Em jeito de antecipação, o "Uma Vez na Vida", que Rui Portulez leva ao ar a partir do GNRation, em Braga, vai contar com a presença de Adolfo Luxúria Canibal. Já nesta noite de quarta-feira, a partir das 21h30.
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quarta-feira, 18 de março de 2015
Mão Morta, em modo integral na RUM
Na emissão desta quinta-feira da Rádio Universitária do Minho só vai dar Mão Morta. Entre as 9h da manhã e as 8h da noite, vai ser percorrida toda a discografia, de "Mão Morta" (1988) a "Pelo Meu Relógio São Horas de Matar" (2014), vai haver participação em estúdio de vários dos atuais e dos antigos elementos e muitos testemunhos de gente associada ao universo da banda bracarense.
Em jeito de antecipação, o "Uma Vez na Vida", que Rui Portulez leva ao ar a partir do GNRation, em Braga, vai contar com a presença de Adolfo Luxúria Canibal. Já nesta noite de quarta-feira, a partir das 21h30.
Em jeito de antecipação, o "Uma Vez na Vida", que Rui Portulez leva ao ar a partir do GNRation, em Braga, vai contar com a presença de Adolfo Luxúria Canibal. Já nesta noite de quarta-feira, a partir das 21h30.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
Hoje é dia de acertarmos os relógios: há Mão Morta no Lux
Reparem bem, ó lisboetas, qual foi a última vez que puderam ver os Mão Morta em pé -- que é como se deve assistir a um concerto de Mão Morta, porra! -- e com a qualidade de som tão boa como a do PA do Lux? Quando mesmo?
quinta-feira, 27 de março de 2014
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
10 anos, 10 canções
Não é fácil escolher 10 canções para um período de 10 anos, nem é certo que daqui a meia hora a escolha fosse a mesma (ei, a "All Leaves Are Gone", a "Someone Great" e a "Banshee Beat" estariam lá sempre). Aqui ficam, por ordem alfabética, 10 das canções que fizeram mexer os neurónios e os músculos por estas bandas, desde que esta casa amarela abriu, em agosto de 2003:
Adele "Rolling in the Deep" (2010)
Akron/Family "River" (2009)
Animal Collective "Banshee Beat" (2005)
Bombino "Her Tenere" (2013)
Dan Le Sac vs. Scroobius Pip "Thou Shalt Always Kill" (2007)
Edward Sharpe and the Magnetic Zeros "Home" (2010)
Josephine Foster "All Leaves Are Gone" (2004)
LCD Soundsystem "Someone Great" (2007)
Mão Morta "Tiago Capitão" (2010)
Six Organs of Admittance "Lisboa" (2005)
Adele "Rolling in the Deep" (2010)
Akron/Family "River" (2009)
Animal Collective "Banshee Beat" (2005)
Bombino "Her Tenere" (2013)
Dan Le Sac vs. Scroobius Pip "Thou Shalt Always Kill" (2007)
Edward Sharpe and the Magnetic Zeros "Home" (2010)
Josephine Foster "All Leaves Are Gone" (2004)
LCD Soundsystem "Someone Great" (2007)
Mão Morta "Tiago Capitão" (2010)
Six Organs of Admittance "Lisboa" (2005)
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Dizem os chineses, e com razão, que a palavra é prata e o silêncio é ouro
Começa amanhã, ao fim da tarde na esplanada do Povo, ao Cais do Sodré, mais uma edição do Festival Silêncio. De 26 de junho a 1 de julho, cinco espaços da cidade de Lisboa -- MusicBox, Cinema São Jorge, Pensão Amor, Povo e Fundação José Saramago -- vão receber espetáculos, conversas, sessões de leitura, cinema, etc. Na música, o destaque da edição deste ano vai para os espetáculos dos Irmãos Demónio, grupo formado especialmente para o festival por Filho da Mãe, Hélio Morais, Quim Albergaria e Kalaf, dos Poetas, coletivo recuperado aos anos 90 por Rodrigo Leão e Gabriel Gomes, entre outros, dos Pop Dell'Arte, com "Neurotycon", um espetáculo de spoken word, e dos Mão Morta, com "Bate Papo", um reportório especialmente inclinado para a spoken word. Mas há muito mais ao longo desta semana. Fica aqui a parte do programa dedicada aos espetáculos:
26 de junho
18h30 - Festa de abertura @ Povo
21h30 - O fado dos poetas @ Povo
27 de junho
23h00 - Irmãos Demónio @ MusicBox
28 de junho
22h30 - A invenção do dia claro @ MusicBox
23h30 - Beat Hotel @ MusicBox
29 de junho
22h00 - Os Poetas, Entre nós e as palavras @ São Jorge
23h30 - 2Morrows Victory @ MusicBox
00h30 - Capicua @ MusicBox
02h00 - Noite Príncipe #5 @ MusicBox
30 de junho
17h00 - Campeonato de Scrabble @ Povo
22h00 - Pop Dell'Arte, Neurotycon @ São Jorge
22h30 - Silva O Sentinela + Poetry Slam Portugal + Joshua Idehen @ MusicBox
01h30 - Combo Nuevo Los Malditos (Festa de encerramento) @ MusicBox
1 de julho
22h00 - Mão Morta, Bate Papo + Joshua Idehen @ São Jorge
Programa completo e outras informações em www.festivalsilencio.com
26 de junho
18h30 - Festa de abertura @ Povo
21h30 - O fado dos poetas @ Povo
27 de junho
23h00 - Irmãos Demónio @ MusicBox
28 de junho
22h30 - A invenção do dia claro @ MusicBox
23h30 - Beat Hotel @ MusicBox
29 de junho
22h00 - Os Poetas, Entre nós e as palavras @ São Jorge
23h30 - 2Morrows Victory @ MusicBox
00h30 - Capicua @ MusicBox
02h00 - Noite Príncipe #5 @ MusicBox
30 de junho
17h00 - Campeonato de Scrabble @ Povo
22h00 - Pop Dell'Arte, Neurotycon @ São Jorge
22h30 - Silva O Sentinela + Poetry Slam Portugal + Joshua Idehen @ MusicBox
01h30 - Combo Nuevo Los Malditos (Festa de encerramento) @ MusicBox
1 de julho
22h00 - Mão Morta, Bate Papo + Joshua Idehen @ São Jorge
Programa completo e outras informações em www.festivalsilencio.com
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Vai haver um 4º volume de "À Sombra de Deus"
Já vai longe no tempo, mais de vinte anos, a edição de "À Sombra de Deus", coletânea lançada com o selo da Câmara Municipal de Braga com o intuito de expor ao país a efervescência que se fazia sentir por aquelas bandas, com bandas como os Mão Morta, os Rongwrong e os Bateau Lavoir, entre outras. Com o passar dos anos, outras duas edições vieram a ser dadas à estampa, mostrando novos projetos que entretanto vieram a aparecer (e a desaparecer). Está para breve a saída de um novo volume, o quarto, com 23 bandas ligadas à cidade de Braga, como Long Way to Alaska, Mundo Cão, Peixe:Avião, Smix Smox Smux e, claro, os Mão Morta, que aqui trazem um inédito, "A Ver o Mar". O quarto volume tem edição da Capital Europeia da Juventude - Braga 2012. Fica aqui a história da coletânea nas palavras do Adolfo Luxúria Canibal:
