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sexta-feira, 3 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 41 ao 50


41. HARRY MANX (Ilha de Man)
Praia, 26/jul/2007::vídeo::
"À medida que o sol ia ameaçando desaparecer até ao dia seguinte, o manês (espécie de gentílico inventado à pressa para quem provém da Ilha de Man) Harry Manx cativou o público junto à praia, com o seu blues impregnado de raga, com uma mohan veena (uma guitarra adaptada à música clássica indiana. Aprendi a cortar na palavra sublime como quem corta no açúcar para o café, mas aqui vou ter que dar uma facadinha e usar o termo. Sublime."

42. IVA BITTOVÁ (República Checa)
Centro de Artes, 22/jul/2008
"Grandes vozes. Iva Bittová, com grande empenho dramático e solta de compromissos líricos, num registo que vai do demoníaco ao pueril, do soturno ao cómico. (…) Uns assustavam-se com esta mulher checa nas suas explorações de carácter mais dramático. Outros arrepiavam-se com as suas capacidades vocais. Ou no violino. Mais um postal de Sines bem guardado na memória."

43. FLAT EARTH SOCIETY MEETS JIMI TENOR (Bélgica / Finlândia)
Porto Covo, 19/jul/2008::vídeo::
"Virtuosos de outro planeta. A Flat Earth Society, enquanto colectivo. (…) Será porventura exagero, mas talvez houvesse mais músicos em palco do que pessoas no público a conhecerem a obra de Jimi Tenor. Mas isso, aqui, neste festival, não só não é novidade, como até potencia a criação de momentos de descoberta que são de aplaudir. Mas nem tão pouco parece que este interessante encontro da big band com o génio excêntrico do finlandês, outrora do mundo das electrónicas e afins, tenha aguçado por aí além a curiosidade do povo. Mas, para quem prestou atenção, todo o espectáculo foi percorrido por grandes ideias."

44. ERIKA STUCKY (Suíça)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"A suíça Erika Stucky foi uma das maiores surpresas deste festival. O uso que faz da voz, seja no formato spoken word (magnífica a versão para 'These Boots Are Made for Walking'), seja na canção, seja nos yodelays, aliado à boa disposição que atravessou toda a actuação, ajudou a que este espectáculo possa ficar retido na memória por bastante tempo."

45. L'ENFANCE ROUGE (França / Itália / Tunísia)
Praia, 22/jul/2009::vídeo::
"Na praia, houve também alguns concertos verdadeiramente explosivos, a começar pelo dos franco-magrebinos L'Enfance Rouge, numa reencarnação de uns Sonic Youth do tempo do EP de estreia ou de "Confusion is Sex" (já para não falar das semelhanças gritantes entre as baixistas de ambos os projectos), de uns Swans ou de uns Shellac mais roufenhos ainda, mas com uma integração magnífica com instrumentos árabes que estiveram nesta formação e que, aliás, contribuíram para o excelente "Trapani ~ halq al waady", álbum de há dois anos. "

46. MOSCOW ART TRIO (Rússia)
Centro de Artes, 21/jul/2008
"Virtuosos de outro planeta. (…) Qualquer um dos músicos do Moskow Art Trio. (…) Grandes vozes. (…) Sergey Starostin, dos Moskow Art Trio."

47. RACHEL UNTHANK & THE WINTERSET (Inglaterra)
Praia, 25/jul/2008::vídeo::
"Grandes vozes. (…) As irmãs Unthank."

48. ASIF ALI KHAN & PARTY (Paquistão)
Castelo, 25/jul/2013::vídeo::

49. ETRAN FINATAWA (Níger)
Praia, 20/jul/2007::vídeo::

50. TINARIWEN (Mali)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Hoje e nos próximos dias: Putan Club

Está de regresso ao nosso país o duo franco-italiano Putan Club, de François R. Cambuzat (L'Enfance Rouge) e de Gianna Greco. Hoje não serão acompanhados de Lydia Lunch, a menos que haja alguma surpresa. Além do concerto no Lounge, hoje, o duo, que já esteve em Viseu na passada segunda-feira, vai ainda passar pelos seguintes locais:

sexta feira | 20 de Fevereiro | 23h
Quina das Beatas
Centro de Artes e Espectáculo
Praça da República, 39 - Portalegre
entrada: 3 euros

sábado | 21 de Fevereiro | 21h30
(+ Los Saguaros)
Casa da Cultura
Rua Detrás da Guarda, 26-34 - Setúbal
entrada: 3 euros

segunda feira | 23 de Fevereiro | 22h30
Projectil
Travessa da Rua do Caires, 39 - Braga
entrada: contribuições livres

terça feira | 24 de Fevereiro | 22h
(+ Tren Go! Sound System)
Cave 45
Rua das Oliveiras, 45 - Porto
entrada: 6 euros

quarta feira | 25 de Fevereiro | 22h
Mercado Negro
Rua João Mendonça, 17 - Aveiro
entrada: ?

