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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #16-20

16. SHARON JONES AND THE DAP KINGS @ SANTIAGO ALQUIMISTA
11 de Julho de 2005
O que faz um tipo que não consegue compreender a maior parte do funk colocar nesta lista, e em posição tão cimeira, o espectáculo da senhora Sharon Jones com os seus Dap Kings? A resposta só a sabe quem lá esteve. Numa tirada muito breve, escrevi na altura: "Fui atingido pelo grande cometa funk que ontem caiu no Santiago Alquimista. A Sharon Jones e os seus Dap Kings funkam mesmo que se farta, como alguém dizia."

17. MOGWAI @ PARADISE GARAGE
5 de Fevereiro de 2004
Fez-me fugir, de noite, a um daqueles retiros profissionais, em que se juntam todos os camaradas de trabalho para um fim-de-semana de "entrosamento". E em boa hora o fiz, porque a actuação dos escoceses numa sala tão íntima como era a do Garage, tudo justificava. Dias antes, tinha rebentado com uma coluna do carro enquanto ouvia o "My Father My King". No concerto, fui eu que rebentei com o tema. Escrevi, na altura: "Por vezes passamos por situações de tal forma fascinantes, de tal forma arrebatadoras, que não encontramos no vocabulário mais à mão um suporte à altura para as descrevermos. Por mais arte que empreguemos na escrita, achamos que ficaremos sempre aquém do testemunho real do que presenciámos. Por mais confiança que tenhamos na nossa palavra, sentimos uma aura de injustiça a pairar sobre o texto... O concerto de Mogwai, ontem no Paradise Garage, foi uma dessas situações. O culminar do espectáculo naqueles mais de vinte minutos do 'My Father My King' ficará para sempre gravado na minha memória. Obrigado Mogwai, ah'm friggin' overwhelmed, aye ah am."

18. ROKIA TRAORÉ @ FMM SINES
26 de Julho de 2008
Na segunda vez que a bela Rokia Traoré veio a Sines, teve honras de encerramento de noite no castelo. Trazia na bagagem o magnífico "Tchamanché" e o espectáculo foi, ao contrário do que a actuação de quatro anos antes e o próprio disco novo deixava antever, muito movimentado, ora por culpa dos músicos (recordo o excelente baixista), ora por culpa da postura avassaladora de Traoré em palco.

19. ANIMAL COLLECTIVE @ CACILHAS, ANTIGO CLUBE NAVAL
20 de Outubro de 2005
Ainda se pensou que o concerto viesse a ser no próprio cacilheiro, em pleno Tejo, a recordar aquela vez, meia dúzia de anos antes, em que Felix Kubin deu um concerto num daqueles barcos. Mas as pessoas viriam a ser encaminhadas para as antigas instalações do clube naval local. Só isto já fazia um "happening". Só que, além disso, estávamos ali para ver os Animal Collective pela primeira vez, na prática, se não contarmos com aquela outra presença de Avey Tare e Panda Bear numa das edições do Número Festival. Era, ou melhor, é a banda da década. Escrevi, então: "(...) Depois das avarias ocorridas em dois cacilheiros, a organização preferiu não fazer o concerto no terceiro navio colocado à disposição, um ferry com poucas condições, onde quase não cabiam as várias centenas de pessoas que ontem apareceram no terminal do Cais do Sodré. Havendo, como se sabe, males que vêm por bem, a mudança de planos proporcionou assim a utilização de um magnífico local, o antigo Clube Naval, pavilhão decrépito à beira-rio (será aquele o espaço que os responsáveis do Hard Club de Gaia andaram a sondar há tempos?), a poucos metros do Espaço Ginjal. A experiência já estava a deixar marcas indeléveis na nossa memória e ainda estavam para vir os Animal Collective, depois do aquecimento com a chinfrineira de Anla Curtis. E as expectativas viriam a ser ultrapassadas. Talvez se perceba isto de melhor forma num concerto do que em disco: os Animal Collective são um corpo único, uma unidade orgânica completamente solidária nas suas partes, onde tudo faz sentido quando interage. Por mais fútil que possam parecer quando examinados à parte, aquele grito sincopado, aquele eco do timbalão, aquela voz proibidamente carregada de delay, só para citar alguns dos milhares de ingredientes que esta receita usa, fundem-se em algo que singulariza em absoluto o som dos Animal Collective. É nestes termos que se desenvolve o concerto. Como uma criatura viva, o som que é criado no palco, desenvolve-se, ganha diversas formas ao longo do processo: pequenas, redondas e singelas estimulam o espírito; grandes, fortes e crispadas fazem o corpo dançar. E sem pausas, promovendo a evolução ininterrupta destas diversas formas e dos diferentes temas apresentados, vários deles novos. E quando o corpo assumiu a forma de 'Grass' (de 'Feels', o novo álbum)? Lamento, mas receio que seja impossível de descrever esse momento em poucas palavras..."

