, num programa que ainda inclui o mui-aguardado-por-estes-lados espectáculo da ex-Raincoats Ana da Silva.)

NA SEX SHOP COM?
ADD N TO (X)
Outubro de 2000


Os britânicos add n to (x), ou seja, Ann Shenton, Barry 7 e Steve Claydon, estiveram recentemente em Lisboa para promover o seu terceiro e novíssimo trabalho, "Add Insult to Injury". Depois da estreia, há mais de dois anos, com "On the Wires of Our Nerves", e de "Avant Hard" (1999), já pela Mute, os add n to (x) continuam a sua cruzada em prol da pop electrónica praticada em exclusivo sobre instrumentos da era analógica, encontrados em sucatas e antiquários. "Add Insult to Injury" é mais uma inteligente e divertida descarga de energia sonora, algures entre a pop esquizofrénica dos Devo, o terrorismo sonoro dos Suicide e o heavy metal electrónico dos Trans Am, embrulhado pelo visual sado-ciber-pornográfico, que esteve aliás na base da escolha do sítio para a realização das entrevistas com a imprensa portuguesa: uma... sex shop. Foi aí que a Musicnet teve uma desinibida conversa com Ann Shenton, a dominatrix do grupo.

Alguma vez foi entrevistada numa sex shop?
Nunca. Esta é a minha primeira entrevista numa sex shop [N.R.: ainda que isso pouco interesse, também era a primeira vez do entrevistador. Primeira vez que fazia uma entrevista numa sex shop, entenda-se].
Qual é o seu item favorito aqui?
As cabines. Assim que cheguei percebi logo que tinha que ir ver alguns shows. Vi o das duas pessoas a fazerem sexo, o "double", vi a Nicki e - fui lá três vezes (risos) - vi a Doris.
É uma fã do porno?
O meu filme porno favorito é com uma dinamarquesa chamada Bodil, a "horse woman". Talvez não seja na verdade o meu filme favorito mas eu fui levada pelo seu estilo de vida. Ela adorava animais (risos) e na aldeia em que ela vivia, com um realizador dinamarquês de porno famoso (não me recordo do nome dele), toda a gente lhe chamava nomes, tendo ela acabado por se matar na companhia do seu cavalo. Ela tinha umas botas lindíssimas, enquanto era comida por um cavalo...
Se tivesse que escolher, "Deep Throat" ou "Behind the Green Door"?
Não conheço o "Behind the Green Door"... O meu namorado tinha um vídeo com vários "clips". Um numa quinta com uma mulher a fazer sexo com um cão e coisas assim que um amigo dele havia feito há montes de tempo. Esse era o melhor vídeo que eu alguma vez tinha visto. Mas a sua mãe, que era muito religiosa, encontrou-o. Quando ele chegou a casa não o encontrou na sua colecção de vídeos no seu quarto. Desceu e viu-o na sala de estar. A mãe dele havia gravado por cima um programa religioso qualquer...
Quem desenhou a "add n to (x) fucking machine" [visível no videoclip de "You Plug Me In", por exemplo]?
Foi feita por um tipo que trabalhou no filme "Alien". Agora tenho-a no meu apartamento em Londres Ocidental e as minhas companheiras de casa odeiam-no.
Já alguma vez brincou com ela?
Aquilo trabalha e tudo, mas o "dildo" é muito frouxo. É mais uma coisa visual e acho que não servirá para muito mais que isso. Eu fiz demonstrações na sala de estar e era aqui que ele estava, mesmo no meio da carpete, mas as raparigas de lá de casa chatearam-me para eu o tirar e agora está na cozinha, debaixo da mesa e com uma toalha por cima. Elas têm medo. Algumas pessoas acham-lhe graça, outras assustam-se.
Qual foi o pior comentário feito aos vídeos de "You Plug Me In" ou "Metal Fingers in my Body"? [N.R.: videoclips que geraram alguma polémica, devido aos seus conteúdos menos católicos.]
Não houve nada de particularmente mau. Até foi engraçado e simpático. Foi estranho [o vídeo de "Metal Fingers in my Body"] não ter sido autorizado para passar no Japão, porque o desenho da mulher tinha pelos púbicos e no Japão os pelos púbicos não são permitidos. Foi uma coisa que me deixou magoada. No Japão, os desenhos manga são tão violentos mas tudo bem, não têm pelos púbicos. O nosso vídeo foi censurado no Japão porque um desenho tinha pelos púbicos. Achei isso insultante e estúpido.
Qual é a sua ideia de sexo virtual? [N.R.: atenção, a entrevista foi feita ao vivo e nada se passou depois da mesma.]
Aqui há alguns anos, havia uma rapariga conhecida minha que estava a fazer pesquisa nessa área e estava à procura de voluntários para testar os aparelhos. Eu ia mesmo fazê-lo, mas depois não aconteceu. Queria mesmo tê-lo feito e ainda o quero.
É boa a matemática?
De maneira nenhuma.
Se Leon Theremin [N.R.: Lev Sergeivitch Termen, russo que inventou o theremin, o primeiro instrumento musical a ser tocado sem o contacto físico do intérprete] fosse vivo, o que lhe diria?