À SOMBRA DE DEUS – BRAGA 88 (1989)
01. Rongwrong – Estranho Prazer / 02. Pai Melga – Protesto do Diabo / 03. Orfeu Rebelde – Através dos Tempos / 04. Os Gnomos – Destino / 05. Bateau Lavoir – Até Um Dia / 06. Baile de Baden-Baden – Chuva de Verão / 07. Rua do Gin – Rebeca / 08. Mão Morta – 1º de Novembro
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 2 (1994)
01. Blind Panic – Negative I.D. / 02. Dusk – Fuga / 03. Electrodomésticos – Ramiz Alia / 04. Humpty Dumpty + Teota – Lição / 05. Industrial Metal Machine – Máquinas de Guerra / 06. Mão Morta – Rotte (A Morte É um Acto Solitário) / 07. Rua do Gin – Caravelas de Plástico / 08. Tass – Margem / 09. Um Zero Amarelo – Mel / 10. Wodka Technicolor – Deadecisions
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 3 (2004)
01. André Leite – Queen of Fools / 02. Big Fat Mamma – Alcoholic Blues / 03. Demon Dagger – Away / 04. Freequency – Stone / 05. Jack in the Box – Empty, Alone, Barren / 06. Mão Morta – Sobe, Querida, Desce / 07. Mécanosphère – O Cavalo Branco / 08. Os Seis Graus de Separação – Não Lugar Sem Sombra / 09. Phi – Electrified / 10. Spank The Monkey – Half a Man / 11. The Neon Road – The Junkie Park / 12. VortexSoundTech – Distances / 13. Wave Simulator – Adeus Mutante / 14. Zero – Quantas Vezes
À SOMBRA DE DEUS 4 – BRAGA 2012 (2012)
01. The Astroboy – Intention to Treat / 02. Mundo Cão – Meu Deus! / 03. Nyx – Music for a While / 04. Peixe:Avião – Voltas Cegas / 05. Estilhaços – Nevoeiro / 06. Long Way To Alaska – Yonder Year / 07. Ermo – Augusta / 08. Cavalheiro – Bom Jesus / 09. Dead Men Talking – Absolution of Time / 10. Monstro Mau – A Crise Está na Tua Cabeça / 11. The 1969 Revolutionary Orgy – Time for Living / 12. Vai-te Foder – Nascido para Odiar / 13. Palmer Eldritch – Bubble Chamber / 14. At Freddy’s House – Written in Blood, Water and Mud / 15. Smix Smox Smux – Par / 16. Egg Box – Slowdown / 17. Balão de Ferro – Soul do Rock / 18. Governo – Saudades de Sebastião / 19. Mão Morta – A Ver o Mar / 20. Tatsumaki – Dream Drive / 21. Angúria – Necrologia / 22. Hunted Scriptum – Melancolia / 23. Spitting Red – Inceptions Delay
À SOMBRA DE DEUS – Uma Retrospectiva
Quando em 1987/88 eu e o Berto Borges, então baterista dos Rongwrong, concebemos o projecto À Sombra de Deus, estávamos longe de imaginar a importância histórica e documental que o mesmo iria adquirir. Tínhamos a percepção nítida que estava a chegar ao fim um ciclo de grande pujança criativa da juventude da cidade e o nosso intuito era não deixar que o seu legado, no que à música diz respeito, fosse varrido pelo tempo. A maioria dos protagonistas dessa agitação juvenil da primeira metade da década de 1980 – grupos como Auaufeiomau, Ruge-Ruge, Comédia Selvagem, PVT Industrial, Os Eléctricos Chamados Desejo… – tinham cessado a actividade ou – no caso dos Bateau Lavoir – evoluído para algo diferente, sem deixarem qualquer documento que atestasse o que tinham sido esses anos. E quando em 1986 os seus herdeiros mais directos – Rongwrong, Mão Morta e Bateau Lavoir – fazem parangonas nas páginas dos jornais nacionais por via da participação no III Concurso de Música Moderna do Rock Rendez-Vous, em Lisboa (que ganhariam em toda a linha, com a vitória dos Rongwrong e a atribuição do Prémio de Originalidade aos Mão Morta), isso acaba por funcionar como caução do que já sabíamos: era não só social e culturalmente galvanizante como artisticamente relevante o que se passava em Braga. Mas se em 1988 tanto os Rongwrong como os Mão Morta já tinham a sua música gravada e editada, havia uma considerável quantidade de pérolas musicais do passado recente que só existiam na memória de quem tinha estado presente – eram essas pérolas que nós queríamos recuperar! Mas depressa nos demos conta que isso era como querer ressuscitar um cadáver: ninguém estava interessado em revisitar o passado, as circunstâncias que tinham ditado o fim das bandas pesavam mais do que quaisquer outras considerações e toda a gente preferia concentrar-se nos seus novos grupos e projectos. É assim que o nosso objectivo inicial acaba a ser desviado, obrigando-nos a olhar o presente e a fazer focagem na actualidade musical da cidade, que acabaria por dar subtítulo ao disco: Braga 88. E em 1988 essa cena musical juvenil era de transição: para além do triunvirato que dois anos antes colocara Braga no mapa musical português estavam ainda activos três outros grupos saídos das cinzas das movimentações juvenis da primeira metade da década (Rua do Gin, Baile de Baden-Baden e Espírito Ressacado) e surgiam já grupos de uma geração nova, que tinha por referência os ecos dos seus conterrâneos mais velhos (Orfeu Rebelde, Pai Melga, Os Gnomos). A colectânea integraria todos esses grupos – a excepção seriam os Espírito Ressacado que, quando da gravação do disco, tinham ido tentar a sua sorte para Berlim, por onde se mantiveram quase um ano –, fazendo um retrato fiel do que era a Braga musical em 1988. E foi com esta ideia já bem assente que Berto Borges foi apresentar o projecto aos responsáveis municipais, que o receberam de braços abertos e o assumiram como de interesse municipal. Foi assim já com o patrocínio da Câmara Municipal de Braga que em Dezembro de 1988 a colectânea À Sombra de Deus começou a tomar forma, com as diversas bandas participantes a deslocarem-se aos estúdios Tcha-tcha-tcha, em Miraflores, para registarem as suas intervenções, face à inexistência de estúdios de gravação em Braga. E a 19 de Abril de 1989 era então editado “À Sombra de Deus – Braga 88”, o primeiro disco publicado por uma Câmara Municipal a fazer o retrato musical juvenil de uma cidade, que para a história da música portuguesa revelaria ainda os Rua do Gin e o tema “Rebeca”.
