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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Hoje temos rockalhame na ZDB

Vêm de Brooklyn, têm dois álbuns e alguns EPs e chamam-se The Men (não confundam com os outros MEN formados por fulanas das Le Tigre e igualmente provenientes de Brooklyn ou ainda com os The Men da Califórnia que tiveram algum sucesso comercial nos anos 90). Na primeira parte há Loosers. Mais informação aqui.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Arquivismo de concertos, pt. 2 - os portugueses mais vistos

Prosseguindo no que ontem foi aqui apresentado, eis...

OS PORTUGUESES MAIS VISTOS

Mão Morta - 44 vezes
Bypass - 18 vezes
Hipnótica e Pop Dell'Arte - 15 vezes
Anonima Nuvolari (*), Gaiteiros de Lisboa e Gatos do Telhado (**) - 11 vezes
Loosers e Caveira (***) - 10 vezes
10º More República Masónica - 9 vezes
11º Mécanosphère (****), Wraygunn e The Legendary Tiger Man (*****) - 7 vezes
14º Cool Hipnoise, D3Ö, Da Weasel, Dead Combo, Gala Drop, Oquestrada, Tina and The Top Ten e Vicious Five - 6 vezes

(*) Ok, eles são italianos, mas vivem e trabalham cá...
(**) Eram uma banda dos tempos do liceu
(***) Incluindo uma data de suporte a Damo Suzuki
(****) A mesma justificação dos Nuvolari
(*****) Incluindo uma actuação a meias com a Rita Redshoes

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Os cartazes bonitos são para se ver em tamanho grande e outra vez, especialmente quando foram actualizados

Pois é, acontece que, por coincidência, ambos os cartazes que aqui mostrei há dias (este e este) foram entretanto corrigidos. Se não tiverem nada mais importante que fazer, sempre podem passar o tempo a descobrir as diferenças. Aqui ficam, então, as duas peças de arte devidamente corrigidas:



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Os cartazes bonitos são para se ver em tamanho grande, parte 1



Este é do Rodrigo "Katafú", ilustrador sul-americano que vive em Barcelona e cujo trabalho, absolutamente delicioso, pode ser acompanhado aqui: krafica.blogspot.com.

E, claro, fica também a não menos importante referência ao interessante festival que o MusicBox vai albergar daqui a dias.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #91-95

91. HURTMOLD @ ZDB
23 de Junho de 2005
Pós-rock de São Paulo? Pois bem. E funcionou para carai. Não admira que o Rob Mazurek, trompetista e cornetista nos Tortoise, Isotope 217º, Chicago Underground Duo/Trio/Quartet, se tenha fixado neles, desde que foi viver para aquela cidade brasileira.

92. THE VICIOUS FIVE @ ALIVE
10 de Junho de 2007
Outros, por comparação com os Loosers que vêm mais abaixo, que se habituaram a dar excelentes concertos um pouco por todo o lado. Mas aqui, vá-se lá perceber porquê, foi onde se suou mais. Pena que não possa voltar a ser.

93. LOOSERS @ ZDB
22 de Outubro de 2004
Não é tanto a fixação por lugares estranhos onde se dar concertos, mas esta noite dos Loosers na entrada da ZDB, com boa parte do público a vê-los das escadas e com a árvore que então havia naquele átrio a servir de amparo ao mosh, ajudou muito a tornar este concerto inesquecível. E eles nem precisam assim tanto de motivos exteriores à banda para que isso aconteça.

94. KAP BAMBINO @ LOUNGE
19 de Outubro de 2007
Quem já privou com Caroline Martial, metade deste duo de Bordéus que vem a ganhar cada vez mais seguidores por cá, não imagina que aquela meia-leca de rapariga extremamente afável é capaz de ser a mesma que não pára quieta nos palcos que pisa, cospe para o público, faz crowd-surfing com maior frequência do que o Elton John troca de óculos ou sobe para o balcão do Lounge numa pose cheia de libido. É pena que o som do parque de estacionamento do Marquês de Pombal, neste último regresso a Lisboa, não tenha ajudado àquela avassaladora máquina de ritmo, mas a loucura instalou-se à mesma.