20. EXTRA GOLDEN @ ZDB
2 de Julho de 2008
Começaram por ser Golden. Meteram-se na música (e com músicos) do Quénia e passaram a Extra Golden. Apareceram na ZDB numa noite quente de Julho e fizeram toda a gente suar ao som daquele magnífico híbrido rock-benga, que se destaca entre outras recentes experiências de diálogo entre música dita ocidental e géneros africanos. Talvez voltem novamente em breve.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Não têm nada que agradecer

Numa altura em que a música -- e a cultura africana em geral -- ganha visibilidade cada vez mais nítida nos círculos independentes, os Extra Golden constituem, por excelência, um interessante case study deste fenómeno de redescoberta. O que começou por ser apenas uma mera jam entre amigos norte-americanos e quenianos, em Nairobi, proporcionada na sequência da recolha para uma tese de doutoramento no local por parte de um dos primeiros, o músico e musicólogo Ian Eagleson, é hoje muito mais do que uma ligação efémera. É mesmo uma banda como muitas outras: grava discos -- este já é o seu terceiro álbum; faz digressões -- estiveram por cá no ano passado para concertos inesquecíveis. Apesar dos obstáculos vividos pelo caminho, o maior dos quais sendo a morte de Otieno Jagwasi, o queniano com que Eagleson e Alex Minoff gravaram o primeiro disco, os Extra Golden têm resistido ao tempo, fazendo com que esta curiosa ponte entre Ocidente e África se torne cada vez mais sólida. Resistiu às fronteiras que as potências ocidentais cada vez mais fecham aos músicos africanos (enquanto governador de Chicago, Barack Obama, teve um papel chave na carreira dos Extra Golden, ao facilitar uma digressão do grupo pelos EUA, ao que estes lhe responderam com uma magnífica canção de agradecimento, no anterior álbum). Resistiu às tensões étnicas verificadas resultantes das eleições presidenciais quenianas em Dezembro de 2007, que obrigou as famílias de Opiyo Bilongo e Onyango Jagwasi, a parte queniana dos Extra Golden na altura, a perder os seus pertences e a deixar as suas casas.
Entre os puristas, há, como seria de esperar, quem enjeite o processo, talvez os mesmos ou descendentes daqueles que há duas décadas apontavam o dedo à descoberta da África do Sul por Paul Simon. Afinal, nos Extra Golden, a guitarra de Minoff está longe de ser completamente fiel à tradição benga e, no final, temos algo meio indefinido entre o rock ocidental e a música de Nairobi. Mas essa é capaz de ser a principal das curiosidades e das virtudes do grupo. Este tom crioulo, que não é a língua do rock, que não é a língua das guitarras e dos ritmos africanos, é língua franca numa no man's land, território fértil de sofisticação, onde corpo e mente também dançam e também rockam e rollam.
Em "Thank You Very Quickly", o terceiro álbum, agora editado, entende-se todo este processo de crescimento e de consolidação de uma banda de que acima se falava. E também a gratidão dos elementos que a constituem, evidente logo no próprio título do disco, a todos aqueles que os apoiaram e continuam entusiasmados com esta ideia. Apesar de a maior parte dos temas terem sido gravados num único dia (e na sala das máquinas da casa dos pais de Eagleson!), é notória a maior riqueza dos arranjos e a coesão ao nível da mistura, num registo mais psicadélico, mais próximo dos Golden (a anterior banda de rock de Minoff e Eagleson, onde também militavam elementos dos Trans Am e dos Royal Trux). Estamos já muito longe do primeiro álbum do grupo, ainda que este, quase uma maqueta, pouco sirva de exemplo. Já por comparação com algo mais recente, "Here Ma Nono", o álbum anterior, não há aqui temas absolutamente irresistíveis e quase fiéis à tradição benga, como tínhamos em "Love Hijackers" ou, mesmo no campo da psicadelia, algo como escutávamos e sentíamos em "Obama". Há temas fortes, como o inicial "Gimakiny Akia", com os melhores e mais ricos arranjos do todo, mas "Thank You Very Quickly" é, acima de tudo, um disco para ser escutado como álbum (como é que explicamos isto à geração shuffle?), do princípio ao fim. "Thank You Very Quickly" está disponível em CD e LP, com edição Thrill Jockey e distribuição nacional a cargo da Mbari.
Estiveram a uma unha negra de regressarem a Portugal este ano, mas tudo indica que só os voltaremos a ter connosco, se assim tivermos essa sorte, em 2010. Era muito bom que assim fosse.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Duas digressões pelo Reino Unido com África às costas

TUNNG (Inglaterra) + TINARIWEN (Mali)
Quase dava um rim para ver isto. A folk marada dos Tunng junta-se aos blues do deserto dos Tinariwen (em formato de trio), depois da sessão que gravaram para o programa "Late Junction" da BBC Radio 3, para concertos pelo Reino Unido, durante o mês de Março: Bexhill (18), Leicester (19), Manchester (20), Edimburgo (21), Liverpool (22), Leeds (23), Bath (25), Londres (26), Reading (27) e Birmingham (28). Raios partam os bifes.