Uns anos depois, já com Berto Borges afastado dos meandros musicais e concentrado na sua carreira de professor universitário e eu com a minha vida quase totalmente centralizada em Lisboa, onde se desenrolava a minha actividade jurídica, é Miguel Pedro, baterista dos Mão Morta, que, juntamente com Henrique Moura, retoma a ideia da colectânea. O panorama musical bracarense tinha-se alterado significativamente, num refluxo de visibilidade e de dinamismo colectivo, com a geração dos anos 80 reduzida aos Mão Morta, que prosseguiam o seu percurso cada vez mais destacado, aos Rua do Gin, intermitentes e à deriva, sem soluções de estabilidade, a projectos paralelos, como os Um Zero Amarelo, formado por Carlos Fortes e António Rafael, membros dos Mão Morta, ou a diversões de estúdio, como os Humpty Dumpty, do próprio Miguel Pedro e de Manuel Leite, antigo mentor e baixista dos Rongwrong, ou os Electrodomésticos, um devaneio de alguns sobreviventes dos Bateau Lavoir; quanto ao mais, havia ecos esporádicos de outras existências musicais pela cidade, sem conexão entre si, numa dispersão que acentuava ainda mais a sensação de vazio colectivo e de falta de uma cultura juvenil partilhada como a que movimentara a cidade na década anterior. Fazendo um levantamento dessas existências dispersas, Miguel Pedro encontrou um punhado de bandas – Blind Panic, Dusk, Industrial Metal Machine, Tass, Wodka Technicolor (esta integrando um sobrevivente dos Orfeu Rebelde) –, com algum dinamismo criativo e actividade efectiva, provenientes de uma nova geração com referências e motivações muito diversas e diferentes das dos seus conterrâneos mais velhos, e considerou que, juntamente com as bandas e projectos da geração anterior, tinha matéria suficiente para avançar para um segundo volume do À Sombra de Deus. Obtido o necessário apoio da Câmara Municipal, que mais uma vez se mostrou receptiva à ideia, e também da BMG – então editora dos Mão Morta –, o disco “À Sombra de Deus – Volume 2” começa a ser gravado em Novembro de 1993 no estúdio EPVA, de Manuel Leite, que com as facilidades ocasionadas pela tecnologia digital montara o primeiro micro-estúdio de gravação da cidade. Seria depois editado pela BMG em Setembro de 1994, numa cerimónia de lançamento que contou com um concerto de todas as bandas participantes e dos convidados britânicos Inspiral Carpets.
Em 2004 caberia mais uma vez a Miguel Pedro o ressuscitar da ideia da colectânea. Tinham-se passado dez anos e, depois de um refluxo que se pressentia já na edição anterior, Braga parecia ter de novo uma situação musical dinâmica, com alguns nomes a ganharem relevo nacional, como os Big Fat Mamma, que haviam assinado por uma multinacional, ou os Demon Dagger, um valor emergente na enérgica e marginal cultura do rock extremo. Fazendo um levantamento das existências, que continuavam dispersas, Miguel Pedro inventariou, para além dos Mão Morta, ainda uns restos de actividade da geração dos anos 80, corporizada nos Os Seis Graus de Separação, novo grupo de Paulo Trindade depois de encerrado o capítulo Rua do Gin, e nos Wave Simulator, nova encarnação musical de Jorge Roque cujas raízes longínquas remontavam aos Espírito Ressacado. Já da geração que havia despontado nos anos 90, mais concretamente do borralho dos Wodka Technicolor, vinham os VortexSoundTech e a banda de apoio a Sandy Kilpatrick, The Neon Road, um escocês então radicado em Braga, numa primeira nota de cosmopolitismo a querer romper no meio musical bracarense. As outras notas eram os Mécanosphère, que eu integrava juntamente com o francês Benjamin Brejon e o americano Scott Nydegger – que protagonizariam, inclusive, algumas colaborações com Sandy Kilpatrick –, e a vocalista brasileira dos Big Fat Mamma, Alex Liberalli. Ainda com ligações à geração dos anos 80, embora de outra ordem, surgia também André Leite, então um jovem e promissor songwriter, filho de Manuel Leite e de Teota, dos Rongwrong. As restantes existências musicais que Miguel Pedro recenseou com actividade significativa na cidade – bandas como Freequency, Jack In The Box, Phi, Spank The Monkey, Zero e as já referidas Big Fat Mamma e Demon Dagger – eram fruto de uma geração mais recente, que assomara para a música no final da década ou mesmo já no decorrer do novo milénio. Encontrados os protagonistas e recebido novamente o apoio da Câmara Municipal de Braga, o “À Sombra de Deus – Volume 3” começa a ser gravado em Maio de 2004 no estúdio que os Mão Morta, através da sua editora Cobra, haviam instalado com o técnico Nelson Carvalho na Casa do Rolão, então a sua histórica sala de ensaios. Seria depois editado a 26 de Julho do mesmo ano, com o selo do Município. Este terceiro volume, e a continuidade – por ele representada – do retrato panorâmico do som bracarense num momento concreto, transformaria definitivamente o projecto À Sombra de Deus num registo da actividade musical juvenil na cidade ao longo dos tempos, a primeira e única monitorização com estas características a existir em Portugal.