95. JAMES BLACKSHAW @ ZDB
26 de Março de 2005
Josephine Foster, quando a trouxe cá, disse-me que vinha acompanhada de um tal de Jim Blakcshaw. Não o conhecia, mas não só aderi rapidamente ao estilo com que dedilhava a guitarra, como simpatizei com o moço, absolutamente calmo e recatado, demasiado até para este meio, ao longo das viagens entre Lisboa, Porto e Famalicão, onde ambos deram espectáculos. E ensinou-me a dizer correctamente o nome da Siouxsie (dos Banshees), ele que mora no bairro dela.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sofa Surfers e música de Lisboa numa revista austríaca

Esta aqui ao lado é a capa do novo número da Fleisch, uma revista austríaca de artes, tendências, política, etc. Traz na capa os Sofa Surfers, que vão ter novo álbum em Janeiro do próximo ano. Mas este número da Fleisch traz também várias páginas dedicadas a Lisboa, por encomenda da publicação a Wolfgang Schlögl, o Sofa Surfer mais lisboeta do grupo, pelas várias vezes que por cá tem estado, boa parte delas para trabalhar com os Hipnótica, os quais, a propósito, também já têm novo álbum gravado e que vai uma vez contar com a ajuda do austríaco na produção e masterização.

O que há aqui então sobre Lisboa? Primeiro, uma compilação em CD, com Coldfinger, DJ Ride, Cacique 97, Cool Hipnoise, Dead Combo, Hipnótica, Noiserv, Micro Audio Waves, Gnu e B Fachada. Depois, um texto de Wolfgang Schlögl sobre a cidade. Finalmente, um texto sobre bandas actuais de Lisboa, aqui deste sempre vosso.

Aproveito para reproduzir o texto aqui, já que a Fleisch não é distribuída por cá, nem tão pouco haverá lojas de importação que a tenham. Na revista, tudo aparece, claro está, em alemão, mas deixo aqui a versão original em inglês, sem quaisquer cortes da edição. (Reparem que o texto foi escrito em Julho, antes da notícia do fim dos Vicious Five, e quando o Musicbox tinha aquelas quintas-feiras de afro beat.


Lisbon beyond the Fado
By Vítor Junqueira
July 2009

Nearly 500 thousand people live in the inner skirts of the city of Lisbon, a number that hits almost three million in the greater metropolitan area factsheet. There’s no surprise that most of the music acts that come from Lisbon were in fact raised over its suburbs. Take out the first name from the Lisbon band you’ll probably know best in these days: Buraka Som Sistema. Buraca, spelled with a C, is one of these suburbs. There lives a vast community of first through third generation African immigrants and it is a very common place to hear kuduro, the urban Angolan dance beats that BSS are taking all around the world. The hip hop scene, fronted by long lived Da Weasel or the producer and MC Sam the Kid, amongst endless other examples, also lives in suburbs of the same kind.

For rock matters, the river Tagus’ south bank has always been a fertile ground for new and enduring acts. Barreiro, a town in the old industrial belt south of Lisbon, is today’s rock’n’roll and avant rock place par excellence. That’s where growingly acclaimed festivals like Barreiro Rocks and Out.Fest are manned every year by groups of young people who amongst themselves play in several bands, many of the times with almost the same line-ups. That’s the case of Los Santeros, three manic Mexican-wannabes playing surf rock, The Act-Ups, psych-garage, or Frango, a noisy experimental act. And if you’re into avant rock, you should check Os Loosers, fronted by Lux DJ and bassist-guitarist Tiago Miranda, who along people from Out.Fest also started Gala Drop, whose dub-infected grooves are being acclaimed everywhere (check out their self-titled debut record).

