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domingo, 5 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 21 ao 30


21. WARSAW VILLAGE BAND (Polónia)
Castelo, 29/jul/2004
"Esta foi a primeira vez que os polacos da Warsaw Village Band foram a Sines. Centrados na tradição folk do Norte da Europa, evocativos em parte dos Hedningarna e de outros projectos nórdicos, o grupo teve nesta edição uma actuação explosiva que não encontraria tanto eco assim no regresso ao local do crime, [em 2009]."

22. MOR KARBASI (Israel)
Centro de Artes, 20/jul/2009::vídeo::
"Ao meu lado, uma mulher batia com a mão no peito. Eu sentia os olhos a lacrimejarem. No palco, a israelita Mor Karbasi começava a cantar os primeiros versos de 'Rua do Capelão', de Amália Rodrigues, num português magnífico, com um arrojo vocal de fazer cair os queixos. Foi o momento da noite, será certamente um dos episódios mais notáveis desta edição do FMM, mas o espectáculo da israelita, acompanhada por piano, guitarra eléctrica, baixo e percussão, não se resumiu apenas a tal. Se há noites para a qual a palavra beleza existe é para descrever tanto Mor Karbasi como o seu espectáculo."

23. BARBEZ (EUA)
Castelo, 19/jul/2013::vídeo::
"É, pessoalmente, uma sensação forte esta de ter um coletivo como os Barbez, da vanguarda nova-iorquina, num festival como este. Diz muito sobre o que é esta festa. Os Barbez, esses, dão-se também lindamente com esse espírito. Uma vez mais, trouxeram ao palco um arranjo caleidoscópico de frases médio-orientais, de folclore do leste da Europa, de drones (os musicais, não os dos EUA) e outros arrepiamentos rock, de canções de revolta como a magnífica versão de "Bella Ciao". Fizeram ainda encore com uma versão dos Residents (e parecia que não podia ser mais natural a invocação). "

24. TOUMANI DIABATÉ (Mali)
Castelo, 27/jul/2006::vídeo::

25. KTU (Finlândia / EUA)
Castelo, 30/jul/2005::vídeo::

26. MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS (EUA)
Castelo, 29/jul/2005
"(…) nómada da música (das músicas), doutor da guitarra (das guitarras). Neste FMM, só os KTU de Kimmo Pohjonen [e Amadou & Mariam] o ultrapassaram na lista de preferências."

27. SEPTETO ROBERTO JUAN RODRIGUEZ (Cuba)
Castelo, 31/jul/2004
"A maior surpresa do festival, aqui para o tasco, foi Roberto Juan Rodriguez. Klezmer, muito klezmer, irrepreensivelmente tocado, com os timbalões de Rodriguez a evocar os ritmos da sua terra natal, Cuba. E Rodriguez é mesmo um colosso na bateria, algo que ficou por demais evidente no encore final. As muralhas do castelo de Sines não ruiram por pouco."

28. GAITEIROS DE LISBOA (Portugal)
Castelo, 27/jul/2006
"Vi os Gaiteiros o mais que pude nos anos 90. Depois, o grupo deixou de ter uma presença habitual nos palcos, na mesma medida que se levantaram complicações às edições de novos trabalhos. O espectáculo no Castelo de Sines serviu de reencontro com o que continuo a achar ser o que melhor aconteceu à música portuguesa nos tempos recentes. E não falo apenas no ghetto das tradicionais, porque reduzir os Gaiteiros a tal é nunca ter compreendido aquilo que eles fazem."

29. SHIBUSA SHIRAZU ORCHESTRA (Japão)
Castelo, 26/jul/2013::vídeo::
"Mais de 30 japoneses em palco, uma orquestra psicadélica, um maestro que bebe cerveja e fuma, uma personagem na frente que parece o Kratos do God of War e outros mimos que lhe sucedem, duas bailarinas que passam o espetáculo inteiro a fazer coreografias com bananas de plástico, um tipo a pintar um dragão-largarto-golfinho numa tela branca que vai subindo com o andar da noite, uma medusa gigantesca que aparece mais para o fim e flutua sobre o castelo. É isto um teatro japonês, um noh, um kabuki? Se ignorarmos algumas pequenas incursões fáceis pelas ondas balcãs-ska, serão os Pink Floyd e os Gong de olhos rasgados a triparem numa comuna teatral? Incrível."

30. GOGOL BORDELLO (EUA / Ucrânia)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"Sábado à noite, a gogolândia instalou-se no Castelo. Não foi preciso muito para que aqueles milhares de pessoas começassem a suar abundamente aos pulos com que acompanhavam a música. Continuo a achar os Gogol Bordello demasiado azeiteiros, da voz a alguns padrões rítmicos muito semelhantes ao nosso 'pimba', continuo a achar que estão muito longe de serem uma versão balcânica dos Pogues ou dos Ukrainians (porque estes sabiam tocar a sério e sem puxar alarvemente pelo lado "cheesy" da coisa), mas, porra, incendiaram o castelo (calhou-lhes bem o tradicional fogo de artifício do FMM). Fizeram aquilo que era pedido para terminar os concertos no castelo: uma enorme festarola."