Diria-lhe: "pode-me construir um daqueles [theremins] grandes de madeira, como o do Jon Spencer?". Eu perguntei ao Jon se ele queria trocar o dele e ele mandou-me dar uma volta. Quero um dos grandes, dos originais. Eu tenho um bom, um etherwave assinado pelo Bob Moog, mas adoraria ter um dos originais.
E ao Bob Moog [N.R.: inventor do MOOG, outro dos instrumentos analógicos - um sintetizador, neste caso - mais utilizado pelos add n to (x)] , o que diria se o encontrasse?
Já tivemos - eu, o Barry e o Steve - esta conversa antes. Não achamos que o Bob Moog iria gostar de nós. Ele fez o MOOG para sintetizar outros instrumentos e nós usamo-lo como o raio de uma máquina com uma sonoridade louca.
Qual é a sua boysband favorita?
Iggy Pop and The Stooges.
David Holmes ou John Holmes?
Nenhum deles.
Aphex Twin ou Cocteau Twins?
Cocteau Twins. Creio que Liz Fraser é uma das mais incríveis mulheres assustadoras e estranhas. Liz Fraser, Marianne Faithful, Janis Joplin, Nico, ... eu sempre gostei destas mulheres. Estranhas, pouco comuns, ... Adoraria poder sair com Janis Joplin. Gostaria de ter uma noite de raparigas com a Mariane Faithful, a Liz Fraser, a Janis Joplin e a Anita Pallenberg.
E se fosse uma noite com rapazes?
Tom Verlaine, Iggy Pop e os Black Sabbath (todos eles). Isso seria uma óptima noite. Uma vez estive no Idaho, no centro da América, e saí com uns motoqueiros - os Irmãos Velocidade - e eles eram óptimos tipos para com quem se sair. Se o Iggy Pop lá estivesse teria sido ainda melhor.
Suicide ou Devo?
Eu adoro ambos. Eu vi os Suicide tocarem três noites seguidas no Garage, em Londres, e foi tão, tão barulhento que fiquei surda no fim... Nunca vi os Devo ao vivo, pelo que acho que devo escolher Devo, até porque me sinto mais intrigada por eles. Já conheci o Martin Rev e o Alan Vega e já os vi tocar uma série de vezes, mas nunca conheci ninguém dos Devo, nem nunca os vi a tocar ao vivo. E também porque eu pareço, toda a gente o diz, uma mongolóide, quando acordo de manhã (risos), e isso é uma das grandes canções deles [N.R.: "Mongoloid", do álbum de estreia "Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!"].
Brian Eno ou Brian Ferry?
Eu conheci o Brian Ferry num restaurante e consegui o seu autógrafo. Penso que deve ser um dos homens velhos mais atraentes na Terra, mas eu adoro o cabelo do Brian Eno e ele tem um óptimo equipamento analógico, também.
Qual é o significado de "Peanuts for Eno", título de uma das faixas do novo álbum?
(Risos) Nós temos estas frases entre nós... Não é necessariamente um insulto. Temos outra em que, em vez de dizermos Enio Morricone, dizemos Uncle Morricone. Apenas mudamos palavras fazendo nonsense a partir delas, a partir dos nomes das pessoas. Quando estamos aborrecidos em estúdio começamos a fazer palavras estúpidas.
Spice Girls ou Chicks on Speed?
Chiiiiiicks on Speeeeed!!!!!
Walter ou Wendy Carlos?
(Risos) Wendy? Vá lá, a Wendy tem que ser mais feliz que o Walter, ou então o Walter não se tinha tornado na Wendy, vá lá... E eu poderia sempre lhe pedir emprestado o seu bâton ou poderíamos fazer o penteado uma à outra. Adorava sair com a Wendy.
O que acha da Goldfrapp? [N.R.: Allison Goldfrapp participou no anterior "Avant Hard" e é colega de editora, isto é, na Mute]
Fui ver a Allison tocar num clube londrino na passada semana. Acho que ela consegue mesmo agarrar uma assistência. Ela tinha todos estes tipos estranhos a olhar para ela. Nós também temos tipos estranhos nos nossos concertos, e eu gosto de tipos estranhos, mas ela atrai homens que estão apaixonaaaaaaaados por ela e nós atraímos pessoal que está mais interessado no material analógico. Eu trabalhei durante algum tempo numa instituição psiquiátrica e consigo lidar com malucos, talvez a Allison não consiga. Posso lhe dar algumas lições.
Costumam acontecer coisas menos comuns na primeira fila dos vossos concertos?
Sim, e isso é óptimo. É esta coisa catártica, louca e sexual. Se alguém se quer despir, despe-se. Se alguém se quer masturbar, masturba-se. Já vi um pouco de tudo em concertos.
Quem é o "Regent" que aparece em todos os vossos discos?
Morreu, graças a Deus. É uma trilogia que chega ao fim. Tínhamos o "Black Regent", depois o "Revenge of the Black Regent" e agora está morto, cometeu suicídio (N.R.: "Add Insult to Injury" termina com a faixa "The Regent is Dead"]. Era uma coisa das trevas que nos assombrava, um terrível e estranho conde vestindo roupas negras que andava sempre com um olho nos add n to (x) e agora matámo-lo. E não vai ser como o Bobby Ewing. Ele não vai voltar.

