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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Cápsula nostálgica de Verão, nº25


Lucretia Divina, "Maria", 1991 (Pop-Off, real. José F. Pinheiro e Bruno Niel)
(Que grande lufada de ar fresco foram os Lucretia Divina. In Memoriam José Valor. A propósito desta cápsula, encontrei um blogue onde participa o Rini Luyks, o acordeonista: anacruses.)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Seu boiadeiro, por ali choveu

Foram dois dias de arromba os que se viveram por Viseu neste último fim-de-semana. As condições metereológicas adversas, ainda que não tenha chovido na sexta-feira, obrigaram a que os espectáculos se centrassem quase todos no pequeno teatro Viriato, impedindo que a festa chegasse a um número mais alargado de pessoas e em espaços mais dignos para o que ali se pôde ouvir. Tirando algumas falhas da organização, tirando o excesso de rigor (para não dizer palermice) de um ou dois funcionários dos corredores do teatro, este fim-de-semana de arromba serviu de óptimo augúrio para futuras edições deste festival.

Podia não haver muitos nomes em cartaz -- afinal de contas, este foi o número zero, como dizia a organização -- mas houve seguramente um alto concentrado de qualidade. A começar logo pelo concerto de sexta-feira do Cordel do Fogo Encantado. Depois da apresentação no castelo de Sines, no ano passado, o Cordel mostrava-se agora com novo álbum perante uma plateia de umas poucas centenas de pessoas (não dava para mais). Espectáculo íntimo, portanto. E avassalador. Durante pouco mais de hora e meia as (muitas) percussões do grupo estiveram em constante diálogo com a estrutura do renovado Teatro Viriato. E o público sentado ali, no meio, a assistir aos argumentos. Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível. Para o resto da noite ainda houve a sessão Mais Valor, com a velha guarda de Viseu a homenagear o falecido José Valor (Bastardos do Cardeal, Lucretia Divina, Centro de Pesquisas Ruído Branco, Major Alvega, etc.) no foyer do teatro, e a dupla lisboeta Dezperados, pela noite fora na discoteca NB.

No sábado, veio a chuva, mas a festa continuou. Logo com os impagáveis Anonomina Nuvolari, que, sem qualquer amplificação, semearam a boa disposição no teatrinho do Clube de Viseu, um antigo (e belíssimo) salão aristocrático daquela cidade, com o seu reportório de música italiana ligeira em formato festarola. Irrequietos como sempre, e em total contraste com a plateia de todas as idades que se sentava nas cadeiras de madeira do salão, os italianos tocaram em cima do palco, à frente do mesmo, atrás das cadeiras, à volta do público, por entre o público, pelas outras salas, enfim. E tão bom que foi ouvir o "Bella Ciao" na capital do Cavaquistão... Mais perto da hora de jantar, os lisboetas Nobody's Bizness apresentaram no palco do teatro a sua versão dos blues acústicos norte-americanos. A voz da Petra e a guitarra do Luís estão cada vez melhores (e juro que não me pagam para dizer isto, embora não tenha nenhum problema se o quiserem passar a fazer, ok?). Para a noite, mais de duas dezenas de pessoas em palco, com o colectivo Mountain Tale, que agrupava as vozes penetrantes das mulheres búlgaras do grupo Angelité, os sempre surpreendentes cantos guturais e instrumentos rudimentares dos Huun-Huur-Tur, da república de Tuva, e os maestros de toda esta gente, o grupo de jazz experimental Moscow Art Trio. Se alguém tem dúvidas de que isto se possa combinar de forma eficiente, é porque não esteve no Teatro Viriato. É de se sair com o coração nas mãos. A noite continuou depois com os badamecos do Bailarico Sofisticado até às quatro e tal da manhã, no foyer do teatro, sem baixas, sem mortes, a não ser a do sistema de som que saiu dali bastante maltratado (caso para fazer uma piadola apropriada: deu "barraca o som sistema"). Um dia destes, deixo aqui fotografias deste fim-de-semana.