quinta feira | 26 de Fevereiro | 22h
TBA
Beja

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E hoje há Putan Club no Lounge

O François R. Cabumzat, dos L'Enfance Rouge, tem outro projeto, Putan Club, que tem tocado com a Lydia Lunch. A norte-americana não vem, mas Cabumzat e a italiana Gianna Greco trazem os Putan Club ao Lounge esta noite:

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

20 concertos a não perder no FMM

Por ordem cronológica:



WAZIMBO
(Moçambique)

Dia 19 (quinta-feira), 21h45 - Castelo
Oportunidade para ouvir a voz da mítica Orquestra Marrabenta Star de Moçambique.



OTIS TAYLOR BAND
(EUA)

Dia 19 (quinta-feira), 23h15 - Castelo
Venha o blues de palco grande, para a festa!



BOMBINO
(Níger/Povo Tuaregue)

Dia 19 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
E logo a seguir o melhor do blues do deserto. Quem esteve no Jardim das Oliveiras, no ano passado, não vai perder.



AL MADAR
(Líbano/EUA)

Dia 20 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
Primeiro episódio da Nova Iorque multicultural neste FMM 2012, com a baterista April Centrone e o violinista Timba Harris a regressarem ao palco do castelo, depois dos Secret Chiefs no ano passado, agora neste projeto de raízes árabes centrado na figura do libanês Bassam Saba. Também vão à ZDB, já amanhã, quarta-feira.



L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK
(França/Itália/Tunísia)

Dia 20 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Um dos mais energéticos trios de rock dos últimos tempos volta a Sines, agora com direito a toda a magia do castelo e com um novo convidado tunisino, o cantor Lofti Bouchnak. Da outra vez que os L'ER trouxeram tunisinos, foi um fim de noite arrasador. O trio vai andar pelo país (Portalegre, Lisboa, Milhões de Festa), mas a apresentação com os músicos tunisinos é exclusiva do FMM.



DEAD COMBO & MARC RIBOT
(Portugal/EUA)

Dia 21 (sábado), 19h00 - Castelo
Sines é fértil em encontros de músicos e de culturas. E este é um dos mais especiais de toda o historial do festival.



OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK
(Mali/EUA)

Dia 21 (sábado), 21h45 - Castelo
Outro encontro impossível de perder.



MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS
(EUA)

Dia 21 (sábado), 23h15 - Castelo
Mais um episódio da Nova Iorque multicultural. Marc Ribot volta a Sines, com o seu projeto mais famoso. Da outra vez foi tremendo. Agora pode ainda ser melhor.



JESSIKA KENNEY & EYVIND KANG
(EUA)

Dia 24 (terça-feira), 22h00 - Centro de Artes de Sines
Mais Nova Iorque (ou quase), no único concerto marcado para o CAS, numa atmosfera que se pretende mais intimista.



ENSEMBLE NOTTE DELLA TARANTA
(Itália)

Dia 25 (quarta-feira), 22h00 - Castelo
Noite especial com uma orquestra apuliana para fazer a malta dançar a pizzica.



STAFF BENDA BILILI
(RD Coongo)

Dia 26 (quinta-feira), 00h45 - Castelo
O cancelamento do concerto do aborígene Gurrumul veio precipitar o regresso, passado tão pouco tempo, deste grupo de músicos de Kinshasa, protagonista de um dos melhores momentos do historial do FMM, há dois anos.



KOUYATÉ-NEERMAN
(Mali/França)

Dia 27 (sexta-feira), 20h00 - Pontal
Espécie de encontro entre o balafon do Mali e o vibrafone europeu, acompanhados de uma secção rítmica que parece ter saído do pós-rock ou do jazz-rock. Promete!