AFRICAN SOUL REBELS TOUR - BAABA MAAL (Senegal) + EXTRA GOLDEN (EUA/Quénia) + OLIVER MTUKUDZI (Zimbabué)
Também por terras britânicas, três nomes importantes da música africana (metendo já os Extra Golden por afinidade no mesmo saco) vão andar a viajar em conjunto durante o mês de Março. Datas aqui.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Um bom 09 para todos

Faltam dois dias para que este ano chegue ao fim. 2008 foi tão pródigo em azares, em dissabores e em sinais carregados de pessimismo para o futuro que nem vale a pena fazer retrospectiva do que se passou, nem sequer dos bons momentos. Mais vale esquecê-lo rapidamente, como se de um pesadelo se tratasse, e acordar para o novo calendário que aí vem.

Ainda assim, deixem-me fazer a brincadeira habitual de fim-de-ano, com a eleição dos meus... cem concertos do ano. E com uma nota muito especial para o espectáculo que encabeça a tabela. Quando, por exagero, pensamos que, aos 35 anos, já vimos tudo que havia para ver e que aquilo que se vive nunca suplantará o que já se viveu (não pensamos, livra, é apenas uma argumentação levada ao absurdo!), eis que aparece algo que nos atira por terra para depois nos encher de vida e de optimismo. Diria mesmo mais: se, num pesadelo, me obrigassem a indicar o concerto favorito de sempre com uma arma apontada à cara, aí estaria a resposta. NEIL YOUNG.

Bom ano para todos.



1. NEIL YOUNG @ ALIVE (12/JUL)

2. rokia traoré @ fmm (26/jul)
3. orchestra baobab @ fmm (24/jul)
4. extra golden @ zdb (2/jul)
5. einstürzende neubauten @ aula magna (4/mai)
6. bassekou kouyaté & ngoni ba @ fmm (17/jul)
7. animal collective @ lux (28/mai)
8. dirty projectors @ zdb (6/jun)
9. faiz ali faiz @ fmm (25/jul)
10. iva bittová @ fmm (22/jul)

11. david thomas broughton @ zdb (5/mar)
12. timbila muzimba @ zdb (26/jun)
13. gala drop @ lounge (26/dez)
14. flat earth society meets jimi tenor @ fmm (19/jul)
15. lightning bolt @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
16. michael gira @ nimas (25/fev)
17. toumani diabaté @ ccb (2/ago)
18. beach house @ maxime (16/nov)
19. moskow art trio @ fmm (21/jul)
20. dengue fever @ póvoa de varzim (29/ago)
21. mão morta "maldoror" @ culturgest (23/abr)
22. matt elliott @ maxime (21/mar)
23. the national @ alive (10/jul)
24. rachel unthank & the winterset @ fmm (25/jul)
25. loosers @ avenida 211 (19/dez)
26. moriarty @ fmm (22/jul)
27. silvério pessoa @ fmm (24/jul)
28. the national @ aula magna (11/mai)
29. boom pam @ fmm (26/jul)
30. ktu @ fmm (25/jul)
31. sonny simons, bobby few, masa kamaguchi @ zdb (11/out)
32. scout niblett @ zdb (30/mai)
33. dele sosimi afrobeat orchestra @ póvoa de varzim (28/ago)
34. no age @ zdb (23/out)
35. the dodos @ musicbox (6/dez)
36. waldemar bastos @ fmm (23/jul)
37. siba e a fuloresta @ fmm (17/jul)
38. gala drop @ zdb (6/jun)
39. stellar om @ parque de estacionamento do largo camões (23/nov)
40. nick cave and the bad seeds @ coliseu dos recreios (21/abr)
41. dead combo @ zdb (25/jan)
42. pop dell'arte @ maxime (25/dez)
43. gala drop @ museu chiado (5/out)
44. alamaailman vasarat @ póvoa de varzim (29/ago)
45. hazmat modine @ fmm (18/jul)
46. farra fanfarra @ póvoa de varzim (30/ago)
47. josephine foster @ zdb (11/out)
48. toubab krewe @ fmm (24/jul)
49. high places @ zdb (11/dez)
50. ritchaz & kéke @ lounge (26/dez)

