in "Noites Tropicais - solos, improvisos e memórias musicais", de Nelson Motta (Ed. Objetiva, 2000)
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta livros. Mostrar todas as mensagens
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
E Tim voltou para casa viajandão, dirigindo seu jipe e certo de que tinha salvado a alma da "Flips"
in "Noites Tropicais - solos, improvisos e memórias musicais", de Nelson Motta (Ed. Objetiva, 2000)
quinta-feira, 27 de março de 2014
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
10 anos, 10 livros (#10: Waging Heavy Peace: a Hippie Dream)
(Faltava este para completar a lista e encerrar o período de celebração do aniversário desta casa amarela:)

WAGING HEAVY PEACE: A HIPPIE DREAM
Neil Young
Primeira edição: Viking, 2012
A autobiografia do Neil Young não iria poder ficar de fora desta pequena lista de livros. A primeira coisa importante a realçar é que não há aqui escritores-fantasma. As palavras que aqui se percorrem -- a boa velocidade, diga-se -- saíram dos dedos do próprio músico. E saíram de uma forma que alguns acharão confusa, outros natural. Young vai avançando no livro ao sabor do momento, como se embarcássemos com ele numa das suas longas viagens de carro, com tempo suficiente para escutarmos alguns dos momentos mais marcantes da sua vida, da sua carreira ou até mesmo do que vai acontecendo no presente. Tanto podemos estar a ouvir a história de como, há muitos anos, conseguiu comprar uma carrinha funerária que serviu de viatura para transportar a sua primeira banda, como logo a seguir muda agulhas para a reunião recente com executivos da indústria musical a propósito do formato digital de música que lançará em breve, o Pono, para as histórias que envolvem o seu outro grande projeto, o carro híbrido Lincvolt, para o seu incrível conjunto de comboios miniatura da Lionel, para o amor que tem pela família, pela vida no rancho e pela coleção de carros antigos, para a mítica carrinha Pocahontas, para as histórias de drogas e outras aventuras ao longo de toda a carreira, para os filmes que realizou, as músicas que fez e que vai fazer, tudo e isto e muito mais. Como numa conversa livre, sem fronteiras de estilo, sem amarras de guião.
[Entrada no goodreads]
WAGING HEAVY PEACE: A HIPPIE DREAM
Neil Young
Primeira edição: Viking, 2012
A autobiografia do Neil Young não iria poder ficar de fora desta pequena lista de livros. A primeira coisa importante a realçar é que não há aqui escritores-fantasma. As palavras que aqui se percorrem -- a boa velocidade, diga-se -- saíram dos dedos do próprio músico. E saíram de uma forma que alguns acharão confusa, outros natural. Young vai avançando no livro ao sabor do momento, como se embarcássemos com ele numa das suas longas viagens de carro, com tempo suficiente para escutarmos alguns dos momentos mais marcantes da sua vida, da sua carreira ou até mesmo do que vai acontecendo no presente. Tanto podemos estar a ouvir a história de como, há muitos anos, conseguiu comprar uma carrinha funerária que serviu de viatura para transportar a sua primeira banda, como logo a seguir muda agulhas para a reunião recente com executivos da indústria musical a propósito do formato digital de música que lançará em breve, o Pono, para as histórias que envolvem o seu outro grande projeto, o carro híbrido Lincvolt, para o seu incrível conjunto de comboios miniatura da Lionel, para o amor que tem pela família, pela vida no rancho e pela coleção de carros antigos, para a mítica carrinha Pocahontas, para as histórias de drogas e outras aventuras ao longo de toda a carreira, para os filmes que realizou, as músicas que fez e que vai fazer, tudo e isto e muito mais. Como numa conversa livre, sem fronteiras de estilo, sem amarras de guião.
[Entrada no goodreads]
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
10 anos, 10 livros (#9: How Music Works)
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

HOW MUSIC WORKS
David Byrne
Primeira edição: McSweeney's, 2012
O título é, curiosamente, igual ao do livro do professor John Powell. A abordagem de David Byrne é diferente, não deixando porém de ser igualmente compelativa. Se Powell era o físico (e músico formado), Byrne veste os uniformes de antropólogo, de músico de sucesso, de gestor e de tipo apaixonado pela arte, mas com os pés na terra (pelo menos, um de cada vez; já é saudável). "How Music Works" é um conjunto de ensaios cuidados, aprofundados e particularmente atentos sobre a forma como diversos fatores -- as salas de concertos, a tecnologia, os contextos sociais, o negócio -- moldaram a forma como a música tem vindo a ser feita (e ouvida) ao longo da História. Obrigatório.