quarta-feira, 27 de abril de 2005

Mais bandas portuguesas de outros tempos que podiam ser (re)editadas

Sendo a próxima edição das canções perdidas dos Émasfoi-se um momento importante do rock português, como se falava ontem, a ocasião faz também lembrar que há mais património perdido nos tempos, à espera de ser recuperado. Assim sendo, aqui vai uma escolha breve:

1. OCASO ÉPICO
Origem: Lisboa; Época: anos 80.

"Muito Obrigado", o único álbum dos Ocaso Épico, não reflectia de uma forma inteiramente fiel o reportório avant-pop que o grupo do falecido Farinha apresentava nos concertos, mas é, ainda assim, um objecto incontornável da chamada música moderna portuguesa.

2. CORPO DIPLOMÁTICO
Origem: Lisboa; Época: 1979-80.

Talvez a versão que os Mão Morta fizeram recentemente de "Kayatronic" recupere o interesse das pessoas num dos mais importantes projectos pós-punk cá da terra. Na transição entre os Faíscas e os Heróis do Mar, os Corpo Diplomático sobreviveram pouco tempo, mas deixaram um documento, o álbum "Música Moderna", que merece ser reeditado um dia destes.

3. LUCRETIA DIVINA
Origem: Viseu; Época: transição 80s/90s.

José Valor faleceu há alguns meses, Rini Luyks é visto habitualmente pelas ruas da baixa de Lisboa já sem o seu acordeão às costas e Alagoa desapareceu sem deixar rasto. Os três formaram um dos mais divertidos e empolgantes projectos que a MMP conheceu. As danças de tradição europeia com um cheirinho de folclore francês dado pelo acordeão de Luyks, ao que se juntava as programações minimais e tuxedomoonianas de Valor mais a postura dramatico-provocatória de Alagoa, ficaram retratadas num único CD, editado sob condições mais ou menos obscuras, por volta de 1993.

4. OS PUNKS
Origem: essencialmente Lisboa e arredores; Época: essencialmente finais dos anos 70.

Não será um facto conhecido e até pode surpreender muito boa gente, mas a verdade é que os estilhaços do punk demoraram muito pouco tempo a fazerem sentir-se em Portugal, ou melhor, pela zona de Lisboa. Em 1978, os Aqui d'El Rock davam o seu primeiro concerto. Mais ou menos pela mesma altura, outros projectos declaradamente punk surgiriam, como os Faíscas, os Minas & Armadilhas ou os UHF. Tocavam mal que doía e tinham letras de fugir, mas existiram e alguns deles continuaram ou deram origem a outros grupos com peso mediático nos dias de hoje. Não eram muitos, mas tinham uma legião de punks fiéis que passava os concertos a fazer pogo e a cuspir para o ar. Poucos anos depois, viria ainda a vaga do hardcore, com os Ku de Judas, N.A.M. ou Crise Total, entre outros. Poucos registos sonoros terão sobrado e fala-se destes grupos quase como um biólogo fala de expécies extintas há milhões de anos. Pode ser um trabalho difícil, mas justificava-se uma compilação que recuperasse o punk português.

Certamente que muitos outros projectos ficaram esquecidos no tempo. Este é apenas um esforço de memória superficial, porventura demasiado centralizado na cena lisboeta, como espero que se entenda. Se tiverem outras ideias, deixem-nas em comentário. Não deixarmos de falar das coisas já é darmos um passo valente no sentido de não nos esquecermos delas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2004

Morreu José Valor

José Valor, o homem por trás da maquinaria em tão míticos projectos da música moderna portuguesa dos anos 80 e 90, como os Lucretia Divina ou o Centro de Pesquisa Ruído Branco, morreu na semana passada, vítima de doença prolongada.

