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sexta-feira, 3 de julho de 2015

100 do FMM (até ver), do 41 ao 50


41. HARRY MANX (Ilha de Man)
Praia, 26/jul/2007::vídeo::
"À medida que o sol ia ameaçando desaparecer até ao dia seguinte, o manês (espécie de gentílico inventado à pressa para quem provém da Ilha de Man) Harry Manx cativou o público junto à praia, com o seu blues impregnado de raga, com uma mohan veena (uma guitarra adaptada à música clássica indiana. Aprendi a cortar na palavra sublime como quem corta no açúcar para o café, mas aqui vou ter que dar uma facadinha e usar o termo. Sublime."

42. IVA BITTOVÁ (República Checa)
Centro de Artes, 22/jul/2008
"Grandes vozes. Iva Bittová, com grande empenho dramático e solta de compromissos líricos, num registo que vai do demoníaco ao pueril, do soturno ao cómico. (…) Uns assustavam-se com esta mulher checa nas suas explorações de carácter mais dramático. Outros arrepiavam-se com as suas capacidades vocais. Ou no violino. Mais um postal de Sines bem guardado na memória."

43. FLAT EARTH SOCIETY MEETS JIMI TENOR (Bélgica / Finlândia)
Porto Covo, 19/jul/2008::vídeo::
"Virtuosos de outro planeta. A Flat Earth Society, enquanto colectivo. (…) Será porventura exagero, mas talvez houvesse mais músicos em palco do que pessoas no público a conhecerem a obra de Jimi Tenor. Mas isso, aqui, neste festival, não só não é novidade, como até potencia a criação de momentos de descoberta que são de aplaudir. Mas nem tão pouco parece que este interessante encontro da big band com o génio excêntrico do finlandês, outrora do mundo das electrónicas e afins, tenha aguçado por aí além a curiosidade do povo. Mas, para quem prestou atenção, todo o espectáculo foi percorrido por grandes ideias."

44. ERIKA STUCKY (Suíça)
Castelo, 28/jul/2007::vídeo::
"A suíça Erika Stucky foi uma das maiores surpresas deste festival. O uso que faz da voz, seja no formato spoken word (magnífica a versão para 'These Boots Are Made for Walking'), seja na canção, seja nos yodelays, aliado à boa disposição que atravessou toda a actuação, ajudou a que este espectáculo possa ficar retido na memória por bastante tempo."

45. L'ENFANCE ROUGE (França / Itália / Tunísia)
Praia, 22/jul/2009::vídeo::
"Na praia, houve também alguns concertos verdadeiramente explosivos, a começar pelo dos franco-magrebinos L'Enfance Rouge, numa reencarnação de uns Sonic Youth do tempo do EP de estreia ou de "Confusion is Sex" (já para não falar das semelhanças gritantes entre as baixistas de ambos os projectos), de uns Swans ou de uns Shellac mais roufenhos ainda, mas com uma integração magnífica com instrumentos árabes que estiveram nesta formação e que, aliás, contribuíram para o excelente "Trapani ~ halq al waady", álbum de há dois anos. "

46. MOSCOW ART TRIO (Rússia)
Centro de Artes, 21/jul/2008
"Virtuosos de outro planeta. (…) Qualquer um dos músicos do Moskow Art Trio. (…) Grandes vozes. (…) Sergey Starostin, dos Moskow Art Trio."

47. RACHEL UNTHANK & THE WINTERSET (Inglaterra)
Praia, 25/jul/2008::vídeo::
"Grandes vozes. (…) As irmãs Unthank."

48. ASIF ALI KHAN & PARTY (Paquistão)
Castelo, 25/jul/2013::vídeo::

49. ETRAN FINATAWA (Níger)
Praia, 20/jul/2007::vídeo::

50. TINARIWEN (Mali)
Castelo, 30/jul/2010::vídeo::

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O relato dos Tinariwen, escondidos no mato

O surto de violência que eclodiu na semana passada na região de Tombuctu, no nordeste do Mali, apanhou de surpresa, e da pior maneira, muitos dos habitantes daquela região, que se têm vistos obrigados a abandonar em massa as suas casas. No meio do conflito estão os Tinariwen que deram hoje o seu testemunho da situação, via facebook:
‎"Hi everyone. Soon after the uprising broke out last week, people started leaving the centre of our home villages, to avoid any fighting between the rebels and the Malian army. We've been out here in the bush, for quite a few days, with many women, children and old people. Some of us are suffering from hunger and the terrible cold. It's really very very cold at night around this time of year. Things are tough for sure, but everyone is holding up. Thanks to everyone for their thoughts and prayers for us. Keeping sending them. We really hope that everything is going to be ok. Thanks, Tinariwen."

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Os melhores concertos de 2010 (11 a 20)

11. Prince Rama @ ZDB (1/12)
O mundo só teria a ganhar com mais bandas como os Prince Rama. Ora psicadélicos, ora tribais, vozes bem colocadas à... Kate Bush, composições que parecem ter saído da imaginação do... Brian Eno. Magia, magia, magia. (Ah, e uma guitarrista-teclista linda de morrer.)

12. Tinariwen @ FMM (30/7)
De tantas vezes que cá vieram, já não constituem propriamente uma surpresa. Mas também não estamos exactamente fartos. Bem pelo contrário. O que interessa é que conseguiram hipnotizar aqueles que os viam no castelo de Sines com o ritmo e as malhas de guitarra que trouxeram do deserto. VÍDEO

13. Shellac @ Primavera (28/5)
Tinha-os visto dias antes, na ZDB. Tinha-os visto há exactamente um ano, neste mesmo palco ATP, no Primavera. Tinha contra mim um horário pouco contornável do festival. Mas mesmo assim, não era possível deixar escapar mais esta oportunidade de os ver ao vivo. Mais houvesse, mais seriam. VÍDEO

14. Michael Rother & Friends Present Neu! Music @ Primavera (29/5)
O revivalismo do kraut tem destas coisas boas: o lendário Michael Rother junta mais dois músicos, um dos quais o atarefadíssimo Steve Shelley, para reproduzirem ao vivo reportório dos Neu!... As gerações mais novas só podem agradecer. VÍDEO

15. Times New Viking @ ZDB (21/4)
É uma daquelas coisas cheias de frenesi, de ruído, de gritaria e de rebuçados sónicos, em que não se consegue ficar quieto. Times New Viking de volta, já!