Do prefácio: "Others have have written insightfully about music's physyological and neurological effects; scientists have begun to peek under the hood to examine the precise mechanisms by which music works on our emotions and perceptions [parece até que Byrne faz aqui uma referência ao livro de Powell]. But that's not really my brief here; I have focused on how music might be molded before it gets to us, what determines if it get to us at all, and what factors external to the music itself can make it resonate for us".
[Entrada no goodreads]
HOW MUSIC WORKS
David Byrne
Primeira edição: McSweeney's, 2012
O título é, curiosamente, igual ao do livro do professor John Powell. A abordagem de David Byrne é diferente, não deixando porém de ser igualmente compelativa. Se Powell era o físico (e músico formado), Byrne veste os uniformes de antropólogo, de músico de sucesso, de gestor e de tipo apaixonado pela arte, mas com os pés na terra (pelo menos, um de cada vez; já é saudável). "How Music Works" é um conjunto de ensaios cuidados, aprofundados e particularmente atentos sobre a forma como diversos fatores -- as salas de concertos, a tecnologia, os contextos sociais, o negócio -- moldaram a forma como a música tem vindo a ser feita (e ouvida) ao longo da História. Obrigatório.
Do prefácio: "Others have have written insightfully about music's physyological and neurological effects; scientists have begun to peek under the hood to examine the precise mechanisms by which music works on our emotions and perceptions [parece até que Byrne faz aqui uma referência ao livro de Powell]. But that's not really my brief here; I have focused on how music might be molded before it gets to us, what determines if it get to us at all, and what factors external to the music itself can make it resonate for us".
[Entrada no goodreads]
10 anos, 10 livros (#8: How Music Works / Como Funciona a Música)
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

HOW MUSIC WORKS
John Powell
Primeira edição: Penguin, 2010
Edição portuguesa: Bizâncio, 2012 (trad. Luísa Venturini)
Não se assustem logo com a capa. O professor John Powell é doutorado em Física e mestre em composição musical. Daqui se antevê, desde logo, uma abordagem diferente daquela a que estamos habituados. Sem se deixar cair demasiado na tentação da opinião, Powell aborda a música pela via da ciência. Como é que os instrumentos produzem notas? Como é que as notas e as escalas surgiram, tanto a Ocidente como a Oriente? O que é o ouvido perfeito? O que é a harmonia? Porque é que a música pop tem estas características? E a música dita erudita? Todas as respostas a estas questões e muitas mais encontram-se neste magnífico livro, estruturado e redigido numa linguagem pedagógica e acompanhada de bastante humor. Obrigatório para todos os curiosos da música, avançados ou iniciados.
[Entrada no goodreads]
HOW MUSIC WORKS
John Powell
Primeira edição: Penguin, 2010
Edição portuguesa: Bizâncio, 2012 (trad. Luísa Venturini)
Não se assustem logo com a capa. O professor John Powell é doutorado em Física e mestre em composição musical. Daqui se antevê, desde logo, uma abordagem diferente daquela a que estamos habituados. Sem se deixar cair demasiado na tentação da opinião, Powell aborda a música pela via da ciência. Como é que os instrumentos produzem notas? Como é que as notas e as escalas surgiram, tanto a Ocidente como a Oriente? O que é o ouvido perfeito? O que é a harmonia? Porque é que a música pop tem estas características? E a música dita erudita? Todas as respostas a estas questões e muitas mais encontram-se neste magnífico livro, estruturado e redigido numa linguagem pedagógica e acompanhada de bastante humor. Obrigatório para todos os curiosos da música, avançados ou iniciados.
[Entrada no goodreads]
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
10 anos, 10 livros (#7: Just Kids)
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

JUST KIDS
Patti Smith
Primeira edição: Ecco, 2010
Esta não é apenas uma autobiografia. É a história das paixões e das cumplicidades criativas entre a autora, Patti Smith, e o fotógrafo Robert Mapplethorpe, o seu velho companheiro de Nova Iorque (a própria cidade e o Hotel Chelsea são outros protagonistas da obra). Chega a ser profundamente emocionante a forma como Patti Smith recorda algumas destas histórias. Por vezes, somos obrigados a fechar o livro para respirarmos, como acontece em qualquer obra grande das letras.
