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quinta-feira, 24 de maio de 2018

100 de 1978, n.º 9, Tom Zé



CORREIO DA ESTAÇÃO DO BRÁS
TOM ZÉ (Brasil)


Edição original: Continental
Produtor(es): Cesare Benvenuti



segunda-feira, 10 de abril de 2017

100 de 1976, n.º 3, Tom Zé



ESTUDANDO O SAMBA
TOM ZÉ (Brasil)


Edição original: Continental
Produtor(es): Heraldo do Monte



quinta-feira, 9 de julho de 2015

100 de Sines (até ver), 2: Tom Zé


TOM ZÉ
(Brasil)
Castelo
30 de julho de 2004

"No mundo da música, há as estrelas, que estão lá em cima, intocáveis, com a graça do brilho que dão a uma noite. Mas depois há os meteoros que conseguem, entre outras coisas, mudar o curso dos planetas ou provocar outras reacções com que os cosmógrafos se entretêm a debater. Tom Zé é um destes meteoros que, pelas mais diferentes razões, nunca conseguiu chegar a tanta gente quanto outras estrelas provenientes do Brasil. Foi muito bom na Culturgest, terá sido muito bom em Loulé e na Aula Magna, mas o melhor só pode ter sido mesmo o espectáculo no Castelo de Sines.
(...) As dezenas de pessoas que encheram a capela da Misericórdia para ouvir Tom Zé na sua 'conferência-de-não-conferencista' e os cinco ou seis milhares que assistiram ao seu concerto dificilmente terão abandonado Sines com opinião diferente. Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."

sexta-feira, 29 de maio de 2015

100 de 1973, n.º 5, Tom Zé (rep.)



TODOS OS OLHOS
TOM ZÉ (Brasil)
Edição original: Continental
Produtor(es): Milton José
discogs allmusic wikipedia YOUTUBE

Todo compositor brasileiro é um complexado.
Por que então esta mania danada, esta preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério, de sorrir tão sério, de chorar tão sério, de brincar tão sério, de amar tão sério?

(in "Complexo de Épico")

Quarto disco de Tom Zé, que por esta altura, depois de ter dado uma importante mão ao avanço do tropicalismo -- ele que talvez fosse o mais tropicalista de todos, acabou sendo ignorado, havendo até quem lhe chamasse "Trotski do tropicalismo" -- entrava na fase mais obscura da sua carreira, que só terminaria já perto dos anos 90, quando David Byrne repôs um pouco de justiça no mundo ao apadrinhá-lo via Luaka Bop. Talvez por aparentar ser mais experimentalista que os álbuns anteriores, "Todos os Olhos" acabou por vender pouco. Mas estão lá todos os elementos pelos quais hoje reconhecemos Tom Zé como uma das maiores forças criativas que o Brasil viu nascer. Tem coisas próximas do samba, tem coisas próximas do forró nordestino ("Quando eu Era Sem Ninguém"), tem coisas próximas dos cantares ao desafio ("Dodó e Zezê"), tem muito de Brasil no que de diversamente rico o Brasil tem, sem nunca soar a "conservador", palavra proibida em todo a carreira de Tom Zé e frequente no reportório de outros artistas da música brasileira, mesmo os mais afoitos. A capa de "Todos os Olhos" é também protagonista de uma história curiosa. Durante anos pensou-se (e talvez ainda por aí circule a ideia) que a imagem na capa era a de um ânus com um berlinde nele depositado. Era essa, contudo, a ideia inicial do poeta Décio Pignatari, um dos fundadores do concretismo brasileiro, como forma de afronta à ditadura militar. O olho do cu. Todos os Olhos. É o que parece, é o que muita gente pensou durante anos que era, até eventualmente o próprio Tom Zé, que terá ajudado a perpetuar o mito. A fotografia original chegou a ser feita, mas como era óbvia demais para enganar os censores, a opção recaiu sobre os lábios da boca (da mesmo modelo). Como se diz aqui, eis que o cu que deveria imitar um olho se torna uma boca que imita o cu.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