16. Tortoise @ Primavera (27/5)
Escrevi na altura: "[Por comparação com os Ui] Mais abertos, mais completos, mais ágeis, mais ricos musicalmente, os Tortoise, com John McEntire e John Herndon a trazerem as suas baterias para a frente do palco, mostraram em palco aquilo que já tinham provado em estúdio com “Beacons of Ancestorship”, isto é, que este combo de músicos exímios e multifacetados merece continuar a prolongar a carreira, já tantos anos depois da euforia do pós-rock." VÍDEO

17. Vashti Bunyan @ Lux (13/5)
Um dos acontecimentos do ano. Termos tido, em 2010, a possibilidade de ver esta lenda (quase) esquecida da folk britânica, é um privilégio intemporal. VÍDEO

18. Johan Karlberg (Radioclit) @ Lx Factory (13/2)
Mais um que desafiaria o conceito de concerto, se ainda vivessemos no século passado.
Festarola até às tantas em mais um magnífico "Baile" da Madame. O que eu lamento não ter visto os Very Best no Sudoeste.

19. Wimme @ FMM (29/7)
"Há mais de dez anos que ansiava por um concerto dele por cá e nunca imaginei que fosse tão bem recebido como foi ali em Sines, no palco da praia, ao fim da tarde, para uma música que se imagina nas montanhas, no frio." VÍDEO

20. Paus com Dj Riot & Dj Ride @ Lux (16/12)
Eu disse que ia haver mais Paus nesta lista. E a mais concertos tivesse assistido, mais Paus aqui haveria. Mas desta vez, só desta vez, Paus e agulhas tanto bateram que até fizeram faúlhas. Tenho pena de ter perdido o primeiro "Só desta vez", mas a segunda oportunidade deu para perceber o quanto esta boa gente se esforça para criar estas apresentações únicas. VÍDEO

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Novidades FMM: Barbez, U-Roy, Tinariwen e Cheick Tidiane

Já há mais nomes para o cartaz do FMM, que este ano se realiza entre 28 e 31 de Julho, na cidade de Sines.

U-ROY (Jamaica). Aos 67 anos de idade, o mítico toaster (e, mais tarde, artista completo do reggae) vem a Sines para um concerto no dia 31 de Julho, o último do FMM, junto à praia.
myspace.com/uroyreggae

TINARIWEN (Mali). O blues do deserto que os Tinariwen trazem na bagagem já não é propriamente uma novidade, mas ninguém ficará indiferente ao espectáculo que estes antigos guerrilheiros irão apresentar no castelo, no dia 30.
myspace.com/tinariwen

CHEICK TIDIANE SECK feat. MAMANI KEITA (Mali). Continuando no Mali, vamos também ter entre nós Cheick Tidiane, pianista da histórica Rail Band, ao lado de Salif Keita e Mory Kanté. A acompanhá-lo, Mamani Keita, a antiga cantora de Salif Keita, vai regressar ao FMM, depois de um belo espectáculo em 2007, para acompanhar Tidiane. Vai ser no último dia do FMM, no castelo.
myspace.com/cheicktidianeseck

BARBEZ (EUA). Não fez parte do lote de três nomes hoje anunciados organização do FMM, mas o site oficial do grupo nova-iorquino já avança com a novidade. O super-colectivo de Dan Kaufman, que chegaram a gravar para a Tzadik de Zorn um álbum baseado no poeta judeu Paul Celan e que passaram pela ZDB há cerca de cinco anos (recordam-se daquela incrível intérprete de theremin que um dia viram no palco do aquário?), têm vindo a colaborar com imensa gente boa: Cat Power, Sun Ra Arkestra, godspeed you! black emperor, Faun Fables, Sleepytime Gorilla Museum, DKT/MC5, Devendra Banhart, Dresden Dolls, Lonesome Organist, Shelley Hirsch, Faun Fables, Angels of Light. Vão estar no FMM no dia 30 de Julho. Vão também passar por Paredes de Coura no dia seguinte e vão ainda tocar em lugar a anunciar a 1 de Agosto, com a portuense F.R.I.C.S. (Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa).
myspace.com/barbez

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Os melhores discos do ano


ANIMAL COLLECTIVE "MERRIWEATHER POST PAVILLION"

(Todo o destaque, mais um, para o "MPP". De seguida, os outros discos que fizeram, para mim, o ano de 2009, por ordem alfabética:)








B Fachada "Um Fim-de-Semana no Pónei Dourado"


Bill Callahan "Sometimes I Wish We Were an Eagle"


David Sylvian "Manafon"


Dirty Projectors "Bitte Orca"


The Flaming Lips Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins and Peaches "Dark Side of the Moon"


Fool's Gold "Fool's Gold"


K'Naan "Troubadour"


Lemonade "Lemonade"


Norberto Lobo "Pata Lenta"


Oneida "Rated O"


Oquestrada "Tasca Beat - O Sonho Português"


Staff Benda Bilili "Trés Trés Fort"


Tinariwen "Imidiwan"


Tortoise "Beacons of Ancestership"


The Very Best "Warm Heart of Africa"

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Os 100 mais de uma década de concertos, #31-35