Conscientes desse facto, e do valor histórico, patrimonial e musicológico que isso implica, eu e o Miguel Pedro há muito que sentíamos chegado o momento para um novo volume do À Sombra de Deus. Com efeito, depois da conversão do espaço vazio sob a bancada Nascente do Estádio 1.º de Maio em modernas salas de ensaio e da sua disponibilização pela autarquia às bandas da cidade em 2006, o meio musical bracarense não era mais o mesmo. Ganhara uma nova dinâmica colectiva e, mais do que isso, um protagonismo de âmbito nacional que ultrapassava mesmo o alcançado pela mítica geração dos anos 80. Hoje, a par dos Mão Morta, nomes como Peixe:Avião, Long Way To Alaska, Mundo Cão, Smix Smox Smux ou At Freddy’s House são referências incontornáveis do panorama musical português. E com eles muitas outras bandas e projectos coexistem, em combinações diversas e percursos díspares, mas igualmente passíveis do mesmo destaque. E isso devia ficar registado. Tanto mais que a riqueza criativa do presente, ainda que potenciada pela partilha de áreas de ensaio e de convívio, era muito fruto da história musical da cidade, essa mesma história que vinha sendo contada pelos vários volumes do À Sombra de Deus. Assim, se da primitiva geração dos anos 80 só restavam musicalmente activos os Mão Morta, era dos seus membros que partiam muitas das ramificações e movimentações de intercâmbio que caracterizam de novo a cena musical bracarense – seja com elementos de outras bandas e de outras gerações seja chamando à cidade músicos e artistas de outras latitudes –, dando origem a colectivos e projectos como Mundo Cão, Estilhaços, O Governo ou Palmer Eldritch. Também da geração dos anos 90 só Marco Pereira, revelado nos Wodka Technicolor, se mantinha musicalmente activo – depois da sua passagem nos anos 00 pelos The Neon Road, VortexSoundTech e Wave Simulator –, mas dava logo corpo a Tatsumaki e aos Nyx. Finalmente, da geração revelada ao terceiro volume do À Sombra de Deus havia ainda um grande rasto de actividade: das cinzas dos Big Fat Mamma vinham os Monstro Mau e os Balão de Ferro, com Gonçalo Budda a integrar também os Mundo Cão; do lume dos Freequency vinham bandas e projectos como os Smix Smox Smux, os Peixe:Avião, The Astroboy e Palmer Eldritch; do ocaso dos Spank The Monkey vinha o At Freddy’s House. Tudo isto, com epicentro nas salas de ensaio do Estádio 1.º de Maio, já daria para preencher um novo disco do À Sombra de Deus, embora lhe ficasse a faltar um novo capítulo da gesta da música bracarense – o capítulo aberto por bandas como Long Way To Alaska, Ermo, Hunted Scriptum, Spitting Red, Egg Box, Vai-te Foder, The 1969 Revolutionary Orgy ou Angúria, nascidas no seio de uma nova geração particularmente activa e promissora. Por fim, o retrato musical da cidade não ficaria ainda completo se não incluísse os projectos de músicos que, tendo tido percurso por outras paragens, se tinham entretanto fixado em Braga, como é o caso de Cavalheiro e de Dead Men Talking. Era pois toda esta riqueza e diversidade que devia ficar documentada, fixando um momento especialmente mágico da história musical da cidade. Assim, quando Braga foi nomeada Capital Europeia da Juventude, logo nos demos conta que tínhamos aí a oportunidade para o concretizar desse almejado novo volume do À Sombra de Deus. Miguel Pedro tratou pois de apresentar o projecto aos responsáveis pela Capital Europeia da Juventude, que imediatamente o apadrinharam, e em Fevereiro de 2012, no estúdio Moby Dick que Gonçalo Budda propositadamente deslocara e montara no complexo das salas de ensaio do Estádio 1.º de Maio, iniciavam-se as gravações das bandas participantes. Começava a tomar forma a colectânea “À Sombra de Deus 4 – Braga 2012”, o quarto volume desta narrativa da música juvenil bracarense, agora editado sob os auspícios da Capital Europeia da Juventude – Braga 2012 e com distribuição nacional pela Compact.
Adolfo Luxúria Canibal
À SOMBRA DE DEUS – BRAGA 88 (1989)
01. Rongwrong – Estranho Prazer / 02. Pai Melga – Protesto do Diabo / 03. Orfeu Rebelde – Através dos Tempos / 04. Os Gnomos – Destino / 05. Bateau Lavoir – Até Um Dia / 06. Baile de Baden-Baden – Chuva de Verão / 07. Rua do Gin – Rebeca / 08. Mão Morta – 1º de Novembro
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 2 (1994)
01. Blind Panic – Negative I.D. / 02. Dusk – Fuga / 03. Electrodomésticos – Ramiz Alia / 04. Humpty Dumpty + Teota – Lição / 05. Industrial Metal Machine – Máquinas de Guerra / 06. Mão Morta – Rotte (A Morte É um Acto Solitário) / 07. Rua do Gin – Caravelas de Plástico / 08. Tass – Margem / 09. Um Zero Amarelo – Mel / 10. Wodka Technicolor – Deadecisions
À SOMBRA DE DEUS VOLUME 3 (2004)
01. André Leite – Queen of Fools / 02. Big Fat Mamma – Alcoholic Blues / 03. Demon Dagger – Away / 04. Freequency – Stone / 05. Jack in the Box – Empty, Alone, Barren / 06. Mão Morta – Sobe, Querida, Desce / 07. Mécanosphère – O Cavalo Branco / 08. Os Seis Graus de Separação – Não Lugar Sem Sombra / 09. Phi – Electrified / 10. Spank The Monkey – Half a Man / 11. The Neon Road – The Junkie Park / 12. VortexSoundTech – Distances / 13. Wave Simulator – Adeus Mutante / 14. Zero – Quantas Vezes
À SOMBRA DE DEUS 4 – BRAGA 2012 (2012)
01. The Astroboy – Intention to Treat / 02. Mundo Cão – Meu Deus! / 03. Nyx – Music for a While / 04. Peixe:Avião – Voltas Cegas / 05. Estilhaços – Nevoeiro / 06. Long Way To Alaska – Yonder Year / 07. Ermo – Augusta / 08. Cavalheiro – Bom Jesus / 09. Dead Men Talking – Absolution of Time / 10. Monstro Mau – A Crise Está na Tua Cabeça / 11. The 1969 Revolutionary Orgy – Time for Living / 12. Vai-te Foder – Nascido para Odiar / 13. Palmer Eldritch – Bubble Chamber / 14. At Freddy’s House – Written in Blood, Water and Mud / 15. Smix Smox Smux – Par / 16. Egg Box – Slowdown / 17. Balão de Ferro – Soul do Rock / 18. Governo – Saudades de Sebastião / 19. Mão Morta – A Ver o Mar / 20. Tatsumaki – Dream Drive / 21. Angúria – Necrologia / 22. Hunted Scriptum – Melancolia / 23. Spitting Red – Inceptions Delay
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Senhoras e senhores, do meu lado esquerdo, vestindo calção preto, os Mão Morta, do meu lado direito, vestindo calção multi-colorido, os Pop Dell'Arte!
Aqui há uns tempos, embalado pela febre do "Don't Look Back", a série de eventos que a boa gente da ATP vem promovendo desde 2005 para cá, com bandas a tocarem ao vivo os seus álbuns de referência, um radialista conhecido achava que devíamos mover influências para termos os Mão Morta e os Pop Dell'Arte, como primeiro exemplo, a actuarem num mesmo palco, tentando recuperar as memórias de outros tempos. Torci desde logo o nariz à ideia. Não só gosto de preservar a ideia de que a água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte, como acho que, naquele exemplo concreto, ao trazer de novo à luz do dia uma boa memória de um passado bonito como foi aquele que juntou as duas bandas no início, e tentar fazê-lo existir de novo, corríamos um certo risco de invocar a... maldição da esfinge.
Mas, entretanto, o reencontro entre Mão Morta e Pop Dell'Arte em palco vai mesmo acontecer. São, à partida, concertos distintos, esperando-se que haja pelo menos um "Juramento Sem Bandeira" a meias entre o Peste e o Adolfo, e vão acontecer em mais uma edição do Clubbing da Casa da Música, no próximo dia 2 de Outubro. E há muito mais a acontecer. Na sala Suggia, há cinco bandas: Sektor 304, The Mad Dogs, OliveTreeDance, Plus Ultra e Pequeno Bandido. Há ainda uma actuação de Sei Miguel, deejaying de Klint Gonzev e Joe K, mais um set especial de Álvaro Costa a meter... kraut! Sim, o Álvaro Costa promete uma noite de kraut! A entrada vai custar 10 euros. Mais informação aqui.