Communities like these help to describe the way most bands are born all around Lisbon. In fact, it’s just a small capital and everyone knows each other. Even if not, there’s always a friend of a friend. Everyone ends up at the same venues, like the Galeria Zé dos Bois (ZDB for short), MusicBox, Lux, Lounge, Bacalhoeiro, to name a few of the ever growing list of places where bands can play live in Lisbon. The development in the Lisbon music scene owes significantly to this increase and diversification of venues over the last 10 years. People from Lisbon, and from all around Portugal in a broader sense, have more places to play but, perhaps more important, they also have more places to learn from bands that come more and more from everywhere in the world, and more places to hang out, to discuss their methods and ideas, to form new projects with akin souls.

One of the most peculiar communities to rise recently in Lisbon comes out from the Baptist Christian Church grounds. FlorCaveira (SkullFlower) is the name of the religion meets rock movement which nowadays comprises almost 20 acts that have been gaining an increasing space in the radio waves, a territory that, believe it or not, has been uncharted waters for the most of the new Portuguese bands for several years. Amongst these acts, the most acclaimed are Os Pontos Negros (The Strokes’ kind of mainstream rock) and singer songwriters Tiago Guillul, B Fachada, Samuel Úria and Bruno Morgado. “The new wave of Portuguese rock”, as every newspaper is now calling it, also embraces the Amor Fúria label, whose acts, Os Golpes being the most celebrated, share stages regularly with those from FlorCaveira.

All these bands from this “new wave of Portuguese rock” sing in Portuguese, something that became out of fashion since the eighties wide explosion of rock. Apart from groups like Madredeus and some few other bands, mostly of them coming from outside Lisbon, shame of being Portuguese was the most striking anathema for Portuguese rock in the nineties. The nation was still suffering from years of enclosure from the outside world, and it was adhering to everything it could that came from abroad. And that also showed up in the music itself. But the times are changing again. A project like Dead Combo (electric guitar and doublebass only) does hold on to Ennio Morricone spaghetti western kind of landscapes, but there is a quite subtle inner feeling of Portuguese sound coming from it, tracing out to common memories like those left by the late great guitarist Carlos Paredes. Also Norberto Lobo, a young, celebrated, and crafted fingerpicker does bring something evoking Paredes. In a clearer way, groups like Deolinda, who take the Madredeus heritage to present days, and O’Questrada are also making people realize that Fado – or some of its essence – it’s not only sorrow. It can also mean partying; it can also mean dancing with a shinny happy smile.

Over the last years, Lisbon also became home sweet home for a growing community of European young people, mostly Spaniards and Italians, who also started to create interesting bands, like the Italian-Swiss Anonima Nuvolari, who play old Italian songs in a Pogues-ish way. In the same scene, Farra Fanfarra and Kumpania Algazarra take the fit of the Balkan brass bands to play the streets and parties everywhere around town. On the grounds of noise and experimental music, Mécanosphère is one band living in Lisbon and it’s mainly operated by French artists. Panda Bear, from Animal Collective fame, also lives in the city.

As a matter of fact, in the recent years, if not always in its history, Lisbon became home for many cultures. For instance, it’s common to cross by excellent players from the old African colonies (Angola, Cape Verde, Guinea-Bissau, …) who live in the city. Take Kimi Djabaté and Braima Galissá, for instance, from the young generation of “griots” from Guinea-Bissau to come by. Music from Africa and other continents is also present in some other interesting bands from Lisbon, like Terrakota or Cacique ’97, whose members gather up regularly along with those of Cool Hipnoise, a quite interesting and nearly veteran funk local band, to produce the most intense afrobeat party (every second Thursday of the month, at MusicBox, if you’re thinking dropping by).

I’ve been talking mostly of new bands from Lisbon. There are also, of course, the veteran ones, the mainstream rockers Xutos & Pontapés being the most celebrated one with a 30 year old career. Emerging from the eighties, the dadaists Pop Dell’Arte, one of the most interesting acts to arise in Lisbon, are still running up, playing gigs and recording tracks. From the nineties, there’s Hipnótica, who started with the trip hop explosion and evolved to a kind of post rock, post jazz stuff over which Wolfgang Schlögl of Sofa Surfers collaborated.