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Não é uma, nem são duas. São três vezes John Zorn. Ou mais.

O Jazz em Agosto deste ano tem John Zorn espalhado por todo o cartaz. Vai haver três concertos do músico, com diferentes formações (ver mais abaixo o elenco de pesos pesados que o acompanha) e ainda um ciclo de cinema composto por quatro filmes dedicados a Zorn. A programação do Jazz em Agosto, que decorre na Gulbenkian entre os dias 2 e 11 do mês estival (havendo ainda uma data isolada a 25 de julho, com OGRE, de Maria João), é aliás, fortíssima. Afinal de contas, é a 30ª edição do festival e a boa gente da Gulbenkian não poupa na festa: Peter Evans, Anthony Braxton, Pharoah Sanders, entre várias outras coisas. É DOSE. Para mais informações é ver em www.musica.gulbenkian.pt/jazz

THE DREAMERS
JOHN ZORN (condução)
MARC RIBOT (guitarra elétrica)
JAMIE SAFT (teclados )
TREVOR DUNN (contrabaixo, baixo elétrico)
KENNY WOLLESEN (vibrafone)
JOEY BARON (bateria)
CYRO BAPTISTA (percussão)

ESSENTIAL CINEMA
JOHN ZORN (condução, sax alto)
MARC RIBOT (guitarra elétrica)
JAMIE SAFT (teclados)
IKUE MORI (eletrónica)
TREVOR DUNN (contrabaixo, baixo elétrico)
CYRO BAPTISTA (percussão)
JOEY BARON (bateria)
KENNY WOLLESEN (vibrafone)
Com projeção de filmes de Maya Deren Joseph Cornell Harry Smith Wallace Berman

ELECTRIC MASADA
JOHN ZORN (sax alto)
MARC RIBOT (guitarra elétrica)
JAMIE SAFT (teclados)
TREVOR DUNN (contrabaixo, baixo elétrico)
KENNY WOLLESEN (vibrafone)
JOEY BARON (bateria)
CYRO BAPTISTA (percussão)
IKUE MORI (eletrónica)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

20 concertos a não perder no FMM

Por ordem cronológica:



WAZIMBO
(Moçambique)

Dia 19 (quinta-feira), 21h45 - Castelo
Oportunidade para ouvir a voz da mítica Orquestra Marrabenta Star de Moçambique.



OTIS TAYLOR BAND
(EUA)

Dia 19 (quinta-feira), 23h15 - Castelo
Venha o blues de palco grande, para a festa!



BOMBINO
(Níger/Povo Tuaregue)

Dia 19 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
E logo a seguir o melhor do blues do deserto. Quem esteve no Jardim das Oliveiras, no ano passado, não vai perder.



AL MADAR
(Líbano/EUA)

Dia 20 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
Primeiro episódio da Nova Iorque multicultural neste FMM 2012, com a baterista April Centrone e o violinista Timba Harris a regressarem ao palco do castelo, depois dos Secret Chiefs no ano passado, agora neste projeto de raízes árabes centrado na figura do libanês Bassam Saba. Também vão à ZDB, já amanhã, quarta-feira.



L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK
(França/Itália/Tunísia)

Dia 20 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Um dos mais energéticos trios de rock dos últimos tempos volta a Sines, agora com direito a toda a magia do castelo e com um novo convidado tunisino, o cantor Lofti Bouchnak. Da outra vez que os L'ER trouxeram tunisinos, foi um fim de noite arrasador. O trio vai andar pelo país (Portalegre, Lisboa, Milhões de Festa), mas a apresentação com os músicos tunisinos é exclusiva do FMM.



DEAD COMBO & MARC RIBOT
(Portugal/EUA)

Dia 21 (sábado), 19h00 - Castelo
Sines é fértil em encontros de músicos e de culturas. E este é um dos mais especiais de toda o historial do festival.



OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK
(Mali/EUA)

Dia 21 (sábado), 21h45 - Castelo
Outro encontro impossível de perder.



MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
(EUA)

Dia 21 (sábado), 23h15 - Castelo
Mais um episódio da Nova Iorque multicultural. Marc Ribot volta a Sines, com o seu projeto mais famoso. Da outra vez foi tremendo. Agora pode ainda ser melhor.



JESSIKA KENNEY & EYVIND KANG
(EUA)

Dia 24 (terça-feira), 22h00 - Centro de Artes de Sines
Mais Nova Iorque (ou quase), no único concerto marcado para o CAS, numa atmosfera que se pretende mais intimista.



ENSEMBLE NOTTE DELLA TARANTA
(Itália)

Dia 25 (quarta-feira), 22h00 - Castelo
Noite especial com uma orquestra apuliana para fazer a malta dançar a pizzica.



STAFF BENDA BILILI
(RD Coongo)

Dia 26 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
O cancelamento do concerto do aborígene Gurrumul veio precipitar o regresso, passado tão pouco tempo, deste grupo de músicos de Kinshasa, protagonista de um dos melhores momentos do historial do FMM, há dois anos.