51. vinicio capossela @ fmm (23/jul)
52. negativland @ lx factory (17/mai)
53. tom carter @ zdb (5/mar)
54. bonnie "prince" billy @ zdb (11/jul)
55. danças ocultas @ fmm (20/jul)
56. nobody's bizness @ póvoa de varzim (28/ago)
57. estilhaços @ são jorge (20/nov)
58. jean-paul bourelly @ fmm (26/jul)
59. antony joseph & the spasm band @ fmm (23/jul)
60. mandrágora & special guests @ fmm (24/jul)
61. lo còr de la plana @ fmm (21/jul)
62. danae @ fmm (21/jul)
63. awesome color @ lounge (4/jun)
64. heavy trash @ musicbox (1/mai)
65. anonima nuvolari @ castelo de são jorge (10/mai)
66. ashla bhosle @ fmm (20/jul)
67. cabesssa lacrau @ f*** colombo (20/set)
68. the glockenwise @ avenida 211 (19/dez)
69. familea miranda @ lounge (7/mar)
70. gnu @ lounge (1/fev)
71. health @ zdb (2/jun)
72. liars @ santiago alquimista (9/jun)
73. deolinda @ póvoa de varzim (29/ago)
74. the act-ups @ maxime (4/set)
75. the last poets @ fmm (19/jul)
76. religious knives @ museu chiado (5/out)
77. silver mt. zion @ zdb (30/out)
78. vampire weekend @ alive (10/jul)
79. deolinda @ são jorge (7/mai)
80. silver apples @ zdb (11/mar)
81. loosers @ santiago alquimista (9/jun)
82. rosapaeda @ póvoa de varzim (30/ago)
83. jana hunter @ maxime (16/nov)
84. hoba hoba spirit @ póvoa de varzim (30/ago)
85. toto bona lokua @ fmm (24/jul)
86. a tribute to andy palacio @ fmm (20/jul)
87. marful @ fmm (24/jul)
88. doran - stucky - studer - tacuma @ fmm (26/jul)
89. serra-lhos aí!!! & os rosais @ fmm (17/jul)
90. bypass @ zdb (19/jan)
91. justin adams & juldeh camara @ fmm (23/jul)
92. herminia @ fmm (18/jul)
93. gogol bordello @ alive (10/jul)
94. smartini @ musicbox (5/jan)
95. kumpania algazarra @ 1º de maio na alameda (1/mai)
96. dead combo @ fmm (22/jul)
97. koby israelite @ fmm (26/jul)
98. jorge ferraz trio @ lounge (2/out)
99. lucky dragons @ zdb (23/out)
100. terrible eagle @ lounge (5/dez)

sábado, 27 de dezembro de 2008

Concertos do 08 (Lista dos leitores)

1. Rokia Traoré @ FMM Sines, 26/7
2. Neil Young @ Alive Festival, 12/7
3. Portishead @ Coliseu do Porto, 26/3 + Coliseu dos Recreios, 27/3
4. Einstürzende Neubauten @ Aula Magna, 4/5
5. Michael Gira @ Teatro Miguel Franco de Leiria, 24/2 + Nimas, 25/2
6. Black Lips @ Porto-Rio, 21/4 + Lux, 22/4
7. Mão Morta ("Maldoror") @ Culturgest, 23/4
8. Animal Collective @ Lux, 28/5
9. Extra Golden @ ZDB, 2/7
10. (ex-aequo) Awesome Color @ Lounge, Björk @ Sudoeste, Leonard Cohen @ Algés, Rage Against the Machine @ Alive, Rickie Lee Jones @ Famalicão, Vampire Weekend @ Casa da Música

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O fim da world music tal como a conhecemos?

Esta questão decorre de uma conversa ocasional com o director artístico do FMM Sines. Para onde vai a world music? Falamos na mesma coisa quando falamos de world music hoje ou como quando falávamos há 10 anos? E como será daqui a outros tantos? Continuaremos a colocar eventos magníficos como o FMM e o MED (oxalá resistam à passagem do tempo!) na categoria da world music?

Nos anos 80, as lojas de discos introduziram nos escaparates a secção da world music, a partir de um termo originalmente usado pelo etnomusicólogo Robert E. Brown (o primeiro grande divulgador das tradições indonésias do gamelão), para ali disporem tudo o que não fosse produção não ocidental. O interesse crescente do público e dos próprios músicos ocidentais, foi aproveitado pelo mercado e a especialização tornou-se uma realidade viável: nasceram as publicações, as editoras europeias e americanas, as lojas, os festivais, etc. Tal como jazz ou no heavy metal, por exemplo, havia um nicho do mercado que sustentava a especialização.