10 anos, 10 concertos

São 10 anos de muitos concertos, estes últimos. Entre perto de dois milhares de espetáculos, eis dez favoritos:

10. AMADOU & MARIAM @ Grande Auditório da Gulbenkian
18 de novembro de 2012
"Se podes ouvir, escuta. Se podes escutar, repara. A citação de Saramago ao "Livro dos Conselhos" não é bem esta, mas assim ajusta-se bem a "Eclipse", o espetáculo que o casal Amadou & Mariam trouxe ontem ao Grande Auditório da Gulbenkian. Um espetáculo que prometia uma experiência multissensorial única, vedado que estava o sentido da visão de se distrair (a sala foi mergulhada durante quase todo o concerto na completa escuridão), deixando livres a audição para a música e os sons ambientes da história subjacente, o olfato para os odores de África e a perceção da temperatura que foi oscilando ao longo do concerto. (...) sentimo-nos felizes por nos terem deixado experimentar o bom que é reparar no que escutamos."


9. SWANS @ Aula Magna
9 de abril de 2011
"Quantas bandas viram vocês que, regressadas ao ativo, gravam um disco tremendo como "My Father Will Guide Me Up a Rope to the Sky", dão concertos tão intensos como o de ontem, onde tocam versões demolidoras de temas antigos, com a segurança perfeita de um relógio suíço, e ainda... surpreendem com dois temas inéditos?"




8. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ Teatro Viriato
15 de junho de 2007
"(...) Se os Mão Morta não tivessem nascido em Braga, mas sim em Pernambuco, na pequena cidade de Arco Verde, talvez tivessem sido como o Cordel. E se Adolfo Lúxuria Canibal não crescesse a ler Lautréamont ou outros autores malditos e tivesse os poemas de cordel do interior brasileiro na mesinha de cabeceira, talvez tivesse sido Lirinha, figura epicêntrica deste abalo de terras que dá pelo nome de Cordel do Fogo Encantado. Foi melhor que em Sines? Foi sim, embora não consiga sequer explicar como é que isso ainda pôde ser possível."


7. DIRTY THREE @ Lux
2 de junho de 2007
"(...) é sobre o violino de Warren Ellis que acaba por recair, na maior parte das vezes, a atenção. Ele não fez um pacto com o diabo. Ele é mesmo o diabo. Não que seja o mais virtuoso dos violinistas. (...) Ellis é o 'fiddler' que anima uma tasca barulhenta algures no meio do deserto australiano, acompanhado de bouzukis num numa aldeia grega, musicando lendas de lobos algures na Europa de Leste. E ainda tem a lata de tirar feedbacks do instrumento. O concerto desta noite conseguiu ser, por diversos momentos, e não se tenha pejo em usar a palavra quando ela deve ser efectivamente usada, epifânico. Foi a celebração plena daquilo que a música consegue por vezes produzir ao vivo: um rapto violento da consciência do ouvinte (e tão bem que sabe fechar os olhos e facilitar essa captura) para uma terra de ninguém, onde se experimentam sensações que só algumas drogas poderão produzir."




6. CONGOTRONICS VS. ROCKERS @ FMM Sines (Castelo)
23 de julho de 2011
"Intenso, esgotante. Talvez o melhor concerto que alguma vez o FMM acolheu."




5. KONONO n.º 1 @ Museu de História Natural
4 de julho de 2009
"Totalmente poderosos. A 'orquestra folclórica toda poderosa Konono nº1 de Mingiedi' voltou a mostrar por cá por que é cada vez mais famosa, por que é que o Congo está de volta ao mapa da música reconhecida pelo Ocidente, depois do soukous e kwassa kwassa dos anos 80. (...) Dança-se -- mesmo o pé de chumbo mais empedernido -- como se não houvesse amanhã."