terça-feira, 28 de junho de 2005

Jajouka mais perto (entrevista Musicnet)

Vou imitar o meu amigo Luís Rei, das Crónicas da Terra, e também copiar para aqui uma entrevista que fiz a Bachir Attar, dos Master Musicians of Jajouka, pela mesma altura. A famosa família de músicos do Rif vem a Portugal, mais concretamente ao Festival de Músicas do Mundo, de Sines, a 30 de Julho. É um evento de transcendental importância, naturalmente.


JAJOUKA MAIS PERTO
Setembro de 2000

Os Master Musicians of Jajouka são uma instituição sólida da cultura marroquina. A "mais velha música da terra", como William S. Burroughs um dia a ela se referiu, é feita por este colectivo há vários milhares de anos, numa aldeia do sopé das montanhas Rif. Há menos tempo, há cerca de quarenta anos, o mundo ocidental descobriu-os pela mão de Brian Jones, guitarrista dos Rolling Stones, e desde essa altura muitos outros músicos, como os saxofonista Ornette Coleman e Maceo Parker ou os guitarristas Lee Ranaldo e Thurston Moore, dos Sonic Youth, visitaram a aldeia marroquina. A mais recente colaboração entre os dois mundos ocorreu recentemente, entre o colectivo e o produtor/DJ britânico de origem indiana Talvin Singh. O resultado ficou gravado num disco onde as "ghaitas" hipnotizantes e rudes de Jajouka se misturam com a electrónica do autor de "Ok". A Musicnet quis saber um pouco mais dos Master Musicians of Jajouka e falou, via telefone, com o actual líder do colectivo, Bachir Attar.

Como surgiu a ideia de gravar um álbum com Talvin Singh?
Há cerca de três anos eu estava à procura de um bom produtor, americano ou europeu, para este disco. A ligação ao Talvin Singh veio através da editora. Disseram-me que era um bom tipo, que podia falar com ele. Contaram-me também que ele tinha a ver com a música indiana e que tinha abertura de espírito e então eu disse que seria uma boa ideia. Ele trouxe um estúdio inteiro para a [nossa] aldeia e aí gravámos algumas coisas. Depois fui para Londres, onde gravámos as restantes faixas, no seu estúdio.

Foi o Talvin Singh que gravou os Master Musicians of Jajouka e que depois escolheu o que saiu e como saiu no disco ou foi uma decisão conjunta?
Algumas faixas trabalhámos em conjunto em Londres. Vivemos estas canções em conjunto. As restantes foi ele que as trabalhou.