DHAFER YOUSSEF
(Tunísia)

Dia 27 (sexta-feira), 21h45 - Castelo
O alaúde árabe no jazz europeu/escandinavo. Isto vai fazer estremecer as paredes do castelo.



MARI BOINE
(Noruega/Sápmi)

Dia 27 (sexta-feira), 23h15 - Castelo
Finalmente, porra. Mari Boine em Sines!



ZITA SWOON GROUP
(Bélgica/Burkina Faso)

Dia 27 (sexta-feira), 00h45 - Castelo
Também a Stef Kamil Carlens chegou o chamamento de África.



JUJU
(Gâmbia/Inglaterra)

Dia 27 (sexta-feira), 02h30 - Pontal
Mais um encontro Europa-África. Diz-se que o projeto está a funcionar melhor desde que surgiu em Sines pela primeira vez, já lá vão quatro anos.



ORQUESTRA TODOS
(Portugal/...)

Dia 28 (sábado), 18h45 - Castelo
O primeiro concerto da Orquestra Todos, no Largo do Intendente, no passado, foi uma experiência bonita a todos os níveis. O modelo adotado da Orchestra di Piazza Vittorio, é o de pôr em palco músicos residentes em Lisboa e provenientes dos mais diversos cantos e culturas do mundo. Não podia fazer mais sentido em Sines.



HUGH MASEKELA
(África do Sul)

Dia 28 (sábado), 21h45 - Castelo
O nome maior desta edição do FMM. Aos 73 anos, Masekela traz a Portugal um dos trompetes mais iconográficos da história da música africana, do jazz norte-americano e das lutas políticas do seu país.



TONY ALLEN FEAT. AMP FIDDLER
(Nigéria)

Dia 28 (sábado), 23h15 - Castelo
Agora, no castelo, a oportunidade para o Tony Allen se refazer, na companhia de Amp Fiddler (antigo companheiro de estrada de George Clinton), da fraca prestação de há anos, junto à praia. A secção de metais tem marca local: é constituída pelos professores da Escola de Artes de Sines. E deverá ser a primeira vez que se verá uma keytar (a de Amp Fiddler) em Sines.



LIRINHA
(Brasil)

Dia 28 (sábado), 02h30 - Pontal
Há seis anos, deixou o castelo de Sines semi-destruído na companhia dos já míticos Cordel do Fogo Encantado. Veio depois a separação e só agora José Paes de Lira volta aos palcos de música, a solo, apresentando um disco menos tribal, mais rock, mais eletrónica, a mesma carga emocional. Vai ser um encerramento bonito para o FMM 2012.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

L'Enfance Rouge também em Lisboa

Parecia que já não havia interesse dos promotores lisboetas em voltar a ter por cá uma das bandas mais explosivas dos últimos tempos, mas eis que afinal não é de todo assim.
Os L'Enfance Rouge, que vão passar por Sines com o novo projeto em que se juntam ao tunisino Lofti Bouchnak (20 de julho), e, já em formato de trio, pelo Milhões de Festa (22 de julho), vão também aproveitar a passagem por Portugal para tocarem em Lisboa. Vai também ser no formato de trio e precisamente entre aquelas duas datas, ou seja, 21 de julho. A sala que os acolhe é o Clube Ferroviário e a primeira parte vai estar a cargo dos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS, que através da sua Associação Terapêutica do Ruído, promovem o concerto. A entrada custa seis euros, com direito a duas imperiais ou uma bebida branca.

ATUALIZAÇÃO: Os L'ER vão também passar por Portalegre, no Centro de Artes do Espetáculo, no dia 18.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

L'Enfance Rouge de volta a Sines (e mais)

Já sabem que muito por aqui se fala dos L'Enfance Rouge. É tão só porque são bons, bons, bons como tudo, mesmo que meio mundo ande... distraído. Nem mesmo com o apadrinhamento do Thurston Moore, que um dia terá dito serem a melhor banda da Europa, ou do Mike Patton, para quem são um dos melhores grupos ao vivo. Mas adiante. A motivo para mais uma alusão aos L'Enfance Rouge prende-se com a confirmação pela organização do FMM Sines da vinda do grupo à próxima edição do festival. Três anos depois de terem deixado sangue, suor e lágrimas no palco da praia, François Cambuzat (voz e guitarra), Chiara Locardi (voz e baixo) e Jacopo Andreini (bateria) voltam a Sines, desta vez com direito ao palco do castelo e na companhia do tunisino Lofti Bouchnak, com o qual o grupo tem vindo a trabalhar para o próximo álbum, "At-tufuula al-hamra" e do qual já se tem aqui falado. O espetáculo está marcado para o dia 20 de julho.