31. TINARIWEN @ SÃO JORGE
5 de Julho de 2007
Escrevi, na altura: "O António Pires chama-lhe a 'maior banda rock do mundo'. Entende-se perfeitamente o exagero e quase se toma por verdade absoluta o epíteto. É que daquelas três guitarras nas mãos dos Tinariwen brota energia que rebentaria com dezenas e dezenas de festivais de rock. Embora a guitarra eléctrica não fosse um instrumento comum entre os povos tuaregues, até há bem pouco tempo, já há algumas décadas que se ouve com frequência na música do Mali, do Senegal, das Guinés, dos Camarões, enfim, de toda a África Ocidental. E os blues, afinal, nasceram ali, nas margens do Níger. Mas estes antigos guerrilheiros da libertação tuaregue, contaminados pelas distorções que ouviam nos discos de rock nos campos militares líbios, fazem das suas guitarras autênticas armas, enquanto na sua língua procuram chamar a atenção para a história de opressão vivida por este ancestral povo nómada. Tal é o chamamento dos riffs e das escalas pentatónicas dos Tinariwen que o corpo, na melhor e mais característica qualidade do rock, se deixa levar imediatamente aos primeiros ritmos. Foi o que aconteceu, por exemplo, na noite de ontem, com a plateia do São Jorge Sauna Club a levantar-se logo desde os primeiros instantes e a entregar-se à torrente sónica que subia desde o palco. Nem o calor que a sala ultra-lotada e a inexistência de ar condicionado patrocinavam foi impeditivo para a celebração do maior ritual já alguma vez inventado pelo homem (ah, o 'concerto de rock'). As guitarras -- mais uma vez, é impossível fugir ao protagonismo delas --, apesar de apoiadas apenas num pobre djambé e num resistente baixista, mas também elas compensadoras da parte rítmica, foram enredando-se em padrões repetitivos -- não é quase sempre assim a melhor música popular, dos monges budistas aos LCD Soundsystem? -- os quais, como ondas, iam provocando impacto nos corpos e almas em redor. No final, ninguém os queria deixar ir embora e teve que haver um segundo encore, mesmo depois das luzes da sala terem acendido. Inesquecível."

32. PATTI SMITH @ COLISEU DOS RECREIOS
28 de Outubro de 2007
Relato de então: "Eu vi a Patti Smith chorar de alegria. Foi perto do final de 'Rock'n'Roll Nigger', já nos derradeiros instantes do concerto de ontem no Coliseu dos Recreios. Como é que uma mulher que carrega com as marcas amargas que a vida se lembrou de lhe trazer, com mais de 30 anos de carreira (com uma pausa prolongada pelo meio), consegue ainda ficar assim tocada por uma plateia? É certo que é uma plateia que a adora desde o início, aliás, mesmo antes do início. É certo que a empatia é mútua, com Patti Smith a elogiar a Lisboa bonita e independente dos Starbucks. Ou quando lembra a Lisboa que havia nos seus estudos, numa fase final da vida do seu marido Fred 'Sonic' Smith. Ou quando a aluna de Rimbaud decide dedicar uma música a Pessoa e, mais tarde, pôr este nos versos improvisados de 'Perfect Day', de Lou Reed. Mas aquelas lágrimas impossíveis de conter diziam tudo. Era o final de uma noite magnífica para todos. Para o público, para a senhora Smith, para a sua banda, onde ainda reina o seu guitarrista de longa data, Lenny Kaye, que aproveitou da melhor forma o descanso da cantora para puxar pelos acordes de 'Pushin' Too Hard', dos Seeds. Foi uma noite com muitos tributos, não sendo estranho o facto do último álbum de Smith ser justamente um álbum de covers. Deste, ouviu-se uma versão longa e entremeada com poemas de Smith de 'Are You Experienced?', de Jimi Hendrix, e 'Smells Like Teen Spirit', extropiado do pessimista 'how low' tal como na versão gravada em 'Twelve'. Mas também houve 'Gloria', 'Dancing Barefoot', 'Because the Night', 'People Have the Power' e outros clássicos da carreira de Patti Smith. Duas horas de concerto que puseram novos e velhos aos saltos, aos berros e, claro, com um enorme sorriso na cara no final de uma noite de domingo. Esta semana vai ser mais produtiva."

33. ALI FARKA TOURÉ & TOUMANI DIABATÉ @ ANFITEATRO KEIL DO AMARAL
22 de Julho de 2005
A presença de Ali Farka Touré em Lisboa era o acontecimento do ano. E, para tal, o magnífico anfiteatro do parque de Monsanto encheu-se de público. E se bastaria a guitarra de Ali Farka para já valer a pena, o que dizer da presença, entre outros músicos, do "dieu de la kora" (assim lhe chamava Ali Farka) Toumani Diabaté? Cerca de oito meses depois, um tumor ósseo venceria a luta que Ali Farka travou pela vida e a música africana ficava imensuravelmente mais pobre.

34. AMADOU & MARIAM @ FMM SINES
28 de Julho de 2005
Depois de Ali Farka Touré e de Toumani Diabaté, mais um grupo de excelência vindo do Mali, encabeçado pelo casal Amadou & Mariam. Beleza, ritmo e simpatia a rodos. Já cá voltaram noutras ocasiões e são sempre bem-vindos.