[Entrada no goodreads]
JUST KIDS
Patti Smith
Primeira edição: Ecco, 2010
Esta não é apenas uma autobiografia. É a história das paixões e das cumplicidades criativas entre a autora, Patti Smith, e o fotógrafo Robert Mapplethorpe, o seu velho companheiro de Nova Iorque (a própria cidade e o Hotel Chelsea são outros protagonistas da obra). Chega a ser profundamente emocionante a forma como Patti Smith recorda algumas destas histórias. Por vezes, somos obrigados a fechar o livro para respirarmos, como acontece em qualquer obra grande das letras.
[Entrada no goodreads]
10 anos, 10 livros (#5: Goodbye 20th Century: A Biography of Sonic Youth; #6: Psychic Confusion: The "Sonic Youth" Story)
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

GOODBYE 20th CENTURY: A BIOGRAPHY OF SONIC YOUTH
David Browne
Primeira edição: Da Capo, 2008
A primeira de duas biografias dos Sonic Youth lançadas nestes últimos anos.
[Entrada no goodreads]

PSYCHIC CONFUSION: THE "SONIC YOUTH" STORY
Everett True
Primeira edição: Omnibus Press, 2008
Saída praticamente na mesma altura que "Goodbye 20th Century" e tão interessante quanto a primeira, esta outra biografia constitui uma abordagem paralela à história desta revolução na música popular.
[Entrada no goodreads]
GOODBYE 20th CENTURY: A BIOGRAPHY OF SONIC YOUTH
David Browne
Primeira edição: Da Capo, 2008
A primeira de duas biografias dos Sonic Youth lançadas nestes últimos anos.
[Entrada no goodreads]
PSYCHIC CONFUSION: THE "SONIC YOUTH" STORY
Everett True
Primeira edição: Omnibus Press, 2008
Saída praticamente na mesma altura que "Goodbye 20th Century" e tão interessante quanto a primeira, esta outra biografia constitui uma abordagem paralela à história desta revolução na música popular.
[Entrada no goodreads]
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
10 anos, 10 livros (#4: The Peel Sessions: A Story of Teenage Dreams and One Man's Love of New Music"
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

THE PEEL SESSIONS: A STORY OF TEENAGE DREAMS AND ONE MAN'S LOVE OF NEW MUSIC
Ken Garner
Primeira edição: BBC Books, 2007
Se o johnpeelismo (desculpem o neologismo patético) fosse uma religião, eu seria um beato fanático. Para colecionador acérrimo (bom, já fui mais) das míticas Peel Sessions, este é um livro que guardo com especial prazer na estante. De 1967 a 2004, o falecido John Peel gravou mais de dois milhares de bandas para os seus programas de rádio. Este livro é precisamente o tratado que muitos de nós andavam a exigir, ainda Peel era vivo.
Falei do livro aqui.
[Entrada no goodreads]
THE PEEL SESSIONS: A STORY OF TEENAGE DREAMS AND ONE MAN'S LOVE OF NEW MUSIC
Ken Garner
Primeira edição: BBC Books, 2007
Se o johnpeelismo (desculpem o neologismo patético) fosse uma religião, eu seria um beato fanático. Para colecionador acérrimo (bom, já fui mais) das míticas Peel Sessions, este é um livro que guardo com especial prazer na estante. De 1967 a 2004, o falecido John Peel gravou mais de dois milhares de bandas para os seus programas de rádio. Este livro é precisamente o tratado que muitos de nós andavam a exigir, ainda Peel era vivo.
Falei do livro aqui.
[Entrada no goodreads]
10 anos, 10 livros (#3: Rip it Up and Start Again)
(Continuando na ordem mais ou menos cronológica:)

RIP IT UP AND START AGAIN
Simon Reynolds
Primeira edição: Faber and Faber, 2006
Dispensa grandes apresentações, o livro do jornalista Simon Reynolds, de tão popular que se tornou desde a primeira edição. Do início do fim do punk ao surgimento da MTV, há aqui uma autêntica enciclopédia de quase tudo o que é preciso saber do pós-punk. Só lhe faltou falar um pouco mais da Europa continental, mas para isso era preciso outro volume.
Falei do livro aqui.
[Entrada no goodreads]
RIP IT UP AND START AGAIN
Simon Reynolds
Primeira edição: Faber and Faber, 2006
Dispensa grandes apresentações, o livro do jornalista Simon Reynolds, de tão popular que se tornou desde a primeira edição. Do início do fim do punk ao surgimento da MTV, há aqui uma autêntica enciclopédia de quase tudo o que é preciso saber do pós-punk. Só lhe faltou falar um pouco mais da Europa continental, mas para isso era preciso outro volume.