Nas novidades hoje dadas pela organização do FMM, há ainda dois outros nomes, estes a estrearem-se em Portugal. Dos Estados Unidos da América, vem o bluesman Otis Taylor. Também do continente americano, mas mais acima, vem o canadiano Socalled, que cruza hip hop com tradições klezer dos seus antepassados judeus. A Ottis Taylor Band sobe ao castelo no dia 19 e Socalled toca no dia 28.

L'Enfance Rouge, Otis Taylor Band e Socalled juntam-se assim a um cartaz já composto por estes nomes (e muitos mais estão ainda por anunciar):

19 JUL: NARASIRATO (ILHAS SALOMÃO)
19 JUL: OTIS TAYLOR BAND (EUA)
20 JUL: BOMBINO (NÍGER – CULTURA TUAREGUE)
20 JUL: L'ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK ENSEMBLE (FRANÇA/ITÁLIA/TUNÍSIA)
21 JUL: MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS (EUA)
21 JUL: OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK (MALI / EUA)
26 JUL: ASTILLERO (ARGENTINA)
26 JUL: GURRUMUL (AUSTRÁLIA – CULTURA ABORÍGENE)
26 JUL: FATOUMATA DIAWARA (MALI)
27 JUL: DHAFER YOUSSEF QUARTET (TUNÍSIA)
27 JUL: MARI BOINE (NORUEGA – POVO SAMI)
27 JUL: JUJU (GÂMBIA / REINO UNIDO)
28 JUL: SOCALLED (CANADÁ)
28 JUL: HUGH MASEKELA (ÁFRICA DO SUL)
28 JUL: JUPITER & OKWESS INTERNATIONAL (R. D. CONGO)

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Uma espreitadela ao que os L'Enfance Rouge têm andado a preparar na Tunísia

aqui havia falado do mais recente projeto dos franco-italianos L'Enfance Rouge na Tunísia, com o cantor Lotfi Bouchnak. Agora podemos espreitar um ensaio na medina de Tunes. Isto promete muito. E, não digam ainda nada a ninguém, mas eles vão por cá andar novamente...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

L'Enfance Rouge com Lofti Bouchnak

Os L'Enfance Rouge estão desde Janeiro do ano passado a trabalhar em novo projeto, com o cantor e compositor tunisino Lotfi Bouchnak. A colaboração com o embaixador da paz da ONU tem um nome -- at-tufuula al-hamra’ -- e vai ficar registada em disco. A estreia em palco do projeto está marcada para a primavera, em Rennes. Já podem ser escutadas as primeiras "rough mixes" de dois temas:

L'Enfance Rouge & Lotfi Bouchnak - First rough-mixes by l'enfance rouge

Esta não é a primeira vez que o grupo alarga a formação além do trio e a sonoridade a paragens tunisinas. Em 2008 gravou o álbum "Trapani-Halq al Waady" com um coletivo de músicos tunisinos, que veio a apresentar ao público do FMM Sines (e foi... DEMOLIDOR, como aliás têm sido todos os concertos do trio franco-italiano por cá).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Os melhores concertos de 2011

Antes que, por qualquer distração, o ano de 2011 chegue ao fim, e abrindo aqui uma brecha neste desconfortável silêncio imposto pela falta de tempo de aqui vir arejar o tasco amarelo, eis o alinhamento dos meus 50 concertos prediletos deste ano. Como sempre, muita coisa ficou por ver e ouvir. Bom 2012 para quem quiser, mesmo que não possa, continuar a frequentar as salas de concertos por esse país fora (e arredores).