35. MUDHONEY @ CULTO CLUB
11 de Julho de 2007
O que escrevi, então: "Há mais de quinze anos que aguardava este concerto dos Mudhoney. Na altura, as cassettes rodavam que se fartavam no walkman, mas faltava o concerto. As descrições que ia lendo nos jornais ingleses, particularmente aquela inesquecível reportagem no NME a propósito do lamaçal de Reading em 1992, contribuiam ainda mais para cavar esta lacuna ontem preenchida, finalmente. De perto, nota-se que Mark Arm tem os olhos mais sumidos. Os traços faciais estão mais vincados. Enfim, está mais velho, como todos nós, mas isso não transparece naquela voz rouca e aguda. Continua perfeita. A presença em palco, e isso também é válido para todos os Mudhoney, quase engana quem não conheça a história do grupo. Parece que se formaram ontem, que estão a dar os primeiros concertos. E não fazem frete a tocar para duas ou três dezenas de pessoas, como se o tempo não tivesse passado. Mesmo quando os parceiros de berço Pearl Jam tocam hoje para multidões de estádio (há coisas que custam a entender na vida). Houve temas de todos os discos, de 'Superfuzz Bigmuff', de 1988, a 'Under a Billion Suns', de 2006. Ao longo de cerca de duas horas, não se ouviu 'Here Comes Sickness', mas deu para recordar coisas como 'You Got It (Keep It Outta My Face)', 'Touch Me I'm Sick', 'Suck You Dry', 'Burn it Clean' (alguém que me confirme se não estou a sonhar com esta), 'When Tomorrow Hits', o mais recente 'Where is the Future', ou ainda as versões de 'Hate the Police', dos Dicks, e 'Fix Me', dos Black Flag, com que terminou a noite. Há mais de quinze anos que eu esperava por este concerto. E é incrível como tanto tempo de expectativa acumulada não saiu dali defraudada, bem pelo contrário. (...)"

sábado, 4 de julho de 2009

Companheiros

Soaram tão bem ao vivo os novos temas de Tinariwen, ontem, no Forte de São Filipe, no arranque da primeira edição do Arrábida World Music Festival. Em "Imidiwan Afrik Tendam", por exemplo, uma balada perfeita que remete em parte para o título do álbum, "Imidiwan", não é preciso percebermos a linguagem tamasheq em que Ibrahim Ag Alhabib reúne os "companheiros de toda a áfrica" (a tradução do título) para ali vermos uma canção de reencontros à volta de uma fogueira no meio de um oásis, por excelência o ponto de intersecção nos caminhos de tuaregues como os Tinariwen. E isto tem ainda mais piada quando acontece numa imponente fortificação militar com quase cinco séculos, parecido com muitos daqueles castelos, mais antigos, que pelo país fora marcam os outras intersecções que fomos tendo -- por motivos bélicos, é certo -- com os nossos vizinhos muçulmanos. Mas a História levou para longe esses tempos e hoje só nos podemos sentir privilegiados por partilhar reencontros como este.
O Forte de São Filipe é mesmo um dos protagonistas deste festival, que hoje continua com, entre outros, a Sun Ra Arkestra e os Heavy Trash. Parece até que foi desenhado de propósito para um evento como este (ainda que não permita que o festival cresça muito, contudo). O outro palco, por exemplo, num dos pontos mais altos do forte, de onde aliás se captura uma magnífica vista sobre toda a península, colocou literalmente o Paulo Furtado no céu. É uma visão inesquecível a do Legendary Tiger Man iluminado e recortado na noite da Arrábida.
Um festival como este merece continuar (agradece-se é que se arranje outra pessoa para desenhar as luzes do palco principal -- se não há rede suspensa, que se use luzes laterais... ainda hoje vejo sinais vermelhos quando fecho os olhos...)

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O próximo álbum dos Tinariwen


O novo disco chama-se "Imidiwan" ("Companheiros") e é lançado no dia 29 de Junho. Vem acompanhado de um DVD de onde foi retirado o excerto acima apresentado. O Guardian está a oferecer o tema "Lulla" em download livre.
Logo após a saída do disco, os Tinariwen regressam a Portugal, para um concerto no novo Arrábida World Music Festival, dia 3 de Julho, no Forte de São Filipe, em Setúbal.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tinariwen e Sun Ra Arkestra na Arrábida

Há um novo festival de músicas do mundo, Arrábida World Music Festival (assim mesmo, em inglês), marcado para dias 3 e 4 de Julho. Nele vão estar presentes Tinariwen, a banda de acompanhamento do lendário Sun Ra, os Heavy Trash de Jon Spencer e Matt Verta-Ray, além de outros nomes como Tcheka, Legendary Tiger Man, Mazgani (e ainda... erm... DJs do Café del Mar...).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Duas digressões pelo Reino Unido com África às costas

TUNNG (Inglaterra) + TINARIWEN (Mali)
Quase dava um rim para ver isto. A folk marada dos Tunng junta-se aos blues do deserto dos Tinariwen (em formato de trio), depois da sessão que gravaram para o programa "Late Junction" da BBC Radio 3, para concertos pelo Reino Unido, durante o mês de Março: Bexhill (18), Leicester (19), Manchester (20), Edimburgo (21), Liverpool (22), Leeds (23), Bath (25), Londres (26), Reading (27) e Birmingham (28). Raios partam os bifes.

AFRICAN SOUL REBELS TOUR - BAABA MAAL (Senegal) + EXTRA GOLDEN (EUA/Quénia) + OLIVER MTUKUDZI (Zimbabué)
Também por terras britânicas, três nomes importantes da música africana (metendo já os Extra Golden por afinidade no mesmo saco) vão andar a viajar em conjunto durante o mês de Março. Datas aqui.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O fim da world music tal como a conhecemos?

Esta questão decorre de uma conversa ocasional com o director artístico do FMM Sines. Para onde vai a world music? Falamos na mesma coisa quando falamos de world music hoje ou como quando falávamos há 10 anos? E como será daqui a outros tantos? Continuaremos a colocar eventos magníficos como o FMM e o MED (oxalá resistam à passagem do tempo!) na categoria da world music?

Nos anos 80, as lojas de discos introduziram nos escaparates a secção da world music, a partir de um termo originalmente usado pelo etnomusicólogo Robert E. Brown (o primeiro grande divulgador das tradições indonésias do gamelão), para ali disporem tudo o que não fosse produção não ocidental. O interesse crescente do público e dos próprios músicos ocidentais, foi aproveitado pelo mercado e a especialização tornou-se uma realidade viável: nasceram as publicações, as editoras europeias e americanas, as lojas, os festivais, etc. Tal como jazz ou no heavy metal, por exemplo, havia um nicho do mercado que sustentava a especialização.

