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quarta-feira, 1 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 61 ao 70


61. VITORINO E JANITA SALOMÉ COM GRUPO DE CANTADORES DE REDONDO (Portugal)
Castelo, 28/jul/2010::vídeo::
"O Alentejo não seria o mesmo se não tivessemos os irmãos Salomé. E este foi um dos momentos mais bonitos, arrepiantes até, do FMM, que este ano inaugurou o slot no horário para o final de tarde no castelo"

62. LE TRIO JOUBRAN (Palestina)
Castelo, 22/jul/2011::vídeo::
"Como dizia antes do festival, ouvir um alaúde bem tocado já é inebriante. Ora, torna-se difícil dizer o que é ouvir três tipos a fazerem-no ao mesmo tempo e, ainda por cima, a manterem diálogos vertiginosos e frequentemente improvisados, talvez possíveis apenas a quem cresceu junto, como estes irmãos Joubran."

63. FATOUMATA DIAWARA (Costa do Marfim / Mali / França)
Castelo, 26/jul/2012::vídeo::
"Fatoumata Diawara, a linda. Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano."

64. SECRET CHIEFS 3 (EUA)
Castelo, 22/jul/2011::vídeo::
"Quem pensar que Trey Spruance é um monstro intratável, bem pode tirar daí a ideia. Nos bastidores, abundava não só em simpatia e humildade, como em curiosidade pelo que havia sido estas 13 edições de festival. Sentiu-se até "estúpido" por tocar a seguir ao Trio Joubran, como se pode ouvir no vídeo, na "flash interview" dada ao Mário Dias. Em formato de quinteto, surpreendeu muita gente que não esperava a música pesada dos SC3 no festival. E poderia ter sido um espetáculo ainda melhor, não fosse o longo tempo que perdia entre cada tema, a afinar a guitarra, por exemplo, e que fazia arrefecer o público, já por si apanhado nas noites frias do primeiro fim de semana do FMM."

65. HUGH MASEKELA (África do Sul)
Castelo, 28/jul/2012::vídeo::
"Masekela, o génio de palco. Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a "picar". "

66. REIJSEGER FRAANJE SYLLA (Países Baixos / Senegal)
Castelo, 20/jul/2013::vídeo::
"(…) o Sylla é dono de uma voz incrível, que nem precisa de amplificação, como no começo do concerto, quando vagueou pela multidão, de garganta escancarada"

67. STAFF BENDA BILILI (RD Congo)
Castelo, 26/jul/2012::vídeo::
"(…) Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses."

68. BASSAM SABA AL-MADAR (Líbano / EUA)
Castelo, 20/jul/2012::vídeo::

69. BOMBINO (Níger)
Castelo, 19/jul/2012::vídeo::
"Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger."

70. BOOM PAM (Israel)
praia, 26/jul/2008::vídeo::


quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ai e tal e se te dissessem que só podes ver 10 dos não-sei-quantos concertos do FMM

Eu escolhia estes que se seguem, mas sabendo de antemão que, como sempre, as inúmeras surpresas (e uma ou outra desilusão) vão alterar quaisquer expectativas de partida:

Quem: SELMA UAMUSSE (Moçambique)
Quando: 20 (domingo), 21h30
Onde: Largo Marquês de Pombal (Porto Covo)
Quê: Já toda a gente conhece a Selma, quanto mais não seja das backing (ou até lead) vocals dos Wraygunn ou dos tributos a Nina Simone. Mas são poucos os que conhecem a Selma que está para vir, com um novo espetáculo em que abraça ainda mais África, que coloca ainda em maior evidência a sua grande referência vocal, Miriam Makeba (é favor não fazer confusão com o vídeo abaixo, de outro espetáculo diferente).




Quem: COLIN STETSON (EUA/Canadá)
Quando: 21 (segunda-feira), 22h00
Onde: Auditório do Centro de Artes de Sines
Quê: É o saxofonista que acompanha os Arcade Fire e o Bon Iver nas digressões. É um artista regular da Constellation (sim, a Constellation dos godspeed). Rabo na poltrona do auditório e mente a divagar pelas estrelas desenhadas por Stetson.