1. Congotronics vs. Rockers @ FMM (23/7)
2. Swans @ Aula Magna (9/4)
3. Black Dice @ ATP Minehead (13/5)
4. Mário Lúcio @ FMM (30/7)
5. Mercedes Peón @ FMM (27/7)
6. Gang Gang Dance @ ATP Minehead (15/5)
7. The Brothers Unconnected @ ATP Minehead (14/5)
8. L'Enfance Rouge @ Musicbox (5/2)
9. Beach House @ ATP Minehead (14/5)
10. Vishwa Mohan Bhatt & The Divana Ensemble @ FMM (28/7)
11. Mercedes Peón @ Alcochete, Forum Cultural (8/10)
12. Oneida @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
13. Ayarkhaan @ FMM (29/7)
14. Prince Rama @ ATP Minehead (15/5)
15. Le Trio Joubran @ FMM (22/7)
16. Chain and the Gang @ Musicbox (28/4)
17. Six Organs Of Admittance @ Maria Matos (10/9)
18. Eric Copeland @ ATP Minehead (14/5)
19. Om @ ZDB (30/1)
20. Tony Conrad @ ATP Minehead (15/5)
21. Prince Rama @ Lounge (8/6)
22. Pop Dell'Arte @ Musicbox (9/6)
23. Spectrum @ ATP Minehead (14/5)
24. Mão Morta @ T** Ao Vivo (1/10)
25. L'Enfance Rouge @ Lounge (29/10)
26. Akron/Family @ ZDB (19/11)
27. Orquestra Todos @ Intendente (11/9)
28. Max Richter @ Maria Matos (5/11)
29. Group Doueh @ ATP Minehead (15/5)
30. The Entrance Band @ ATP Minehead (15/5)
31. António Zambujo @ FMM (22/7)
32. Berrogüetto @ FMM (23/7)
33. Owiny Sigoma Band @ Musicbox (29/10)
34. Bombino @ Ccb (7/8)
35. Soldiers Of Fortune @ ATP Minehead (13/5)
36. Shangaan Electro @ Gulbenkian (3/7)
37. Secret Chiefs 3 @ FMM (22/7)
38. Nisennenmondai @ ZDB (7/12)
39. Damo Suzuki Network c/Sunflare @ Barreiro, Ferroviários (8/10)
40. De Tangos y Jaleos @ FMM (24/7)
41. Actress @ ATP Minehead (13/5)
42. Murcof & AntiVJ @ Maria Matos (21/12)
43. Meat Puppets @ ATP Minehead (14/5)
44. Graveola E O Lixo Polofônico @ FMM (28/7)
45. Khaira Arby and Band @ ATP Minehead (15/5)
46. Terry Riley & Gian Riley @ ATP Minehead (13/5)
47. Animal Collective @ ATP Minehead (15/5)
48. U.S.S. w/Steve Mackay & Mike Watt @ ZDB (6/7)
49. Lobster @ ZDB (7/12)
50. Gala Drop @ ZDB (4/7)

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um sábado daqueles, em Lisboa

Para quem estiver por Lisboa e puder, a noite de amanhã oferece dois ou mais motivos para sair e curtir como se não houvesse domingo. Há concerto a não perder no Lounge, há concertos a não perder no Musicbox. Talvez as duas coisas não sejam inteiramente conciliáveis (quase de certeza que serão), mas aqui fica o conselho.

Vamos por partes. Primeiro, o Lounge recebe os franco-italianos L'Enfance Rouge. Quem por aqui passa com alguma regularidade, sabe que nunca poupei palavras a descrever os concertos deste "trio-poder", ora quando estiveram junto à praia de Sines, no FMM 2009, acompanhados dos músicos tunisinos que então ajudaram a fazer o magnífico "Tràpani - Halq Al Waady", penúltimo álbum, ora quando passaram pelo Musicbox, na última edição do Festival Terapêutico do Ruído. Nesta segunda vez, escrevi na altura palavras carregadas de um entusiasmo que até hoje mantenho:

“Os L'Enfance Rouge não são franceses, como dizem por aí. Não são italianos, como sugerem os nomes Locardi e Andreini, a secção rítmica. Não são europeus, como disse o Thurston Moore quando lhe chamou uma das melhores bandas do velho continente. Não são tunisinos, como podia indicar o álbum anterior e a formação com que chegaram há dois anos a Sines. Os L'Enfance Rouge são uma raça alienígena proveniente de um planeta longínquo. Planeta de cujo o mais insigne espécie até cá chegado dá pelo nome de Steve Albini, compreendem? São daquela sociedade em que as crianças aprendem Black Flag na creche, Swans na primária e Big Black no ciclo, enquanto em simultâneo resolvem de cabeça inequações de 967º grau. Na verdade, os L'Enfance Rouge não existem. Ontem, no encerramento do Festival Terapêutico do Ruído, o que houve foi uma magnífica alucinação colectiva que vai ser motivo de conversa para muitos anos.”