Viveu a fase em que Brian Jones trabalhou em conjunto com a sua banda, nos anos 60?
Eu tinha apenas quatro anos e meio, mas lembro-me (risos).

E do que se lembra?
Ele permaneceu apenas uma noite na aldeia. Gravou, com a ajuda de um engenheiro de som dos Rolling Stones, uma longa noite de música. Lembro-me que foi uma noite diabólica. Era o primeiro tipo de cabelo comprido que aparecia na aldeia, mexia-se por todo o lado, dançava... Nós não sabíamos quem eram os Rolling Stones na altura, até à sua morte. E então alguém trouxe música dos Rolling Stones e eu ouvi pela primeira vez rock'n'roll e vi que ele era um grande músico. Nunca o vimos mais, obviamente, mas ele está na história de Jajouka para sempre.

Os Master Musicians of Jajouka são muito respeitados em Marrocos. Poderão estes encontros entre mundo árabe e mundo ocidental afectar de alguma forma esse respeito?
As pessoas ouvem muito a nossa música em Marrocos e não creio que isto possa afectar o respeito que sentem por nós. Isto é uma coisa fantástica porque podemos mudar a cultura, misturá-la, etc. O mundo de hoje é muito pequeno. Temos que fazer pontes entre a cultura de Marrocos e outras culturas. Toda a gente quer isto. Marrocos está muito aberto a outras culturas. É o país norte-africano que está, por excelência, aberto ao mundo. E temos um grande rei - Deus o abençoe - que apoia a verdadeira cultura de Marrocos. É por causa do nosso rei que a música tradicional de Marrocos tem sobrevivido. A música de Jajouka é bastante respeitada. A família real adora-nos e isso é muito bom porque podemos sobreviver.

Voltando ao disco, como é para a banda, que está habituada a tocar peças de longa duração, fazer faixas de cinco minutos ou menos?
Temos que ser como todos os outros... cinco ou seis minutos por canção. Julgo que não há problema nisso. Foi algo que não nos preocupou. É normal, acho.

É verdade que alguns dos vossos espectáculos demoram várias horas?
Temos um festival anual na aldeia - Pipes of Pan at Jajouka Festival - que é uma semana de música. E por vezes chegamos a tocar durante umas dez horas...

quarta-feira, 20 de abril de 2005

Por falar no Ritz...

Algumas recordações (não muito antigas, que a memória também não se presta a estes esforços):

Flashback #1: Um magnífico concerto do Will Oldham. A entrada era... gratuita. 1996? 97?

Flashback #2: Uma passagem de ano, lá para 95 ou 96, com os Irmãos Catita (ou eram os Ena Pá 2000?), completamente etilizada.

Flashback #3: Uma final de um concurso da revista 365, lá para 98 ou 99, a terminar perto das cinco da manhã, como era (ainda é?) habitual em todos os festivais do Alvim, que não me deixava ir embora (eu fazia parte do júri :>).

Flashback #4: Um inesquecível concerto dos Gaiteiros de Lisboa, perante uma sala quase vazia. "Não se metam na música, já viram como isto está?", dizia o Carlos Guerreiro.

Flashback #5: Um dos regressos aos palcos dos Pop Dell'Arte. Fui com o Adolfo Luxúria Canibal, que me dizia antecipadamente que não cantava o Juramento Sem Bandeira, porque não estava preparado. Mas tanto o público pediu que ele lá subiu ao palco.

Flashback #6: Chokebore, algures no início de 98. Creio que foi a minha primeira entrevista para a Musicnet. Depois de terminado o concerto, que me deixou impressionado, até porque não conhecia nada deles, saquei de papel e caneta e -- porque não? -- ó faxavor, venha daí uma entrevista.

Flashback #7: Tédio Boys ao vivo. Um dos melhores concertos a que assisti no Ritz.