4. DAMO SUZUKI NETWORK @ ZDB
19 de julho de 2004
"(...) A 'comunicação' tinha acontecido e, ao fim da noite, entendia-se melhor o que Damo antes explicava acerca da sua forma de ver a música. Afinal, não se tratava de meros símbolos, de meras teorias de 'proggie'. Era mesmo a música a assumir o seu mais ancestral desígnio, amplamente disseminado pelas civilizações desde a idade da pedra. Magnífica comunhão de espaço e tempo."


3. TOM ZÉ @ FMM Sines (Castelo)
30 de julho de 2004
"(...) Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."


2. AKRON/FAMILY @ MusicBox
22 de abril de 2007
"(...) como não haveremos nós de reagir perante tipos simples e humildes que tocam bem e suam em palco (conseguido com que a plateia os acompanhe nessa missão), enquanto esticam os limites da imaginação melómana ao jogarem os Can e os Faust com a free folk marada norte-americana, as polifonias do gospel com as polifonias das guitarras?"


1. NEIL YOUNG @ Alive
12 de julho de 2008
"(...) Não é uma banda nova que promete vir a revolucionar a música e que provavelmente estará esquecida daqui a poucos anos. E também não é (só) uma lenda que está ali em palco. É, genuinamente, um músico vivo e transbordante de energia que, à frente da sua banda, mostra, quase como se fosse a primeira vez que o fizesse, uma pequena parte de um reportório tão rico que devia ser património mundial da UNESCO."

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Err... O Tom Zé está por cá

Um tipo ausenta-se por uns dias e nem se apercebe que uma das maiores lendas vivas da música brasileira está por cá. Na verdade, tal ausência breve não serve sequer de desculpa. Culpemos antes a completa falta de atenção deste que assina para as duas datas de Tom Zé em Portugal, que já devem estar programadas e anunciadas há tempo mais do que suficiente para que esta nota venha assim apenas agora. É que a primeira dessas datas é já HOJE, NO TEATRO VIRIATO, EM VISEU. A outra é na sexta-feira, no Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães.
(Mais vale tarde do que nunca, assim se diz.)

10 de julho, 21h30 - Teatro Viriato
Bilhetes entre 7,5 e 15 euros

12 de julho, 22h00 - Centro Cultural Vila Flor
Bilhetes entre 7,5 e 15 euros

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Tom Zé: mais uma!

Depois desta, mais uma nova canção de Tom Zé para cantar na rua. Aqui.

ESTAMOS AQUI NA RUA
(Tom Zé e Marcelo Segreto)

Estamos aqui na rua
Sem quebra-quebra
Ou descompostura
Viemos da amargura
Mas não perdemos
Nossa ternura
Aqui também
A moçada de novo
Acabou de sair
Da casca do ovo

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Povo Novo, a nova do Tom Zé

Já fazia falta uma banda sonora para o que anda a acontecer no Brasil em forma de nova canção de Tom Zé. Mas ela já chegou e, como o músico brasileiro fez em outras ocasiões, está disponível para descarga gratuita no site oficial. Também faz todo o sentido para as manifestações portuguesas de amanhã.

A MINHA DOR ESTÁ NA RUA
AINDA CRUA
EM ATO UM TANTO BEATO, MAS
CALAR A BOCA, NUNCA MAIS! (BIS)

O POVO NOVO QUER MUITO MAIS
DO QUE DESFILE PELA PAZ
MAS
QUER MUITO MAIS.

QUERO GRITAR NA
PRÓXIMA ESQUI NA
OLHA A MENI NA
O QUE GRITAR AH/OH
O QUE GRITAR AH/OH

OLHA, MENINO, QUE A DIREITA
JÁ SE AZEITA,
QUERENDO ENTRAR NA RECEITA
DE GOROROBA, NUNCA MAIS (BIS)

JÁ ME DEU AZIA, ME DEU GASTURA
ESSA POLÍTICARADURA
DURA,

QUE RAPA-DURA!