Hoje, o retrato que se tira à cena das músicas do mundo é diferente. A especialização deixou de ser assim tão clara como era há dez anos. Os públicos, os festivais, as publicações, as lojas, as editoras e os próprios músicos demonstram ser cada vez mais heterogéneos. E no que antes era dedicado apenas ao rock, à música nova ocidental, o mesmo se sucede. A secção da loja de discos está cada vez mais diluída pelas restantes e vice-versa.

Talvez a principal razão para esta evolução se deva à desfragmentação ou liberalização, se assim lhe quisermos chamar, do mercado da música, tal como proporcionada pela internet. A instituição de uma rede social com grande impacto na divulgação da música como o myspace.com ou a generalização do download gratuito de todo o tipo de música, trouxe uma nítida alteração nos comportamentos de todos os agentes envolvidos neste negócio, desde a origem, os músicos, até ao destino, os ouvintes. E se o mercado discográfico quase pede a extrema unção, o mercado dos espectáculos cresce a olhos vistos, o que explica que haja cada vez mais bandas a aparecer, cada vez mais digressões, cada vez mais festivais, cada vez mais promotores, cada vez mais público. Seja no rock, seja nas músicas do mundo. E este crescimento rápido em todas direcções estéticas está a trazer consequências para as antigas fronteiras de géneros e de mercados específicos. O fim do mainstream, de que tanto se fala, encontra o reflexo na diluição dos nichos.

Veja-se o caso dos festivais. Em Portugal, o MED trouxe este ano a lenda da soul Solomon Burke e os belgas Zita Swoon, dois nomes que dificilmente entrariam no clube fechado da world music de há dez anos. O FMM traz nomes como os Last Poets, o Nortec Collective ou os Firewater. Em Inglaterra, o Womad de Charlton Park apresenta o regresso dos Chic (sim, os do disco dance dos anos 70) e o Roni Size no cartaz. Nos festivais de rock é também cada vez mais frequente encontrar por lá artistas associados às músicas do mundo. O Sudoeste, por exemplo, tem feito aposta todos os anos no reggae. Os Gogol Bordello tocaram em 2007 no FMM, mas também em Paredes de Coura, e este ano regressam para o Alive. No fim-de-semana que passou, Glastonbury teve um palco que contou com Rachel Unthank, Justin Adams & Juldeh Camara (tocam ambos no FMM deste ano), Balkan Beat Box (estiveram no MED), etc.

Veja-se os músicos. Os Balkan Beat Box, por exemplo, que levam os Balcãs para a pista de dança. Os Extra Golden, que hoje tocam na ZDB, que promovem um encontro entre o rock e a música benga queniana. Os israelitas Boom Pam, que metem no mesmo saco o klezmer, a música cigana e as guitarras surf do rock'n'roll dos anos 60. Os Vampire Weekend que recuperam o legado deixado por Paul Simon em "Graceland", um exemplo perfeito de outra era de como a mestiçagem pode produzir excelentes resultados. O caso de Beirut ou do amigo Hawk and a Hacksaw, que transportam para a sua visão ocidental elementos que outrora faziam apenas parte da cena da world music. Os exemplos são infindáveis.

Veja-se o público. O castelo e toda a cidade de Sines enche-se de gente das mais diversas idades, das mais diversas "tribos", no último fim-de-semana de Julho. Os Tinariwen esgotam numa hora ou pouco mais o São Jorge, com um público que não é apenas o público da world music, no conceito que tínhamos até aqui. O público típico dos festivais de rock, outrora mais fechado e mais preconceituoso, ouve com mais respeito a "contaminação" das músicas do mundo.

Veja-se as publicações. Já repararam como, em publicações mais generalistas, já não se chuta um artigo sobre um qualquer artista do Mali para a secção das músicas do mundo? E que já não é sempre o mesmo especialista a assinar esses artigos?

Daqui a dez anos, estará tudo definitivamente diluído?

terça-feira, 1 de julho de 2008

Brancos a tocarem música de pretos?

O meu bom amigo Carlos mandou-me este artigo do Alex Minoff, dos Extra Golden (e dos Weird War, dos Golden, dos Make-up e, uff, dos Six Finger Sattelite), colectivo americano-queniano que se encontra actualmente em Portugal, prevendo-se para amanhã noite de arromba na ZDB, alguns dias depois do espectáculo oferecido ao público do Mestiço, na Casa da Música. No artigo, Minoff aborda, não só no caso dos Extra Golden como num contexo mais global, a questão da autenticidade, da mistura da música africana com o rock, dos Toubab Krewe (grupo de música africana composto por americanos, a não perder na edição deste ano do FMM), das inovações dos Konono no.1, enfim, de mestiçagens e de racismos. O texto foi originalmente publicado na revista MungBeing (cujo site se encontra, aparentemente, inacessível). Já agora, parte disto faz-me lembrar a magnífica citação do compositor Gustav Mahler que o camarada António Pires tem no seu Raízes & Antenas: "A tradição é a transmissão do fogo e não a veneração das cinzas".