Mas, entretanto, o reencontro entre Mão Morta e Pop Dell'Arte em palco vai mesmo acontecer. São, à partida, concertos distintos, esperando-se que haja pelo menos um "Juramento Sem Bandeira" a meias entre o Peste e o Adolfo, e vão acontecer em mais uma edição do Clubbing da Casa da Música, no próximo dia 2 de Outubro. E há muito mais a acontecer. Na sala Suggia, há cinco bandas: Sektor 304, The Mad Dogs, OliveTreeDance, Plus Ultra e Pequeno Bandido. Há ainda uma actuação de Sei Miguel, deejaying de Klint Gonzev e Joe K, mais um set especial de Álvaro Costa a meter... kraut! Sim, o Álvaro Costa promete uma noite de kraut! A entrada vai custar 10 euros. Mais informação aqui.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Arquivismo de concertos, pt. 2 - os portugueses mais vistos
Prosseguindo no que ontem foi aqui apresentado, eis...
OS PORTUGUESES MAIS VISTOS
1º Mão Morta - 44 vezes
2º Bypass - 18 vezes
3º Hipnótica e Pop Dell'Arte - 15 vezes
5º Anonima Nuvolari (*), Gaiteiros de Lisboa e Gatos do Telhado (**) - 11 vezes
8º Loosers e Caveira (***) - 10 vezes
10º More República Masónica - 9 vezes
11º Mécanosphère (****), Wraygunn e The Legendary Tiger Man (*****) - 7 vezes
14º Cool Hipnoise, D3Ö, Da Weasel, Dead Combo, Gala Drop, Oquestrada, Tina and The Top Ten e Vicious Five - 6 vezes
(*) Ok, eles são italianos, mas vivem e trabalham cá...
(**) Eram uma banda dos tempos do liceu
(***) Incluindo uma data de suporte a Damo Suzuki
(****) A mesma justificação dos Nuvolari
(*****) Incluindo uma actuação a meias com a Rita Redshoes
OS PORTUGUESES MAIS VISTOS
1º Mão Morta - 44 vezes
2º Bypass - 18 vezes
3º Hipnótica e Pop Dell'Arte - 15 vezes
5º Anonima Nuvolari (*), Gaiteiros de Lisboa e Gatos do Telhado (**) - 11 vezes
8º Loosers e Caveira (***) - 10 vezes
10º More República Masónica - 9 vezes
11º Mécanosphère (****), Wraygunn e The Legendary Tiger Man (*****) - 7 vezes
14º Cool Hipnoise, D3Ö, Da Weasel, Dead Combo, Gala Drop, Oquestrada, Tina and The Top Ten e Vicious Five - 6 vezes
(*) Ok, eles são italianos, mas vivem e trabalham cá...
(**) Eram uma banda dos tempos do liceu
(***) Incluindo uma data de suporte a Damo Suzuki
(****) A mesma justificação dos Nuvolari
(*****) Incluindo uma actuação a meias com a Rita Redshoes
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Do tempo em que fazia colecção de setlists, nº8
Mão Morta, Coliseu dos Recreios, 7 de Janeiro de 1999
Mais uma de Mão Morta. Esta pertencia à realizadora Mariana Otero, e serviu-lhe de auxílio às imagens que eram projectadas nos écrans e televisões em palco.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Do tempo em que fazia colecção de setlists, nº3
Mão Morta, Pavilhão Carlos Lopes, no festival Combate Rock, 30 de Março de 1996
(em meia folha de mesa de restaurante)
Esta é uma de muitas de Mão Morta, como devem imaginar...
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Duas mãos
Noutros tempos, uma resposta frequente de Adolfo Luxúria Canibal a perguntas do género "a quem é que os Mão Morta se dirigem?" era algo como: "Os Mão Morta dirigem-se tanto ao miúdo traquinas da última carteira como ao intelectual de óculos da primeira". Ou outras palavras parecidas. Com o tempo, fosse pelo permanente desejo da banda, enquanto colectivo, em arriscar pisar novos terrenos sonoros, fosse pela entrada de novos elementos provenientes de outras andanças, fosse pelo que fosse, os Mão Morta vieram alargando a sua base de seguidores, ao mesmo tempo que deixavam claro (e continuam a deixar) provas de vida inegáveis. Do ponto de vista estritamente musical, que é olhar para a carreira do grupo como descrever um elefante pela tromba, meteram-se no trip-hop com "Tu Disseste", foram ao nu-metal com "Cão da Morte", experiência que ganhou com o tempo (falo por mim, obviamente) e que acabou por, de alguma forma, moldar os arranjos ao vivo para temas mais antigos, como os mais pesados do disco "Mutantes S.21". Pelo caminho, reforçaram a expressão conceptual e dramática como ninguém por cá (e poucos lá fora) consegue, com projectos como "Müller..." e "Maldoror". Hoje, 25 anos depois dos primeiros concertos, e para responder àquela tal pergunta usando o mesmo tipo de metáfora, o Adolfo teria que demorar mais tempo a apontar os estereótipos da sala de aula. E parte desta noite no Coliseu dos Recreios teve a ver com isto, como numa ilustração viva do que têm sido estes 25 anos e do que poderão ser os próximos.
Apetecia-me escrever 500 ou 1000 linhas sobre "Tiago Capitão", tema que abriu o primeiro dos três encores da noite, que encerra o novo "Pesadelo em Peluche" e que é, na minha opinião, o melhor momento dos Mão Morta nos últimos anos. Ainda que não seja especialmente rico ou diversificado de composição ou de arranjos, podendo resumir-se a um riff de piano, ao qual vão sendo sobrepostos e contrapostos cânones nos outros instrumentos, inclusive na voz de Adolfo, num refrão também ele repetitivo -- "Vamos em frente, olho por olho, dente por dente, ó Capitão" -- há algo por ali que mexe em memórias e afectos, talvez a atmosfera de canção antiga de revolução, de canção de partisanos em homenagem a um herói nunca esquecido no tempo... cheguei até a imaginar o tema no reportório do Zeca Afonso. Não é tão bom quando a música nos faz ter estas viagens?
O contraponto de "Tiago Capitão", e daí o título deste texto rapidamente amanhado por falta de tempo para mais, foi "Como um Vampiro". Confesso que tenho grandes dificuldades em conceber o grupo neste registo (inédito) de "gótico alla Heroes del Silencio" -- lamento não encontrar outra forma menos ofensiva de o dizer -- ainda para mais com o vocalista dos Moonspell, segunda voz no disco e no palco desta noite, que ainda trouxe um colorido, passe o termo, mais folclórico à ocasião.