Depois, manda este vosso amigo que se ponham a andar para o Musicbox. Em mais uma noite do festival patrocinado por uma marca de uisge beatha de bom gosto (ei, a propósito, hoje há Tom Vek) vão lá estar, entre outros, a Owiny Sigoma Band, os portugueses Tigrala e um DJ set que muito promete, pelas mãos dos The Very Best e com a voz do MC Mo Laudi. A Owiny Sigoma Band é um dos casos mais felizes de interesse ocidental pela música africana, em particular pelo Quénia. Notem que não é música benga, como se escuta na colaboração dos Golden com músicos dos Quénia, que resultou nos Extra Golden, mas é igualmente viciante. Reza a história que, em 2009, um conjunto de músicos londrinos viajaram para Nairobi para colaborar com músicos locais. Houve gravações que chegaram às mãos de Gilles Peterson, que logo as editou através do seu selo Brownswood. Veio depois um álbum (aproveitem a ocasião para comprá-lo, que vale bem a pena) e remisturas de tipos como o Theo Parrish, o Quantic, etc. É um privilégio único poder tê-los aqui num palco próximo de nós. Privilégio também será o de poder dançar às batidas dos The Very Best. Não fiquem de pé atrás por ser DJ set. No ano passado, o Radioclit e TVB Johan Karlberg também passou por um Baile na Lx Factory que, além de desafiar o próprio conceito de DJ set, ajudou a produzir uma festarola inesquecível. Com eles vem Mo-Laudi, MC originário da África do Sul, que rebentou em Londres e agora vive em Paris (escutem-no aqui). E ainda há Tigrala, a superbanda de Norberto Lobo, e mais gente nos pratos (Granada e Medásosangue). Querem mais do que isto para saírem de casa?

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um power trio maior que a tua mãe

Os L'Enfance Rouge não são franceses, como dizem por aí. Não são italianos, como sugerem os nomes Locardi e Andreini, a secção rítmica. Não são europeus, como disse o Thurston Moore quando lhe chamou uma das melhores bandas do velho continente. Não são tunisinos, como podia indicar o álbum anterior e a formação com que chegaram há dois anos a Sines. Os L'Enfance Rouge são uma raça alienígena proveniente de um planeta longínquo. Planeta de cujo o mais insigne espécie até cá chegado dá pelo nome de Steve Albini, compreendem? São daquela sociedade em que as crianças aprendem Black Flag na creche, Swans na primária e Big Black no ciclo, enquanto em simultâneo resolvem de cabeça inequações de 967º grau. Na verdade, os L'Enfance Rouge não existem. Ontem, no Musicbox, no encerramento do Festival Terapêutico do Ruído, o que houve foi uma magnífica alucinação colectiva que vai ser motivo de conversa para muitos anos.
(Título gentilmente roubado e alterado aos Paus.)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O Cais do Sodré em chamas, logo

É o mínimo que se espera dos L'Enfance Rouge, esta noite, no encerramento do Festival Terapêutico do Ruído, no MusicBox.



A prescrição de logo:

Tiago Sousa | 23h 30
Bypass | 00h15
L’Enfance Rouge | 01h 15

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

L'Enfance Rouge e outros no Terapêutico!

Vem aí a segunda edição do Festival Terapêutico do Ruído. O MusicBox vai voltar a acolher nos fim-de-semana de 3 a 5 de Fevereiro o festival promovido pela associação com o mesmo nome (e membros dos dUASsEMIcOLCHEIASiNVERTIDAS). Além do regresso dos chilenos Familea Miranda, o grande destaque desta edição tem que ir para os franceses L'Enfance Rouge, que também regressam a Portugal depois de uma pequena digressão há dois anos (em que, inclusivamente passaram pelo FMM Sines, para um concerto absolutamente incendiário). Mas há muito mais, entre nomes portugueses e estrangeiros. Eis o programa completo:

Quinta-feira, 3
23h30 - Most People Have Been Trained to Be Bored (Portugal)
00h15 - Familea Miranda (Chile)
01h15 - ORGanização (Portugal)

Sexta-feira, 4
23h30 - Alto de Pêga (Portugal)
00h15 - John Makay (França)
01h15 - Tigrala (Portugal)

Sábado, 5
23h30 - Tiago Sousa (Portugal)
00h15 - Bypass (Portugal)
01h15 - L'Enfance Rouge (França/Itália)

Nos intervalos entre concertos, há projecções de vídeo do ilustrador João Paulo Pires e a música dos pratos é dos Kafunko Soundsystem.