Extra Golden is a musical group consisting of two Americans (myself and Ian Eagleson) and two Kenyans (Opiyo Bilongo and Onyango Wuod Omari). The story of our formation is well-documented in other places, so I won't go into it here. The issue of how four musicians from such disparate economic and cultural backgrounds are able to create sounds sympathetic to each other's ears doesn't matter now. Instead, what I hope to address are the questions of Authenticity that relate to Extra Golden and our audience, as well as the general presentation of, and critical approach to, African music.

One of the most frequent questions asked of me is: "How do Africans react when they see a couple of white guys up on stage playing African music?" This is really just a coded way of asking, "Do they think you're fake or do they accept you as one of them?"

When I'm asked this question I usually explain that, at first, the Kenyans in the audience express a friendly disbelief, a sort of "I gotta see this!" mentality. But, after a few moments, any skepticism disappears, and they quickly revert to what they are there to do in the first place - have fun. That, of course, is the goal of the band. However, it is also the goal of the audience, which is why you'll never find a patron at a Kenyan bar watching the band from a distance with their arms folded, scratching their chin.

But there is more to this question than meets the ear. To a lot of people, nothing oozes Authenticity more than a couple of poor, African musicians ("These guys are the real deal, man!"). There is a subtle racism at work here, presupposing some sort of initiation into a mystical cult of Africanness, which would explain why I've never been asked, "How do Americans react when they see a couple of Africans playing rock music?"

Questions of Authenticity also arise when it comes to language. On our upcoming record, Hera Ma Nono, all four members of Extra Golden sing in English, Luo and Swahili. This raises all sorts of red flags with studious, world music types, and a recent review of a group called Toubab Krewe illuminates this point.

Toubab Krewe is a quintet from North Carolina who perform songs from the West African repertoire, incorporating the indigenous instruments of the region (kora, kamelengoni, etc.). They honed these difficult skills through various trips to Mali, Guinea and the Ivory Coast. This hard work is not lost on the critic, who compliments the group for the results of their travails. However, an interesting comment is added at the end of the review:

"The decision to include no singing on the album was both brave and wise. When Americans add English lyrics to African music, or sing in African languages, a line is crossed and a whole new set of compromises must be breached."

I am wondering about this. Earlier, the critic notes that Toubab Krewe, "have made this music their own with inventive, natural sounding arrangements that never lag or fall back on clichés." What is it about singing that would make Toubab Krewe's efforts inauthentic? The irony, of course, is that this group is performing using the instruments and songs of cultures far removed from their own.

It would be easy for a cynic to label them inauthentic without ever hearing a note. Yet, to this critic, the line between authenticity and inauthenticity is a lyrical one. What is it about the voice that makes it sonically more expressive than a guitar or kamelengoni? More important than a drum?

In Extra Golden, everybody sings together because we are a team. Sound is the most important thing, and everybody knows a chorus sounds better with four voices rather than two, no matter what language it is - it is called a chorus after all! (A quick sidenote: English happens to be an official language, not only of Kenya, but of such world music titans as Nigeria and Ghana, too.) To me, only allowing vocals to be sung by native speakers would be the real "compromise". Would it be a problem for me to sing in French? Probably not. This point of view is consistent with the one that exoticizes the African musician as possessing some form of inherent purity or Authenticity, ignoring the fact that most would put a bagpipe solo on their record in exchange for a new set of guitar strings!

So, does Extra Golden stand any real chance of being considered "authentic"? Well, if the above sentiments are any indication, then the answer would have to be a resounding "NO". Of course, these assumptions, and what they imply, would mean that nothing really could be. Too often, Authenticity is really just a synonym for cultural ignorance or misunderstanding. Fodeba Keita, who almost single-handedly modernized (inauthenticated?) Guinean music in the 1950s and 1960s, asked:

"How often do we hear the word authentic used here, there, and everywhere to describe folkloric performances? Come to the point! Authentic compared to what? To a more or less false idea which one has conceived about the sensational primitiveness of Africa?"

In coveting what is essentially a colonialist's concept of foreign cultures, Authenticity discourages innovation. In its place is a preference for stasis or genre music. Even though Africa contains thousands of cultures, each with their own unique traditions, it is much easier to understand a continent of aural oddities populated with half-naked men creating rhythmic cacophony. In fact, when I explain to people that I play with African musicians, the typical response is: "So you guys have a bunch of drums?"

Lost in all of these discussions are the musicians themselves. I can confidently say that, for the African half of Extra Golden, music is a true passion - however, it is also a job. This point cannot be emphasized enough, especially as it is ultimately the determining factor behind most decisions. Authenticity can be a diverting topic for scholars to kick about, but for the working African musician economics will usually defeat academics.