Hoje, o retrato que se tira à cena das músicas do mundo é diferente. A especialização deixou de ser assim tão clara como era há dez anos. Os públicos, os festivais, as publicações, as lojas, as editoras e os próprios músicos demonstram ser cada vez mais heterogéneos. E no que antes era dedicado apenas ao rock, à música nova ocidental, o mesmo se sucede. A secção da loja de discos está cada vez mais diluída pelas restantes e vice-versa.

Talvez a principal razão para esta evolução se deva à desfragmentação ou liberalização, se assim lhe quisermos chamar, do mercado da música, tal como proporcionada pela internet. A instituição de uma rede social com grande impacto na divulgação da música como o myspace.com ou a generalização do download gratuito de todo o tipo de música, trouxe uma nítida alteração nos comportamentos de todos os agentes envolvidos neste negócio, desde a origem, os músicos, até ao destino, os ouvintes. E se o mercado discográfico quase pede a extrema unção, o mercado dos espectáculos cresce a olhos vistos, o que explica que haja cada vez mais bandas a aparecer, cada vez mais digressões, cada vez mais festivais, cada vez mais promotores, cada vez mais público. Seja no rock, seja nas músicas do mundo. E este crescimento rápido em todas direcções estéticas está a trazer consequências para as antigas fronteiras de géneros e de mercados específicos. O fim do mainstream, de que tanto se fala, encontra o reflexo na diluição dos nichos.

Veja-se o caso dos festivais. Em Portugal, o MED trouxe este ano a lenda da soul Solomon Burke e os belgas Zita Swoon, dois nomes que dificilmente entrariam no clube fechado da world music de há dez anos. O FMM traz nomes como os Last Poets, o Nortec Collective ou os Firewater. Em Inglaterra, o Womad de Charlton Park apresenta o regresso dos Chic (sim, os do disco dance dos anos 70) e o Roni Size no cartaz. Nos festivais de rock é também cada vez mais frequente encontrar por lá artistas associados às músicas do mundo. O Sudoeste, por exemplo, tem feito aposta todos os anos no reggae. Os Gogol Bordello tocaram em 2007 no FMM, mas também em Paredes de Coura, e este ano regressam para o Alive. No fim-de-semana que passou, Glastonbury teve um palco que contou com Rachel Unthank, Justin Adams & Juldeh Camara (tocam ambos no FMM deste ano), Balkan Beat Box (estiveram no MED), etc.

Veja-se os músicos. Os Balkan Beat Box, por exemplo, que levam os Balcãs para a pista de dança. Os Extra Golden, que hoje tocam na ZDB, que promovem um encontro entre o rock e a música benga queniana. Os israelitas Boom Pam, que metem no mesmo saco o klezmer, a música cigana e as guitarras surf do rock'n'roll dos anos 60. Os Vampire Weekend que recuperam o legado deixado por Paul Simon em "Graceland", um exemplo perfeito de outra era de como a mestiçagem pode produzir excelentes resultados. O caso de Beirut ou do amigo Hawk and a Hacksaw, que transportam para a sua visão ocidental elementos que outrora faziam apenas parte da cena da world music. Os exemplos são infindáveis.

Veja-se o público. O castelo e toda a cidade de Sines enche-se de gente das mais diversas idades, das mais diversas "tribos", no último fim-de-semana de Julho. Os Tinariwen esgotam numa hora ou pouco mais o São Jorge, com um público que não é apenas o público da world music, no conceito que tínhamos até aqui. O público típico dos festivais de rock, outrora mais fechado e mais preconceituoso, ouve com mais respeito a "contaminação" das músicas do mundo.

Veja-se as publicações. Já repararam como, em publicações mais generalistas, já não se chuta um artigo sobre um qualquer artista do Mali para a secção das músicas do mundo? E que já não é sempre o mesmo especialista a assinar esses artigos?

Daqui a dez anos, estará tudo definitivamente diluído?

domingo, 30 de dezembro de 2007

Um bom 08 para todos!

Falta pouco mais de um dia para que este velho 07 chegue ao fim. Foi um ano intenso para mim. As reviravoltas na minha vida pessoal, que entretanto julgo ter estabilizado da melhor forma, os abraços, as risadas e as lágrimas dos e com os amigos (vós sabeis quem sois, famigliares), os inúmeros concertos (ainda assim menos que em 2005), os bailaricos sofisticados e outros que tais. 07 foi o grande ano dos festivais de world music (Sines, Sines, Sines, sempre inesquecível, mas também Viseu e Póvoa do Varzim e todos os outros que não pude ir), foi o ano em que poucas pessoas estiveram a ver os incríveis Akron/Family (quero mais em 08, Luís!), foi o ano em que toda a gente foi para o Primavera e eu a Joana delirámos com os Dirty Three, foi o ano de foi o ano para fazer crowd surfing nos braços dos Maiorais ao som dos d3ö, foi o ano para estar cara-a-cara com o exorcismo dos demónios do Lirinha do Cordel, foi o ano do campeonato decidido até ao final (valeu a taça), foi o ano do encore dos Mudhoney com o "Fix Me" dos Black Flag, foi o ano da brincadeira com a Internacional na esplanada da SMURSS pelo Jacky Mollard e compinchas bretões, foi o ano do sim à IVG (finalmente, porra), foi o ano do Shortbus, foi o ano do Control, foi o ano em que o meu filho mais vezes disse que "gochto muito do meu pai", foi o ano da Passarola, foi o ano dos Anonima Nuvolari um pouco por todo o lado, foi o ano de mais um estrondo criativo de Robert Wyatt, foi o ano para voltar a interessar-me por música feita de propósito para as pistas, foi o ano de muitas leituras interessantes, foi o ano do novo livro da Naomi Klein (bom, está a ser, na verdade), foi o ano do Death Proof, foi o ano das festas incríveis dos Filho Único no 211 da avenida da Liberdade...
Por outro lado, 07 foi também o ano em que vi menos cinema, menos teatro, menos exposições, foi o ano em que menos vontade tive de ir à ZDB, foi o ano que cheguei a pensar ser o pior de sempre, foi o último ano em que se pode fumar em liberdade (não confundir com respeito por outrém), foi o ano em que menos viajei, foi o ano das perspectivas iludidas ao nível da situação profissional (cercear as liberdades pessoais é mais fácil do que acabar com os recibos verdes), foi o ano do calafrio mais ou menos esperado com o fim-não-fim dos Mão Morta...
Mas, como dizia, 07 foi intenso. E como intenso que foi, há muitos momentos que já ficaram esquecidos. Há uma certa brincadeira habitual nesta altura que apenas não fica esquecida porque vou tomando nota ao longo do tempo. É a lista dos meus... cem melhores concertos do ano. Desde o concerto dos Vicious Five no Alquimista, na primeira parte do Marky Ramone, a 3 de Janeiro, até ao dos Caveira nesta passada sexta, no Lounge (o Quim Albergaria acaba por ser aqui um elemento comum curioso...), 07 ofereceu-me um total de 149 concertos (caramba, devia ter ido ontem ver os Alla Pollaca para chegar a um número redondo, mas estava estourado...), mais que em 06, menos que em 05 (a culpa é dos Gomez Brothers terem deixado a ZDB). Na lista dos mais assistidos estão os grandes Anonima Nuvolari (seis concertos), Caveira (quatro), d3ö, Green Machine, Norberto Lobo e Ó'questrada (três), Born a Lion, Hipnótica, Nicotine's Orchestra, Pop Dell'Arte e Vicious Five (dois). Aqui vão, então, os 100+, de trás para a frente:

100. marcel kanche @ sines (23 jul)
99. human league @ terreiro do paço (4 ago)
98. capitán entresijos @ barreiro (10 nov)
97. mojo hand @ catacumbas (20 dez)
96. caveira @ zdb (27 set)
95. andrew bird @ são jorge (31 mai)
94. señor coconut @ sines (28 jul)
93. rob k & uncle butcher @ barreiro (9 nov)
92. gala drop @ espaço avenida (13 jul)
91. norman @ lounge (13 set)
90. mayra andrade @ belém (28 jun)
89. [d-66] @ lounge (5 out)
88. marky ramone and friends @ santiago alquimista (3 jan)
87. pop dell'arte @ maxime (25 dez)
86. the white stripes @ oeirasalive (9 jun)
85. green machine @ music box (26 mai)
84. d3ö @ oeirasalive (9 jun)
83. josephine foster @ zdb (8 mar)
82. traumático desmame @ casa da avenida (21 dez)
81. ó qu'estrada @ zdb (24 nov)
80. the black lips @ barreiro (10 nov)
79. jesus and mary chain @ sbsr (4 jul)
78. bunnyranch @ music box (21 set)
77. green machine @ zdb (13 jan)
76. lobster @ zdb (9 fev)
75. vicious five @ santiago alquimista (3 jan)
74. haydamaky @ porto covo (22 jul)
73. caveira @ lounge (28 dez)
72. caveira @ lux (3 mai)
71. the mojomatics @ barreiro (10 nov)
70. rão kyao & karl seglem @ porto covo (22 jul)
69. d3ö @ rio maior, in a bar (8 dez)
68. anonima nuvolari @ póvoa de varzim (1 set)
67. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
66. born a lion @ barreiro (9 nov)
65. bypass @ santiago alquimista (13 abr)
64. músicos do nilo @ belém (28 jun)
63. nobody's bizness @ teatro viriato (16 jun)
62. caveira & jorge martins @ espaço avenida (13 jul)
61. young gods acústicos @ são jorge (16 nov)
60. green machine @ barreiro (10 nov)
59. wraygunn @ oeirasalive (10 jun)
58. beastie boys @ oeirasalive (10 jun)
57. ó qu'estrada @ zdb (20 jan)
56. the hospitals @ zdb (9 fev)
55. la etruria criminale banda @ sines (27 jul)
54. wraygunn @ lux (4 mai)
53. nicotine's orchestra @ lounge (3 fev)
52. world saxophone quartet @ sines (27 jul)
51. hamilton de holanda quinteto @ sines (27 jul)
50. oumou sangaré @ sines (25 jul)
49. mamany keita & nicolas repac @ porto covo (21 jul)
48. don byron @ porto covo (21 jul)
47. dead combo @ santiago alquimista (30 jan)
46. darko rundek & cargo orkestar @ porto covo (20 jul)
45. galandum galundaina @ porto covo (20 jul)
44. d3ö @ culto club (11 jul)
43. tó trips @ maxime (9 dez)
42. bassekou kouyate & ngoni ba @ belém (29 jun)
41. hypnotic brass ensemble @ sines (26 jul)
40. hipnótica @ restart (29 mar)
39. nicotine's orchestra @ zdb (31 mai)
38. norberto lobo & iancarlo mendonza @ soc. guilherme cossoul (8 fev)
37. howe gelb @ santiago alquimista (30 jan)
36. pop dell'arte @ lux (11 mai)
35. panda bear @ b.leza (11 abr)
34. anonima nuvolari @ incrível tasca móvel (10 ago)
33. k'naan @ sines (28 jul)
32. tartit @ sines (26 jul)
31. bellowhead @ sines (25 jul)
30. anonima nuvolari @ clube de viseu (16 jun)
29. mahmoud ahmed @ sines (26 jul)
28. ttukunak @ sines (23 jul)
27. anonima nuvolari @ zdb (19 fev)
26. hipnótica @ music box (13 out)
25. etran finatawa @ porto covo (20 jul)
24. mountain tale @ teatro viriato (16 jun)
23. anonima nuvolari @ b.leza (30 mai)
22. djumbai jazz @ zdb (26 jan)
21. kap bambino @ lounge (19 out)
20. vicious five @ oeirasalive (10 jun)
19. erika stucky @ sines (28 jul)
18. trilok gurtu band @ sines (25 jul)
17. the go! team @ oeirasalive (9 jun)
16. anonima nuvolari @ catacumbas (19 set)
15. harry manx @ sines (26 jul)
14. o'questrada @ incrível tasca móvel (10 ago)
13. jacky mollard acoustic quartet @ sines (24 jul)
12. mão morta maldoror @ theatro circo (12 mai)
11. rachid taha @ sines (27 jul)