Os bilhetes variam entre oito (para quinta e para sexta-feira) e 10 euros (sábado), havendo ainda um passe para os três dias, a 20 euros. Para mais informações, é ir a terapiadoruido.pt.vu.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #96-100

96. L'ENFANCE ROUGE @ FMM SINES
22 de Julho de 2009
É por isto que eu gosto do FMM. Abertura na programação, para pessoas com mentes abertas, passe a tentativa de recorrer a um slogan gasto. Junto à praia, num festival que muitos ainda pensam tratar-se daquela coisa fechada da world music, que em tempos marcou tudo o que era evento do género por cá, apareciam uns franceses contagiados pela raiva sónica dos Sonic Youth, dos Shellac ou dos This Heat, com algum sabor magrebino.

97. LIGHTNING BOLT @ PARQUE DE ESTACIONAMENTO DO LARGO CAMÕES
23 de Novembro de 2008
Por falar em sítios estranhos para os To Rococo Rot tocarem, o parque de estacionamento não ajudou a que as más profecias de abalo estrutural e tragédia humana resultante do terrorismo sonoro dos Bolt se cumprisse, mas, da parte deste que vos escreve, chegou-se a sentir falta de oxigénio (e o tinittus nos ouvidos por vários dias). Foi um concerto para se sentir e não para se ver (a não ser para quem estivesse na primeira fila que rodeava o combo do ruído). Destaco este relativamente a outro espectáculo a que assisti em 2009, no Primavera Sound, onde o duo tocou, imagine-se, em palco, e em que o som estava muito abaixo do desejável.

98. TOUMANI DIABATÉ @ CCB
2 de Agosto de 2008
Das várias vezes que o maliano e "dieu de la kora" Toumani Diabaté por cá passou e eu estive lá a assistir, destaco este, não só porque terá sido aquele que a tranquilidade do evento me permitiu desfrutar quase em pleno do seu génio, particularmente visível no álbum que trazia consigo nesta altura ("The Mandé Variations"), como também guardo para mim o registo de ter sido o primeiro concerto a sério na vida do meu filho. E, ainda por cima, gostou e lembra-se dele sempre que vê um africano a pegar numa kora. (Já agora, uma das regras desta listagem dos 100 melhores concertos da década prende-se com a não repetição de nomes, mesmo quando até se justificasse incluir mais do que um concerto).

99. TO ROCOCO ROT @ ESTAÇÃO BAIXA-CHIADO
16 de Janeiro de 2004
Mas quem é que se lembrou de fazer um concerto na longa descida de escadas-rolantes da estação de Metro da Baixa-Chiado? Também por isso destaco esta actuação deles, quatro anos depois da participação no Número Festival, numa magnífica estrutura montada ao início do Parque Eduardo VII ("estes portugueses só nos arranjam concertos em sítios estranhos", pensarão ainda hoje os alemães).

100. IGGY & THE STOOGES @ SBSR
29 de Maio de 2005
Formação original quase completa, já que o irrequieto Mike Watt tomava conta do baixo de Dave Alexander (falecido em 2003), mas onde não faltou o saxofonista Steve Mackay (já no início do presente ano, outra baixa viria a acontecer nos Stooges regressados, com a morte do guitarrista Ron Asheton). Houve direito a "I Wanna Be Your Dog" e muitos outros hits, pela voz de um Iggy Pop endiabrado como sempre.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Notas finais do FMM: o castelo e a praia


(Fotografia João Gonçalves)

"Sines seria perfeita se o ano tivesse duas semanas: uma de Festival e uma para descansar", lia-se na tabacaria do largo dos Correios (assim o diz a minha amiga Arlinda). Acabou a 11ª edição do FMM e agora há que voltar à normalidade dos dias, à neura da espera.
Depois da "manga" por Porto Covo, depois dos dois dias de calma com concertos no Centro de Artes, a festa regressou ao castelo e à praia, onde se pôde assistir a momentos inesquecíveis:

No topo dos topos, o espectáculo "Pau na Mula", de Cyro Baptista e da sua companhia de percussionistas, que conquistou facilmente o público com a irreverência, algures a meio caminho entre Tom Zé e Hermeto Pascoal (dois compatriotas igualmente chanfrados que pisaram aquele mesmo palco) e o virtuosismo dos músicos. As partes do sapateado, por Nicholas Young, por exemplo, devem ter sido a coisa mais fora de comum e mais eficiente que já se viu neste festival. Também pouco usual (se é que alguma vez aconteceu) foi a exigência bem sucedida do público para um segundo encore. Mesmo depois do encerramento do palco pela voz do Mestre de Cerimónias Mário Dias, o público continuou a entoar a frase melódica com que tinha literalmente participado no tema anterior, a pedido de Cyro Baptista, e a festa voltou.

