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quarta-feira, 25 de abril de 2018

segunda-feira, 3 de abril de 2017

100 de 1976, n.º 10, José Afonso



COM AS MINHAS TAMANQUINHAS
JOSÉ AFONSO (Portugal)


Edição original: Orfeu
Produtor(es): José Niza



sexta-feira, 1 de julho de 2016

100 de 1974, n.º 5, José Afonso



CORO DOS TRIBUNAIS
JOSÉ AFONSO (Portugal)


Edição original: Orfeu
Produtor(es): José Niza



segunda-feira, 1 de junho de 2015

100 de 1973, n.º 2, José Afonso



VENHAM MAIS CINCO
JOSÉ AFONSO (Portugal)
Edição original: Orfeu, Arnaldo Trindade & Cª
Produtor(es): José Niza
discogs wikipedia YOUTUBE

"A formiga no carreiro vinha em sentido contrário, caiu ao Tejo ao pé de um septuagenário. Larpou, trepou às tábuas que flutuavam nas águas e do cimo de uma delas virou-se para o formigueiro: mudem de rumo, já lá vem outro carreiro."

Sim, o país iria mudar de rumo no ano seguinte. José Afonso vinha ajudando a erguer uma certa tensão pré-revolucionária, convocando pelo país inteiro os ânimos dos revoltados. O regime, que cada vez mais dificuldades teria em gerir a crescente sublevação trazida pelas artes populares, em particular pela música de Afonso e de outros, respondia com a prisão: em maio de 1973, o cantor era encerrado na prisão de Caxias, por onde ficou durante vinte dias. Aí, diz-se ter escrito várias das canções que compõem este álbum, como aquela que viria a ser o extraordinário poema de "Era um Redondo Vocábulo". No outono do mesmo ano, reuniu-se em Paris com José Mário Branco e quase duas dezenas de músicos franceses, para gravar o disco, que viria a ser lançado em Portugal no Natal seguinte.
Apesar de toda esta tensão, que poderia fazer regressar algum do imediatismo que as canções de José Afonso tinham tido em discos anteriores, "Venham Mais Cinco" não é um disco direto ou pragmático. Há letras que são de leitura direta, é certo, e que talvez por isso se tornariam banda sonora obrigatória da revolução, como a do próprio tema-título ou "A Formiga no Carreiro" (acima citada). Em todo o caso, José Afonso vinha, já desde os discos imediatamente anteriores, a trilhar com sabedoria novos caminhos de modernidade, que parecem impossíveis de terem encontrado eco favorável no atraso do país de então. Era como se a semente da educação, que Afonso tanto se empenhou a espalhar pelo país ao longo dos anos, estivesse agora a dar frutos. Portugal já podia acolher um disco como "Venham Mais Cinco", já podia acolher esta modernidade invulgar estampada nas letras, nas composições e nos arranjos. Era como se uma espécie de tropicalismo à portuguesa estivesse a nascer, pelas mãos do maior génio que as nossas músicas conheceram.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Um olhar fraterno

"José Afonso - Um Olhar Fraterno" já saiu há sete anos, mas só agora tive oportunidade de o ler de fio a pavio. Trata-se da biografia de José Afonso, uma de várias que apareceram ao longo das últimas décadas, esta escrita pelo seu irmão João Afonso dos Santos e dado à estampa pela Editorial Caminho (sendo, por isso, ainda fácil de encontrar em qualquer livraria). Com uma agilidade notável na escrita, singular até nesta área das biografias de artistas portugueses, João Afonso dos Santos traça o percurso de vida do seu irmão, o homem e o artista, como quem conta uma história dentro de outras histórias, as histórias que fizeram este país e o mundo, que moldaram José Afonso e que José Afonso ajudou a moldar. Só uma biografia assim poderia fazer jus ao génio do artista. Deixo algumas passagens das palavras introdutórias do livro, com a esperança de fazer chegá-lo a quem ainda por ele não passou os olhos:

As páginas que se seguem começaram por ser umas croniquetas desemparelhadas que surgiram no Boletim da Associação José Afonso. Assim como eram assim continuam, libertas do espartilho que as comprimia. Reformuladas e ampliadas, prosseguidas depois por uma intenção de continuidade. Tal como foram afeiçoadas de início, mantêm, pois, a autonomia que as marcou, o mesmo é dizer o fraccionamento narrativo e discursivo que uns tantos grampos cingidos, colocados em linha de fractura, intentam corrigir.
Pedaços de memórias, do autor e alheias, palavras da própria pessoa esquadrinhada nestas linhas (trazidas a público por entrevistadores isentos, supõe-se, da pecha de infidelidade material de que não raro se queixou o entrevistado), testemunhos, excertos de cartas resgatadas do esquecimento em que dormiam, apontamentos laterais a propósito e não sei se a despropósito divagam por terrenos algumas vezes apenas confinantes àqueles por onde transitou o Zeca. Circunvagantes estas abordagens. Isto é, movem-se em aproximações ao centro sem realmente o atingirem -- objectivo a bem dizer inantigível: José Afonso, na sua verdadeira e complexa dimensão, apesar de ele se ter, e todos quantos com ele privaram talvez o terem, por um homem comum e simples. Comum foi-o, e do comum, quer dizer do colectivo ou da sua memória, extraiu a rara inspiração das palavras e dos sons. Simples igualmente o foi. No que de seu reservava na partilha das suas inquietudes. No gesto, no trato, no convívio. Mas desde quando um sujeito comum e simples, por idiossincrasia ou opção cultural, se apresenta como matéria fácil de indagar e de narrar?
(...)
Biografá-lo, ainda que contra ele, quero dizer, contra a sua natural singeleza, a aversão à ribalta, a propensão a subalternizar o que empreendeu no campo criativo e interventor, é tarefa de si justificada. Mas trabalhosa, até por força da particularidade acabada de enunciar. Será necessário escavar por debaixo dessa atitude para se encontrar a pessoa e talvez a época que, à sua dimensão, espelhou e sobre a qual, queiramos ou não, actuou -- ele e todos quantos com ele estiveram nessa jornada de dar voz a quem a não tinha, embora a sua fosse porventura a mais autêntica e visível voz de quantas então se manifestaram.
(...)
Em suma, uma visão própria (como poderia ser de outro modo?) expressa em abordagens provisórias, no sentido já sublinhado de que hão-de cruzar-se com outras representações do mesmo objecto. Subjectiva mas não preconceituosa. Isto é, procura não enveredar por enquadramentos redutores, não trajar a personagem no pronto-a-vestir das ideias feitas, sejam elas políticas, ideológicas ou quaisquer outras, em que ele, Zeca, nunca se abasteceu.
(...)

domingo, 16 de agosto de 2009

Cápsula nostálgica de Verão, nº 18


José Afonso, "Venham Mais Cinco", Coliseu dos Recreios, 1983
(Há três cápsulas atrás ia quase dizendo que os Xutos teriam provavelmente o melhor álbum ao vivo alguma vez gravado em Portugal, o triplo, mas lembrei-me a tempo do "Ao Vivo no Coliseu", do José Afonso. E esta é mais uma daquelas cápsulas de digestão difícil. E arrepiante.)