Falei do livro aqui.
[Entrada no goodreads]
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
10 anos, 10 livros (#2: Einstürzende Neubauten: No Beauty Without Danger)
EINSTÜRZENDE NEUBAUTEN: NO BEAUTY WITHOUT DANGER
Max Dax, Robert Defcon
Primeira edição: Ed. Autor Limitada (500 ex.), 2005
(Edição alemã: "Nur Was Nicht Ist, Ist Möglich")
"No Beauty Without Danger" é uma biografia redigida num formato pouco comum. O texto é exclusivamente composto por respostas às entrevistas que os autores fizeram aos músicos que passaram pelos Einstürzende Neubauten e por quem com eles conviveu de perto. Imaginem um documentário baseado exclusivamente, como é mais habitual no meio televisivo e cinematográfico, nos testemunhos de homens e mulheres. Devidamente editados e arranjadas, estes testemunhos conseguem agarrar o leitor na descoberta de um percurso notável de um projeto notável. O posfácio é da autoria de Arto Lindsay.
Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
[Entrada no goodreads]
10 anos, 10 livros (#1: Margrave of the Marshes)
Na evocação destes 10 anos do juramentosembandeira, já aqui tivemos 10 concertos, 10 canções e, agora, 10 livros que ajudaram este que vos escreve a compreender um pouco melhor os contextos sobre os quais se move a música, seja nas biografias, seja nos ensaios alargados sobre o papel que esta arte ocupa nas nossas vidas, ao longo dos tempos. Seguem-se então a seleção ordenada pelo ano de edição original de 10 dos livros lidos ao longo destes anos e que merecem ser destacados:

MARGRAVE OF THE MARSHES
John Peel, Sheila Ravenscroft
Primeira edição: Corgi, 2005
Depois da morte de um dos mais extraordinários amantes e divulgadores de música dos últimos 50 anos, saíram dois livros fundamentais sobre a sua vida e carreira. O primeiro deles é esta autobiografia parcial. A meio da história, percebe-se que Peel já não está lá mais para a escrever e é a sua mulher, Sheila Ravenscroft, ou a "porca" ("pig"), como lhe chamava o marido, que continua. De uma pena ou de outra saem incontáveis recordações mirabolantes e episódios carregados de humor de uma família que viveu de perto com a música produzida em todos os cantos do mundo.
Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
[Entrada no goodreads]
MARGRAVE OF THE MARSHES
John Peel, Sheila Ravenscroft
Primeira edição: Corgi, 2005
Depois da morte de um dos mais extraordinários amantes e divulgadores de música dos últimos 50 anos, saíram dois livros fundamentais sobre a sua vida e carreira. O primeiro deles é esta autobiografia parcial. A meio da história, percebe-se que Peel já não está lá mais para a escrever e é a sua mulher, Sheila Ravenscroft, ou a "porca" ("pig"), como lhe chamava o marido, que continua. De uma pena ou de outra saem incontáveis recordações mirabolantes e episódios carregados de humor de uma família que viveu de perto com a música produzida em todos os cantos do mundo.
Falei do livro aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
[Entrada no goodreads]
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 7
"Ontem, estávamos nós a caminho do cinema, e ouvi um tipo qualquer na rádio a despejar o seu coração numa canção. Disse ao Ben Bourdon, o assistente e amigo do Ben Young [filho de Neil Young]: 'Isto parece o Jimmy Fallon a fazer de mim. O que raio significa isto?' Foi giro. Soava mesmo como eu. Fartámo-nos de rir. O Ben Young achou histérico. O Fallon soava como uma versão de mim aos vinte anos. Talvez não tão bom. Talvez melhor.
"O que dizer deste Jimmy Fallon? É um clássico. Faz de mim tão bem que não preciso de me preocupar mais. Tem um ótimo ar e eu sou um tipo velho que não quer estar na televisão. O Jimmy fez todas as minhas atuações na televisão para o ano que passou ou mais. Obrigado, Jimmy!"
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
A propósito, uma das muitas imitações pelo Jimmy Fallon:
"O que dizer deste Jimmy Fallon? É um clássico. Faz de mim tão bem que não preciso de me preocupar mais. Tem um ótimo ar e eu sou um tipo velho que não quer estar na televisão. O Jimmy fez todas as minhas atuações na televisão para o ano que passou ou mais. Obrigado, Jimmy!"