No finer example of economics factoring into the lives of African musicians (only to be misunderstood by Western critics) exists than the Congolese group Konono No. 1. Founded almost 30 years ago, Konono play a form of traditional Bazombo music that features several likembes (thumb pianos). In order to compete with the urban noise pollution of Kinshasa, the group devised their own collection of microphones and amplifiers built from spare auto parts and the like. This helped create a unique sound but also, more importantly, kept the group working feverishly. It also allowed the band to gain exposure in Europe, where their inventiveness earned them the dubious classification of "Afro-punk". While it has undoubtedly done wonders for the group's wallets, this odious appellation is condescending and confused, representative of commercial considerations and unrealistic expectations.

If a rock group from Atlanta or Amsterdam built their own amplification system, as Konono did, then they might be acting in the DIY spirit often equated with the "punk" movement. This implies a choice. Could they have opted for a complete backline of vintage Fender tube amplifiers? Yes, but they made a conscious decision about their own identity by going against the perceived mainstream. Many Western groups define themselves through decisions like this, their music a decorative afterthought. Konono, like most African groups, did not have the luxury of this kind of fashionable declaration. For them, the choice was get louder or lose business. Konono did what they had to do, and Western critics have placed them at the forefront of a punk/industrial/trance/experimental/electronica movement for it. Won't they be surprised!?!

Before I conclude, I must mention something that has been playing around in my head ever since I started contemplating the Authenticity issue. Almost a decade before they became the Hollywood cocaine consorts of Stevie Nicks and Lindsey Buckingham, Fleetwood Mac were a rocking, British band led by the incomparable Peter Green. They specialized in faithful renditions of the blues, exactly the sort of formulaic genre music that proponents of Authenticity tend to champion. Of course, until the sixties, blues had generally been the exclusive domain of African-American musicians. In this writer's opinion, Fleetwood Mac's first couple of records stand as some of the finest recordings of blues music of the decade - from either side of the Atlantic. While the idea of "British Blues" has always ruffled the feathers of true blues purists, anyone who has spent January in Birmingham (Midlands, not Alabama) can surely sympathize.

Somewhere around 1968, Peter Green seemed to decide that a purely blues template was becoming a bit limiting. He started to incorporate elements of pop, rock and even African music into the group's work, culminating in one of the greatest albums of the decade, 1969's Then Play On. Hints of Green's boredom with the blues could be found on the single "Albatross", an astonishingly beautiful instrumental paean to the ambient resplendence of the guitar, released a mere eight months before what would be his last LP as a member of the group. The song was a huge success in England reaching #1 on the charts in February of that year.

Why do I mention all of this? On Samba Gaye, his 1997 collaboration with wife Djanka, Guinean guitarist Sekou Diabate Bembeya recorded his own version of Peter Green's "Albatross". While most critics reviled it as "tasteless" and "inauthentic", one could imagine Diamond Fingers (one of the many sobriquets Diabate's sparkling guitar work has earned him over the years) revelling in it, perhaps eliciting one of his trademark laughs that pepper the album. You see, Mr. Diabate gets it. The question shouldn't be is it Authentic, but, rather, is it good?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Rock'n'roll'n'benga

Press release, recortes de imprensa, tudo sobre os Extra Golden, aqui neste pdf. Não esquecer: quarta-feira, na ZDB.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Porto ou Loulé?

Nos próximos dias, Portugal acolhe dois festivais com cartazes de se lhes tirar o chapéu. No Porto, na Casa da Música, decorre o Festival de Mestiço. 449 quilómetros mais a Sul, há o MED de Loulé. Vejamos o cartaz de cada um, dia a dia (para a programação mais detalhada, principalmente no que diz respeito ao MED, cujo cartaz é particularmente extenso, o melhor é consultar o site oficial):

Quarta-feira, dia 25
O MED antecipa-se ao Mestiço e amanhã já há música na cidade algarvia, com os seis palcos do festival a oferecerem propostas diversas, desde a pop gourmet dos franceses Caravan Palace às tradições de Madagáscar, com os Kilema, ou o flamenco da espanhola La Shica. Um dos destaques da noite vai para os israelitas Balkan Beat Box, que, ao longo dos últimos anos, têm trazido os ritmos ciganos para a pista de dança. E há ainda, entre outros nomes, os portugueses Al-Driça e Susana Travassos.

Quinta-feira, dia 26
Primeiro dia para o Mestiço. A noite começa com os Kumpania Algazarra, prossegue com o sérvio Boban Markovic e termina com a orquestra de Señor Coconut, que regressa novamente a Portugal. Em Loulé, o MED apresenta o reggae de uma lenda, Jimmy Cliff, o siciliano Roy Paci e, entre outros, os catalães Muchachito Bombo Infierno.