Entre os novos temas, aos quais faltará certamente a necessária rodagem (ainda que, surpreendentemente, tenham corrido muito melhor do que esperava para uma primeira apresentação, fosse quem fosse que estivesse em palco), destaco ainda "O Seio Esquerdo de R.P.". Juntamente com "Tiago Capitão" e "Estância Balnear" (que, salvo erro, faltou) constitui um dos melhores momentos do disco. Houve ainda, claro, a recuperação de canções antigas, que funcionam sempre -- começaram, aliás, por agarrar desde logo o público com "Oub'Lá" e "E Se Depois".
Foi bom, mas também foi estranho. Certamente que os extremos a que aludi ajudaram muito a esta sensação de estranheza com que saí (não fui o único, entre os que me rodeavam) do Coliseu depois destas duas horas ou mais de concerto. Uma coisa é garantida: venham mais, que até agora, não nos cansámos. E eles também não.
Alinhamento, obtido em parte com ajuda da reportagem da querida Lia no Blitz (para o fim, a ordem já não é certa, desculpem):Oub'Lá, E se Depois, Teoria da Conspiração, O Seio Esquerdo de R.P., Fazer de Morto, Como um Vampiro, Budapeste, Novelos da Paixão, Amesterdão, Barcelona, Vamos Fugir, Cão da Morte, Anarquista Duval, Tiago Capitão, 1º de Novembro, Quero Morder-te as Mãos, Velocidade Escaldante e Charles Manson. Actualização, com ajuda do Nuno Proença: 1. Oub'Lá, 2. E Se Depois, 3. Teoria da Conspiração, 4. Penitentes Sofredores, 5. Tu Disseste, 6. O Seio Esquerdo de R.P., 7. Fazer de Morto, 8. Como Um Vampiro, 9. Budapeste (Sempre a Rock & Rollar), 10. Novelos de Paixão, 11. Tardes de Inverno, 12. Em Directo para a Televisão, 13. Amesterdão (Have Big Fun), 14. Barcelona (Encontrei-a na Plaza Real), 15. Vamos Fugir, 16. Cão da Morte, 17. Anarquista Duval // 18. Tiago Capitão, 19. Paisagens Mentais / 20. 1º de Novembro // 21. Quero Morder-te as Mãos // 22. Velocidade Escaldante, 23. Charles Manson
Apetecia-me escrever 500 ou 1000 linhas sobre "Tiago Capitão", tema que abriu o primeiro dos três encores da noite, que encerra o novo "Pesadelo em Peluche" e que é, na minha opinião, o melhor momento dos Mão Morta nos últimos anos. Ainda que não seja especialmente rico ou diversificado de composição ou de arranjos, podendo resumir-se a um riff de piano, ao qual vão sendo sobrepostos e contrapostos cânones nos outros instrumentos, inclusive na voz de Adolfo, num refrão também ele repetitivo -- "Vamos em frente, olho por olho, dente por dente, ó Capitão" -- há algo por ali que mexe em memórias e afectos, talvez a atmosfera de canção antiga de revolução, de canção de partisanos em homenagem a um herói nunca esquecido no tempo... cheguei até a imaginar o tema no reportório do Zeca Afonso. Não é tão bom quando a música nos faz ter estas viagens?
O contraponto de "Tiago Capitão", e daí o título deste texto rapidamente amanhado por falta de tempo para mais, foi "Como um Vampiro". Confesso que tenho grandes dificuldades em conceber o grupo neste registo (inédito) de "gótico alla Heroes del Silencio" -- lamento não encontrar outra forma menos ofensiva de o dizer -- ainda para mais com o vocalista dos Moonspell, segunda voz no disco e no palco desta noite, que ainda trouxe um colorido, passe o termo, mais folclórico à ocasião.
Entre os novos temas, aos quais faltará certamente a necessária rodagem (ainda que, surpreendentemente, tenham corrido muito melhor do que esperava para uma primeira apresentação, fosse quem fosse que estivesse em palco), destaco ainda "O Seio Esquerdo de R.P.". Juntamente com "Tiago Capitão" e "Estância Balnear" (que, salvo erro, faltou) constitui um dos melhores momentos do disco. Houve ainda, claro, a recuperação de canções antigas, que funcionam sempre -- começaram, aliás, por agarrar desde logo o público com "Oub'Lá" e "E Se Depois".
Foi bom, mas também foi estranho. Certamente que os extremos a que aludi ajudaram muito a esta sensação de estranheza com que saí (não fui o único, entre os que me rodeavam) do Coliseu depois destas duas horas ou mais de concerto. Uma coisa é garantida: venham mais, que até agora, não nos cansámos. E eles também não.
Alinhamento, obtido em parte com ajuda da reportagem da querida Lia no Blitz (para o fim, a ordem já não é certa, desculpem):
quinta-feira, 29 de abril de 2010
É hoje!
Hoje dá-se o regresso, 11 anos depois, dos Mão Morta ao Coliseu dos Recreios, com o novo álbum, "Pesadelo em Peluche", que entrou directamente para o 3º lugar de vendas, e os 25 anos de carreira a contarem como motivos. As portas abrem às 20h30 e o concerto está marcado para começar uma hora depois. Os bilhetes para a plateia custam 20 euros.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Pesadelo em escuta
"Pesadelo em Peluche", o novo álbum dos Mão Morta, cuja saída para as lojas ocorrerá na próxima segunda-feira, já pode ser escutado na íntegra no myspace da banda, pelo menos durante esta semana.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Novelos da Paixão, o vídeo
Primeiro single retirado de "Pesadelo em Peluche", cuja saída está agendada para dia 19 deste mês. A autoria do videoclip é de Rodrigo Areias, o realizador de "Tebas" e habitual colaborador da cena rock de Coimbra (The Legendary Tiger Man, Wray Gunn, D3Ö, etc.).
sábado, 6 de março de 2010
Novelos da Paixão
"Pesadelo em Peluche", o novo álbum dos Mão Morta, sai para a rua a 19 de Abril e é apresentado ao vivo no Coliseu dos Recreios 10 dias depois, mas o single "Novelos da Paixão" pode desde já ser descarregado, pelo menos até ao próximo fim-de-semana, no Expresso Online.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Data acertada para o Pesadelo de Peluche no Coliseu
Onze anos depois de terem pisado pela primeira vez o palco do Coliseu dos Recreios, os Mão Morta agendaram o regresso àquela mítica sala para dia 29 de Abril de 2010, às 21h30, para apresentar o novo álbum de originais, «Pesadelo de Peluche», e celebrar 25 anos de carreira.
Os bilhetes para este concerto custam 20€ e estão à venda nos locais habituais (Fnac, Ticketline, Worten, El Corte Ingles, Agência Abreu).
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Pesadelo em Peluche em Abril, com apresentação no Coliseu dos Recreios
O próximo álbum dos Mão Morta vai chamar-se "Pesadelo em Peluche" sairá em Abril e contará com apresentação ao vivo no Coliseu dos Recreios no final desse mês (dia 28 ou 29), de acordo com notícia do Cotonete.