10. CARLOS BICA TRIO AZUL C/DJ ILL VIBE @ SINES (26 JUL)
9. GOGOL BORDELLO @ SINES (28 JUL)
8. MUDHONEY @ CULTO CLUB (11 JUL)
7. PATTI SMITH @ COLISEU DOS RECREIOS (28 OUT)
6. TINARIWEN @ SÃO JORGE (5 JUL)
5. STARS OF THE LID @ NIMAS (6 DEZ)
4. LCD SOUNDSYSTEM @ SBSR (4 JUL)
3. CORDEL DO FOGO ENCANTADO @ TEATRO VIRIATO (15 JUN)
2. DIRTY THREE @ LUX (2 JUN)
1. AKRON/FAMILY @ MUSICBOX (22 ABR)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

A lista de álbuns da gerência

2007 foi, a respeito de discos, um ano de colheita memorável, na quantidade e na qualidade. Muito ficou por ouvir, como sempre, fazendo que só daqui a alguns anos se consiga ter uma lista (quase) definitiva, mas esta é, para já, a lista dos 25 melhores álbuns de 2007 para a gerência do tasco:


1. ROBERT WYATT "Comicopera" (Domino)


2. NEIL YOUNG "Chrome Dreams II" (Wea)


3. LCD SOUNDSYSTEM "Sound of Silver" (Capitol)


4. PANDA BEAR "Person Pitch" (Paw Tracks)


5. BATTLES "Mirrored" (Warp)


6. JAPANTHER "Skuffed Up My Huffy" (Menlo Park)


7. TINARIWEN "Aman Iman" (World Village)


8. AKRON/FAMILY "Love is Simple" (Young God)


9. NORBERTO LOBO "Mudar de Bina" (Bor Land)


10. ELECTRELANE "No Shouts No Calls" (Too Pure/Beggars)


11. THE NATIONAL "Boxer" (Beggars)
12. M.I.A. "Kala" (Interscope)
13. VON SÜDENFED "Tromatic Reflexxions" (Domino)
14. BASSEKOU KOUYATÉ & NGONI BA "Segu Blue" (Out Here)
15. ANIMAL COLLECTIVE "Strawberry Jam" (Domino)
16. LIARS "Liars" (Mute)
17. SHELLAC OF NORTH AMERICA "Excellent Italian Greyhound" (Touch & Go)
18. BLACK LIPS "Good Bad Not Evil" (Vice)
19. DIGITALISM "Idealism" (Astralwerks)
20. GRINDERMAN "Grinderman" (Mute)
21. NO AGE "Weirdo Rippers" (Fat Cat)
22. BLACK LIPS "Los Valientes Del Mundo Nuevo" (Vice)
23. IRON AND WINE "The Sheperd's Dog" (Sub Pop)
24. WHITE STRIPES "Icky Thump" (Wea)
25. !!! "Myth Takes" (Warp)

sábado, 22 de setembro de 2007

O Outubro da fartura ou o Mali também vai marcar presença

Já se sabia que Outubro ia ser um mês difícil, com propostas imperdíveis a decorrerem a um ritmo quase diário, particularmente na segunda quinzena. A última novidade (e que grande novidade) prende-se com a vinda de Vieux Farka Touré, o filho do falecido Ali Farka Touré, e o regresso dos sempre bem-vindos Tinariwen. É o Luís Rei que dá conta da notícia nas suas Crónicas da Terra. Os malianos deslocam-se a Portugal para concertos em Leiria, no teatro José Lúcio da Silva, e em Lisboa, no CCB, nos dias 18 e 19 de Outubro, respectivamente.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

A guitarra é uma arma

O António Pires chama-lhe a "maior banda rock do mundo". Entende-se perfeitamente o exagero e quase se toma por verdade absoluta o epíteto. É que daquelas três guitarras nas mãos dos Tinariwen brota energia que rebentaria com dezenas e dezenas de festivais de rock.
Embora a guitarra eléctrica não fosse um instrumento comum entre os povos tuaregues, até há bem pouco tempo, já há algumas décadas que se ouve com frequência na música do Mali, do Senegal, das Guinés, dos Camarões, enfim, de toda a África Ocidental. E os blues, afinal, nasceram ali, nas margens do Níger. Mas estes antigos guerrilheiros da libertação tuaregue, contaminados pelas distorções que ouviam nos discos de rock nos campos militares líbios, fazem das suas guitarras autênticas armas, enquanto na sua língua procuram chamar a atenção para a história de opressão vivida por este ancestral povo nómada. Tal é o chamamento dos riffs e das escalas pentatónicas dos Tinariwen que o corpo, na melhor e mais característica qualidade do rock, se deixa levar imediatamente aos primeiros ritmos. Foi o que aconteceu, por exemplo, na noite de ontem, com a plateia do São Jorge Sauna Club a levantar-se logo desde os primeiros instantes e a entregar-se à torrente sónica que subia desde o palco. Nem o calor que a sala ultra-lotada e a inexistência de ar condicionado patrocinavam foi impeditivo para a celebração do maior ritual já alguma vez inventado pelo homem (ah, o "concerto de rock"). As guitarras -- mais uma vez, é impossível fugir ao protagonismo delas --, apesar de apoiadas apenas num pobre djambé e num resistente baixista, mas também elas compensadoras da parte rítmica, foram enredando-se em padrões repetitivos -- não é quase sempre assim a melhor música popular, dos monges budistas aos LCD Soundsystem? -- os quais, como ondas, iam provocando impacto nos corpos e almas em redor. No final, ninguém os queria deixar ir embora e teve que haver um segundo encore, mesmo depois das luzes da sala terem acendido. Inesquecível.
(No sábado Hoje, sexta-feira, há mais, para quem for ou estiver em Évora.)

quinta-feira, 5 de julho de 2007

É nestas coisas que me dá quase vontade de virar neo-liberal

Com que fundamento se faz, na metrópole que é Lisboa, um concerto como o dos Tinariwen num espaço de lotação limitada e com entrada a preço zero? Como é que isto se explica, ainda para mais, numa edilidade que apresenta o maior défice orçamental do país?