Two final namedrops for The Vicious Five, who started around in the hardcore underground, developing a faithful mass of fans ever since, and for Bypass, scholar post rockers who deserve to jump out borders anytime soon.

There are a lot of bands in Lisbon. A great lot of good bands, indeed. This is only a tiny shortlist. Many of them were ignored over the above lines, due to lack of remembering, due to lack of space, due to intention on not letting this grow to a mere namedropping. Still, the best way to know bands from Lisbon (and Portugal) is to stay for sometime in the city and to attend to the venues cited above whenever you can.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Damo Suzuki com Loosers

Foram entretanto confirmados os Loosers para "sound carriers" de Damo Suzuki, a banda que acompanhará o japonês no concerto da ZDB, no próximo dia 1 de Novembro. Para o concerto da Casa da Música, no dia anterior, já se sabia que a missão estaria a cargo dos Mental Liberation Ensemble.

sábado, 26 de abril de 2008

A nova data de Liars

Esteve marcado para o início de Maio, mas foi adiado por motivos de força maior. Sim, adiado e não cancelado. Já há nova data para o concerto dos Liars: dia 9 de Junho, em Lisboa, no Santiago Alquimista. A primeira parte vai estar a cargo dos Loosers. Os bilhetes custam €16, em venda antecipada, e €18, no próprio dia.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

A festa de natal naquela casa

Falei aqui há uns meses desta casa. Fica no primeiro andar do nº 211 da avenida da Liberdade, em Lisboa. É enorme, com não-sei-quantos quartos e salas, um corredor mais comprido que certas ruelas, um pátio cheio de espaço. E amanhã, sexta-feira, vai voltar a encher de gente e de música. A Filho Único prepara mais uma festa para aquele espaço, com... 21 concertos. Sim, 21 concertos numa noite. Há Loosers, que tão pouco tem actuado pela cidade nos últimos tempos, há o americano Axolotl, há Norberto Lobo (com João Lobo, companheiro de armas nos Norman), há o guineense Kimi Djabaté, há o funaná electrónico de Kotalume, há kuduru sofisticado dos N'Gapas, há kizomba arraçada de hip-hop de Ritchaz & Kéke, há Phoebus, há os improvisadores do costume (Sei Miguel, Rafael Toral, etc.)... E muito mais. Há discos e livros à venda. E ainda há comida, com o regresso da "Comida do Povo" que tantas saudades deixou na ZDB. So o natal for isto, eu passo a acreditar no natal.
As portas abrem às 21h e o chavascal começa meia-hora depois, diz-se. A entrada custa 7 euros.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

As listas dos leitores (ÁLBUNS PORTUGUESES)

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1. Old Jerusalem - Twice the Humbling Sun
2. Loosers - for-all-the-round-suns
3. The Vicious Five - Up on the Wall
4. Bernardo Sassetti Trio2 - Ascent
5. Carlos Bica - Single

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

No mê tempo...

Rock Rendez Vous, 25 anos depois. É sob este título que o mui estimável Nuno Galopim recorda aquele mítico espaço lisboeta numa das mais recentes postagens publicadas no sound+vision (sound--vision.blogspot.com), o blogue que comanda a meias com o João Lopes. É sempre bom manter a memória acesa nas boas e nas más circunstâncias, e estas são, efectivamente, boas recordações para o rock português. Porém, essa "mirada al pasado" corre sempre o risco de ser injusta se, em seu nome, nos esquecemos daquilo que nos rodeia actualmente. Passamos a viver daquilo que já foi, sem notarmos que aqui mesmo ao nosso lado, há algo que está a ser. É isso que pode acontecer quando dizemos, como faz o Nuno, que "Lisboa não tem há 15 anos um clube de rock activo e interventivo como aquele foi" ou quando não faz nenhuma referência a um espaço dos que existem, mas somente, e sem tirar o olhar do passado, aos que eram para ser, como o rockodrómo (a propósito, esse acabou por ser o Atlântico -- não é um sonho por cumprir) ou o abortado clube de rock no cinema São Jorge. Não há sequer uma referência, por mais baixo que fosse o rodapé, à ZDB ou ao Santiago Alquimista, por exemplo (ainda que este último esteja longe de se enquadrar no meu espírito de clube de rock que tento expor um pouco mais à frente).