No último dia do FMM, as atenções, claro, estiveram voltadas para Lee 'Scratch' Perry. No backstage, o clima era de um alvoroço nunca visto, com toda a gente à espera da chegada da lenda do dub, que aconteceu minutos antes do concerto. Do lado da plateia, uma imensa multidão esperava também ansiosamente que este senhor de 73 anos de idade subisse ao palco, o que faria depois da habitual introdução da banda de suporte, enfeitado da cabeça aos pés, multi-colorido, ainda que o dourado assumisse domínio, "trashy" como diria a miudagem fashionistas de hoje, e transportando uma mala de viagem que não serviu para nada a não ser ajudar a compor a imagem. Instantes depois, veio um dos momentos com que o FMM marca a última actuação do castelo desde a sua primeira edição, o fogo-de-artifício. Ainda que menos espampanante que em outros anos, colou muito bem a "Fire", um dos temas de "Repetance", o álbum que Andrew W.K. (!) produziu para Perry no ano passado. O resto da noite prosseguiu com o dancehall entaramelado de Perry, típico dos anos recentes da carreira do jamaicano, que fez toda a gente dançar e suar até ao fim.

Dias antes, na abertura do castelo, a noite foi também memorável pelo seu conjunto. Não é habitual haver uma programação temática, propriamente dita, para os dias do festival, mas esta foi feita de propósito: guitarra portuguesa com Rui Vinagre, um homem da terra; Janita Salomé acompanhado por alguns dos melhores músicos portugueses da actualidade (José Salgueiro, Mário Delgado, Yuri Daniel, José Peixoto, ...); Uxía, acompanhada por Manecas Costa e Zeca Medeiros, chegou, tal como Janita, a cantar José Afonso; e Acetre, um grupo da extremenha Olivença, que também passou pela música tradicional portuguesa.

Na quinta-feira, os chineses Hanggai provaram ao vivo o valor que lhes era reconhecido no disco de estreia. Rock épico misturado com cantos guturais e instrumentos tradicionais da Mongólia, com direito a bis para "Drinking Song", um tema festivo que, apesar da língua em que é cantado, é imediatamente compreendido por quase toda a gente...

Na praia, houve também alguns concertos verdadeiramente explosivos, a começar pelo dos franco-magrebinos L'Enfance Rouge, numa reencarnação de uns Sonic Youth do tempo do EP de estreia ou de "Confusion is Sex" (já para não falar das semelhanças gritantes entre as baixistas de ambos os projectos), de uns Swans ou de uns Shellac mais roufenhos ainda, mas com uma integração magnífica com instrumentos árabes que estiveram nesta formação e que, aliás, contribuíram para o excelente "Trapani ~ halq al waady", álbum de há dois anos. Na praia, ainda, destaque também para os Chicha Libre, que, apesar do mau som com que começaram o espectáculo, foram melhorando cada vez mais, até terminarem com uma estrondosa versão de "Guns of Brixton", dos Clash.

Agora, é esperar mais 300 e tal dias.

Lista dos concertos favoritos nestes nove dias de FMM09:

1º Cyro Baptista/Pau na Mula
2º Mor Karbasi
3º L'Enfance Rouge
4º Uxía
5º Lee 'Scratch' Perry
6º Chicha Libre
7º Hanggai
8º Chucho Valdés Big Band
9º Dele Sosimi Afrobeat Orchestra
10º Debashish Bhattacharya

(Ah, e o Bailarico Sofisticado deste ano deve ter provavelmente sido o melhor do FMM até hoje. Pelo menos, na nossa opinião não independente. Foi seguramente aquele em que mais nos divertimos.)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Já falta pouco, parte 1

Estará Sines preparada para a descarga sonora de L'Enfance Rouge? Vejam o vídeo aqui (não dá para o incorporar nesta página). L'Enfance Rouge, 22 de Julho, já de madrugada, na av. da Praia.