QUERO GRITAR NA... ...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Quando o Raul Solnado queria que o Caetano explicasse o que era o Tropicalismo



Chega aos cinemas brasileiros no mês de agosto.

Sinopse:
Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações. Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado pelas mais belas canções do período, "Tropicália" nos dá um panorama definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

100 discos de 1973, n.º 5



TODOS OS OLHOS
TOM ZÉ (Brasil)
Edição original: Continental
Produtor(es): Milton José
discogs allmusic wikipedia

Todo compositor brasileiro é um complexado.
Por que então esta mania danada, esta preocupação de falar tão sério, de parecer tão sério, de ser tão sério, de sorrir tão sério, de chorar tão sério, de brincar tão sério, de amar tão sério?

(in "Complexo de Épico")

Quarto disco de Tom Zé, que por esta altura, depois de ter dado uma importante mão ao avanço do tropicalismo -- ele que talvez fosse o mais tropicalista de todos, acabou sendo ignorado, havendo até quem lhe chamasse "Trotski do tropicalismo" -- entrava na fase mais obscura da sua carreira, que só terminaria já perto dos anos 90, quando David Byrne repôs um pouco de justiça no mundo ao apadrinhá-lo via Luaka Bop. Talvez por aparentar ser mais experimentalista que os álbuns anteriores, "Todos os Olhos" acabou por vender pouco. Mas estão lá todos os elementos pelos quais hoje reconhecemos Tom Zé como uma das maiores forças criativas que o Brasil viu nascer. Tem coisas próximas do samba, tem coisas próximas do forró nordestino ("Quando eu Era Sem Ninguém"), tem coisas próximas dos cantares ao desafio ("Dodó e Zezê"), tem muito de Brasil no que de diversamente rico o Brasil tem, sem nunca soar a "conservador", palavra proibida em todo a carreira de Tom Zé e frequente no reportório de outros artistas da música brasileira, mesmo os mais afoitos. A capa de "Todos os Olhos" é também protagonista de uma história curiosa. Durante anos pensou-se (e talvez ainda por aí circule a ideia) que a imagem na capa era a de um ânus com um berlinde nele depositado. Era essa, contudo, a ideia inicial do poeta Décio Pignatari, um dos fundadores do concretismo brasileiro, como forma de afronta à ditadura militar. O olho do cu. Todos os Olhos. É o que parece, é o que muita gente pensou durante anos que era, até eventualmente o próprio Tom Zé, que terá ajudado a perpetuar o mito. A fotografia original chegou a ser feita, mas como era óbvia demais para enganar os censores, a opção recaiu sobre os lábios da boca (da mesmo modelo). Como se diz aqui, eis que o cu que deveria imitar um olho se torna uma boca que imita o cu.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Os concertos que o 10 traz, parte 2

1. A Lumin tinha-me dito que o próximo Baile prometia. E aí está: Radioclit, Plaid e Octa Push foram confirmados no facebook pela Madame, que com a Lupin organiza "O Baile", a festa regular que recentemente trouxe Micachu até nós. Este segundo Baile em Lisboa, que ainda vai ter mais nomes, vai ter lugar na LX Factory, a 13 de Fevereiro.
Radioclit = imperdível. Plaid = vai ser bom revê-los.

2. Tom Zé pelo Norte. O astronauta libertado está de volta, com datas marcadas para o Teatro Viriato, em Viseu (21 de Janeiro), e para o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães (dois dias depois).

3. Já são conhecidos os dois primeiros nomes do Festival Para Gente Sentada deste ano, na Feira, diz o Rua de Baixo: Bill Calahan e o regressado Dakota Suite (por onde andou ele estes anos?). O festival decorre nos dias 26 e 27 no Cineteatro António Lamoso.

4. A Filho Único anuncia, além de outras datas que já eram conhecidas, Panda Bear no Lux (12 de Fevereiro), Matt Valentine & Erika Elder e Tigrala em mais um Sarau no Museu do Chiado (25 de Fevereiro), Joe McPhee & Chris Corsano em local a anunciar (12 de Março) e Beach House no Lux (17 de Março).