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
A propósito, uma das muitas imitações pelo Jimmy Fallon:
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 6
"(...) Estava anunciado como "Rust Never Sleeps: A Concert Fantasy" e era ainda mais estranho para o público porque o meu novo álbum, Comes a Time, tinha justamente acabado de sair.
"O Comes a Time tinha sido um tipo completamente diferente de música, gravada em Nashville com uma banda diferente! Nessa altura, eu tinha o hábito de tocar primeiro todas as minhas canções novas ao vivo, gravando-as assim e depois tirando o público das misturas. E depois lançava-as como álbuns de estúdio. Os Crazy Horse eram fantásticos ao vivo e esta era a maneira mais divertida de o fazer.
"Claro, isto foi antes da Internet e já não é mais possível trabalhar-se assim. Qualquer coisa que eu experimente no palco é logo atirada para o YouTube, onde pessoas que acham que sabem o que eu devo fazer começam logo a pôr defeitos, mesmo antes de ser o resultado final. Isto é o desafio mais intimidante que a Internet trouxe juntamente com todas as coisas boas. O palco costumava ser o meu laboratório.(...)
"As primeiras duas apresentações de Rust Never Sleeps tiveram imensos desastres, de coisas que não funcionavam bem a coisas que não funcionavam de todo. Se fosse hoje, o chorrilho de críticas na Net teria sido tão mau que mataria o espetáculo mesmo antes de este nascer por completo.
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
"O Comes a Time tinha sido um tipo completamente diferente de música, gravada em Nashville com uma banda diferente! Nessa altura, eu tinha o hábito de tocar primeiro todas as minhas canções novas ao vivo, gravando-as assim e depois tirando o público das misturas. E depois lançava-as como álbuns de estúdio. Os Crazy Horse eram fantásticos ao vivo e esta era a maneira mais divertida de o fazer.
"Claro, isto foi antes da Internet e já não é mais possível trabalhar-se assim. Qualquer coisa que eu experimente no palco é logo atirada para o YouTube, onde pessoas que acham que sabem o que eu devo fazer começam logo a pôr defeitos, mesmo antes de ser o resultado final. Isto é o desafio mais intimidante que a Internet trouxe juntamente com todas as coisas boas. O palco costumava ser o meu laboratório.(...)
"As primeiras duas apresentações de Rust Never Sleeps tiveram imensos desastres, de coisas que não funcionavam bem a coisas que não funcionavam de todo. Se fosse hoje, o chorrilho de críticas na Net teria sido tão mau que mataria o espetáculo mesmo antes de este nascer por completo.
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 5
"(...) apareceu um tipo, pegou na minha guitarra e começou a tocar uma data de canções nela. Chamava-se Charlie. (...) As suas canções eram improvisações que ele ia fazendo e nenhuma era igual à anterior. Parecido com o Dylan, ainda que diferente porque era difícil encontrar uma mensagem nelas, mas as canções eram fascinantes. Era muito bom.
"Perguntei-lhe se tinha um contrato de gravação. Disse-me que não e que queria gravar discos. Falei dele ao Mo Ostin da Reprise. O Terry Melcher era um produtor da altura que fazia discos de sucesso influentes. Aparentemente, o Melcher já tinha andado a ver o Charlie e tinha optado por não o fazer.
"Pouco depois, os homicídios Sharon Tate-LaBianca aconteceram e, de súbito, o nome Charlie Manson dava a volta ao mundo."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
"Perguntei-lhe se tinha um contrato de gravação. Disse-me que não e que queria gravar discos. Falei dele ao Mo Ostin da Reprise. O Terry Melcher era um produtor da altura que fazia discos de sucesso influentes. Aparentemente, o Melcher já tinha andado a ver o Charlie e tinha optado por não o fazer.