Antes disso, já para a semana, sairá também para as lojas a caixa comemorativa dos 25 anos do grupo (já estava disponível via site da Cobra Discos), que reúne, em CD, os quatro primeiros álbuns -- "Mão Morta" (1988), "Corações Felpudos" (1990), "O.D., Rainha do Rock & Crawl" (1991) e, pela primeira vez reeditado, "Mutantes S.21" (1992) -- com os alinhamentos originais.
Antes disso, já para a semana, sairá também para as lojas a caixa comemorativa dos 25 anos do grupo (já estava disponível via site da Cobra Discos), que reúne, em CD, os quatro primeiros álbuns -- "Mão Morta" (1988), "Corações Felpudos" (1990), "O.D., Rainha do Rock & Crawl" (1991) e, pela primeira vez reeditado, "Mutantes S.21" (1992) -- com os alinhamentos originais.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Mão Morta e Três Cantos na RTP
Hoje, ou em maior rigor, à 1h30 da madrugada de sábado, a RTP2 passa "Maldoror", o espectáculo gravado pelos Mão Morta no Theatro Circo e disponível em DVD.
Amanhã, às 22h51, é a vez da RTP1 passar "Três Cantos", o espectáculo que recentemente juntou José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias e Sérgio Godinho no Campo Pequeno (e no Coliseu do Porto). Logo a seguir, o canal transmite o making-of.
Amanhã, às 22h51, é a vez da RTP1 passar "Três Cantos", o espectáculo que recentemente juntou José Mário Branco, Fausto Bordalo Dias e Sérgio Godinho no Campo Pequeno (e no Coliseu do Porto). Logo a seguir, o canal transmite o making-of.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Os 100 mais de uma década de concertos, #36-40
36. DEATH IN VEGAS @ SONAR
15 de Junho de 2000
Com os Death in Vegas aconteceu aquela boa surpresa que temos quando vamos ver alguns projectos que achamos que são apenas (excelentes) projectos de estúdio, quase laboratoriais, com tudo para falhar na transposição para o palco. Aquela magnífica máquina de ritmo, com banda completa, provou exactamente o contrário e toda a gente, incluindo quem os viu num mítico festival de Arcos de Valdevez, no mesmo ano, falou do(s) espectáculo(s) durante bastante tempo.
37. CURRENT 93 & ANTONY @ TEATRO IBÉRICO
8 de Fevereiro de 2003
Antony Hegarty era ainda um virtual desconhecido para o público português. David Tibet apadrinhou-o, mais um numa interessante galeria de artistas fundamentais, e os Current 93 tiveram no Teatro Ibérico um cenário fantástico para uma actuação irrepreensível (tal como aconteceria no ano seguinte, no mesmo espaço).
38. EELS @ LUX
25 de Maio de 2000
Foi, salvo erro, a primeira vez que o senhor E veio a Portugal e muita gente aguardava com expectativa esta apresentação. Passavam dois anos da edição de "Electro-Shock Blues", talvez o melhor disco do projecto e o espectáculo roçou a perfeição. E a doce Lisa Germano esteve presente, ao violino, fazendo desta a sua primeira aparição num palco português. Os Eels voltaram ainda no ano seguinte, para outro bom espectáculo, dessa vez no Paradise Garage.
39. CALEXICO @ PARADISE GARAGE
4 de Março de 2001
Era a melhor altura para se ter visto os Calexico, pouco tempo depois da saída de "Hot Rail". A partir daí, tornar-se-iam banais, previsíveis, aborrecidos. O espectáculo no Paradise Garage teria sido ainda melhor se não fosse aquela participação do Paulo Bragança.
40. MÃO MORTA @ GAIA, HARD CLUB
13 de Dezembro de 2002
Há uma regra nesta lista que diz que os artistas não são repetidos, mesmo quando se justificaria aqui incluir dois ou mais concertos que ao longo da década tenham apresentado motivos suficientes para ser considerados entre os 100 melhores. Abro aqui uma semi-excepção. A outra citação aos Mão Morta (posição 74) referia-se ao espectáculo Maldoror, um registo bastante diferente do habitual. Entre as mais de duas dezenas de vezes que os vi ao vivo ao longo desta década, destaco esta passagem da "Carícias Malícias Tour" pela antiga sala de concertos ribeirinha, espaço magnífico para um concerto dos Mão Morta, com público fiel e o regresso, por momentos, à formação original da banda, através da participação especial do baixista Joaquim Pinto.
15 de Junho de 2000
Com os Death in Vegas aconteceu aquela boa surpresa que temos quando vamos ver alguns projectos que achamos que são apenas (excelentes) projectos de estúdio, quase laboratoriais, com tudo para falhar na transposição para o palco. Aquela magnífica máquina de ritmo, com banda completa, provou exactamente o contrário e toda a gente, incluindo quem os viu num mítico festival de Arcos de Valdevez, no mesmo ano, falou do(s) espectáculo(s) durante bastante tempo.
37. CURRENT 93 & ANTONY @ TEATRO IBÉRICO
8 de Fevereiro de 2003
Antony Hegarty era ainda um virtual desconhecido para o público português. David Tibet apadrinhou-o, mais um numa interessante galeria de artistas fundamentais, e os Current 93 tiveram no Teatro Ibérico um cenário fantástico para uma actuação irrepreensível (tal como aconteceria no ano seguinte, no mesmo espaço).
38. EELS @ LUX
25 de Maio de 2000
Foi, salvo erro, a primeira vez que o senhor E veio a Portugal e muita gente aguardava com expectativa esta apresentação. Passavam dois anos da edição de "Electro-Shock Blues", talvez o melhor disco do projecto e o espectáculo roçou a perfeição. E a doce Lisa Germano esteve presente, ao violino, fazendo desta a sua primeira aparição num palco português. Os Eels voltaram ainda no ano seguinte, para outro bom espectáculo, dessa vez no Paradise Garage.
39. CALEXICO @ PARADISE GARAGE
4 de Março de 2001
Era a melhor altura para se ter visto os Calexico, pouco tempo depois da saída de "Hot Rail". A partir daí, tornar-se-iam banais, previsíveis, aborrecidos. O espectáculo no Paradise Garage teria sido ainda melhor se não fosse aquela participação do Paulo Bragança.
40. MÃO MORTA @ GAIA, HARD CLUB
13 de Dezembro de 2002
Há uma regra nesta lista que diz que os artistas não são repetidos, mesmo quando se justificaria aqui incluir dois ou mais concertos que ao longo da década tenham apresentado motivos suficientes para ser considerados entre os 100 melhores. Abro aqui uma semi-excepção. A outra citação aos Mão Morta (posição 74) referia-se ao espectáculo Maldoror, um registo bastante diferente do habitual. Entre as mais de duas dezenas de vezes que os vi ao vivo ao longo desta década, destaco esta passagem da "Carícias Malícias Tour" pela antiga sala de concertos ribeirinha, espaço magnífico para um concerto dos Mão Morta, com público fiel e o regresso, por momentos, à formação original da banda, através da participação especial do baixista Joaquim Pinto.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Os 100 mais de uma década de concertos, #71-75
71. PERE UBU @ AULA MAGNA
26 de Setembro de 2000
Já lá vão quase dez anos e as memórias já não são muitas, tirando aquela que me diz que adorei o espectáculo e a do medo que cheguei a sentir pela figura imponente e autoritária de David Thomas no centro do palco. Espectáculo bom para se usar a expressão "foi medonho!".