E tantas, tantas mais noites incríveis que ali foram passadas...

terça-feira, 31 de agosto de 2004

Tributo nostálgico

Depois de lida a notícia da suspensão do serviço de páginas pessoais do Terravista, deu-me aquela nostalgia e, ao mesmo tempo, uma vontade de prestar tributo às pessoas que, daquele lado da barricada, tanto trabalharam para que um projecto como a Musicnet fosse tão aliciante ao longo de tantos anos: José Miguel Lopes, Amílcar Fidélis, Ana Apolinário, Mário Valente, João Gonçalves, Bruno Rodrigues, Eduardo Sardinha, Luís Rei, Nuno Proença, Iliana Pereira, Fernando Reis, Mauro Vidal (RIP), Marco Morais, Fernando Mendes, Patrícia Gouveia, Sofia Vintém, Carlos Caetano, Isabel Carrilho, Tiago Lopes, Nuno Martinho, Gonçalo Gil, Filipe Palma, João Mariano, Nuno Martinho, Ricardo Bento, Mário Sousa, António "Dr Bakali" Saraiva, José Macieira, José Alves, Israel Guerrinha, André Dias, Joel Vilela, e outros tantos dos quais me esteja a esquecer.

terça-feira, 13 de julho de 2004

Festival do Tejo: cinco anos e uma compilação

Estávamos em 1999. Recebia um telefonema na redacção da Musicnet de um tal de Hélder Raimundo, que pedia o nosso apoio para uma ideia que ele pretendia montar na zona do Cartaxo, um festival com um cartaz composto em exclusivo por artistas portugueses. Talvez porque o Hélder ainda desse ares, nas conversas por telefone, de um excesso de entusiasmo que é de desconfiar (tantas ideias boas que vimos por aí a nascerem todos os dias e a morrerem nos dias seguintes), e de alguma ingenuidade (o ingénuo, pelos vistos, era eu), não terei posto grande fé no certame, apesar de lhe ter vindo a dar, enquanto pude, todo o apoio possível.
É pois com alegria que vejo o Festival do Tejo a comemorar a sua quinta edição e a atirar-se a novos projectos, como o da compilação que irá sair em breve no Blitz (ver páginas do semanário na sua edição de hoje). Posso ter muitas reservas em relação aos cartazes das diversas edições do Festival do Tejo, como aquele que se segue e que dá conta da edição deste ano, mas há que dar os parabéns à organização pela manutenção do evento ao longo destes anos, esperando que possa continuar e melhorar cada vez mais.

Festival do Tejo 2004

Dia 23 de Julho

Palco Tejo
Dealema
Yellow W Van
Xutos & Pontapés

Palco Talentos do Tejo
Zedisaneonlight
Plastica
Loosers

Espaço Artizone
Orson & Welles

Dia 24 de Julho

Palco Tejo
Mesa
Loto
Clã

Palco Talentos do Tejo
Spelling Nadja
Hipnótica
Plaza

Espaço Artizone
Dubadelic Vibrations

Dia 25 de Julho

Palco Tejo
Tara Perdida
Zen
Mão Morta
Ramp

Palco Talentos do Tejo
Qwentin
Paranoid
Three and a Quarter
Fonzie

Espaço Artizone
Orson & Welles

Dia 23 a 25 de Julho
Cinema
Teatro
Workshops
Jogos Tradicionais
Desportos Radicais
Parque de Campismo

quarta-feira, 1 de outubro de 2003

Histórias da Musicnet. Parte 2: A internet?

Recuemos cinco anos no tempo. Em 1998, já toda a gente falava da internet. Para uns, era um milagre que justificava desmesurados investimentos financeiros. Para outros, era o descalabro moral da civilização moderna, era o sexo, era a pirataria, era o fim das relações inter-pessoais em favor das frias salas de chat. Quase não havia o meio termo.
Não sei exactamente porque razão, mas no meio musical português, quase todos os seus agentes encaixavam na última categoria. Era provavelmente pelos receios da pirataria, embora na altura a coisa não tivesse assumido os contornos que depois veio a ganhar com o Napster, o AudioGalaxy, ou mais recentemente, o Kazaa ou o Soulseek. De qualquer das formas, em 1998, a Musicnet era então vista pela generalidade das editoras, das promotoras de concertos e até pelos próprios músicos, como um projecto feito por maluquinhos, dirigido a maluquinhos. E, cuidado, maluquinhos perigosos! Havia até, para ilustrar com um exemplo, uma editora internacional bem conhecida -- a 4AD -- que dava ordens expressas ao seu distribuidor nacional -- a MVM -- para não enviar promos seus aos maluquinhos dos sites de música, mesmo que fossem para estes poderem publicar meras críticas aos discos...
Aos poucos e poucos, as coisas foram mudando. Pouco tempo depois, os maluquinhos dos sites -- começaram a aparecer outros, com posições institucionais mais fortes -- já eram convidados para irem a esta ou aquela apresentação ou para cobrirem este ou aquele concerto. Já havia quem sugerisse que se colocasse um excerto de um mp3 -- ou até mesmo o mp3 inteiro -- do disco daquela nova banda que estava a aparecer e à qual convinha dar a maior visibilidade possível. Já nos imploravam -- é a palavra certa -- para fazer aquela entrevista com aquele artista. Um conhecido chefe de promotoção e marketing já propunha que lhe dessemos destaque privilegiado e permanente, em troca de material multimédia a que poucos tinham acesso.
De repente, os grandes agentes do meio descobriam que tinham nos meios online uma via mais barata e quiçá mais eficiente de de fazerem a promoção das suas mercadorias e os maluquinhos dos sites já não tinham que repetir a mesma lenga-lenga de sempre quando com eles falavam ao telefone. Sim, telefone, pois na altura ainda eram poucos aqueles que tinham mail...
Em 1999, um ano depois, o panorama era já, portanto, bastante diferente. No entanto, há coisas que nunca mudam: os Metallica, no T99, impediam a acreditação para o seu concerto de fotógrafos de orgãos online... (haverá banda mais ciberó-foba à face da Terra?)