"Pouco depois, os homicídios Sharon Tate-LaBianca aconteceram e, de súbito, o nome Charlie Manson dava a volta ao mundo."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
segunda-feira, 21 de janeiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 4
"Há uma série de coisas que podem correr mal na estrada. Se adoeces, tens que tocar à mesma, mas as pessoas acham que estás a perder a pica. Se tens a casa meio cheia, as pessoas não se sentem como fazendo parte de alguma coisa. Se não tiveres uma equipa fantástica, a tua cena não soa bem. Se não tiveres o melhor material, o teu espetáculo pode não soar tão fantástico como o anterior ou o próximo. Se tiveres uma reputação, ela está em jogo. Se te esqueces do que estás a fazer, aparece no YouTube. Se te lembras do que estás a fazer, aparece no YouTube. Se fazes algo novo que ainda não esteja pronto, ou algo de antigo em que fazes asneira, aparece no YouTube. Se sai ranho do teu nariz enquanto tocas a harmónica e escorrega por esta até chegar à T-shirt, aparece no YouTube. Se disseres alguma coisa estúpida..."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 3
"Lembram-se da galinha dos ovos de ouro? Este livro é todo sobre isso. Este livro vai manter-me fora dos palcos (além de uns poucos concertos de caridade -- Farm Aid e a Bridge School) por mais de um ano. Preciso de me afastar e recuperar energias. Este livro é algo que faço para me manter afastado dos palcos. Tudo começou quando eu parti um dedo do pé na piscina. (...)
"Por isso, tenho que ir devagar. Daí estar a escrever este livro agora.
"Ou então é porque já não fumo erva. Estou mais focado agora. É estranho. Por um lado, ponho a imaginar-me se consigo escrever canções limpo e, por outro, estou a dizer que é por estar limpo que estou, provavelmente, a escrever este livro. Alguém devia tomar nota disto para a sua investigação no assunto da sobriedade, mas não eu.
"Sinto-me muito na moda por ter parado de fumar e de beber. Devia estar na revista People ou na Entertainment Tonight. Estou a perder imensa exposição. (Na verdade, não consigo imaginar algo tão mais distante do que me vai na cabeça do que fazer esse tipo de coisas, graças a Deus).
"Não tem piada ver TV comigo ao lado. Estou constantemente a fazer apartes, a criticar e a fazer piadas. Suponho que venha a estar na TV a vender este livro, contudo.
"O Jonathan Demme fez recentemente outro filme com uma das minhas atuações. É o último de uma trilogia. (...) Ao promovê-lo, eu podia ir ao Colbert! Esse gajo é mesmo cómico. Ou o Jon Stewart! Graças a Deus pelo humor! Estes gajos são brilhantes. Tenho sempre medo que vá a meio da descrição longa de uma história e que me esqueça do que estava a falar. Vai espalhar-se o segredo de que estou a perder a minha razão aos poucos e poucos. É um medo real. Toda a gente vai saber! Mas não é novo. Não é uma evolução recente. Fui sempre assim. É o que torna tão difícil a deteção dos primeiros níveis da demência em mim. Talvez nunca venham a existir. Talvez esteja tudo na minha cabeça."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
"Por isso, tenho que ir devagar. Daí estar a escrever este livro agora.
"Ou então é porque já não fumo erva. Estou mais focado agora. É estranho. Por um lado, ponho a imaginar-me se consigo escrever canções limpo e, por outro, estou a dizer que é por estar limpo que estou, provavelmente, a escrever este livro. Alguém devia tomar nota disto para a sua investigação no assunto da sobriedade, mas não eu.
"Sinto-me muito na moda por ter parado de fumar e de beber. Devia estar na revista People ou na Entertainment Tonight. Estou a perder imensa exposição. (Na verdade, não consigo imaginar algo tão mais distante do que me vai na cabeça do que fazer esse tipo de coisas, graças a Deus).
"Não tem piada ver TV comigo ao lado. Estou constantemente a fazer apartes, a criticar e a fazer piadas. Suponho que venha a estar na TV a vender este livro, contudo.
"O Jonathan Demme fez recentemente outro filme com uma das minhas atuações. É o último de uma trilogia. (...) Ao promovê-lo, eu podia ir ao Colbert! Esse gajo é mesmo cómico. Ou o Jon Stewart! Graças a Deus pelo humor! Estes gajos são brilhantes. Tenho sempre medo que vá a meio da descrição longa de uma história e que me esqueça do que estava a falar. Vai espalhar-se o segredo de que estou a perder a minha razão aos poucos e poucos. É um medo real. Toda a gente vai saber! Mas não é novo. Não é uma evolução recente. Fui sempre assim. É o que torna tão difícil a deteção dos primeiros níveis da demência em mim. Talvez nunca venham a existir. Talvez esteja tudo na minha cabeça."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 2
"Um dia, quando o Ben Young era pequeno e nós procurávamos uma escola para ele, a Pegi ficou quase em lágrimas depois de uma vista de olhos particularmente deprimente que demos a uma sala de aula para deficientes, na Califórnia. Saiu-lhe então: 'por que é que não chamamos os nossos amigos, fazemos um concerto para angariar fundos e abrimos uma escola? Podíamos ter o Bruce Springsteen!' Limitei-me a olhar para ela, calado que fiquei com esta ideia audaciosa.