Sexta-feira, dia 27
Esta é a grande noite de pecado do MED 08 (leia-se "fuga ao cartaz convencional de músicas do mundo"). Em estreia no nosso país, aos 68 anos de idade, chegado directamente do mundo da soul e do rock'n'roll, o grande cabeça-de-cartaz da edição deste ano do festival algarvio, a lenda viva que dá pelo nome de... Solomon Burke. Bastava só este nome para o MED 08 ter um cartaz de respeito. Depois de Burke, os holandeses Zuco 103 pegam nos ritmos latinos para fazer a festa durar. Noutro palco -- já se disse que esta era a grande noite de pecado do MED 08 -- tocam os belgas Zita Swoon. Sim, os Zita Swoon. Antes ainda dos Zita Swoon, tocam os Deolinda, fenómeno raro de sucesso entre portas (e, quem sabe, extra portas).
No Mestiço, a noite também é de contaminações (ou mestiçagens, como propõe o festival), com a noite partilhada entre africanos (MC K, Manif3stos com Dany Silva, Azagaia) e o brasileiro Marcelo D2.

Sábado, dia 28
O Mestiço vira-se para o reggae. Da Jamaica, os lendários Toots & the Maytals. De França, The Dynamics (os autores da versão reggae de "7-Nation Army", que de vez em quando se ouve num Bailarico Sofisticado). No início da noite, os portugueses Freddy Locks que, por sinal, tocam um dia depois de terem estado no MED.
A Sul, o MED traz a banda mais antiga do mundo, ou seja, os Master Musicians of Jajouka, numa noite que ficará marcada certamente pelo espectáculo do casal Amadou et Mariam (vão ao Mestiço no dia seguinte). No palco da Matriz, há fado com Ana Moura e rock mexicano com os Café Tacuba.

Domingo, dia 29
Esta é a grande noite do Mestiço. Diria até que se trata do acontecimento musical do ano, no Porto. Em palco estarão os americano-quenianos Extra Golden, dos quais se tem falado por aqui, os moçambicanos Timbila Muzimba (espreitem o myspace para ficarem viciados) e, a fechar em grande, os malianos Amadou et Mariam.
Em Loulé, já não haverá Konono no.1. O último dia do festival apresenta, entre outros nomes, o israelita Idan Raichel e, a fechar, os 17 músicos que compõe o grupo de percussões francês Tambours du Bronx.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

A rede social dos Extra Golden

É mais fácil explicar através de desenho:

PÁRA TUDO! PÁRA TUDO! PÁRA TUDO!

Acaba de ser confirmada a vinda dos Extra Golden (ver post mais abaixo) a Lisboa. O grupo americano-queniano, que já tinha data agendada para o Festival Mestiço, na Casa da Música (27 29 de Junho), apresentar-se-á também em Lisboa, na ZDB, a 2 de Julho. Notem bem, é I-M-P-E-R-D-Í-V-E-L!
(A propósito, a fotografia do cabeçalho é justamente deles.)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

África calling



Extra Golden (vídeo de promoção para "Here Ma Nono", o segundo álbum do grupo)

Se ainda não foram apanhados pela febre Extra Golden, fixem bem o nome, porque ele está provavelmente associado a um dos melhores espectáculos a acontecer por cá neste mês de Junho. Os Extra Golden apresentar-se-ão na Casa da Música no dia 29, integrados na noite final do Festival Mestiço. O palco vai ser divido com os moçambicanos Timbila Muzimba e, reparem bem, com o casal maliano Amadou & Mariam (que também vão estar em Loulé, no dia anterior). Vai ecoar África em todos os cantos da Casa da Música.
Os Extra Golden são um caso curioso do interesse cada vez mais patente do Ocidente pela música africana e da mestiçagem que daqui resulta. Em Maio de 2004, os norte-americanos Ian Eagleson e Alex Minoff tocavam juntos com o queniano Otieno Jagwasi num apartamento em Nairobi, num encontro aparentemente casual. Dos encontros seguintes resultaram as gravações que dariam origem, já em 2006, ao primeiro álbum, "Ok-Oyot System", editado pela Thrill Jockey (sim, a Thrill Jockey) já depois do falecimento de Jagwasi. No regresso ao activo, a banda passou a contar com Opiyo Bilongo, popular no seio da música benga, e em 2007 surgiu este "Here Ma Nono", novamente através da Thrill Jockey, onde se pode escutar, entre outras preciosidades, o ultra-hipnotizante "Obama". Sim, é uma canção de agradecimento, muito própria da tradição benga, a Barack Obama (outro mestiço de origem queniana-americana, por sinal) que, enquanto senador do Illinois apoiou os Extra Golden no regresso ao activo para a gravação do segundo álbum.