Quem: ÁFRICA NEGRA (São Tomé e Príncipe)
Quando: 23 (quarta-feira), 19h00
Onde: Castelo
Quê: Banda mítica de São Tomé, desde os anos 70. Estiveram parados ou intermitentes durante cerca de duas décadas e voltam agora com a sua rumba de influência congolesa, com jeitos de soukous que vai de certeza pôr toda a malta a levantar os pés do chão desde cedo.




Quem: IBRAHIM MAALOUF "ILLUSIONS" (Líbano/França)
Quando: 23 (quarta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Jazz das arábias, por um dos jovens trompetistas mais reconhecidos no meio. Funciona sempre bem no castelo.




Quem: MULATU ASTATKE (Etiópia)
Quando: 24 (quinta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Está dispensado de grandes apresentações, sendo talvez o nome mais sonante do FMM 2014, a par de Angélique Kidjo.




Quem: GISELA JOÃO (Portugal)
Quando: 25 (sexta-feira), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Teremos fado no castelo, coisa quase rara. Mas é a Gisela João, a princesa da nossa música.




Quem: TIGRAN (Arménia/EUA)
Quando: 25 (sexta-feira), 23h15
Onde: Castelo
Quê: O pianista arménio Tigran Hamasyan foi uma das grandes revelações da edição do ano passado, quando se viu obrigado, em cima do momento, a apresentar-se a solo, depois de se saber que o seu parceiro de palco para aquela noite, o gigantesco Trilok Gurtu, tinha perdido a viagem para Portugal.




Quem: FATOUMATA DIAWARA & ROBERTO FONSECA (Mali/Cuba)
Quando: 26 (sábado), 21h45
Onde: Castelo
Quê: Há dois anos, em frente àquele mesmo palco, deixámos que os nossos corações, que já eram preenchidos por Rokia Traoré, tivessem também lugar para outra nova voz do Mali. Foi um dos melhores momentos daquela edição e pode bem voltar a ser, agora que traz consigo o pianista cubano Roberto Fonseca.




Quem: ANGÉLIQUE KIDJO (Benim)
Quando: 26 (sábado), 23h15
Onde: Castelo
Quê: Das maiores divas de África, fazia falta há algum tempo na galeria de visitantes do FMM. Vasco da Gama, trata-me desse charme de anfitrião, que vem aí uma senhora de respeito.




Quem: BALKAN BEAT BOX (Israel/EUA)
Quando: 26 (sábado), 00h45
Onde: Castelo
Quê: Talvez já não seja o momento ideal no tempo para vermos os Balkan Beat Box. Mas a festa é certa. Para mais, vão ter direito a uma das maiores instituições do FMM, o fogo de artifício.




A não perder ainda:

O pós-rock chinês dos JAMBINAI.
As cumbias, salsas e chichas retrabalhadas na mesa da eletrónica lúdica pelos MERIDIAN BROTHERS.
As percussões do iraniano MOHAMMAD REZA MORTAZAVI.
O rock mexicano dos ARREOLA+CARBALLO.
A esplendorosa Istambul dos ISTIKLAL TRIO.
E tanto mais...

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Concertos do ano

Eis a lista mais habitual no fim do ano para quem vem regularmente botar a vista no blogue amarelo. Não tanto pela crise (felizmente), mas antes pelo excesso de trabalho (felizmente) e por outras responsabilidades (felizmente), este foi ano de contenção no que à presença em salas de concertos diz respeito. Ao total, e se não houver mais nada até à próxima passagem de ano, foram pouco mais de 100 concertos. Entre estes, fica uma seleção possível de trinta que se destacaram. E o melhor concerto de 2012 para este que vos escreve, foi...

1. AMADOU & MARIAM, Gulbenkian (18/nov)
«E sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos.» (mais aqui)

2. THURSTON MOORE, ZDB (13/mar)
3. DHAFER YOUSSEF, FMM (27/jul)
4. OUMOU SANGARÉ & BÉLA FLECK, FMM (21/jul)
5. MICHAEL GIRA, ZDB (30/mai)
6. RABIH ABOU-KHALIL GROUP & RICARDO RIBEIRO, Maré de Agosto (Santa Maria) (25/ago)
7. ROKIA TRAORÉ, Gulbenkian (21/out)
8. BRUCE SPRINGSTEEN, RiR (3/jun)
9. FATOUMATA DIAWARA, FMM (26/jul)
10. HUGH MASEKELA, FMM (28/jul)