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #4

4. TOM ZÉ @ FMM SINES
30 de Julho de 2004
No mundo da música, há as estrelas, que estão lá em cima, intocáveis, com a graça do brilho que dão a uma noite. Mas depois há os meteoros que conseguem, entre outras coisas, mudar o curso dos planetas ou provocar outras reacções com que os cosmógrafos se entretêm a debater. Tom Zé é um destes meteoros que, pelas mais diferentes razões, nunca conseguiu chegar a tanta gente quanto outras estrelas provenientes do Brasil. Foi muito bom na Culturgest, terá sido muito bom em Loulé e na Aula Magna, mas o melhor só pode ter sido mesmo o espectáculo no Castelo de Sines. Escrevi, então: "As dezenas de pessoas que encheram a capela da Misericórdia para ouvir Tom Zé na sua 'conferência-de-não-conferencista' e os cinco ou seis milhares que assistiram ao seu concerto dificilmente terão abandonado Sines com opinião diferente. Por vezes rimos, por vezes chorámos, por vezes dançámos, por vezes saltámos e a toda a hora fomos levados por um moleque safado de 67 anos. Não há palavras suficientemente justas para Tom Zé, para as suas palavras, para as suas músicas, para a sua banda."

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Já agora, músicos bloguistas

Uma lista minúscula com alguns artistas ou grupos estrangeiros que blogam ou mantém diários nos seus sites (além de outros, inúmeros, que usam os blogues dos seus myspace).

BOB MOULD (ex-Hüsker Dü) - modulate.blogspot.com
DAVID BYRNE - journal.davidbyrne.com (este é de consulta obrigatória)
FRANZ FERDINAND - www.franzferdinand.co.uk/blog_band
KRISTIN HERSH - www.throwingmusic.com/blog
LIARS - www.liarsliarsliars.com/news/
MATS GUSTAFSSON - thebrokenface.blogspot.com
MIKE DOUGHTY (dos inesquecíveis Soul Coughing) - www.mikedoughty.com/blog
MIKE WATT - www.hootpage.com
RADIOHEAD - www.radiohead.com/deadairspace
SASHA FRERE JONES (Ui, etc.) - www.sashafrerejones.com
TOM ZÉ - tomze.blog.uol.com.br

(É, claro, uma lista reduzida obtida a partir de bookmarks pessoais. Sintam-se à vontade para sugerir outros exemplos.)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Classe de 2006 - os concertos

Os clientes do tasco foram convidados a deixarem as suas preferências de 2006. Este é o resultado da votação para os melhores concertos de 2006. Obrigado a todos.



1. lisa germano @ santiago alquimista
2. kode9 & spaceape @ musicbox
3. liars @ clube lua
4. comets on fire @ zdb
5. damo suzuki + caveira @ zdb
6. kanye west @ cool jazz fest
7. cordel do fogo encantado @ fmm sines
8. yo la tengo @ aula magna
9. heavy trash @ tagv
10. tom zé @ culturgest

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Os meus concertos de 2006 (#1 - #10)

1. 4 mai - tom zé @ culturgest
2. 28 jul - trilok gurtu & the misra brothers @ sines
3. 20 jan - damo suzuki network damo suzuki + caveira) @ zdb
4. 29 jul - cordel do fogo encantado @ sines
5. 2 dez - lisa germano @ santiago alquimista

6. 21 jan - estilhaços adolfo luxúria canibal + antónio rafael) @ zdb
7. 13 out - comets on fire @ zdb
8. 28 jun - think of one @ teatro variedades
9. 27 jul - gaiteiros de lisboa @ sines
10. 18 fev - pop dell'arte @ zdb

segunda-feira, 14 de agosto de 2006

Verdade tropical #2

Algumas das muitas referências a Chico Buarque, em "Verdade Tropical":

[Sobre as primeiras reuniões entre músicos organizadas por Gilberto Gil, na génese do tropicalismo] Se, por um lado, Chico, boêmio e desconfiado de programas, embriagava-se e ironizava o que mal ouvia (...). Enfim, Gil não chegou a desistir de se fazer entender, pois os outros é que desistiram de tentar segui-lo. Restava-nos seguir sozinhos.