KOUYATÉ-NEERMAN
(Mali/França)

Dia 27 (sexta-feira), 20h00 - Pontal
Espécie de encontro entre o balafon do Mali e o vibrafone europeu, acompanhados de uma secção rítmica que parece ter saído do pós-rock ou do jazz-rock. Promete!



DHAFER YOUSSEF
(Tunísia)

Dia 27 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
O alaúde árabe no jazz europeu/escandinavo. Isto vai fazer estremecer as paredes do castelo.



MARI BOINE
(Noruega/Sápmi)

Dia 27 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Finalmente, porra. Mari Boine em Sines!



ZITA SWOON GROUP
(Bélgica/Burkina Faso)

Dia 27 (sexta-feira), 00h45 - Castelo
Também a Stef Kamil Carlens chegou o chamamento de África.



JUJU
(Gâmbia/Inglaterra)

Dia 27 (sexta-feira), 02h30 - Pontal
Mais um encontro Europa-África. Diz-se que o projeto está a funcionar melhor desde que surgiu em Sines pela primeira vez, já lá vão quatro anos.



ORQUESTRA TODOS
(Portugal/...)

Dia 28 (sábado), 18h45 - Castelo
O primeiro concerto da Orquestra Todos, no Largo do Intendente, no passado, foi uma experiência bonita a todos os níveis. O modelo adotado da Orchestra di Piazza Vittorio, é o de pôr em palco músicos residentes em Lisboa e provenientes dos mais diversos cantos e culturas do mundo. Não podia fazer mais sentido em Sines.



HUGH MASEKELA
(África do Sul)

Dia 28 (sábado), 21h45 - Castelo
O nome maior desta edição do FMM. Aos 73 anos, Masekela traz a Portugal um dos trompetes mais iconográficos da história da música africana, do jazz norte-americano e das lutas políticas do seu país.



TONY ALLEN FEAT. AMP FIDDLER
(Nigéria)

Dia 28 (sábado), 23h15 - Castelo
Agora, no castelo, a oportunidade para o Tony Allen se refazer, na companhia de Amp Fiddler (antigo companheiro de estrada de George Clinton), da fraca prestação de há anos, junto à praia. A secção de metais tem marca local: é constituída pelos professores da Escola de Artes de Sines. E deverá ser a primeira vez que se verá uma keytar (a de Amp Fiddler) em Sines.



LIRINHA
(Brasil)

Dia 28 (sábado), 02h30 - Pontal
Há seis anos, deixou o castelo de Sines semi-destruído na companhia dos já míticos Cordel do Fogo Encantado. Veio depois a separação e só agora José Paes de Lira volta aos palcos de música, a solo, apresentando um disco menos tribal, mais rock, mais eletrónica, a mesma carga emocional. Vai ser um encerramento bonito para o FMM 2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ribot de volta a Sines, mas agora com os Postizos!

Já lá vão quase sete anos desde que o guitarrista Marc Ribot subiu ao palco do castelo de Sines, para um concerto inesquecível, estando na altura acompanhado pelo coletivo The Young Philadelphians. No próximo FMM Sines, vai voltar ao local do crime e, desta vez, com o grupo que mais projeção mediática lhe trouxe, Los Cubanos Postizos, agora regressados aos concertos numa formação que junta os norte-americanos Anthony Coleman (piano), Brad Jones (baixo) e EJ Rodriguez (bateria e percussões) e ainda o cubano Horacio “El Negro” Hernandez (bateria).

Mas há mais novidades no anúncio de hoje da organização do FMM. Os argentinos Astillero, do pianista Julián Peralta, um dos fundadores da Orquesta Típica Fernández Fierro, que também passou pelo festival, em 2009, trazem "tango de rutura". Dhafer Youssef, tunisino radicado na Europa desde há mais de 20 anos, apresenta-se com um quarteto de jazz acústico.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #21-25

21. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR
4 de Julho de 2007
Lá mais abaixo, na posição 36, e a respeito dos Death in Vegas, falava daquela história típica que se passa quando vamos ver o projecto (que imaginamos como sendo apenas) de estúdio e ficamos boquiabertos como a coisa rocka forte e feio ao vivo, com banda completa e tudo. Foi também o caso dos LCD Soundsystem, que só vi, infelizmente, nesta ocasião. Escrevi, de forma muito breve, na altura: "Com a secção rítmica a dar o toque da festa, James Murphy e amigos não precisaram de muito mais para produzirem o grande (e único) estrondo da noite. Tremendo."