"Graças à sua bondade, o Bruce fê-lo e esgotou os nossos primeiros concertos. Abrimos a escola com estes fundos. O Bruce Springsteen é coisa séria. Estava no seu primeiro pico de carreira e a sua aparição foi magnífica a todos os níveis. (...)
"O Bruce ainda é meu amigo. Não falamos muito. Não precisamos de o fazer. Ele é genial e na sua própria liga. Eu não sou ele, nem ele é eu. Mas fazemos caminhos semelhantes, escrevendo e cantando o nosso tipo de canções pelo mundo fora, tal como o Bob e alguns outros cantautores. É uma espécie de fraternidade silenciosa. Ocupamos este espaço na mente das pessoas com a nossa música. No ano passado, perdi o homem à minha direita, o 'pedal steel guitarist' Ben Keith. Este ano, o Bruce perdeu o homem à sua direita, o saxofonista Clarence Clemons. É altura para outra conversa; os amigos podem ajudar-se uns aos outros apenas estando lá. Agora, cada um de nós vai olhar para a sua direita e ver um buraco gigantesco, uma memória, o passado e o futuro. Eu não tocarei com outro músico de 'pedal steel' tentando recriar as partes do Ben, e sei que o Bruce não tocará com outro homem do saxofone que tente fazer as do Clarence. Essas partes não vão voltar a acontecer. Já aconteceram. E isso tira muito dos nossos repertórios."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
"Graças à sua bondade, o Bruce fê-lo e esgotou os nossos primeiros concertos. Abrimos a escola com estes fundos. O Bruce Springsteen é coisa séria. Estava no seu primeiro pico de carreira e a sua aparição foi magnífica a todos os níveis. (...)
"O Bruce ainda é meu amigo. Não falamos muito. Não precisamos de o fazer. Ele é genial e na sua própria liga. Eu não sou ele, nem ele é eu. Mas fazemos caminhos semelhantes, escrevendo e cantando o nosso tipo de canções pelo mundo fora, tal como o Bob e alguns outros cantautores. É uma espécie de fraternidade silenciosa. Ocupamos este espaço na mente das pessoas com a nossa música. No ano passado, perdi o homem à minha direita, o 'pedal steel guitarist' Ben Keith. Este ano, o Bruce perdeu o homem à sua direita, o saxofonista Clarence Clemons. É altura para outra conversa; os amigos podem ajudar-se uns aos outros apenas estando lá. Agora, cada um de nós vai olhar para a sua direita e ver um buraco gigantesco, uma memória, o passado e o futuro. Eu não tocarei com outro músico de 'pedal steel' tentando recriar as partes do Ben, e sei que o Bruce não tocará com outro homem do saxofone que tente fazer as do Clarence. Essas partes não vão voltar a acontecer. Já aconteceram. E isso tira muito dos nossos repertórios."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Um sonho hippie, n.º 1
"E então que faço agora, que tenho 65 anos? Reformo-me? Népia. Não consigo parar de me mexer o suficiente para o fazer. Amanhã vou até ao Havai e vou continuar a escrever isto. Adoro aquilo por lá. Deixo-me, sei lá, descomprimir. A Pegi vai para o Havai, também, daqui a alguns dias, mas eu não posso esperar tanto tempo para ir para lá. Ela acabou agora mesmo de fazer um grande disco e quer terminar tudo o que tenha a ver com isso antes de se juntar a mim. E não será assim tanto tempo para voltarmos a estar juntos. Adoro isso. Ela é a minha parceira de vida. A minha confidente. Posso contar-lhe tudo. Depois de todos estes anos juntos, ainda estou a conhecê-la. Eu seria uma ilha sem o meu oceano se não estivéssemos juntos nos nossos corações. Sou o homem mais sortudo do mundo por poder ir até ao Havai, descansar um pouco e esperar que ela se junte. Não que eu saiba descansar como as outras pessoas fazem. Trabalho criativo e a escrita são relaxantes para mim."
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
Neil Young, in "Waging Heavy Peace: A Hippie Dream" (Viking, 2012)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Como funciona a música
"Outra fonte de rendimento para os artistas que gravam é o licenciamento. Significa que se autoriza que um filme, um programa de TV ou um anúncio use a nossa canção em troca de dinheiro. Eu não licencio canções para anúncios, mas vez vejo mais dinheiro do licenciamento de canções para filmes e TV do que em vendas de discos.