[Sobre os tempos em São Paulo] Naquela mesma noite eu estreava na TV e a partir de então meu conhecimento de letras de canções brasileiras e minha memória se tornaram lendários. Chico Buarque era o meu maior competidor, com uma vantagem: seu reportório era extenso como o meu e sua memória igualmente fresca, mas ele era ainda capaz de inventar na hora canções tão bem-feitas que pareciam jóias da nossa tradição aos ouvidos dos responsáveis pelo programa. Ganhámos vários automóveis Gordini -- que vendíamos automaticamente sem averiguar se perdíamos alguma coisa nessa venda -- nos meses que se seguiram à minha estréia. E eu fiquei, além de famoso, rico, para os meus padrões. Passei a ir quase semanalmente a São Paulo. As noitadas com Chico e Toquinho eram deliciosas, e com isso São Paulo deixou de ser o lugar detestável da minha primeira experiência. (...) Chico tinha um carro e sabia tudo da cidade onde crescera e estudara. Muitas vezes ele bebia demais, e nós tínhamos que acordá-lo para que nos levasse de volta para casa. Não nos dava medo o fato de ele ir praticamente dormindo até o assento do carro no qual, uma vez dada a partida, ele exibia uma destreza surpreendente. (...) Chico, com seus lindos olhos verdes que fixavam-se em nós com uma dureza diabólica, era dono de um humor mais sádico do que o de Capinan. Nessa época, sua beleza era extraordinária, mas entre angelical e demoníaca, quase divina em todo o caso, não me parecia sexualmente atraente (...), o que me levou a brincar de chamá-lo, sem que isso causasse constrangimento, "meu noivo". Na verdade, as meninas eram o tema mais freqüente das nossas conversas. Chico fazia ciúmes de suas namoradas comigo e por vezes chegava a dizer a Dedé, no Rio, que eu as assediava. (...) Uma vez, foi aos nossos amigos em São Paulo que Chico assustou com uma história a meu respeito. Assim como eu ia muito a São Paulo, ele vinha muito ao Rio. Numa de suas voltas, ele contou, com grave discrição, que eu tinha enlouquecido. Manteve a mentira até que eu aparecesse por lá. A notícia se espalhou entre os conhecidos, naturalmente, e Chico chegou ao requinte de detalhar para Toquinho, que ficara consternado, uma visita que Bethânia me teria feito no sanatório: quase chorando, ele repetia o que eu teria dito ao vê-la na porta do quarto: "Sai, carcará! sai, carcará!". Quando voltei a São Paulo, encontrei diversas pessoas que se surpreendiam ao me ver, me olhavam demoradamente, prestavam demasiada atenção no que eu dizia. Muitos me perguntavam: "Você está bem?".

[Sobre "Alegria, Alegria", do próprio Caetano] Mas o que ninguém nunca disse -- nem mesmo eu, que até aqui só falei em Beatles, Gilberto Gil e Franklin Dario quando tratei da gênese de "Alegria, alegria" -- é que "Alegria, alegria" foi em parte decalcada exatamente de "A banda" [de Chico Buarque].