22. PIXIES @ SBSR
11 de Junho de 2004
Faço parte do grupo dos que não conseguiram ver Pixies na primeira ocasião que visitaram Lisboa, em 1991. 13 anos depois, faria ainda sentido? Fez, claro. As composições, todas elas peças permanentes da galeria da pop independente, continuam lá. Frank Black, Joey Santiago, Kim Deal e David Lovering podiam estar a precisar de dinheiro, podiam não ter vergonha na cara ao exporem-se perante tanta gente na primeira queca pós-divórcio, mas continuam a ser as melhores pessoas para trazerem a palco tão rico espólio. Escrevi, então, com todo o entusiasmo de quem via uma das suas bandas preferidas da adolescência: "A loucura instalou-se rapidamente. Assim que começou a soar a linha de baixo de 'Bone Machine', foi furar, furar, furar, furar, furar, até, ufff., chegar à frente, onde toda a gente pulava, dançava, 'slamava', enfim... a maior das alegrias por ver e ouvir de perto o quarteto fantástico. Por duas ou três vezes, os ténis iam ficando pelo caminho, os óculos saltando, as forças faltando, mas... cada momento era celebrado como se nada mais fosse importante. Cada tema tocado servia de motivo a enormes explosões de alegria, de gozo pela experiência ali sentida. 'Where is My Mind', 'Hey', 'Caribou', 'In Heaven (Lady in the Radiator Song)' ou 'Monkey Gone to Heaven' foram momentos mágicos. 'I Bleed', 'Something Against You' (quase inaudível para quem estava lá mais à frente), 'Isla de Encanta' ou 'Vamos' foram absolutamente trepidantes. Mas houve muito mais. Nunca mais esquecerei o final, perfeitamente diabólico, com 'Tame'..."

23. JOHN ZORN'S ELECTRIC MASADA @ AULA MAGNA
25 de Abril de 2004
John Zorn, Marc Ribot, Cyro Baptista, Joey Baron, Ikue Mori, Kenny Wollesen, Trevor Dunn e Jamie Saft. Os dedos quase tremem ao escreverem estes nomes. Se, individualmente, são colossos, quando se juntam, então, fazem estragos imensuráveis e inimagináveis. O meu amigo João Gonçalves falou assim do espectáculo, na altura: "John Zorn funciona como um maestro da orquestra do caos sonoro, consegue arrancar sequências devastadoras, tudo com simples gestos que todos os músicos entendem. E depois faz, com só uma palavra, com que o público se indentifique com tudo aquilo: 'Revolution!', gritou Zorn para a plateia da Aula Magna, em pleno dia 25 de Abril. A Electric Masada mostra que está ali a fazer tudo menos maçar o público. Há uma alegria no palco que transborda para a plateia. A experiência, musicalmente falando, é inesquecível e a vontade que dá de ficar a ouvir aquelas composições sonoras a noite toda... Há alturas em que Zorn parece Mourinho a dar indicações para o relvado, ao mesmo tempo que a sua equipa interpreta as instruções na perfeição para obter o êxito. Neste quadro, Ribot toma o lugar de sábio adjunto.
Um concerto 10/10."

24. ZU @ ZDB
20 de Fevereiro de 2004
A primeira actuação dos italianos Zu na ZDB (a segunda foi este ano), foi inesquecível. Escrevi, na altura: "Ainda apenas vamos em Fevereiro e 2004 já conheceu uma série de óptimos concertos. A actuação de ontem dos Zu, um trio de free-hardcore-jazz italiano composto por Massimo Pupillo (baixo), Jacopo Battaglia (bateria) e Luca Tommaso Mai (saxofone alto e barítono), na Galeria Zé dos Bois, foi mais uma dessas ocasiões. Pense-se em Painkiller, pense-se em Shellac (não é estranho que os Zu estejam envolvidos com gente de Chicago, como o próprio Steve Albini), pense-se em Nomeansno, pense-se numa secção rítmica tremendamente forte e irrepreensivelmente sincronizada, pense-se numa postura sempre dirigida por uma excelente disposição (o descambanço no final em 'Beat on the Brat', dos Ramones, é apenas uma pequena ilustração disto), e talvez se consiga imaginar um pouco do que foi o concerto de ontem."

25. PJ HARVEY @ TEATRO RIVOLI
30 de Outubro de 2000
As obras na praça D. João I, onde fica o Rivoli, faziam com que o local parecesse um qualquer cenário de guerra trazido pelas televisões. A ajudar ao ambiente de caos, largas centenas de pessoas tentavam arranjar forma de entrar para uma sala que já se encontrava com lotação esgotada. O mau tempo tinha transferido para aquela sala, à última da hora, um concerto que estava prometido para a rua de Santa Catarina, na inauguração da segunda loja no Grande Porto de uma conhecida cadeia francesa de retalhistas de plasmas, portáteis, livros e discos. Mas a maior responsável por tanto desejo, ora satisfeito, ora frustrado, era Polly Jean Harvey, que ali aparecia pela primeira vez em Portugal num palco só para si. Já tinha havido a actuação no Sudoeste de 98, já tinha havido a hipótese frustrada, por doença, do Coliseu dos Recreios, com Howe Gelb. Saiu a sorte grande a quem conseguiu entrar no Rivoli.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #46-50

46. MOR KARBASI @ FMM SINES
20 de Julho de 2009
Escrevi, na altura: "Ao meu lado, uma mulher batia com a mão no peito. Eu sentia os olhos a lacrimejarem. No palco, a israelita Mor Karbasi começava a cantar os primeiros versos de 'Rua do Capelão', de Amália Rodrigues, num português magnífico, com um arrojo vocal de fazer cair os queixos. Foi o momento da noite, será certamente um dos episódios mais notáveis desta edição do FMM, mas o espectáculo da israelita, acompanhada por piano, guitarra eléctrica, baixo e percussão, não se resumiu apenas a tal. Se há noites para a qual a palavra beleza existe é para descrever tanto Mor Karbasi como o seu espectáculo."