Eu nunca meti os pés no Rock Rendez Vous, admito. Até aos 16 anos, não cheguei a ter autorização dos pais para ir a concertos que acabavam quando o sol começava a nascer. Claro que, ao longo de todos estes anos, os meus ouvidos passaram a destilar inveja de tanto testemunho que ouvi, de tanto concerto gravado que escutei quase religiosamente: Mão Morta, Bourbounese Qualk, Crise Total, Emílio e a Tribo do Rum, João Peste & O Acidoxibordel, Ku de Judas, N.A.M., Ocaso Épico, Pop Dell'Arte, Xutos & Pontapés...

Com a experiência do Johnny Guitar, do qual me tornei um cliente assíduo, comecei a formar opinião em relação ao que devia ser um clube de rock. Não são regras, mas antes um conjunto de características que tornam estes espaços únicos e, ao mesmo tempo, tão importantes no universo cultural e social em que se inserem. Não tenho dúvida que o essencial dessas características terá ajudado a fazer nascer o mito do RRV e que, por outro lado, foi a ausência destas na segunda metade dos anos 90 que terá deixado perceber o quanto se fazia notar o encerramento do Johnny Guitar.

Primeiro, deve ter regularidade de programação, para que acabe por ser um poiso habitual para quem gosta de ver música ao vivo.

Segundo, convém que haja alguma personalidade na programação. Não quer isto dizer que não possa ser ecléctico. Tem de o ser. Mas não sem algum rigor, na tentativa de juntar todos os tipos de públicos possíveis. E, a bem da verdade, a avaliar pelos testemunhos de então, o RRV nem observava particularmente este ponto. Tudo o que havia, lá ia parar. Diz-se também que os públicos de então eram menos exigentes...

Terceiro, e talvez a mais importante das características, pelo menos no que diz respeito aos efeitos que produz, deve promover o convívio entre os amantes da música, os músicos, os jornalistas, os editores, os promotores, etc. Quantas bandas não terão nascido à volta de alguns copos de cerveja no RRV ou no Johnny? Ou, se não quisermos ir tão longe, quantas bandas não nasceram depois de fulano ter conhecido cicrano nos encontros regulares num daqueles espaços para verem esta ou aquela banda tocar? E publicações? E contactos para edição?

Quarto, e não menos importante, note-se, deve ter condições para sobreviver comercialmente.

Continuar com o mesmo discurso saudosista que tínhamos na segunda metade dos anos 90 (e ainda por alguns anos deste novo século), com alguma razão de ser -- não havia nada! -- é como que passar ao lado da vitrina da ZDB, na rua da Atalaia, e preferir ignorar o que ali se passa. Tal como diz o Nuno em relação aos outros tempos, ali também há "entusiasmo". Ali também há uma "programação regular". Ali também há um "público fiel". Ali também se está a assistir ao nascimento de muitas e diversas cenas, começando pelas bandas e projectos que a partir dali se formam, porque as pessoas interessadas se cruzam naquele espaço com regularidade, naquela imagem de ponto de encontro do rock que tantas vezes é referido para lembrar o RRV. O serviço que aquele espaço presta, enquanto anfitrião de todas estas vontades e de todos estes entusiasmos, é também igualmente determinante para o Portugal musical, para usar a expressão exagerada do Nuno, dos tempos que correm.