11. ORCHESTRE NATIONAL DE JAZZ (AROUND ROBERT WYATT), CCB (29/mar)
12. STAFF BENDA BILILI, FMM (26/jul)
13. AL-MADAR, FMM (20/jul)
14. BOMBINO, FMM (19/jul)
15. MILTON NASCIMENTO & ORQUESTRA METROPOLITANA DE LISBOA & ANA MOURA & ANTÓNIO ZAMBUJO & CARMINHO, Alameda D. Afonso Henriques (30/jun)
16. BOMBINO, B.Leza (27/out)
17. L’ENFANCE ROUGE & LOFTI BOUCHNAK, FMM (20/jul)
18. MARC RIBOT Y LOS CUBANOS POSTIZOS, FMM (21/jul)
19. BLACK DICE, Musicbox (20/set)
20. DEAD COMBO FEAT. MARC RIBOT, FMM (21/jul)
21. THE EX, ZDB (14/nov)
22. THE VERY BEST, MexeFest (8/dez)
23. 2SEMICOLCHEIASINVERTIDAS, São Jorge (5/jan)
24. OSSO VAIDOSO, FMM (20/jul)
25. GALA DROP, ZDB (24/mai)
26. MÃO MORTA, São Jorge (1/jul)
27. NARASIRATO, FMM (19/jul)
28. HAMILTON DE HOLANDA & EDMAR CASTAÑEDA, Maré de Agosto (Santa Maria) (24/ago)
29. ASTILLERO, FMM (26/jul)
30. NEY MATOGROSSO, Praça do Comércio (22/set)

Nomeações honrosas, por ordem alfabética:
Batida, Beautify Junkyards, B Fachada, Bigott, Diabo a Sete, Ensemble Notte della Taranta, Jessica Kenney & Eyvind Kang, Kouyaté-Neerman, Lirinha, Mari Boine, Monobloco, Orquestra Todos, Sunflare

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Breves memórias do FMM 2012: África e GNR

Regressado a Lisboa para uma breve escala antes de mais uma semana de férias, deixo aqui algumas das memórias a reter em mais um FMM que terminou. Talvez por desígnio do circuito de digressões dos grupos, este foi um FMM com lanças apontadas especialmente a África:

A Oumou e o Béla

Béla Fleck toca no banjo, acústico ou elétrico, como mais ninguém, aqui intrometendo-se na música do Mali e entregando ao seu instrumento, na maior parte das vezes, o pepel que a kora tradicionalmente assume nestas paragens da música africana, enquanto Oumou Sangaré domina o palco mostrando por que é uma das maiores divas da atualidade. É qualidade de sobra para um único projeto. Como se não bastasse, no grupo viajam ainda o baixista senegalês Alioune Wade -- de tal forma fluente na sua disciplina que quase faz esquecer o habitual companheiro de Fleck neste papel, o incrível Victor Wooten -- e o baterista Will Calhoun, dos Living Colour.



Fatoumata Diawara, a linda

Começou como Rokia Traoré, sua compatriota, no primeiro dos seus dois concertos em Sines. Calma, serena, intimista. Acabou como Rokia no segundo. Explosiva, festiva, imparável. Fatoumata Diawara, provavelmente a mulher mais bonita que alguma vez pisou o palco do castelo de Sines, foi a grande revelação deste ano.



Dhafer Youssef e o quarteto do mundo

Dhafer Youssef pode não ser o mais exímio dos intérpretes de alaúde -- e nesse campo, até já ali tínhamos visto, dias antes, o prodigioso Bassam Saba, com o seu Al-Madar -- mas se aliarmos a essa capacidade o seu arrepiante domínio da voz, fazendo lembrar Milton Nascimento do inicio, mas com técnica imensuravelmente melhor, e a forma como o quarteto se entende nos diversos diálogos que se vão construindo ao longo do espetáculo, percebemos um pouco da magia, dos sorrisos de alegria na plateia, do sorriso que Youssef levou para fora do palco. Foi talvez o melhor episódio deste FMM.