47. SONIC YOUTH @ SONAR
14 de Junho de 2001
Das vezes em que vi os Sonic Youth ao longo desta década, dou destaque à apresentação feita no Sonar (nesta lista dos "100 mais" não há repetições de nomes, salvo poucas excepções). O quarto disco da colecção SYR, "SYR4: Goodbye 20th Century", aquele em que a banda se pôs erudita, a interpretar compositores vanguardistas (John Cage, Steve Reich, Pauline Oliveros ou até Yoko Ono, entre outros), tinha saído há pouco menos de dois anos, mas havia o pretexto de uma mini-digressão europeia num formato muito especial. Nas palavras do Thurston Moore, "it was us sitting down on stage with music stands and people handing out programs. The most interesting one was at the Sonar festival in Barcelona, which is an experimental electronic music festival. These kids were there and they didn’t like it; I could really feel it. I realised afterward that what they were hearing would be like if we played some avant-jazz festival and came out playing King Oliver. We were playing these early pioneers of electronic music pieces, some Fluxus music, all this fuddy-duddy academic music at a cutting-edge electronic festival. In a way we were really squaresville."

48. MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS @ FMM SINES
29 de Julho de 2005
Depois dos Sonic Youth, outro ícone nova-iorquino, nómada da música (das músicas), doutor da guitarra (das guitarras). Neste FMM, só os KTU de Kimmo Pohjonen o ultrapassaram na lista de preferências.

49. PANDA BEAR @ ZDB
3 de Fevereiro de 2005
Foram três as vezes que Panda Bear se apresentou na ZDB, para actuações curtas (nunca muito mais de meia hora), mas extremamente eficientes. Esta foi a terceira dessas ocasiões, numa noite que contou ainda com Ariel Pink e Signer. Escrevi: "Na primeira vez, foi loops de guitarras acústicas e outros sonsfolkish mais a voz. Na segunda vez, Panda Bear introduziu o beat de forma mais explícita. Prosseguindo o crescendo, este terceiro concerto teve uma abordagem claramente mais rítmica, com loops e beats para fazer quase dançar. Destaque para o último tema, que rematou de forma soberba e surpreendentemente coerente o espectáculo. Panda Bear chegou a África. Chegou ao transe do afro-beat. Houvesse ali daqueles riffs de guitarra eléctrica característicos de milhentas bandas pop do Zimbabué e nem se estranharia. Momento inesquecível."

50. SEPTETO ROBERTO JUAN RODRIGUEZ @ FMM SINES
31 de Julho de 2004
Escrevi: "A maior surpresa do festival, aqui para o tasco, foi Roberto Juan Rodriguez. Klezmer, muito klezmer, irrepreensivelmente tocado, com os timbalões de Rodriguez a evocar os ritmos da sua terra natal, Cuba. E Rodriguez é mesmo um colosso na bateria, algo que ficou por demais evidente no encore final. As muralhas do castelo de Sines não ruiram por pouco."

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Marc Ribot vs Ry Cooder

O músico testado este mês pela "Invisible Jukebox" da Wire é o guitarrista Marc Ribot (aos portuenses e outros: que tal foi o concerto na CdM?). A dada altura, depois de lhe ser pedido para adivinhar um tema de Ry Cooder («he's a killin' slide player, that Ry Cooder»), em que ele não acerta, o jornalista pergunta-lhe como foi o primeiro contacto entre ambos. A resposta:
«É uma história engraçada. Os guitarristas têm a tendência para não se encontrarem com outros guitarristas, porque ou chamam um para uma sessão ou chamam outro. Nunca vão chamar os dois, entende? (...) Eu estava a tocar com os Postizos numa estação de rádio em LA, fazendo uma sessão em directo, e o Ry Cooder e o filho estvam a descer uma auto-estrada não muito longe de lá. Ouviram aquilo e foram para lá e quando nós acabámos de tocar, eles já lá estavam (risos)(...)
Mais à frente: «Talvez eu e o Ry Cooder sejamos doppelgängers (risos), talvez sejamos a mesma pessoa sujeita a diferentes condições materiais.»