Diz o Nuno que em 10 anos de RRV houve 1500 concertos. Em dois anos e pouco mais de "zdbmüsique" já quase mil bandas ou artistas a solo passaram pela ZDB. Ignorar isto é como ficar a olhar para o autocarro que passou, quando acaba justamente de chegar outro já com as portas escancaradas.

Projectos como os Dead Combo, os Loosers, os CAVEIRA, os Vicious Five, os Bypass ou o Legendary Tigerman, entre muitos outros, são tão relevantes (ou deviam ser) para os tempos actuais como os Mão Morta ou os Pop Dell'Arte foram para os anos 80. Olhe-se também para o número, impensável até há uns anos atrás, de projectos internacionais, oriundos das cenas alternativas mais alternativamente mediáticas do momento, se assim se pode dizer, que tem aparecido por lá. E sem ser uma programação elitista, no pior sentido da palavra, como o preconceito que começa a surgir por aí parece indicar: de cantautores a autênticos destruidores de palco, da electrónica fria ao calor da música africana, entre muitas outras alternativas, respira-se um grande ecletismo por ali, sem se cair em demasia na facilidade.

Será que é pela diferença na dimensão física dos espaços? O RRV estava quase sempre vazio, dizem uma vez mais os testemunhos, principalmente se se tratava de bandas portuguesas, como acontecia nos concursos. Se se trata de uma questão de tamanho, tenho conhecimento de pelo menos três projectos mais ou menos encaminhados, na Grande Lisboa, por mão de três entidades diferentes. Vamos a ver se têm "público fiel" para os manter...

Não leves a mal, Nuno, mas esses exercícios de nostalgia podem ter contra-indicações... (e vê se colocas comentários no blogue)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

...um dia a caixa vem abaixo

É a primeira organização da Conta-Gotas (Luís Bento e Rita Costa) e vai levar à Caixa Económica Operária, um espaço que diz muito para estas bandas, algumas das melhores propostas actuais do rock feito em Portugal. Acontece no último fim-de-semana de Janeiro e conta com o seguinte cartaz:

27 Janeiro (sexta-feira)
BYPASS
ÖLGA
LEMUR

28 Janeiro (sábado)
LOOSERS
LINDA MARTINI
CAVEIRA

Os bilhetes custam 8 euros para um dia e 12,5 para os dois.

terça-feira, 29 de novembro de 2005

A noite da vingança

Não tem restado, nestes últimos dias, muito tempo para vir até aqui. Valha-nos Hendrix que depois de amanhã é feriado e que, até mesmo antes, já amanhã à noite, há um programa para fazer esquecer o dia-a-dia de trabalho:

Loosers e Mouthus na ZDB
Os Loosers começam a digressão europeia em casa, com o álbum For-All-The-Round-Suns numa mala que poderá, e espera-se que sim, trazer muitas e outras derivações. Para companheiros desta viagem por várias cidades europeias, os Loosers vão ter a companhia dos nova-iorquinos Mouthus.

6º Aniversário da Mondo Bizarre no Lisboa Bar
A festa da Mondo começa às 23h para acabar lá para as quatro da manhã. Os convidados especiais serão DJ Shimmy, no bar, que só passa sete polegadas do soul ao rock'n'roll, e DJ Volante, no clube (na caverna, portanto).

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Loosers na Arthur

Arhtur Magazine, nº 18, Novembro de 2005. Na coluna habitualmente assinada por Byron Coley e Thurston Moore, fala-se de Loosers:
Our knowledge of the Portuguese underground is not what it should be, we admit it. But it just got a little better, with the arrival of two records by the Loosers. Not that there's much findable info at hand, but the sounds themselves are sweet. A trio, the Loosers do a surprising number of things at once. Their basic focus is art-damaged power-pus, but they do it in a variety of ways, recalling everyone from Sonic Youth to Jackie O Motherfucker at various times. Their first LP is For All the Round Suns (Ruby Red) and it is a pretty wonderful blend of several generations of underground nonsense - from Birthday Party to NNCK to My Cat Is An Alien - and could easily be the best new CDR from Brooklyn this week, if you know what we mean. But it's a dandy looking LP and that ain't hay. Nor is their second LP, Slugs (Ruby Red), although it is not quite as overloaded with sheer idea-wattage, taking more the form of debased prog-grope excursions onto the ramp of the ringed percussive o-mind. It's a nice trip, with flutes and toots up the old wazoot. Why they only pressed 100 is anyone's guess.