(...) Minha primeira lição sobre armadilhas de imprensa se deu exatamente por causa disso. Uma moça simpática, entrevistando-me para a revista InTerValo (...), perguntou-me como eu via a diferença entre mim e Chico. Eu, estimulado pela oportunidade (...), expliquei-lhe que o que eu fazia era expor o aspecto de mercadoria do cantor de TV. Que tanto eu quanto Chico estávamos dizendo muitas coisas com nossas canções, mas que, do ponto de vista da televisão, eu era um cara de cabelo grande e Chico era um rapaz bonito de olhos verdes; e que quanto mais desmascarado estivesse esse jogo, mais nossas canções e nossas pessoas estariam livres. Poucos dias depois saiu a reportagem com minha declaração sumária de que "Chico Buarque não passa de um belo rapaz de olhos verdes". Tom Zé (...) não tinha esses cuidados com Chico Buarque. Perguntado num programa de televisão sobre o confronto tropicalistas versus Chico, respondeu que, de sua parte, respeitava muito Chico Buarque "pois ele é nosso avô". Lembro de, ao ser informado dessa história (...), rir às gargalhadas com Guilherme, comentando o fato de eu ser dois anos mais velho que Chico -- e Tom Zé seis anos mais velho do que eu. (...) Um episódio, no entanto, me pareceu inaceitável. Já no final de 68, Gil estava com Sandra (...), numa frisa do Teatro Paramount, onde se realizava uma eliminatória do festival da Record daquele ano. Um grupo de pessoas na platéia recebeu a entrada de Chico no palco aos gritos de "superado!, superado!". Gil comentou com Sandra que aquilo era inadmissível. Levantou-se investiu contra os manifestantes. Um jornalista quis ver -- e assim publicou depois no seu jornal -- que Gil havia liderado uma vaia ao Chico. (...) Hoje todo o mundo que escreve sobre os acontecimentos de então se compraz em dizer que havia dois lados que se confrontavam nesses festivais: um a nosso favor, outro a favor de Chico. As coisas não eram assim.

"Verdade Tropical", Caetano Veloso (Companhia das Letras, 1997; Quasi Edições, 2003)

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Verdade Tropical #1

No seu "Verdade Tropical", ensaio biográfico do tropicalismo, Caetano Veloso refere-se poucas vezes a Tom Zé, por comparação com outros companheiros da altura (Gilberto Gil, Gal Costa, os Mutantes, etc.) e mesmo outros não tropicalistas (João Gilberto, Chico Buarque, cineastas, escritores, filósofos, etc.). Mas a dada altura conta este episódio sobre o último dos sobreviventes tropicalistas:

A simples viagem de avião com Tom Zé de Salvador para São Paulo já deu o tom do que seria sua atuação. O Caravelle da Cruzeiro do Sul -- aeronave cuja modernidade de linhas me encantava como um samba de Jobim ou um prédio de Niemeyer --, voando em céu azul, parecia que ia explodir com a vibração da presença de Tom Zé. E isso chegou a exteriorizar-se até o conhecimento da aeromoça e quem sabe de outros passageiros. Não que ele se mostrasse nervoso por estar voando -- embora sua ostentação de estranheza em relação a tudo o que se passava no avião indicasse (talvez enganosamente) que ele nunca tinha voado --, mas seu sotaque e suas expressões arcaicas pareciam agredir a realidade tecnológica da aviação e o conforto burguês dos "serviços" de consumo: ele estava me dizendo -- e dizendo a si mesmo e ao mundo -- que ia, sim, para São Paulo, mas que permaneceria irredutível quanto a certos princípios e traços de caráter. Ele lidava de modo inventivo -- e bizarramente elegante -- com o medo da mudança de situação. Referia-se ao avião em que estávamos como "essa caravela", indicando intimidade e estranheza ao mesmo tempo, e, por trás dessa ironia, comentando o sentido de partida para outro continente que essa viagem tinha para ele. Quando a aeromoça se aproximou para perguntar o que queríamos beber, ele respondeu certamente: "Cachaça". Havia humor na obviedade de seu conhecimento de que não deviam servir cachaça a bordo. Mas a sinceridade de seu ar desafiador -- embora não impolido -- levava a pensar em como era ridícula a pretensão de refinamento da freguesia desses serviços (não havia, por exemplo, uma só aeromoça preta em qualquer companhia de aviação brasileira) tornados amorfamente "internacionais", e em como Tom Zé estava disposto a não contemporizar com isso. À esperada resposta da aeromoça -- "Desculpe, não temos" -- ele começou a desapertar o cinto de segurança e, fazendo menção de levantar-se, disse -- dirigindo-se a minha, não a ela: "Então eu vou-me embora. Mande parar essa caravela". A verdade com que essas palavras foram ditas assustou-nos, a mim e à moça, pois, embora, soubéssemos impossível obedecer a tão absurda ordem, sentíamos, na determinação com que esta fora dada, que ela se imporia de alguma maneira."