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Nova Iorque no Porto, Montreal em Lisboa

A noite de hoje promete em grande, quer em Lisboa, quer no Porto.
Na Casa da Música apresenta-se o guitarrista Marc Ribot, num registo diferente daquele que trouxe no ano passado a Sines. É "Spiritual Unity", o mais importante trabalho de Albert Ayler, que dá nome ao espectáculo desta noite, onde Ribot, Henry Grimes (habitual contrabaixista de Ayler nos anos 60), Roy Campbell (trompestista) e Chad Taylor (baterista do Chicago Underground Duo/Trio/Quartet) vão procurar homenagear a obra do lendário saxofonista do free jazz.
Por Lisboa, na ZDB, a noite cabe a Carla Bozulich e aos HRSTA. Bozulich não virá acompanhada do namorado Nels Cline, mas traz os Evangelista Band, um colectivo de cinco músicos ligados aos HRSTA, aos Black Ox Orchestar (o klezmer punk da Constellation) e aos extintos godspeed you! black emperor. Sobre Bozulich, diz o PR da ZDB que é como "a Chan Marshall nuns dias, a Lydia Lunch noutros e a um estranho cruzamento entre Loretta Lynn e Jarboe em feriados nacionais". Em nome próprio, tocarão também os HRSTA, o projecto pessoal do guitarrista Mike Moya (um dos fundadores dos godspeed), que nesta noite se apresenta em formato duo. É uma noite imperdível para os godspeed-freaks... (oi!)

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Marc Ribot dá aula em Sines

Já se começa a perspectivar o próximo Festival de Músicas do Mundo de Sines. Este ano os concertos começam mais cedo -- Porto Covo começará logo a receber artistas e público no dia 21 de Julho, sendo que outras actividades paralelas começam ainda mais cedo -- embora os dias fortes continuem a ser os do último fim-de-semana de Julho. Bom, fim-de-semana é um eufemismo para os dias que decorrem de quarta a sábado, 26 a 29...
À semelhança do ano passado, o FMM 2006 vai também contar com um atelier dirigido por um músico reputado. No ano passado era David Murray sobre saxofone e clarinete. Este ano o mestre será Marc Ribot, numa aula de guitarra que durará três dias, entre 26 e 28 de Julho, no novíssimo Centro de Artes. Marc Ribot, guitarrista experiente do jazz nova-iorquino, antigo guitarrista de Tom Waits e dos Lounge Lizards, volta a Sines um ano depois do magnífico concerto no castelo. A masterclass dirige-se, naturalmente, a guitarristas, bem como outros músicos e curiosos em geral. As inscrições são limitadas ao número de participantes.

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

As listas da gerência (CONCERTOS)

Os 100 concertos do ano:

1. 12 abr - EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN @ ccb

2. 30 jul - KTU @ fmm sines

3. 20 out - ANIMAL COLLECTIVE @ cacilhas, antigo clube naval

4. 11 jul - SHARON JONES AND THE DAP KINGS @ santiago alquimista

5. 29 jul - MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS @ fmm sines

6. 27 jul - POP DELL'ARTE @ forum lisboa

7. 28 jul - AMADOU & MARIAM @ fmm sines

8. 22 jul - ALI FARKA TOURÉ (& TOUMANI DIABATÉ) @ anf. keil do amaral

9. 21 jul - CAVEIRA @ zdb

10. 7 out - DURAN DURAN DURAN @ zdb

11. 24 jun - wolf eyes @ zdb
12. 4 jun - giant sand @ santiago alquimista
13. 29 mai - stooges @ sbsr
14. 25 dez - the legendary tigerman @ lisboa, zdb
15. 26 set - (smog) @ clube lua
16. 23 jun - hurtmold @ zdb
17. 7 dez - the hospitals @ lisboa, zdb
18. 3 fev - panda bear @ zdb
19. 5 fev - loosers @ padaria
20. 26 mar - james blackshaw @ zdb
21. 22 out - carlos bica @ lisboa, zdb
22. 6 nov - young gods @ lisboa, aula magna
23. 12 nov - caveira @ lisboa, aula magna
24. 17 fev - destroyer @ zdb
25. 30 mai - hood @ zdb
26. 28 ago - mogwai @ lisboa soundz
27. 15 dez - mécanosphère @ lisboa, institut franco-portugais
28. 12 mai - gang gang dance @ zdb
29. 9 abr - skatalites @ algés
30. 22 abr - six organs of admittance @ pátio do p.
31. 16 dez - anonima nuvolari @ lisboa, zdb
32. 5 mai - matt elliott @ zdb
33. 11 jun - nora keyes @ zdb
34. 2 jul - bypass @ zdb
35. 24 nov - the toasters @ lisboa, mercado da ribeira
36. 3 dez - caveira @ barreiro, ferroviários
37. 10 nov - meira asher @ lisboa, zdb
38. 3 nov - final fantasy @ lisboa, zdb
39. 9 abr - max romeo @ algés
40. 27 jan - dead combo (pt) @ zdb
41. 30 jul - master musicians of jajouka @ fmm sines
42. 17 mar - julie doiron @ zdb
43. 21 jan - ginferno @ zdb
44. 18 nov - samara lubelski @ lisboa, zdb
45. 18 nov - p.g. six @ lisboa, zdb
46. 23 mar - mão morta @ aula magna
47. 6 out - jane @ zdb
48. 19 mar - mão morta @ sines
49. 15 fev - dead combo @ bicaense
50. 30 jul - konono no.1 @ fmm sines
51. 10 set - vicious five @ mercado
52. 25 mar - james blackshaw @ famalicão, casa das artes
53. 28 jul - mahala rai banda @ fmm sines
54. 7 mai - bypass @ santiago alquimista
55. 12 mai - loosers @ zdb
56. 2 dez - the legendary tiger man @ lisboa, mercado
57. 29 jul - ba cissoko @ fmm sines
58. 27 mai - damon & naomi @ zdb
59. 11 jun - a hawk and a hacksaw @ zdb
60. 29 jul - astrid hadad @ fmm sines
61. 6 fev - jeffrey lewis @ zdb
62. 30 jul - samurai 4 @ fmm sines
63. 17 mar - berg sans nipple @ zdb
64. 30 set - vicious five @ zdb
65. 3 dez - lobster @ barreiro, ferroviários
66. 5 mai - many fingers @ zdb
67. 29 mai - bunnyranch @ sbsr
68. 29 mai - wray gunn @ sbsr
69. 26 nov - jackson and his computer band @ lisboa, sabotage
70. 26 mar - josephine foster @ zdb
71. 29 jul - hermeto pascoal @ fmm sines
72. 17 fev - frog eyes @ zdb
73. 12 mar - ty & dj bizznizz @ mercado
74. 6 out - evil moisture @ zdb
75. 10 fev - fish & sheep @ zdb
76. 12 nov - devendra banhart's hairy fairy @ lisboa, aula magna
77. 10 mar - hipnótica @ zdb
78. 10 mar - loosers @ lisboa bar
79. 7 out - candie hank @ zdb
80. 17 fev - hipnótica @ f*** chiado
81. 24 nov - westbound train @ lisboa, mercado da ribeira
82. 26 nov - who made who @ lisboa, sabotage
83. 13 abr - tuxedomoon @ forum lx
84. 23 jun - m. takara @ zdb
85. 22 jul - mabulu @ anfiteatro keil do amaral
86. 19 ago - dazkarieh @ sines
87. 28 ago - bunnyranch @ lisboa soundz
88. 8 dez - mojo hand @ lisboa, catacumbas
89. 7 out - ciné-mix @ zdb
90. 26 nov - camarão @ lisboa, lounge
91. 28 jul - segue-me à capela + brigada victor jara @ fmm sines
92. 14 jul - dêsso blues gang @ catacumbas
93. 25 mar - josephine foster @ famalicão, casa das artes
94. 22 nov - barbez @ lisboa, zdb
95. 3 jun - matt valentine & erika elder @ zdb
96. 10 fev - we shall say only the leaves @ zdb
97. 28 jul - ljiljiana buttler & mostar sevdah reunion @ fmm sines
98. 1 jul - martin rev @ zdb
99. 2 jul - ölga @ zdb
100. 14 jul - quinteto tati @ zdb

quarta-feira, 3 de agosto de 2005

Ainda na ressaca de Sines

Passados estes dias, não foi ainda possível recuperar por inteiro do jet lag provocado pelo regresso ao quotidiano corriqueiro, após este fim-de-semana louco que, sinceramente, já é olhado com uma enorme saudade. Até agora, após as quatro edições em que marquei presença, este foi o meu FMM favorito sendo que, por conseguinte, mantenho a ideia que este é o melhor festival do país, pese embora as reservas naturais que tenha para fazer uma afirmação desse género e ainda esperar que seja nela lida qualquer espécie de isenção. Porém, a opinião dos amigos e das pessoas que fui encontrando por Sines só o vieram confirmar. Quem foi pela primeira vez, quer voltar para o ano (e por mais dias). Quem já conhecia, não lhe poupa elogios.
O que teve a edição deste ano de tão especial? Em primeiro lugar, porque afinal é isso que mais importa, grandes concertos, dos transes hipnóticos dos Master Musicians of Jajouka e dos Konono no.1 às explosões sónicas dos KTU ou de Marc Ribot & The Young Philadelphians, da hilariante boa disposição da mexicana Astrid Hadad à imensurável beleza da música maliana trazida pelo casal Amadou & Mariam, da folia cigana dos Mostar Sevdah Reunion aos delírios jazzísticos da trupe de Hermeto Pascoal. Em segundo lugar, porque não houve, à semelhança do que vinha já a acontecer noutras edições, maus concertos. Em qualquer outro festival, daqueles que os telejornais gostam de falar, encontramos sempre razões para ir beber uma cerveja bem longe do palco ou para ir dormir mais cedo, não porque estejamos cansados, mas porque os nossos ouvidos não suportam a música daquele nome que a organização decidiu enfiar no cartaz. Em Sines, a fasquia é outra e isso não acontece. Em terceiro lugar, porque todo o ambiente que envolve esta festa é único. É a confraternização, é aquela bela zona central de Sines, é aquele castelo acolhedor que domina sobre uma espécie de baía onde se espoja a praia Vasco da Gama, é as conversas com os músicos na capela, é isto e muito mais. O grande mal do FMM é ter-se que esperar mais doze meses para se poder voltar a sentir tudo isto.
Fica aqui um pequeno top dos concertos que mais gostei:
1. KTU
2. Marc Ribot & The Young Philadelphians
3. Amadou & Mariam
4. Konono no.1
5. Astrid Hadad

quarta-feira, 20 de julho de 2005

Free latin klezmer jam?