Obrigado pela dica, Space Moth.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

A aventura dos Loosers

tour com/with Mouthus

30.11 - Lisbon - Galeria Zé dos Bois - www.zedosbois.org
1.12 - Madrid - Sala Revolver - www.gsshgssh.com
2.12 - Barcelona - Pocket Culb - www.pocketbcn.com
3.12 - Montpelier - tbc / a confirmar
4.12 - Lyon - tbc / a confirmar
5.12 - Geneve - Le Kab - www.lekab.ch
6 - tbc
7 - tbc
8 - tbc
9.12 - Utrecht - Impakt Festival - www.impakt.nl
w/Supersilent
10.12 - Hasselt - Belgie kunstencentrum - www.kunstencentrumbelgie.com
11.12 - Rotterdam - Worm - www.wormweb.nl
12 - tbc
13.12 - Paris - Instant Chavire - www.instantschavires.com
14 - tbc
15 - tbc
16.12 - Bordeaux - La Centralle
17.12 - Bilbao - Festival MEM - www.musicaexmachina.com
W/ David Thomas (Pere Ubu)
18.12 - Vigo - Clube Vademecum - www.clubevademecum.com
19.12 - Porto - tbc / a confirmar
20.12 - Coimbra - tbc / a confirmar

(para ir conferindo em www.loosersarefree.com/novidadesnews.htm)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005

Loosers + Suzuki

Damo Suzuki, o mítico vocalista dos Can nos anos 70, vai regressar a Portugal com a sua "neverending tour", depois da noite incrível que proporcionou na ZDB, no ano passado (e que, segundo as crónicas, teve efeitos semelhantes nos Maus Hábitos, no Porto). Esta nova ocasião está prevista acontecer no próximo dia 9 de Abril, uma vez mais na ZDB. Os "sound carriers", como ele chama aos músicos locais que o acompanham nas diferentes datas desta "neverending tour" vão ser, desta feita, os Loosers. Ou seja, promete e muito.
ACTUALIZAÇÃO: Damo Suzuki vai também ao Porto, ao Passos Manuel, no dia anterior. Falta saber ainda quem vão os "sound carriers" nortenhos.

domingo, 24 de outubro de 2004

Ainda na ressaca de sexta-feira

Já deviam ser umas três da manhã. Terminava, musicalmente falando, uma das noites mais insólitas e inesquecíveis que a ZDB terá vivido nestes dez anos de existência que agora comemora. No átrio de entrada, os Loosers, de costas viradas para a porta principal, acabavam de tocar perante uma árvore e uma imensa plateia que obstruia todos os cantos que ofereciam ângulo de visão para o "palco". As escadas eram quase absolutamente impenetráveis, o ambiente intoxicadíssimo e o espírito que se vivia, principalmente na zona do átrio, absolutamente frenético (houve slam num espaço com menos de 10m²!). Principais culpados desta loucura, os Loosers seguiram uma lógica menos estruturada do que é habitual, carregando forte no ruído e no ritmo, tal como uns Liars. Antes, e noutros locais da galeria, tinham já tocado os Gang Gang Dance (irregulares), o Panda Bear (tirando algumas subtilezas, foi mais meia-hora semelhante à de há semanas atrás) e, num registo mais difícil e só compreensível por uma elite onde não faltava o Jorge Lima Barreto, o Sei Miguel Quinteto e os Osso Exótico.

domingo, 13 de junho de 2004

Breves notas a propósito do 11 de Junho

Loosers & X-Wife
Melhores os segundos que os primeiros, talvez pela rodagem, talvez porque os X-Wife funcionem melhor num ambiente de festa como o que se pretendia neste dia (nota mental: não perder loosers na ZDB, por exemplo, numa próxima ocasião), talvez porque os Loosers tiveram a ingrata tarefa de abrir um dia de festival a uma hora quente, que obrigava a rumar às tendas de cerveja, enquanto ainda se podia fazê-lo com calma.