Masekela, o génio de palco

Já anda pelos setentas e afirma-se como músico desde os 5. Todos estes anos de digressões, discos, experiências bem sucedidas por África e pelos EUA, fizeram dele a maior lenda viva da música africana. E é ali no palco que ele o prova. Não só mantém intacta toda a sua capacidade técnica instrumental e vocal, como sabe como poucos como se dirigir a uma audiência, mesmo que seja para a “picar”.

Outros destaques

Há que guardar, uma vez mais, memória dos L’Enfance Rouge, que talvez nunca tenham tido na sua vida um palco tão grande como o do castelo de Sines e que estiveram irrepreensíveis nesta primeira apresentação do projeto com o tunisino Lofti Bouchnak, ele que se mostrou bastante divertido com a experiência de partilhar o palco com o power trio sónico e o pequeno ensemble magrebino.
Há que falar também no Bombino, que no primeiro dia do festival, levou a festa dos blues a todos os que ali estavam, num formato intenso e marcadamente hipnótico, muito diferente daquele que apresentou no ano passado, em Lisboa. O pobre do Otis Taylor, que tocou imediatamente antes, terá inventado “trance-blues”. Talvez tenha ficado envergonhado ao ouvir o trance no blues do guitarrista do Níger.
Junte-se ainda os Staff Benda Bilili, que regressaram àquele palco apenas dois anos depois, por força do cancelamento do concerto de Gurrumul. Houve festa rija, claro, ainda que pudesse ter ajudado ter havido um maior distanciamento face ao anterior concerto dos congoleses.
Mais destaques breves: Marc Ribot esteve impecável, tanto enquanto convidado dos Dead Combo, como na direção dos Cubanos Postizos. Diabo a Sete foi uma excelente revelação para este escriba (ao contrário dos Uxu “Absoluta Desilusão” Kalhus, que agora se perdem num hard rock sem qualquer tipo de piada). A nova banda do Lirinha deixa muito a desejar, mas os poemas do brasileiro continuam a ser explosivos. Os Osso Vaidoso são uma das melhores coisas a terem acontecido à música feita por cá nos últimos anos.

Pela lei e pela grei, dizem eles

A Guarda Nacional Republicana apareceu este ano com intenções de estragar a festa. Chegou mesmo a fechá-la quando irrompeu pelos bastidores do palco secundário, junto ao rochedo do Pontal, tendo alegadamente dado voz ao tradicional “acabam a bem ou acabam a mal?”. Mas este triste desfecho não foi o pior. O corpo de segurança pública que na sua insígnia carrega, sem que realmente se entenda porquê, a expressão “pela grei”, fez tudo o que esteve ao seu alcance ao longo de duas semanas para incomodar esse mesmo povo que pretendia estar ali no clima de festa que sempre foi próprio do FMM, ora com mega-operações à entrada da cidade, onde cães farejavam viaturas individuais e autocarros, ora com a barraca preta ao estilo de confessionário à porta do castelo para onde enfiavam o espetador que apresentasse “pinta” que não lhes agradasse, ora com a presença constante, em estilo de ameaça contida, nas imediações dos dois palcos. Como se nestas duas semanas se concentrassem em Sines os piores malfeitores do mundo. Triste e vergonhoso. Nestes dias que se seguem, é a vez do Boom. 1500 militares destacados para Idanha-a-Nova, dizem as notícias. Mil e quinhentos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Mais nomes para o FMM

A organização do Festival de Músicas do Mundo de Sines revelou mais três nomes para o cartaz da edição deste ano. Três espetáculos originários de África. Do Mali vem a cantora e guitarrista Fatoumata Diawara. Do Níger, para um regresso a Portugal depois de um belo concerto ao fim da tarde no Jardim das Oliveiras do CCB, no ano passado, teremos o grupo Bombino. O terceiro nome é o de Jupiter & Okwess International, do Congo-Kinshasa, músico que se tornou um pouco mais conhecido para o mundo através de "The Dance of Jupiter", da dupla francesa Renaud Barret e Florent de la Tullaye, os mesmos que descobriram os Staff Benda Bilili, que encerraram o FMM de há dois anos. Jupiter participa também na última aventura por terras africanas de Damon Albarn, que resultou no disco "Kinshasa One Two", lançado no final do ano passado. Não há ainda datas para estas atuações. Mais informação aqui.