Castelo de Sines
Sexta-feira, 29 de Julho, 21h30

Nome: Marc Ribot & The Young Philadelphians
Origem: EUA
Discografia: -
Site: www.marcribot.com
Barómetro de ansiedade: 4,5/5

É sempre um privilégio imenso poder contar com a presença de Marc Ribot em palcos portugueses. Tanto mais quando vem em nome próprio (ou quase), tal como acontece desta vez. O guitarrista que já deixou marcas indeléveis na obra de John Zorn, Don Byron, Tom Waits ou Lounge Lizards, não esquecendo o seu magnífico trabalho com o combo latino Los Cubanos Postizos, vem agora acompanhado pelo baixista Jamaaladeen Tacuma e pelo baterista Calvin Weston, ambos colaboradores de Ornette Coleman. A estes junta-se, no piano e nos teclados, Anthony Coleman, figura essencial da Radical Jewish Culture, movimento nova-iorquino de vanguarda cujo epicentro se situa na Tzadik de John Zorn. Ou seja, é de esperar que o espectáculo de Marc Ribot & The Young Philadelphians nunca fique abaixo de uma intensa "jam" entre jazz, funk, música klezmer, noise e tudo o mais que costuma caber no vasto horizonte de exploração de Ribot e dos que o acompanham.

Para mais informações sobre o FMM Sines: www.fmm.com.pt

sábado, 11 de junho de 2005

Os concertos de Sines (cartaz fechado!)

O Juramento regressa de mais uma pequena semana de férias com uma bela notícia: o cartaz dos concertos do próximo Festival de Músicas do Mundo de Sines, a decorrer no último fim-de-semana de Julho. Com nomes fortes como Marc Ribot, Hermeto Pascoal (ainda andará com as galinhas e os porcos na sua entourage?), Kimmo Pohjonen (no seu projecto KTU), a Mahala Rai Banda, os Konono no.1 ou os míticos Master Musicians of Jajouka, vai ser, uma vez mais, um evento de arromba. O último dia, então, vai certamente fazer história no panorama dos festivais (de qualquer género) de música em Portugal. Os concertos, que constituem a parte principal de uma série de acontecimentos associados ao Festival de Música de Sines, decorrem nos habituais espaços do Castelo, da Capela da Misericórdia e da avenida da Praia, estando previsto ainda acontecer um espectáculo na localidade de Porto Covo.

28 de Julho
34 PUÑALADAS (Argentina)
CRISTINA BRANCO + BRIGADA VITOR JARA + SEGUE-ME À CAPELA (Portugal)
LJILJIANA BUTTLER & MOSTAR SEVDAH REUNION (Bosnia-Herzegovina)
AMADOU & MARIAM (Mali)
MAHALA RAI BANDA (Roménia)

29 de Julho
LULA PENA (Portugal)
MARC RIBOT & THE YOUNG PHILADELPHIANS (Estados Unidos)
ASTRID HADAD (México)
HERMETO PASCOAL (Brasil)
BA CISSOKO (Guiné-Conakri)

30 de Julho
SAMURAI 4 (Japão)
MASTER MUSICIANS OF JAJOUKA feat. BACHIR ATTAR (Marrocos)
KTU (Finlândia/Estados Unidos)
KILA (Irlanda)
KONONO Nº 1 (Congo)

terça-feira, 16 de setembro de 2003

Rock no hospital

No trabalho de pesquisa que tenho levado a cabo para a biografia dos Mão Morta, deparei aqui há tempos com um excelente artigo de Miguel Francisco Cadete, no Blitz de 2 de Novembro de 1993, e com o mesmo título desta posta. Basicamente, o jornalista foi à procura de casos de violência no rock em Portugal e compilou-os em duas páginas de jornal recheadas de histórias interessantes. Ali fala-se da violência infligida pelas forças de ordem, antes e depois do 25 de Abril, nos concertos rock. Fala-se da violência da segurança, como o caso dos profissionais que pontapeavam os "crowd-surfers" que caíam no fosso do concerto dos Stranglers. Fala-se na violência dos próprios músicos, como quando um dos guitarristas de Sepultura, em Cascais, atingiu um segurança (que se estava a exceder -- eu estive nesse concerto) com a guitarra. Fala-se violência do público, e nas vezes que UHF ou os Guns n'Roses foram arremessados com cerveja. Fala-se nas situações de limite a que os músicos se entregaram e que, por tal, se viram obrigados a fazer viagem do palco para o hospital, como a facada de Adolfo Luxúria Canibal. Fala-se em muitas outras espécies de distúrbios, mas as situações mais interessantes (e cómicas) são aquelas que envolvem músicos e críticos. Entre os exemplos dados, "Rui Veloso encostou o crítico do Expresso, João Lisboa, à parede, nos corredores do Teatro São Luiz, por altura do concerto de Marc Ribot" ou "O autor de "A Arte Eléctrica de Ser Português" [António Duarte] foi vítima de uma tentativa de agressão por parte de Iggy Pop"...