Liars
SÃO OS MAIORES! OS M-A-I-O-R-E-S! Com um espectáculo ainda mais avariado que aquele que trouxeram ao Lux, no ano passado (nota rememorativa: concerto do ano, do ano passado), os Liars começaram por partir parte da louça que os Pixies teriam, não fossem os nova-iorquinos, inteiramente por sua conta. Angus Andrew (nota eu-já-disse-isto-aqui: o australiano parece-se mesmo com o Nick Cave, não só pela cara, mas também por aquela silhueta esguia que atira um braço ou outro para a frente a tomar o pulso ao ritmo... GÉMEOS!) prometeu que o grupo estava a planear mudar-se para Lisboa. Sim, para Lisboa. Ao que parece, ficaram a gostar desta coisa e querem tornar-se alfacinhas. Eu pago-lhe um copo se isso for verdade. Um não, dois ou três.

Wray Gunn
Cinco músicos em palco, acompanhados de um coro de gospel. Mas... que raio de som. Foi melhorando progressivamente, mas o equalizador mental teve algumas dificuldades em acompanhar as mudanças. No entanto, e não querendo desprezar a banda de Coimbra (nota justa: grande disco, o último), serviu muito bem para aquecimento aos Pixies que estavam quase, quase a pisar o palco principal.

Pixies
SÃO OS MAIORES! OS M-A-I-O-R-E-S! A loucura instalou-se rapidamente. Assim que começou a soar a linha de baixo de "Bone Machine", foi furar, furar, furar, furar, furar, até, ufff., chegar à frente, onde toda a gente pulava, dançava, "slamava", enfim... a maior das alegrias por ver e ouvir de perto o quarteto fantástico. Por duas ou três vezes, os ténis iam ficando pelo caminho, os óculos saltando, as forças faltando, mas... cada momento era celebrado como se nada mais fosse importante. Cada tema tocado servia de motivo a enormes explosões de alegria, de gozo pela experiência ali sentida. "Where is My Mind", "Hey", "Caribou", "In Heaven (Lady in the Radiator Song)" ou "Monkey Gone to Heaven" foram momentos mágicos. "I Bleed", "Something Against You" (quase inaudível para quem estava lá mais à frente), "Isla de Encanta" ou "Vamos" foram absolutamente trepidantes. Mas houve muito mais. Nunca mais esquecerei o final, perfeitamente diabólico, com "Tame"...

E o resto
O resto? Não há muito que falar do resto. Depois dos Pixies, nada mais interessava. A não ser aquele bófia agarrado aos... err... Bom, o que interessava mesmo é que houvesse mais barracas da cervejeira (nota etílico-facciosa: e que porcaria é aquela marca de cerveja) que patrocina o evento, para que as filas (nota de rigor: filas? aquelas multidões que mais pareciam a plateia do Coliseu dos Recreios em volta do palco, perdão, da barraca de cerveja?) não se tornassem literalmente impossíveis... Mais de uma hora à espera por um cachorro frio é desesperante, não? 50 ou 60 ou 70 mil pessoas é muita, muita gente. E quando não há logística de apoio, a paciência perde-se facilmente. Tanto para mais quando no palco se pavoneia um azeiteiro de segunda (nota agrícola: se fosse um azeiteiro de primeira, a coisa ainda puxava pelo lado kitsch). O resto ficou, portanto, para ver... Alguém quer continuar?