segunda-feira, 25 de agosto de 2003

Histórias da Musicnet. Parte 1: A marcha dos press releases

Já há algum tempo passou desde que deixei a Musicnet.pt. Creio também que já passou um ano desde que ela acabou, por isso sinto que posso falar à vontade deste tema. Alguns poderão ver naquilo que agora publico um crime de falta de lealdade profissional, ainda que póstuma, mas nesse campeonato dos valores acho que ainda tenho vantagem suficiente para não me preocupar com o que tenho para dizer. Outros, no entanto, poderão achar que estou a contar estas histórias tarde demais. Não me interessa.
Saí da Musicnet em Maio de 2002. O clima que estava instalado no Terravista era, conforme toda a gente sabia, bastante dramático. Não havia quaisquer perspectivas de futuro para aquele negócio. Mantinham-se os projectos que existiam a grande custo moral daqueles que os coordenavam. A piorar o cenário, as mudanças a nível de direcção do projecto global davam indícios de que tudo iria ser encaminhado para vias menos éticas e menos dignas de projectos como a Musicnet, o mais antigo orgão de comunicação social na Internet portuguesa (não falo apenas de música, falo do global). A mim calhou-me um director que vinha do departamento comercial da Rádio Cidade. Não me incomodava particularmente a forma incisiva e agressiva como ele queria tirar rendimento da Musicnet, porque, afinal, era aquilo que eu tinha exigido ao longo dos anos anteriores. Só assim a Musicnet poderia sobreviver. Incomodou-me mais saber que, de mãos dadas com aquela agressividade comercial, vinha um conjunto de ideias que eu apelidava de atropelos à ética jornalística, de atropelos ao respeito que tínhamos granjeado entre os leitores, de atropelos à imagem que a Musicnet, bem ou mal, havia conseguido instituir. Uma das ideias -- a pior delas -- era deixarmos de termos colaboradores para passarmos a servir de correia de transmissão aos press-releases dos eventuais novos "fornecedores de conteúdos": as editoras. Não pensem que aqui se pensava em diminuição drástica de custos, até porque o peso das remunerações dos colaboradores (entre os que eram pagos) nem representava muito na estrutura de custos do projecto. A ideia fantástica residia em conseguir obter receitas da parte dos "fornecedores de conteúdos". Ou seja, já não era apenas uma questão de publicar press-releases (tal como muitos orgãos hoje fazem, infelizmente), era ainda estar permeável à influência de fornecedores que pagavam para terem lá os seus conteúdos...
Houve mais motivos, mas só por estes -- ficar sem colaboradores e prosseguir um modelo de negócio sujo como o que estava na mesa -- teria que abandonar a Musicnet. Foi o que fiz, com grande pena, depois de mais de quatro anos cheios de boas histórias e de boa camaradagem. A Musicnet levou uma lavagem de cara -- diferente daquela que eu tinha proposto durante meses e que estava já a ser feita na altura de todos estes tumultos -- e continuou por mais algum tempo, a tentar prosseguir o fantástico novo modelo de negócio. Acabou.