72. RACHID TAHA @ FMM SINES
27 de Julho de 2007
Uma meia hora antes de subir ao palco, consegui evitar uma rota de choque com Monsieur Taha, no backstage. Logo a seguir, quando ele chegou ao catering, receei que se baldasse para cima do balcão a qualquer instante. "Não vai conseguir subir ao palco", imaginei, quando ainda me lembrava do vídeo que tinha chegado ao youtube semanas antes do espectáculo, com Taha inconsciente em pleno concerto. Enganei-me, porque a actuação do argelino e da sua banda foi uma das mais estrondosas desta edição do FMM. Houve "Barra", houve "Rock in El Casbah" e várias outras razões para não me esquecer desta prestação diabólica.
73. FAIZ ALI FAIZ @ FMM SINES
25 de Julho de 2008
No qawwali, música religiosa dos sufistas paquistaneses trazida ao resto do mundo pela voz de Nusrat Fateh Ali Khan, não é de todo necessário entender-se as palavras com que aqueles homens sentados no chão pretendem levar a comunidade de ouvintes ao wajd, ao estado de êxtase, ao contacto com Alá. Verborreia religiosa à parte, se Alá é aquilo a que a cerimónia de Faiz Ali Faiz desencantou, eu quero ser islamista (e, não vale a pena irem por esse caminho que estão a pensar: ao contrário de outras, aquela noite até foi serena nisso).
74. MÃO MORTA MALDOROR @ THEATRO CIRCO
12 de Maio de 2007
Estes eram os Mão Morta, mas não eram os Mão Morta. Não eram os Mão Morta do rock'n'roll vicioso, eram os Mão Morta de Maldoror, o livro que andava há anos e anos a pedir ao Adolfo e ao Miguel Pedro para ser trabalhado pelo grupo em palco. Destaco a estreia do projecto (ainda que esta tenha sido a segunda das duas noites no Theatro Circo), a primeira que vi Maldoror ao vivo. Escrevi na altura: "Maldoror, o espectáculo, é terrivelmente assombroso. A tarefa impossível de passar para o palco tudo o que é cantado por Maldoror, a personagem, na obra de Isidore Ducasse, encontra neste compromisso assumido pelos Mão Morta a solução ideal e, sem qualquer margem de dúvida, bem sucedida. A elegia do Mal, da repulsa, do nojo ('Estou sujo, roído pelos piolhos e os porcos quando olham para mim vomitam'), do humor mais negro (o comício de 'A Poesia') ilustrada no interminável mostruário (ou monstruário, se quiserem) de vícios e arrazoados de maledicência é capturada no essencial pela selecção de textos feita por Adolfo Luxúria Canibal, cabalmente sublinhada na música dos restantes Mão Morta, nos encadeamentos dramáticos encenados por António Durães e no desempenho de toda a equipa envolvida na produção (os figurinos é que podiam ser menos neo-gótico-industriais, convenhamos).
75. WRAYGUNN @ ZDB
1 de Julho de 2004
Sem coros de gospel, sem grandes produções, Wraygunn em versão rock'n'roll pura, numa sala feita para se suar.
26 de Setembro de 2000
Já lá vão quase dez anos e as memórias já não são muitas, tirando aquela que me diz que adorei o espectáculo e a do medo que cheguei a sentir pela figura imponente e autoritária de David Thomas no centro do palco. Espectáculo bom para se usar a expressão "foi medonho!".
72. RACHID TAHA @ FMM SINES
27 de Julho de 2007
Uma meia hora antes de subir ao palco, consegui evitar uma rota de choque com Monsieur Taha, no backstage. Logo a seguir, quando ele chegou ao catering, receei que se baldasse para cima do balcão a qualquer instante. "Não vai conseguir subir ao palco", imaginei, quando ainda me lembrava do vídeo que tinha chegado ao youtube semanas antes do espectáculo, com Taha inconsciente em pleno concerto. Enganei-me, porque a actuação do argelino e da sua banda foi uma das mais estrondosas desta edição do FMM. Houve "Barra", houve "Rock in El Casbah" e várias outras razões para não me esquecer desta prestação diabólica.
73. FAIZ ALI FAIZ @ FMM SINES
25 de Julho de 2008
No qawwali, música religiosa dos sufistas paquistaneses trazida ao resto do mundo pela voz de Nusrat Fateh Ali Khan, não é de todo necessário entender-se as palavras com que aqueles homens sentados no chão pretendem levar a comunidade de ouvintes ao wajd, ao estado de êxtase, ao contacto com Alá. Verborreia religiosa à parte, se Alá é aquilo a que a cerimónia de Faiz Ali Faiz desencantou, eu quero ser islamista (e, não vale a pena irem por esse caminho que estão a pensar: ao contrário de outras, aquela noite até foi serena nisso).
74. MÃO MORTA MALDOROR @ THEATRO CIRCO
12 de Maio de 2007
Estes eram os Mão Morta, mas não eram os Mão Morta. Não eram os Mão Morta do rock'n'roll vicioso, eram os Mão Morta de Maldoror, o livro que andava há anos e anos a pedir ao Adolfo e ao Miguel Pedro para ser trabalhado pelo grupo em palco. Destaco a estreia do projecto (ainda que esta tenha sido a segunda das duas noites no Theatro Circo), a primeira que vi Maldoror ao vivo. Escrevi na altura: "Maldoror, o espectáculo, é terrivelmente assombroso. A tarefa impossível de passar para o palco tudo o que é cantado por Maldoror, a personagem, na obra de Isidore Ducasse, encontra neste compromisso assumido pelos Mão Morta a solução ideal e, sem qualquer margem de dúvida, bem sucedida. A elegia do Mal, da repulsa, do nojo ('Estou sujo, roído pelos piolhos e os porcos quando olham para mim vomitam'), do humor mais negro (o comício de 'A Poesia') ilustrada no interminável mostruário (ou monstruário, se quiserem) de vícios e arrazoados de maledicência é capturada no essencial pela selecção de textos feita por Adolfo Luxúria Canibal, cabalmente sublinhada na música dos restantes Mão Morta, nos encadeamentos dramáticos encenados por António Durães e no desempenho de toda a equipa envolvida na produção (os figurinos é que podiam ser menos neo-gótico-industriais, convenhamos).
75. WRAYGUNN @ ZDB
1 de Julho de 2004
Sem coros de gospel, sem grandes produções, Wraygunn em versão rock'n'roll pura, numa sala feita para se suar.
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