sábado, 13 de março de 2004

UXU KALHUS: declaração de admiração incondicional

Sabe muito bem ser assaltado por surpresas como a que ontem apanhámos no Mercado da Ribeira. O Luís Rei tinha já dito que era imperdível e que, nesta área, poucos eram tão bons quanto os Uxu Kalhus, em Portugal. A primeira surpresa: a sala do mercado da Ribeira estava muito bem composta -- algumas duzentas ou trezentas pessoas -- quando lá chegámos, o que, para um concerto a pagar (5 euros) já começava a ser extraordinário. O público era essencialmente constituído pela juventude entre os 16-22 anos, mas foi progressivamente acolhendo os mais velhos, possivelmente habitués do festival Andanças, de S.Pedro do Sul. Segunda surpresa: (quase) toda a gente dançava. E bem! Todos sabiam o tipo de passo, o tipo de gestos a fazer, as alturas certas para as mudanças, etc. Ah, falta, claro, explicar que os Uxu Kalhus são um colectivo que interpreta várias danças de tradição portuguesa e europeia (e não só) e que tem uma capacidade imensa de transmitir a sensação de folia e animação ao público. Todas as pessoas que ali estavam (com o tempo, a assistência deve ter chegado às mais de cinco centenas), das mais novas às menos novas, dançando ou no descanso, transportavam nos rostos sorrisos rasgados. Parar era palavra quase proibida ontem. Os Uxu Kalhus devem ter tocado mais de três horas e terminaram (terão mesmo terminado?) com uma jam session de mais de meia hora assente numa linha de baixo reggae para o "Seven Nation Army", dos White Stripes...!! Antes, além dos viras, dos corridinhos, das valsas, dos jigs e dos reels, e de uma série infindável de diferentes danças, já tinha sido tocada a música árabe que Del Shannon recupera na banda sonora do Pulp Fiction, aquela outra francesa (?) que inspirou Riny Luyks para um dos melhores temas dos Lucretia Divina ("Romagem") e até mesmo o Dartacão! Foi uma noite incrível.
O que mais importa saber agora é onde que é a próxima!
(Desculpai o tom atabalhoado da escrita, mas o entusiasmo ainda é tão grande quanto a ressaca, e a mistura de ambos não permite muito mais que um amontoado de palavras...)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004

Por mera curiosidade

Perdeu-se um pouco do hábito salutar de colocar bandas portuguesas a fazerem primeiras partes dos concertos de artistas estrangeiros. Os Mão Morta a abrirem para o Nick Cave ou para os Young Gods (entre muitos outros), os Pop Dell'Arte a abrirem para Felt, os Lucretia Divina a abrirem para os Einstürzende Neubauten, os Mler Ife Dada a abrirem para os Wire (em Lisboa, porque no Porto foram também os Mão Morta), os Cães Vadios a abrirem para a segunda visita dos Young Gods, os Bateau Lavoir a abrirem para os Echo & The Bunnymen, etc. Foram muitos os exemplos.
Trazendo essa tradição de volta para a actualidade e pegando na discussão gerada a partir de uma posta deixada mais abaixo, que banda portuguesa seria mais adequada para fazer a primeira parte de Pixies?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2004

Bálsamo para a alma

Ah, como sabe bem ouvir o J.P. Simões cantar. Aquela voz e aqueles textos são uma autêntica pedrada no charco do panorama actual de "cantadores" (ou pretensos "cantadores") portugueses. Isso ficou provado uma vez mais, no concerto de estreia do Quinteto Tati (eram seis), ontem, no Frágil. Talvez mais do que acontecia nos Belle Chase Hotel, sente-se agora na voz do J.P. Simões muita da melancolia crua de Sérgio Godinho, um pouco do romantismo de João Peste e até mesmo -- senti isso na primeira valsa -- um certo tom épico que me fez lembrar o Alagoa dos Lucretia Divina, só para citar referências nacionais. Venham mais concertos!