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Mais de ontem

Eu preciso mandar notícia
pro coração de meu amor me cozinhar
pro coração de meu amor me refazer
me sonhar
me ninar
me comer
me cozinhar como um peru bem gordo
me cozinhar como um anum-tesoura
um bezerro santo
uma nota triste.
Me cozinhar como um canário morto
me cozinhar como um garrote arrepiado
um pato den´d´água
um saqué polaca.
Eu escrevo minha carta num papel decente
quem se sente
quem se sente com saudade não economiza
nem à guisa
nem dor nem sentimento que dirá papel
o anel
o anel do pensamento vale um tesouro
é besouro
é besouro renitente cuja serventia
já batia
já batia na gaiola e no envelope
e no golpe
e no golpe da distância andei 200 léguas
minha égua
minha égua esquipava, o peito me doía
quando ia
quando ia na lembrança vinha na saudade.


("Carta", que Tom Zé gravou em "Correio da Estação Brás", de 1978. É uma experiência bem bonita seguir este jogo de rimas ao vivo...)

Foi imenso

Astronauta libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia

Eu quase posso palpar
A minha vida que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor de céu me compõe
O mar azul me dissolve
A equação me propõe
Computador me resolve

Amei a velocidade
Casei com 7 planetas
Por filho, cor e espaço
Não me tenho nem me faço
A rota do ano-luz
Calculo dentro do passado
Minha dor é cicatriz
Minha morte não me quis

Nos braços de 2.000 anos
Eu nasci sem ter idade
Sou casado sou solteiro
Sou baiano es estrangeiro
Meu sangue é de gasolina
Correndo não tenho mágoa
Meu peito é de sal de fruta
Fervendo no copo d'água


("2001", o tema que Tom Zé compôs a meias com Rita Lee e que os Mutantes chegaram a gravar no segundo álbum, de 1969. É provavelmente o mais belo tema do tropicalismo e foi ontem tocado na Culturgest, depois de uma longa explicação que veio oferecer novas luzes sobre o tema e sobre toda a aventura do tropicalismo... Como se não fossem já mais que evidentes as provas de genialidade de Tom Zé...)

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Começa hoje!



Começa hoje, na Culturgest, a mini-digressão Tropicália Jacta Est, com o espectáculo especialmente concebido para os palcos portugueses pelo inenarrável Tom Zé. Espera-se um misto de concerto com conversa (e quem já assistiu a palestras do Tom Zé, como aquela que ele deu em Sines há dois anos, sabe que o prato é forte). O libreto, por assim dizer, do espectáculo é o seguinte:

7 horas - Portugal recebe a cultura moçárabe (a contragosto).
10 horas - A canção celta chega ao ápice de seu desenvolvimento.
11 horas - Abrem-se os salões para a poesia provençal.
12/13 horas - Durante a sesta Portugal elabora sua inclusão neste caldo infusório. É uma imensa sesta, de sete rosários de Cronos.
14 horas - Embala tudo numa pequena e concentrada cápsula.
16 horas - Alguns navios partem com a cápsula, que vai parar no Brasil.
20 horas - Nascemos no sertão da Bahia, às vésperas da Segunda Revolução Industrial. A cápsula se rompe em nossas veias e vem à luz o Tropicalismo.

A não perder, hoje em Lisboa; no dia 10, na Casa da Música do Porto, e no dia 12, no Teatro Municipal de Faro.