Não é para aqui chamada a universalidade do acesso à cultura (que é um argumento perfeitamente sustentável e desejável noutros contextos) porque não havia, naquela longa fila de interessados, ninguém que não pudesse e não estivesse afim de dar 10 ou 15 euros por ver os malianos... Só há um nome para isto: gestão desastrosa. A ver se a partir de dia 16 temos outra gente naqueles lugares. O mais provável é continuar tudo na mesma...

Melhor que TV on the Radio e Interpol juntos



Esta noite, às 23h30, o cinema São Jorge recebe os Tinariwen, a fina flor dos tuaregues guitarristas do Mali, em mais um episódio do África Festival 2007. Antes do concerto serão exibidos dois documentários, um sobre Ali Farka Touré ("Le Miel N'Est Jamais Bon Dans une Seule Bouche", às 20h, com a duração de 90 minutos) e sobre os próprios Tinariwen ("Les Guitares de la Rébellion Touareg", às 22h, cm duração de 51 minutos).
A entrada é gratuita, mas a lotação é limitada, naturalmente, e o São Jorge vai começar a distribuir bilhetes daqui a pouco, às 13h. Toca a correr para lá.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

E rock, não há?

Ele é o MED, ele é o África Festival, ele é Sines, ele é os Tinariwen, ele é os Taraf de Haïdouks, ele é o Rachid Taha... Então e o rock? Desapareceu do fundo amarelo?
Mas porque é que o rock não pode também ser tudo isto, quando isto até faz mexer o corpo, tal como apontava o significado original de "rock", dançar, e "roll", sexo, se até há as guitarras eléctricas dos Tinariwen a meterem vergonha a muito grupo de blues rock, se até há as atitudes, hum, rock'n'rolleiras como aquela que o Rachid Taha protagonizou há poucos meses em Helsínquia...
Fundamentalismos como este é que não, se faz favor.

Músicas do mundo. Muitas.

Vêm aí dias de muita música, de muitos concertos, de muita festa. A dúvida fica a residir entre Loulé e Lisboa.

Já nesta quarta-feira, começa mais uma edição do Festival MED, na localidade algarvia, com um cartaz que o volta a colocar no topo dos eventos anuais dedicados às músicas do mundo. O primeiro dia conta com duas vozes femininas, a da turca Aynur e a da portuguesa Sara Tavares. Na quinta-feira, mais uma mulher, a incontornável Natacha Atlas (lembram-se dos Transglobal Underground?), e o francês Sergent Garcia (quem gosta do Manu Chao não deverá perder), numa noite que termina com o senhor Bucovina Club nos pratos, DJ Shantel. Para sexta-feira, ficam reservados dois dos nomes que mais pesam no cartaz do MED: a família cigana Taraf de Haïdouks (na foto), da Roménia, e os tuaregues Tinariwen, do Mali, que também passarão por Lisboa. A abrir a noite de sexta, vai estar o argelino emigrado em Paris Akli-D. No sábado, há que contar com a presença dos espanhóis L'Ham de Foc, o germano-italiano Vinicio Capossela e ainda os Yerba Buena, vindos de Nova Iorque. O MED acaba no domingo com os espanhóis Chambao e os argentinos Bajofondo Tango Club. Todos estes nomes são alguns dos principais destaques do MED, pois há muito mais a acontecer pelos diferentes palcos montados para o festival. O melhor é mesmo consultar o site oficial.



Por Lisboa, teremos o África Festival, que uma vez mais volta a reunir grandes nomes da música actual daquele continente no palco montado junto à Torre de Belém, e, novidade deste ano, também no cinema São Jorge. O África começa na quinta-feira, com a cada vez mais popular Mayra Andrade, a cabo-verdiana residente em França. Nessa mesma noite, e vindos do Egipto, o colectivo designado por Músicos do Nilo, que há pouco tempo passaram pela Casa da Música do Porto. Sexta-feira é a vez do angolano Paulo Flores e do maliano Bassekou Kouyate, acompanhado pelo grupo Ngoni Ba. No último dia dos concertos junto à Torre de Belém, sábado, o África Festival apresenta a ex-Zap Mama Sally Nyolo e uma das vozes mais reconhecidas do Senegal, Baaba Maal. Depois, já no São Jorge, e de 1 a 8 de Julho, o festival faz uma aposta forte no cinema, em paralelo com os concertos e as sessões de kizomba que por ali acontecerão. Entre os concertos, há a destacar o regresso a Lisboa dos Tinariwen (dia 5), bem como os espectáculos do angolano Victor Gama (dia 4) e do projecto encabeçado por Kalaf, Ecos da Banda (dia 7). Há muita África em Lisboa, nos próximos dias, e isso é bom. O programa completo está aqui neste pdf.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Tinariwen no África Festival!

Pois é. Os Tinariwen são mais uma banda a acrescentar ao elenco do África Festival, que este ano acontece novamente nos jardins junto à Torre de Belém, mas também no São Jorge, com um ciclo de cinema. É o António Pires que o anuncia. O concerto dos malianos está marcado para dia 5 de Julho.