(...)
"Uma licença pode trazer mais rendimento que uma digressão completa e certamente mais do que os royalties da venda de CDs através de uma editora."
David Byrne, in "How Music Works", Capítulo 7 ("Business and Finances")
(...)
"Uma licença pode trazer mais rendimento que uma digressão completa e certamente mais do que os royalties da venda de CDs através de uma editora."
David Byrne, in "How Music Works", Capítulo 7 ("Business and Finances")
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Música nas cidades, em segundo volume!
Há cerca de quatro anos, o professor de matemática e melómano Manuel Fernandes Vicente lançou "Música nas Cidades", uma obra notável na exploração das chamadas cenas musicais, enquanto habitats criativos construídos em ambientes geográficos e temporais comuns. Obra notável, sim, e também rara no mercado português da publicação de reflexões e levantamentos sérios, informados e cativantes sobre o tema da música.
Mais rara ainda é a possibilidade que é dada aos autores de continuarem o seu trabalho. Mas o Manuel, porque o fez bem da primeira vez, porque as duas edições esgotaram, conseguiu voltar à carga. Como ele bem o sabe, o tema é praticamente inesgotável. Assim, será lançado neste próximo sábado, com apresentação pública na Bertrand do Chiado, pelas 17h, o segundo volume de "Música nas Cidades", com a presença do autor, o diretor da Formalpress (a editora) e o professor de português José Ventura.

PR da editora:
Mais rara ainda é a possibilidade que é dada aos autores de continuarem o seu trabalho. Mas o Manuel, porque o fez bem da primeira vez, porque as duas edições esgotaram, conseguiu voltar à carga. Como ele bem o sabe, o tema é praticamente inesgotável. Assim, será lançado neste próximo sábado, com apresentação pública na Bertrand do Chiado, pelas 17h, o segundo volume de "Música nas Cidades", com a presença do autor, o diretor da Formalpress (a editora) e o professor de português José Ventura.
PR da editora:
O livro Música nas Cidades – Volume 2, de Manuel Fernandes Vicente, é apresentado publicamente a nível nacional no dia 1 de Dezembro, sábado, pelas 17 horas, na livraria Bertrand, em Lisboa. A edição desta nova obra, que tem o selo da editora Formalpress/Rés XXI, dá sequência a um primeiro trabalho do autor, Música nas Cidades, que esgotou as duas edições entretanto saídas a público em 2008 e 2010.
Neste novo trabalho, que denota uma exaustiva pesquisa e compreensão das realidades psicossociais que envolvem a música, o autor, procura, com vários exemplos e histórias sugestivas, abordar as relações de causa-efeito entre diferentes cidades do mundo e os géneros musicais a que deram berço. As investigações, de natureza sociológica, económica, cultural, política, histórica, migratória, arquitetónica, religiosa étnica, de dinâmica de grupos e outras evidenciam a forma como essas influências determinaram estilos musicais, amplamente credores no seu carácter ao carácter mais profundo das cidades que lhes deram origem.
Além de professor na Escola Dr. Ruy de Andrade, o autor é correspondente regional do diário Público desde a sua fundação em 1990. Participou na fundação da Revista Nova e do Notícias do Entroncamento, foi colaborador do extinto jornal musical Blitz, e colabora atualmente com meios de comunicação como o jornal regional Abarca e o jornal digital Entroncamentoonline.pt. Desde muito jovem teve um forte interesse pelo mundo da música, tendo mesmo desenvolvido alguns trabalhos relacionando o paralelismo entre a música e a Matemática, em particular na forte correlação do aproveitamento escolar dos alunos nestas duas áreas. A pesquisa cultural e a reflexão sobre a interdependência entre as características das cidades e a natureza dos estilos musicais nelas surgidos, que estão na base do Música nas Cidades Vol.2, resultam como consequência de uma extensíssima coleção de LP, CD, DVD e outros suportes musicais, que forneceram muitas sugestões e pistas de análise – e que traduzem também o interesse melómano do autor, que a partir da música sempre procurou atingir outras áreas − para a ela, afinal, sempre regressar.
Na apresentação do livro estarão presentes Paulo Faustino, diretor da editora Formalpress, e José Ventura, docente de Português, ambos autores de obras ligadas, respetivamente à comunicação social e literatura.
Subscrever:
Mensagens (Atom)